domingo, 31 de maio de 2009

Finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura

Nesse final de semana está acontecendo em São Francisco Xavier (SP), nos pés da Serra da Mantiqueira, o 2º Festival da Mantiqueira. E, como previsto, foi anunciado ontem os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura.

E divulgo aqui não só pelo prazer literário de compartilhar, mas pelo prazer pessoal de ver o romance Milamor, da querida Livia Garcia-Roza, entre os finalistas. E está lá com a justiça da qualidade dessa prosa que nos envolve.

Nem preciso dizer o quanto já estou preparada com as bandeiras da torcida. Parabéns, Livia, e parabéns a todos os outros finalistas. Mas, não tem jeito, nesse caso, minha torcida vai para um só romance. :)

Os autores estão concorrendo ao prêmio de R$ 200 mil.

Melhor romance de 2008
Carola Saavedra – Flores Azuis – Companhia das Letras
João Gilberto Noil – Acenos e afagos – Record
José Saramago – A viagem do elefante – Companhia das Letras
Livia Garcia-Roza – Milamor – Record
Maria Esther Maciel – O livro dos nomes – Companhia das Letras
Milton Hatoum – Órfãos do Eldorado – Companhia das Letras
Moacyr Scliar – Manual da Paixão solitária – Companhia das Letras
Ronaldo Correia de Brito – Galiléia – Objetiva
Silviano Santiago – Heranças – Rocco
Walther Moreira Santos – O ciclista – Autêntica Editora

Melhor romance de 2008 - autor estreante
Altair Martins – A parede no escuro – Record
Contado Calligaris – O conto do amor – Companhia das Letras
Estevão Azevedo – Nunca o nome do menino – Terceiro Nome
Francisco Azevedo – O arroz de Palma – Record
Javier Arancibia Contreras – Imóbile – 7Letras
Marcos Vinicius de Freitas – Peixe morto – Autêntica Editora
Maria Cecília Gomes dos Reis – O mundo segundo Laura Ni – Editora 34
Rinaldo Fernandes – Rita no pomar – 7Letras
Sérgio Guimarães – Zé, Mizé, camarada André – Record
Vanessa Bárbara e Emílio Fraia – O verão do Chibo – Objetiva

Fonte: PublishNews

Descobrindo Maria Thereza Noronha

É bom descobrir escritores cujas palavras nos tocam de um jeito especial, que tem a beleza pulsando em seus textos.

A dica me chegou essa semana e logo me encantou a poesia de Maria Thereza Noronha. Mineira de Juiz de Fora, publicou A face na água (edição da autora, 1990), Pedra de limiar (Edições de Minas, 1993), A face dissonante (Oficina do Livro, 1995), Poesia em três tempos (Editora Bom Texto, 2001) e O verso implume (Oficina do Livro, 2005). Atualmente reside no Rio.

O poema abaixo foi publicado na edição desse mês do Jornal Rascunho.

Seis

Seis palavras à procura de um poema
- pirotécnicas e pirandellianas -
passeiam pela noite descuidada.
Dadas as mãos, atravessam a praça,
olham o céu, buscando comovidas
da lua cheia a face sextavada.
Contam estrelas, meio envergonhadas:
bem sabem o banal deste recurso
e vão-se afastando, cabeças baixas.
Seis palavras flutuam, indecisas,
em demanda de estrofe onde se encaixem.
Soltas, nada mais são que sopro, brisa.
Soltas, nada mais são que folhas novas
brotando da videira, pressurosas:
furam o tronco e ainda não são uvas.

Na edição 19 da Revista O Caixote é possível encontrar outros de seus poemas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Troca de livros infantis na Estação das Letras

Amanhã tem mais Troca de Livros na Estação das Letras. Mas dessa vez é infantil.

Clique na imagem para ver os detalhes.

Encontro com a autora Lygia Fagundes Telles

Ontem aconteceu na ABL o evento "Encontro com o Autor" que já teve Ana Maria Machado e João Ubaldo Ribeiro na programação. No de ontem fomos presenteados com Lygia Fagundes Telles.

Na mesa estavam presentes os acadêmicos Alberto da Costa e Silva, Ana Maria Machado e Cícero Sandroni, este também presidente da ABL. Na plateia, Nélida Piñon, Domício Proença Filho, Eduardo Portella, Ivan Junqueira, Alberto Venâncio, entre outros.

De uma simpatia contagiante, Lygia falou de sua infância, do esforço para se posicionar numa sociedade que não via com bons olhos uma mulher ganhando autonomia (além de escritora, ela se formou em Direito), de sua relação com a Companhia das Letras e, fundamentalmente, de sua literatura.

Quisera eu saber taquigrafia que teria transcrito todo o seu discurso. Mas, sinceramente, não sei se conseguiria, pois estava extasiada.

Mas, pelo menos um pouquinho consegui anotar.

"A ligação é a música"

Questionada se existiria relação entre os contos "O moço do saxofone" e "Apenas um saxofone", Lygia começou explicando que adorava saxofone. E depois de relembrar o enredo dos contos, afirmou que se há ligação entre eles, essa ligação é a música.

"É preciso ler o autor brasileiro. (...) O brasileiro tem que se voltar com mais amor para o Brasil."

"Ela escreve falando com o leitor.(...) Em seus livros é possível ouvi-la falando".

Essa frase foi de Alberto da Costa e Silva e me emocionou muito, pois captura o que de melhor podemos transmitir num livro. Eu que sou autora de livros de Informática, já ouvi de meus alunos que ao ler meus textos é possível fechar os olhos e me ouvir falando. E fico imaginando a alegria que um escritor de ficção não deve sentir de se ver reconhecido em seus textos, ou seja, conseguir marcar a sua voz. Só que, nesse caso, não a nossa voz com seus timbres, mas a voz que o escritor cria para ser seu cartão de visita, a que se reveste de um estilo, de uma linguagem, que qualquer um identificará como seu.

Terminei ontem de ler "Antes do Baile Verde". Desse livro, já conhecia vários contos, mas o volume como um todo vale muito bem para ser o fecho de ouro para a perfeição dos contos apresentados.

Ainda não esgotei toda a literatura de Lygia Fagundes Telles. Já li alguns livros de contos, outros romances. Mas ouvi-la falando ontem me fez querer passar por todos eles, e tornar-me sua cúmplice, como ela afirmou que são todos os seus leitores.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Livros como brindes no 11º Salão do Livro para Crianças e Jovens

O 11º Salão do Livro para Crianças e Jovens está chegando. Para quem está no Rio, anote na agenda, começa no próximo dia 11 de junho.

E, similar ao que aconteceu no último ano, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil comprou 35 mil livros pelo preço simbólico de R$ 1 por exemplar. As obras serão entregues às crianças que visitarem o Salão.

Livros em Braille

Para quem escreve, é inegável o desejo de ser lido. Para quem lê e ama a literatura, imagina-se que não haja problemas. Afinal, está muito mais fácil ter acesso aos livros. Temos bibliotecas, internet, compras online. Se o leitor quiser, pode ir a uma livraria e curtir fisicamente o bom e velho "folhear páginas". Mas também pode continuar em casa e pela internet aproveitar o "folhear virtual" já oferecido.

Mas pense em quem não pode enxergar? Para os deficientes visuais, não basta ter acesso à internet e às compras virtuais. É preciso que os livros adquiridos estejam num formato que lhes dê independência para curtir sua literatura, sem depender de ninguém.

Há muito poucos livros convertidos para o Braille em nosso país. Experimente ir numa dessas lojas virtuais, como a Saraiva, e faça uma busca pela palavra "Braille". Vocês vão se surpreender.

Há um esforço do governo em gerar e levar esses livros aos alunos das escolas públicas e escolas especializadas sem fins lucrativos. Isso é feito pelo Programa Nacional do Livro Didático em Braille. Mas não é suficiente. Primeiro, porque esse esforço ainda está bem longe de atingir a meta desejada. Segundo, porque não são só os alunos que necessitam ter acesso a esses livros. Há adultos deficientes que não estão nesses bancos escolares.

Uma pesquisa no site da Fundação Dorina Nowill para cegos permite que tenhamos ideia do catálogo de obras publicadas em Braille. É muito pouco. Por exemplo, ao se pesquisar por Literatura Brasileira - Contos temos apenas 20 obras em Braille e 17 em CD (wav ou mp3).

E diante desse panorama é louvável a iniciativa brasileira em propor que os direitos autorais não sejam cobrados para que se possa editar livros para os deficientes visuais sem custos.

O problema vai mais longe do que isso. Pelas regras atuais, um livro em braille só pode ser comercializado no país onde foi publicado. Por exemplo, na Nicarágua existem apenas 120 livros em Braille, mas a população não pode importar livros da Espanha.

A ideia foi lançada, isso já é um passo. Vamos ver qual será a resposta mundial.

Sobre essa proposta, leia abaixo a matéria completa que saiu na última segunda-feira, no Estadão de São Paulo.

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Brasil quer acordo por maior acesso de cegos a livros em braile
Proposta será apresentada à Organização de Propriedade Intelectual mas deve demorar para se concretizar

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo

GENEBRA - O Brasil vai propor na terça-feira, 26, um acordo internacional para permitir um maior acesso de cegos a livros em braile ou em qualquer nova tecnologia. A proposta, que será apresentada à Organização Mundial de Propriedade Intelectual em Genebra, está sendo comemorada pela União Mundial de Cegos, mas promete levar anos para se transformar em realidade. A ideia do governo brasileiro é de que os direitos autorais sobre obras não sejam cobrados para que se possa editar livros para os deficientes visuais sem custos.

"Essa será uma proposta revolucionária que mudará a realidade de milhões de pessoas no mundo", afirmou Richard Friend, um dos líderes da associação de cegos. Segundo ele, 305 milhões de pessoas no mundo sofrem de cegueira ou tem graves problemas para poder ler.

"O problema é que menos de 5% dos livros lançados no mundo acabam ganhando uma versão em braile ou em fitas para que se possa escutar", afirmou.

Um dos obstáculos é que, mesmo que haja um livro em braile, sua comercialização fica restrita ao país onde ele foi publicado. "Um exemplo é a situação dos livres para cegos que falam espanhol. Na Nicarágua, existem apenas 120 livros em braile, mas a população local não pode importar livros feitos na Espanha", explicou Friend. No Uruguai, apenas 40 novos livros por ano são editados.

O que o Brasil quer agora é que os direitos autorais de um livro sejam suspensos para permitir que associações de cegos ou mesmo editoras publiquem o livro em uma versão acessível. O tratado ainda permitiria que o livro fosse exportado ou importado, sem restrições. "Vamos levar esse tema adiante", confirmou o embaixador do Brasil em Genebra, Roberto Azevedo.

A proposta ocorre durante o ano que marca o segundo centenário do nascimento de Louis Braille, inventor do código para a leitura dos cegos.

"Não queremos favor de ninguém. Queremos ter o direito de ir a uma livraria e comprar um livro em braile ou uma fita cassete. Mas isso, primeiro, precisa existir em uma maior número", disse Friend.

A oposição que o Brasil sofrerá virá das editoras, que rejeitam a ideia de abrir uma brecha na lei de direitos autorais. O que temem é que, depois dessa abertura, outros pedidos também serão feitos. Já existem países que defendem que livros escolares não tenham direitos autorais.

O governo americano até agora não deu qualquer indicação se estaria disposto ou não a aceitar a proposta.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Clube de Autores

O I-Group e o A2C anunciaram o lançamento do Clube de Autores (http://www.clubedeautores.com.br/). O site permite que os próprios autores efetuem a publicação de suas obras de forma gratuita.

Funciona da seguinte forma: o autor pega o seu texto, converte no Word para o formato de página A5, gera um pdf e publica a obra no site. Ele pode ainda montar ou escolher uma das capas disponibilizadas. Depois é só aguardar as vendas. Quando alguém se interessa pelo livro, o Clube de Autores cuida de mandá-lo para a gráfica, que imprime de forma unitária, dá o acabamento final e o despacha para o comprador.

O autor recebe os direitos autorais trinta dias depois que as vendas acumuladas atingirem um montante mínimo de R$ 300,00.

O autor não paga para publicar no site e nem paga para imprimir. E ainda recebe os direitos autorais.

O sócio-diretor do I-Group afirma que o Clube de Autores quebra a condição desfavorável em que se via o autor, de ter que arcar com um custo alto ao se submeter a uma tiragem mínima.

Além da publicação gratuita, eles oferecem também cursos gratuitos.

Visitei o site e gostei do design: limpo e atrativo. Os livros são ofertados em disposição similar ao das livrarias.

Quanto à ideia, se o livro estiver pronto para sair da gaveta, não vejo problema. Mas o autor tem que buscar uma avaliação especializada para não se arriscar a publicar um material ainda imaturo. E a partir daí é esperarmos uma boa recepção dos "olheiros" de plantão.

Pode ser um primeiro degrau para um grande caminho.

Um pouco mais de Lygia

Crédito da Imagem: Blog Prosa & Verso


No post das pílulas dos cadernos literários dessa semana, falei sobre a matéria maravilhosa publicada no Caderno Prosa & Verso, a respeito de Lygia Fagundes Telles. Não é só a matéria assinada por José Castello, mas a entrevista que ela deu a Márcia Abos.

Eu fiquei de digitar a matéria e a entrevista, pois normalmente os textos que saem no caderno Prosa & Verso não ficam disponíveis online. Mas não havia percebido que o blog do Prosa & Verso havia divulgado os textos na íntegra.

Então, é só aproveitar a matéria e a entrevista.

De bônus ainda temos um vídeo de Lygia comentando sua obra, registrado por Márcia Abos.

Amanhã estarei na ABL. Depois eu conto aqui sobre o encontro.

Lygia Fagundes Telles participa de evento na ABL

A Academia Brasileira de Letras e a Companhia das Letras promoverão amanhã (dia 28 de maio), às 17h30, o ENCONTRO COM A AUTORA, quando serão lançadas as novas edições das obras de Lygia Fagundes Telles. O evento, que será realizado no Teatro R. Magalhães Jr. (Av Presidente Wilson, 203 / 1º), contará com a participação dos acadêmicos Ana Maria Machado e Alberto da Costa e Silva.

Segundo o crítico literário Antonio Candido de Mello e Souza, no texto "A nova narrativa brasileira", o romance Cirada de Pedra (1954) seria o marco de sua maturidade intelectual. Vivendo a realidade de uma escritora do Terceiro Mundo, Lygia Fagundes Telles considera sua obra de natureza engajada, ou seja, comprometida com a difícil condição do ser humano num país de tão frágil educação e saúde.

Lygia já foi publicada em diversos países e tem recebido, ao longo dos anos, prêmios no Brasil e no exterior. Entre os mais recentes: Prêmio Jabuti e Prêmio Camões.

Para quem estiver no Rio é uma ótima oportunidade de ouvir uma grande escritora.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pílulas dos cadernos literários - 23/05/2009

Atrasei um pouquinho as "pílulas" dessa semana, mas é que o tempo anda cada vez mais curto.
Para quem não viu o último post, as pílulas dos cadernos literários são transcrições na íntegra de algumas matérias que eu selecionei que saíram nos cadernos de sábado.

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Caderno Prosa & Verso (O Globo) – Sábado (23/05/2009)
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Coluna No Prelo (por Mànya Millen e Rachel Bertol)

- João Cândido inédito
Nas próximas semanas, a Paz e Terra lança nova edição de "A Revolta da Chibata", publicado há meio século pelo jornalista Edmar Morel. A reedição, organizada pelo historiador Marco Morel, neto do jornalista, tem como anexo o diário (inédito em livro) de João Cândido, o líder da revolta que abalou os alicerces da Marinha brasileira há quase cem anos, em 1910. O anexo se baseia em texto publicado em 12 edições do jornal "Gazeta de Notícias", do Rio, entre 1912 e 1913, com o título "Memórias de João Cândido, o marinheiro". Trechos do texto foram publicados este mês pela "Revista de História da Biblioteca Nacional", que promove, na terça-feira, às 16h, no Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional (Rua México s/nº), um debate sobre o tema. Morel, pesquisador da Uerj, falará do trabalho ao lado de Alvaro Nascimento, historiador da UFRRJ. Em casa, o jornalista tem pronto outro inédito, o livro fotobiográfico "João Cândido e a luta pelos direitos humanos", encomendado pela Fundação Banco do Brasil, numa parceria com a Petrobras. Enquanto não sai em papel, pode ser acessado em www.projetomemoria.art.br.


- Bolsas de pesquisa
A Fundação Biblioteca Nacional divulgou nesta semana editais de três bolsas de pesquisa: "Programa Nacional de Apoio à Pesquisa", "Programa de Apoio à Tradução de Autores Brasileiros" e "Bolsas para Autores com Obras em Fase de Conclusão". Elas contemplam doutores, mestres, pós-graduandos, graduandos e escritores. Os projetos devem ser enviados até 12 de junho. Os editais estão disponíveis para download em www.bn.br.


- No Prosa OnLine
Na quarta, o blog publica um conto inédito de
Lucia Bettencourt.

Coluna Rodapé

- Pensar a Imprensa
A
Casa de Rui Barbosa (São Clemente 134) promove dia 28, às 14h30m, dentro da série Pensar a Imprensa, a palestra "Do fato à ficção: escritores jornalistas no Brasil", com a jornalista, professora e escritora Cristiane Costa.

- Casa Poema
A Casa Poema (Paulino Fernandes 15), da atriz e poeta Elisa Lucinda, abre nova temporada de cursos. São quatro, com destaque para o Workshop de Poesia Falada, comandado por Elisa, entre os dias 25 e 28, das 19h às 22h. A Casa Poema também oferece aulas sobre a nova ortografia e atividades para crianças. Tel: (21) 2286-5976


- Troca de Livros
No próximo sábado, dia 30, a partir das 10h30m, acontece a troca de livros da Estação das Letras (Marquês de Abrantes 177), com a participação de Luis Raul Machado.

Obs: Saiu publicado nesse Caderno Prosa & Verso uma matéria maravilhosa com Lygia Fagundes Telles. Como o texto não fica disponível online pelo site do Globo, farei a digitação do mesmo e postarei até o próximo final de semana.

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Caderno Ideias (JB) – Sábado (23/05/2009)
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Coluna Informe Ideias (Por Alvaro Costa e Silva, com Juliana Krapp)

- Livro para Berlusconi
Durante a visita a Madri esta semana, o escritor italiano Umberto Eco ouviu dos jornalistas a pergunta: "Que livro daria de presente ao Berlusconi?". Respondeu que "nenhum", uma vez qu e o primeiro-ministro italiano já assumiu que não lê. Mas, em súbita inspiração, tratou de emendar: "Lolita".

- Eco no Brasil
Por falar no autor de O nome da Rosa, em setembro ele virá ao Brasil, a convite do Centro Internacional de Semiótica e Comunicação, para participar do seminário "Transformações da midiatização presidencial: corpos, relatos, negociações, resistências", a realizar-se em Japaratinga, Alagoas. Eco vai fazer a conferência inaugural, no dia 28.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Lançamento do livro Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa



Recebi agora à tarde o convite para o lançamento do esperado livro Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa, organizado pelo querido Marcelo Moutinho e Jorge Reis-Sá, que acontecerá no próximo dia 2 de junho (terça-feira), às 19h30 na Livraria Travessa de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572). O livro sai pela editora Casa da Palavra.

São 35 autores de quatro continentes diferentes que desenvolveram seus textos com base em algumas palavras do nosso idioma.

Clique no convite para visualizar mais detalhes sobre o lançamento.

Algumas palavras e seus autores:
  • Marcelo Moutinho - água
  • Fabrício Carpinejar - casa
  • Tatiana Salem Levy - deserto
  • Heloisa Seixas - espelho
  • Adriana Lisboa - guerrilha
  • Marcelino Freire - palavra
  • Ondjaki - sandália
  • Raimundo Carrero - sombra
  • Flávio Izhaki - vício

Aniversário: 1 ano de blog

Nossa! Nem consigo imaginar: o blog está completando 1 ano!

Comecei sem nem saber se teria fôlego para mantê-lo. Lembro que só divulguei seu endereço (e apenas aos amigos bem próximos) depois de um tempo. Acho que precisava descobrir se conseguiria fazer direito. Comecei postando uma mensagem aqui, outra ali. Quando vi, tinha tanta coisa que queria dividir.

Aos pouquinhos fui transformando a cara dele. Uma lista de cantinhos aqui, o índice com meus contos publicados ali, a agenda dos eventos anuais mais adiante.

Descobri os recursos aos pouquinhos, tanto é que só incluí um contador de visitas em final de outubro.

Mas o que de melhor descobri com o blog foram os novos amigos virtuais que amam literatura tanto quanto eu e que curtem cada pedacinho de notícia que sai. E, como eu adoro dividir esses sorrisos literários, acabam vindo aqui para curtir comigo. E pensar que alguns desses amigos chegaram aqui por acaso. Vieram no rastro de algum comentário que deixei pela rede, pesquisaram um assunto e acharam outro.

Vocês não só dividiram momentos, mas me deram muitos presentes, em forma de palavras, indicações e da alegria que eu tive quando descobri meu poema de menina.

Esses mais de 7000 acessos que o Canastra registrou só nos últimos oito meses é muito mais do que eu podia esperar.

Então, muito obrigada, de todo coração, pelas visitas, pelos comentários, pelas indicações. Sem vocês talvez eu tivesse desanimado e o Canastra não tivesse crescido forte até aqui.

Beijos carinhosos a todos vocês, e que eu possa aguentar por mais algum tempo. :)

domingo, 24 de maio de 2009

Alegrando o domingo com um poema de Mário Benedetti

E para mostrar que a tristeza de domingo já passou, convido vocês a visitarem o blog da escritora Adriana Lisboa (caquis caídos).

Ela divulgou hoje um lindo poema do escritor Mário Benedetti, morto há poucos dias.

Vale a pena!

Elitismo e desabafo

Não sou de fazer reclamações aqui no blog, mas depois da decepção que tive hoje, não tenho como ficar quieta.

Ontem publiquei um post divulgando o filme Budapeste que entrara em cartaz na sexta-feira. Falei do filme, do livro e estava até me programando para assistir.

Só quem tem dezenas de atividades paralelas e principalmente é mãe de dois filhos sabe o quanto é pequeno o tempo reservado para nós mesmos. Assim acontece comigo. O final de semana sempre é insuficiente para darmos atenção às crianças que ficam privadas de nosso convívio durante a semana. E, assim, é difícil separar um horário para irmos ao cinema, ou assistir peças de teatro, em que eles não estejam presentes. Quase sempre me sobra assistir quando sai em DVD. Mas, dependendo da vontade, damos um jeitinho. Foi assim com o filme O Leitor, que depois de semanas sem conseguir uma brecha, arranjei há muitos bairros de distância uma única sessão às 17h. Mas valeu a pena!

Ontem depois de uma manhã dedicada às atividades esportivas do meu mais velho, depois ao seu ensaio para a peça que encenaria hoje, fomos os quatro assistir Uma Noite no Museu 2. De filme à lanche, o sábado acabou. Hoje, já havia combinado com a avó de fazer hora extra e ficar com os netos, para que eu fosse com o marido assistir Budapeste.

Qual não é minha surpresa ao voltar da missa e abrir o Segundo Caderno: só havia exibição de Budapeste nos cinemas da Barra da Tijuca e Zona Sul da cidade.

Elitismo. Preconceito. Absurdo.

Então quem mora na Zona Norte não pode ter acesso à cultura? As grandes salas de teatro já são na Zona Sul, as grandes casas de espetáculo idem, e agora alguns filmes também só podem ser exibidos lá. Na Zona Norte temos que aturar três salas dedicadas ao filme baseado no livro do Dan Brown.

Eu não poderia ir até lá? Poderia, mas me recuso. Me recuso a dirigir vinte quilômetros e pagar mais caro, quando eu poderia ter o mesmo conforto em cinemas próximos de onde moro. Não tenho porque correr o risco de ficar ilhada (pois é o que acontece quando chove na nossa cidade) ou ficar refém (pois é o que acontece quando os morros da Zona Sul se manifestam), quando posso circular perto de casa.

Isso para mim é inaceitável. Isso me dá uma profunda tristeza. Vejo que enquanto perco parte do meu tempo tão precioso pensando em como levar a cultura para todos os lugares, a fazer com que todos tenham acesso e adquiram o hábito pela leitura, muitos outros, que normalmente tem o poder e o dinheiro para conseguir isso, de forma mais fácil, só não conseguem porque realmente não querem. Porque desejam que a elite continue a elite e que o povo seja apenas a grande fatia que serve muito bem em período de eleições.

Desculpe aos que me visitam aqui para ouvir minhas animadas divulgações literárias. Hoje eu precisava desabafar.

sábado, 23 de maio de 2009

Literatura no cinema e teatro

Estreiou ontem nos cinemas de todo o país o filme Budapeste, adaptação de Walter Carvalho ao romance homônimo de Chico Buarque.

O livro, e o filme, claro, trata de um ghost-writer que escreve nas sombras para que outro receba o mérito por seu trabalho.

Costa é o ghost-writer interpretado nas telonas por Leonardo Medeiros. Ele é casado com Vanda, uma apresentadora de TV, interpretada por Giovanna Antonelli. O espelho entre ele que vive nas sombras e ela que vive exposta. Costa vai à Hungria participar de um congresso de escritores anônimos e se apaixona por Krista, vivido pela húngara Gabriella Hámori. Não é só a mulher que lhe atrai, mas o idioma. Lá ele se torna Kósta.

Eu não li o livro e nem gosto muito de assistir a uma adaptação antes de ler o original, mas acho que vou abrir uma exceção.

Já no teatro, para quem estiver em São Paulo, Fernanda Montenegro estreia peça no Sesc Consolação, vivendo a escritora e filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986).

A peça que, na realidade, é um monólogo, chama-se "Viver Sem Tempos Mortos" e é uma compilação do pensamento da filósofa. O mote do espetáculo é a correspondência que ela trocou com o também filósofo Jean-Paul Sartre, seu companheiro.

Fernanda se apresenta sozinha no palco, sem recursos materiais. Não usa os turbantes como é visto em algumas fotografias de Simone, nem faz uso dos trejeitos da francesa.

O teatro do Sesc Consolação fica na Rua Dr. Vila Nova, 245, na V. Buarque. Contato: (11) 3234-3000. Fica em cartaz até o dia 28/6.

Programação Globo News

No sábado passado, o canal Globo News (canal 40 da Net) transmitiu a conversa que Edney Silvestre teve com o escritor português Miguel Sousa Tavares, na Academia Brasileira de Letras.

Miguel é autor de "Rio das Flores", romance que vendeu mais de 100 mil exemplares e está concorrendo ao Prêmio Portugal Telecom.

Para quem quiser assistir, o vídeo da entrevista está disponível.

Hoje, a programação do Espaço Aberto Literatura é sobre Mário Benedetti, o escritor uruguaio que faleceu no último dia 17, aos 88 anos.

O Espaço Aberto está exibindo agora às 08h30, mas reprisa nos seguintes horários:

  • Sábado (dia 23/05), às 16h30
  • Domingo (dia 24/05), às 06h05
  • Segunda (dia 25/05), às 12h30

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Evento "Versões" no SESC Campinas

Para quem estiver passando por Campinas, o SESC de lá está promovendo o evento "Versões", criando um panorama da produção literária atual. O evento ocorrerá de 26 a 29 de maio.

A proposta do encontro é que um escritor escolha o trabalho de outro para comentar, e que essas escolhas se interliguem, criando o panorama da produção literária atual.

Serão três momentos:

1 - ENCONTRO ENTRE AUTORES:

DIA 26: Fabrício Carpinejar comenta Luiz Ruffato
DIA 27: Luiz Ruffato comenta Adriana Lunardi
DIA 28: Adriana Lunardi comenta Cíntia Moscovich
DIA 29: Cíntia Moscovich comenta Cláudia Tajes


2 – WORKSHOPS E VIVÊNCIAS:

Poesia é Um Desaforo Bom – Oficina de poesia que busca conscientizar da importância da brincadeira da linguagem, dos movimentos de intuição, da análise do comportamento e das inversões do ponto de vista. Com Fabrício Carpinejar. 20 vagas.

Leitura Crítica Luiz Ruffato conduz leituras e discussões a partir de textos escritos pelos participantes. Cada pessoa deve trazer um texto de ficção de sua própria autoria com o máximo de 6 mil caracteres. 10 vagas.

Escritor-Leitor – A escritora Adriana Lunardi comenta aspectos da construção de alguns contos a partir da leitura dos participantes. 20 vagas.

Criação Literária – A partir de seu processo criativo, Cíntia Moscovich propõe leituras e produção de textos com base em escritores como Machado de Assis, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. 20 vagas.

3 – SARAUS LITERÁRIOS:

Encontros abertos e informais destinados a escritores e interessados para leituras, interpretações e performances de poemas e textos literários.

Mais informações:

ENCONTRO ENTRE AUTORES
26 a 29 de maio, terça a sexta, 20h. Teatro SESC Campinas
GRÁTIS

WORKSHOPS E VIVÊNCIAS
Inscrições na Central de Atendimento
26 a 29 de maio, terça a sexta, 14h às 18h.
Sala de Atividades 1
GRÁTIS

SARAUS LITERÁRIOS
26 a 29 de maio, terça a sexta, 19h às 20h. Em frente à Biblioteca.
GRÁTIS

O SESC Campinas fica na Rua Dom José I, 270 – Bonfim Campinas – SP
Contatos: (19) 3737-1515
http://www.sescsp.org.br/

Viradão Cultural no Rio

Similar ao que acontece em São Paulo, o Rio de Janeiro também terá a sua Virada Cultural, com uma estreia mais ambiciosa, em vez de um só dia, serão 48 horas de cultura sem parar.

A notícia foi divulgada nessa última quarta-feira pela secretária municipal de Cultura, Jandira Feghali.

A programação do Viradão Carioca acontecerá de 21h do dia 5 de junho a 21h do dia 7 de junho, com apoio da Rede Globo (que arcará com parte dos cachês dos artistas), e terá cerca de 300 eventos, sendo boa parte na rua. Estes serão gratuitos, enquanto os que acontecerem em locais fechados terão preços populares.

Haverá palcos montados na Praça Quinze, em Santa Cruz, em Madureira e na Cidade do Samba. Também serão ocupadas as lonas culturais, cinemas, bibliotecas e teatros.

De acordo com o Estadão, estão sendo investidos R$ 2 milhões públicos.

A agenda completa do evento será divulgada nos próximos dias. Mas, no twitter do Viradão (argh! achei o nome horrível!), é possível conferir alguns eventos, como por exemplo a leitura de clássicos da literatura para adultos e crianças que acontecerá no Planetário.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Como os escritores chegaram aos seus títulos

Na última terça, o blog Melhores Palavras, da jornalista Anaik Von Der Weid, publicou uma dica de blog super interessante.

Trata-se do blog do também jornalista Gary Dexter que divulga como os títulos de alguns livros foram escolhidos. O blog se chama How Books Got Their Titles e vem publicando diariamente a história de um livro diferente. Até hoje são 84 histórias.

No post de terça, Gary conta como Lewis Carroll chegou ao título Alice no País das Maravilhas (Alice's Adventures in Wonderland).

Vocês sabiam que o título original era As aventuras de Alice debaixo da terra (Alice's Adventures Under Ground)? Não? Então é só dar um pulinho lá e descobrir a história completa.

Há outros casos interessantes que vale conferir:

- Lolita, de Vladimir Nabokov
- The Great Gabsy, de F. Scott Fitzgerald
- Hamlet, de William Shakespeare
- Moby-Dick, de Herman Melville

Divulgada relação de finalistas do Prêmio Portugal Telecom

Ontem, em cerimônia exclusiva para convidados, a curadoria do Prêmio Portugal Telecom divulgou a lista dos 50 finalistas que estarão concorrendo aos prêmios de 100.000 reais (1º lugar), 35.000 (2º lugar) e 15.000 (3º lugar).

Foram mais de 500 obras inscritas.

A lista abaixo está organizada de acordo com a divulgação da Folha de São Paulo. Mas já conferi com o site do Prêmio Portugal Telecom e acrescentei outras informações.

São eles:
  • "Pássaros de Voo Curto", Alcione Araújo - Record (romance brasileiro)
  • "Circenses", Alkmar Santos - 7 letras (poesia brasileira)
  • "Como se Caísse Devagar", Annita Costa Malufe - Editora 34 (poesia brasileira)
  • "Ontem Não Te Vi em Babilônia", António Lobo Antunes - Alfaguara (romance português)
  • "Noite Nula", Carlos Felipe Moisés - Nankin (poesia brasileira)
  • "Flores Azuis", Carola Saavedra - Companhia das Letras (romance brasileiro)
  • "Poemas da Recordação e Outros Movimentos", Conceição Evaristo - Nandyala (poesia brasileira)
  • "O Conto do Amor", Contardo Calligaris - Companhia das Letras (romance brasileiro)
  • "O Maníaco do Olho Verde", Dalton Trevisan - Record (conto brasileiro)
  • "Cordilheira", Daniel Galera - Companhia das Letras (romance brasileiro)
  • "Cinemateca", Eucanaã Ferraz - Companhia das Letras (poesia brasileira)
  • "Retrato Desnatural", Evando Nascimento - Record (romance brasileiro)
  • "Canalha!", Fabrício Carpinejar - Bertrand (crônica brasileira)
  • "Marcelino", Godofredo de Oliveira Neto - Imago (romance brasileiro)
  • "Aprender a Rezar na Era da Técnica", Gonçalo Tavares - Companhia das Letras (romance português)
  • "A Filha do Escritor", Gustavo Bernardo - Agir (romance brasileiro)
  • "Ravenalas", Horácio Costa - Amauta Editorial (poesia brasileira)
  • "A Eternidade e o Desejo", Inês Pedrosa - Alfaguara (romance português)
  • "O Livro das Emoções", João Almino - Record (romance brasileiro)
  • "Acenos e Afagos", João Gilberto Noll - Record (romance brasileiro)
  • "Cemitério de Pianos", José Luís Peixoto - Record (romance português)
  • "Lisbon Blues", José Luiz Tavares - Escrituras (poesia caboverdeana)
  • "A Viagem do Elefante", José Saramago - Companhia das Letras (romance português)
  • "Memórias de um Intelectual Comunista", Leandro Konder - Civilização Brasileira (memória brasileira)
  • "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa", Lourenço Mutarelli - Companhia das Letras (romance brasileiro)
  • "O Osso Côncavo e Outros Poemas", Luís Carlos Patraquim - Escrituras (poesia portuguesa)
  • "A Casa da Minha Infância", Luis Nassif - Agir (crônica brasileira)
  • "O Livro das Impossibilidades", Luiz Ruffato - Record (romance brasileiro)
  • "Contos Eróticos", Luiz Vilela - Leitura (conto brasileiro)
  • "Memórias Inventadas - A Terceira Infância", Manoel de Barros - Planeta do Brasil (poesia brasileira)
  • "Rasif", Marcelino Freire - Record (conto brasileiro)
  • "Animais em Extinção", Marcelo Mirisola - Record (romance brasileiro)
  • "O Livro dos Nomes", Maria Esther Maciel - Companhia das Letras (romance brasileiro)
  • "Venenos de Deus, Remédios do Diabo", Mia Couto - Companhia das Letras (romance moçambicano)
  • "A Primeira Mulher", Miguel Sanches Neto - Record (romance brasileiro)
  • "Rio das Flores", Miguel Sousa Tavares - Companhia das Letras (romance português)
  • "Órfãos do Eldorado", Milton Hatoum - Companhia das Letras (romance brasileiro)
  • "Manual da Paixão Solitária", Moacyr Scliar - Companhia das Letras (romance brasileiro)
  • "Ó", Nuno Ramos - Iluminuras (conto brasileiro)
  • "Cinco Lugares da Fúria", Pádua Fernandes - Hedra (poesia brasileira)
  • "A Fábrica do Feminino", Paula Glenadel - 7 letras (poesia brasileira)
  • "Predadores", Pepetela - Língua geral (romance angolano)
  • "Chocolate Amargo", Renata Pallottini - Brasiliense (poesia brasileira)
  • "Todos os Cachorros são Azuis", Rodrigo de Souza Leão - 7letras (romance brasileiro)
  • "Galiléia", Ronaldo Correia de Brito - Alfaguara (romance brasileiro)
  • "De Paixões e de Vampiros", Ruy Espinheira Filho - Bertrand Brasil (romance brasileiro)
  • "Jornada com Rupert", Salim Miguel - Record (romance brasileiro)
  • "Heranças", Silviano Santiago - Rocco (romance brasileiro)
  • "O Livro Amarelo do Terminal", Vanessa Barbara - Cosac Naify (crônica brasileira)
  • "Satolep", Vitor Ramil - Cosac Naify (romance brasileiro)

Uma pequena tristeza por não ver entre os finalistas meus livros preferidos. Mas como havia dito no meu post de torcida, fico feliz por encontrar entre os selecionados os livros da Carola Saavedra e Gustavo Bernardo, pois adorei Flores Azuis e A filha do escritor.

Parabéns aos selecionados!

Atualização de 22/05/2009: De acordo com divugação de alguns jornais, Flora Sussekind (curadora do prêmio) comentou sobre o critério de seleção dos finalistas:

– A literatura está cada vez mais convencional. Mesmo assim, em meio a tantos escritores, o júri conseguiu eleger alguns livros que realmente quebram o conservadorismo literário predominante e merecem reconhecimento.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Nada de canetas, livros como brindes

Sou a favor de qualquer iniciativa que incentive a leitura. Sem preconceitos. Claro que em alguns casos vem em primeiro lugar o lucro, mas que assim seja, desde que se esteja semeando o bichinho-da-leitura.

No último dia 19 saiu no PublishNews uma matéria sobre uma dessas iniciativas, promovida pela Editora Saraiva, que está produzindo livros em tiragens limitadas e exclusivas que podem ser personalizados e distribuídos por empresas como brinde para clientes, fornecedores ou colaboradores. Os Projetos Especiais Saraiva permitem a personalização de qualquer título da própria Editora ou de outro selo do grupo -- Atual, Formato, ARX e Caramelo.

Veja a matéria completa:

"Livros como brindes personalizados
Publishnews - 19/05/2009 - por Redação

A Editora Saraiva está oferecendo às empresas uma ferramenta para tornar a sua marca ainda mais poderosa. Através de sua área de Projetos Especiais, a empresa está produzindo livros em tiragens limitadas e exclusivas que podem ser personalizados e distribuídos como brinde para clientes, fornecedores ou colaboradores. Seu catálogo está à disposição das empresas que queiram adicionar a sua marca a um brinde original, como afirma o coordenador da área na Saraiva, Antonio Tocca. “O livro é um brinde duradouro”, acrescentou. Os Projetos Especiais Saraiva permitem a personalização de qualquer título da própria Editora ou de outro selo do grupo – Atual, Formato, ARX e Caramelo. É possível, por exemplo, incluir o logotipo da empresa, inserir textos e capítulos exclusivos para a edição contratada, selecionar conteúdo ou mesmo compactar o livro original.

Nas encomendas acima de mil exemplares, a empresa ainda pode personalizar a capa ou sobrecapa, colocando o seu logo ou uma mensagem do presidente. “É uma oportunidade para criar livros sob medida, com a cara e a marca da empresa, e ao mesmo tempo fugir do brinde convencional”, resume Tocca. O setor de brindes movimentou cerca de R$ 6,3 bilhões no Brasil em 2008, valor que representa um crescimento de 5% em relação a 2007, de acordo com os organizadores da Expo Bríndice, uma das principais feiras desse segmento no País – e na América Latina. No ranking das ferramentas de mídia utilizadas pelo mercado publicitário, os brindes ocupam a terceira colocação, como mostra o livro A terceira mídia, de Henry James Salomon (Editora Saraiva; 2008). Segundo o autor, os presentes e os brindes promocionais, quando bem empregados, podem ter um efeito incrível no processo de construção de uma marca, ajudando a consolidar relações comerciais."

Um pouco de técnica com Vinícius de Moraes e Herberto Sales

A coleção Viver & Escrever de Edla van Steen (LP&M Pocket) é maravilhosa, pois nos permite, por meio dos depoimentos de grandes escritores e personalidades culturais, conhecer um pouco de suas vidas, suas obras e de suas técnicas.

Como o que é bom é para ser dividido, resolvi dividir um pouquinho dessa técnica oferecida nos depoimentos de Vinicius de Moraes e Herberto Sales.

Vinicius (1913-1980), o nosso grande poeta, dispensa apresentações. Herberto (1917-1999) nasceu em Andaraí, na Bahia. Membro da Academia Brasileira de Letras. Foi contista, romancista, jornalista, memorialista e autor de livros infanto-juvenis.

Vamos aos trechos de seus depoimentos.

Vinicius de Moraes:

"Não sou um escritor de forma fácil, que vai escrevendo emocionalmente. Por exemplo: mil poemas saem todos os dias, mas eu não anoto nada. Se for importante, o poema volta."

"Saiu [o segundo livro, Forma e Exegese] quando eu tinha 22 anos. Um livro mais organizado mentalmente, porque eu já conhecia Rimbaud, que exerceu uma enorme influência em mim. (...) Foi o Octávio Tarquínio que me pôs no devido lugar, no rodapé literário que ele assinava. Ele disse: 'Olha, menino, vá com calma, você tem tempo ainda. Você tem talento, mas a poesia é mais vasta, é preciso saber manejar o instrumento de trabalho'"

Herberto Sales:

"'Eu não acredito em espontaneidade no ato da criação, espontaneidade é o resultado do esforço que o escritor faz para aparentar que escreveu sem esforço.' O sentido que eu dou à espontaneidade é realmente este: o resultado do esforço que faz um escritor para aparentar que escreveu sem esforço. Além disso, não acredito em espontaneidade -- pelo menos em termos literários -- sem a efetivação de um traquejo estilístico profundo. O escritor que pensar de maneira diferente e resolver confiar na pura e simples espontaneidade, vai acabar sendo catador de coco. Numa palavra: espontaneidade de bardo de cordel é uma coisa, e espontaneidade em termos de literatura realizada é outra."

"O escritor que não policiar esteticamente sua linguagem, isto é, podar, cortar, afinar (no sentido musical), vai acabar se machucando. Muitas vezes eu escrevo com grande fluência, fazendo aquilo que em outros tempos se chamava 'escrever de um hausto'. A possível fluência que muitas vezes tenho hoje, porém, nada mais é que o resultado das grandes dores de parto dos primeiros tempos."

"Para mim, o bom escritor é aquele que nos seus livros nos leva a um reencontro com o que temos em nós de mais profundo e verdadeiro".

"Em Cascalho muitos nomes foram tirados diretamente da vida real. Nomes de pessoas que conheci e com as quais convivi e que entraram para o romance com os seus pitorescos apelidos. Em outras ocasiões, vou buscar nomes nas listas telefônicas, escolho-os às vezes durante a leitura dos jornais, sempre misturando-os, remanejando nomes e sobrenomes, em busca de uma correspondência física entre eles e o personagem. (...) O personagem central era um homem magro e alto, e isto me levou a dar-lhe nome de Jenner, que é, como se pode ver, sentir, um nome magro e alto, com aquele perfil esguio do J inicial e aqueles cambitos nos nn dobrados."

"Há um escritor norte-americano, Scott Fitzgerald, por quem não morro de amores, mas que escreveu pelo menos um conto genial (O Curioso Caso de Benjamin Button), que disse que desde o início de sua carreira pensou em tornar-se um bom escritor. Pela vida afora eu não tenho procurado outra coisa senão isso. Fitzgerald certamente o conseguiu."

terça-feira, 19 de maio de 2009

Livia Garcia-Roza em São Paulo





Para quem for de São Paulo ou estiver de passagem, no próximo dia 21 (quinta-feira), Livia Garcia-Roza estará no Sempre um Papo, no Sesc Vila Mariana, falando com o público sobre o seu livro Era Outra Vez.

O evento é gratuito e acontecerá às 20h. A lotação está sujeita à capacidade da sala: 131 lugares

O Sesc Vila Mariana fica na Rua Pelotas, 141 - Vila Mariana, São Paulo. Contato: (11) 5080-3000.

Rascunho: trecho do artigo de Luiz Antonio de Assis Brasil

Continuando a divulgar as boas matérias do Jornal Rascunho desse mês, reproduzo abaixo um pequeno trecho escrito por Luiz Antonio de Assis Brasil em seu artigo “Escrever, todos escrevem”.

Me fez lembrar uma frase dita pelo Luiz Ruffato no workshop que fiz com ele, na última sexta. Ele disse que precisamos escrever com o corpo. Usar nossos sentidos. Ensinamento que não vou esquecer.

Mas vamos ao trecho do Luiz Antonio (o grifo é meu):

“Embalado nessas ideias, pode-se pensar que sim, todos escrevem; é preciso, entretanto, reiterar que escrever literatura não é desabafar – que culpa tem o leitor pelos nossos problemas? --, nem é uma forma de ascender socialmente e, muito menos, de ganhar dinheiro. Escreve-se porque é uma necessidade, porque se tem o que dizer, porque não se pode viver com isso. Escreve-se com a emoção, sim, mas é a emoção filtrada pela razão. Sozinho, o sentimento não escreve nada; é necessário que esse sentimento seja, antes de tudo, literatura. E só será literatura se contiver qualidade estética. E qualidade estética não se herda pelos genes; adquire-se com o tempo, com as leituras, com as vivências, com o escrever e, em especial, com o reescrever.

(...)

“Escrever literatura não é tarefa para fim de semana ou para as férias. Nem para enfeitar currículo.”

“Todos rabiscam uma paisagem sobre um guardanapo de papel. Até eu. Ser pintor é outra coisa.”

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Morre o escritor Mário Benedetti

Temos uma grande perda no mundo literário. Morreu neste domingo, em Montevidéu, aos 88 anos, o escritor uruguaio Mário Benedetti.

Há algumas semanas o escritor havia sido internado durante 12 dias com uma doença intestinal crônica, mas havia recebido alta. No ano passado ele já havia sido internado algumas vezes por problemas de saúde.

Com a saúde debilitada, ele faleceu em sua casa, na capital uruguaia.

Mário escreveu mais de 80 livros, entre poesia, romances, contos e ensaios, além de roteiros para cinema.

Entre suas obras traduzidas temos: Primavera num espelho partido, A trégua, Correio do tempo e Gracias por el fuego.

Veja notícias sobre a morte do escritor:

- matéria no Estadão.
- matéria no Último Segundo

Encontro no Sesc sobre projeto Amores Expressos

Quarta-feira, dia 20, às 19 h tem evento gratuito no Sesc Copacabana (RJ).

Os escritores Bernardo Carvalho e Daniel Galera vão falar sobre suas experiências e processos de criação literária nos livros do projeto Amores Expressos lançados por eles.

Daniel viajou para Buenos Aires e trouxe na bagagem a história Cordilheira. Já Bernardo foi para São Petersburgo, resultando dessa experiência o livro O Filho da Mãe.

O projeto tinha esse objetivo: enviar escritores para várias metrópoles do mundo com a missão de escrever um livro naquela cidade, tendo como mote o amor.

Na palestra do Sesc haverá também a apresentação dos documentários realizados com os autores nas cidades para as quais viajaram.

O encontro tem mediação de João Paulo Cuenca, que foi o responsável pela seleção dos autores-viajantes.

O Sesc Copacabana fica na Rua Domingos Ferreira, 160. Contato: (21) 2548-1088.

Fonte: Sesc

domingo, 17 de maio de 2009

Livro é devolvido com 145 anos de atraso

Quando começamos a escrever ficção, uma imagem, uma palavra ou mesmo uma frase podem nos acender uma ideia. Eu sou assim. Meu caderninho é cheio dessas matérias-primas. Mas, às vezes, nos aparecem uma história interessantíssima que já abre a vontade de escrever algo. Não exatamente igual à história original, mas criando sobre o que há de inovador nela.

Foi isso que pensei ao ler a matéria que saiu hoje, no Planeta Bizarro, do Portal G1.com.

A notícia: um livro foi devolvido com 145 anos de atraso à biblioteca de uma faculdade da Virgínia, nos Estados Unidos. A obra tinha sido retirada por um soldado, em 1964, que, de acordo com a notícia, pensara que ele pertencia ao Instituto Militar da Virgínia, que era ao lado da antiga Universidade de Washington. Ocorre que essa biblioteca acabou queimada pouco depois. A história está com algumas pontas soltas, mas, sinceramente, nesse momento, acho que o que menos importa é o motivo pelo qual esse soldado não devolveu o livro.

O que tem de melhor na história é que os herdeiros repassaram o livro a um técnico de handebol que decidiu devolvê-lo à biblioteca. Ainda bem que não lhe cobraram a multa de cerca de 52 mil dólares.

A obra é um volume da "História da Guerra na Península e no Sul da França", escrita por William Francis Napier.

Para ler a matéria, na íntegra, acesse o site do Planeta Bizarro.

"Ouvindo" Livia Garcia-Roza no Jornal Rascunho

O Jornal Rascunho de maio chegou e eu estava ansiosa. Para não me decepcionar, ele veio com ótimas resenhas.

Daqui a alguns dias vocês poderão conferir todas as matérias no próprio site do Rascunho. Mas enquanto isso, eu não me aguento e preciso falar do que me tocou.

Começo, hoje, com a conversa de Livia Garcia-Roza no Paiol Literário, mediada pelo escritor e jornalista José Castello.

Aqui vou reproduzir os meus melhores momentos, dentre os melhores momentos publicados no jornal. Livia, que além de escritora é psicanalista, tem a medida certa de cada palavra. Essas palavras que têm em mim um poder de despertar sorrisos, de me fazer sentir aconchegada. Uma grande escritora que mostra por meio de seu talento o grande ser humano que conduz sua voz e suas mãos.

Vamos lá!

Chaves imaginárias
A literatura nos ordena os pensamentos, nos fornece chaves imaginárias. Ela nos mostra outros mundos, abre janelas em nossa vida, nos mostra outras pessoas, vivendo outras situações, outras histórias, outros enredos. Saímos desse nosso mundo mais fechado, individualizado, e nos abrimos a um mundo muito maior, onde há muitas coisas mais. Sobretudo, a literatura faz cidadãos. É uma forma de a gente se civilizar. Então, não conheço nada mais importante, que nos melhore como seres humanos, do que ler livros.

Seres de linguagem
(...) O que fazemos senão trocar palavras? É isso que a gente faz na vida. Trocamos palavras. E como é importante saber o que o outro disse, o que pensou. Nos términos amorosos, ficamos atingidos quando o outro não nos diz nada, quando sai sem dizer uma palavra. É uma coisa fortíssima. Porque a palavra é o que nos constitui, nos faz humanos. É com ela que a gente tem que se haver, é com ela que a gente tem que lidar, não tem outra saída. Somos seres falantes, seres de linguagem.

Crianças aturdidas
(...) A grandiosidade pode estar, inclusive, nas menores coisas, nas coisas minúsculas, num aceno que uma pessoa faz, na palavra que outra diz e que, às vezes, tem uma dimensão imensa, vale um tesouro, um conto, um romance. São essas as coisas que valorizo. (...)

Fulminada na cama
Um dia, caiu em minhas mãos, levado não sei por quem, por um anjo talvez, um livro de Vinícius de Moraes. Eu o abri num soneto chamado Soneto do amor total. Comecei a ler aquilo e, no final, o poema dizia: “E de te amar assim, muito e amiúde / É que um dia em teu corpo de repente / hei de morrer de amar mais do que pude”. Caí fulminada na cama. Eu tinha uns treze anos. Na minha família, perguntavam: “O que houve com ela?”. E minha avó: “Parece que foi uma poesia”. E tinha sido.

Ai, meu sol
(...) Minha mãe estudou harpa a vida toda. As cordas da sua harpa eram de tripa, volta e meia arrebentavam. Quando uma corda arrebentava, ela dizia: “Ai, meu sol!”. Dizia o nome de cada nota. E a gente começou a entrar na história. Arrebentava uma corda e dizíamos: “Ai, meu lá!”. E ela: “Na é lá, é ré”. “Ai, meu si.” “Não é si, é fá.” Foi assim que mamãe nos afinou. E isso, para mim, serviu muito para a literatura. Porque na verdade a literatura tem uma cadência. As frases têm uma cadência. Elas têm uma harmonia. E a gente pode desafinar, a gente desafina de vez em quando. Leio muito literatura com esse ouvido, graças ao instrumento dela, que escutei a vida toda, até minha mãe falecer. (...)

A melhor das vidas
Uma das minhas grandes paixões é a literatura latino-americana. Uma grande paixão é o (Juan Carlos) Onetti. (...) O Onetti tem um conto que se chama Um sonho realizado. Um belíssimo conto, que já li várias vezes. É uma aula de como se fazer um conto. Mas, enfim, quando a gente gosta de literatura, quando somos amantes dela – e eu me considero uma dessas pessoas, feliz por ter encontrado esse mundo –, é a melhor das vidas possíveis.

É como caminhar
Eu vivo lendo. Faz parte do meu dia. É como caminhar, por exemplo. Eu caminho todos os dias.

sábado, 16 de maio de 2009

Cristóvão Tezza hoje no Umas Palavras (Canal Futura)

Hoje, às 22:00, no Canal Futura (32 da Net), o programa Umas Palavras apresentará uma entrevista com Cristóvão Tezza, autor do premiadíssimo livro O filho eterno.

Pílulas dos cadernos literários – 16/05/2009

A partir de hoje, vou passar a transcrever algumas notícias dos cadernos literários de sábado, sem incluir meus comentários. Nesse caso (que chamarei de “pílulas”), apenas copiarei o texto. Não que tenham menos importância (senão eu nem colocaria aqui), são tão somente uma forma mais rápida de repassar a informação. Minha única contribuição será incluir alguns links, aproveitando a facilidade que temos do texto virtual.

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Caderno Prosa & Verso (O Globo) – Sábado (16/05/2009)
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Coluna No Prelo (por Mànya Millen e Rachel Bertol)

- Amazon agora é editora
A Amazon anunciou, esta semana, que também vai publicar livros através da AmazonEscore, editora que vai usar as informações da empresa sobre as preferências e as demandas dos leitores, através de acessos ao site e comentários deixados nas páginas dos livros, entre outros medidores. O primeiro título que a AmazonEscore vai lançar, em agosto próximo, com capa dura, será o romance de fantasia “Legacy”, escrito por uma adolescente de 14 anos (hoje com 16), Cayla Kluver, que já o publicara pela editora que fundou com a mãe. (...)

- Adriana Lisboa para crianças
Completando em 2009 dez anos de carreira, com livros já publicados em Portugal, Itália, França, Suécia e México, a escritora Adriana Lisboa também vem firmando seu nome no universo da literatura infanto-juvenil. Em junho a Editora Rocco manda para as livrarias “A sereia e o caçador de borboletas”, livro para crianças que reedita a parceria entre Adriana e o ilustrador Rui de Oliveira, iniciada com o belo “Língua de trapo”. Com a obra, Adriana ganhou, em 2005, o prêmio de autor estreante pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) – que também concedeu o selo de Altamente Recomendável na categoria Reconto por “Contos populares japoneses” (de 2008). No novo livro, que será lançado no 11º Salão FNLIJ – a partir do dia 11 de junho no Centro Cultural Ação da Cidadania – a dupla conta uma delicada história de amor entre personagens de mundos estranhos e que se sentem estranhos em seus mundos.

- Portugal Telecom
Os 50 finalistas do Prêmio Portugal Telecom 2009 serão conhecidos na próxima quarta-feira, em cerimônia no Palácio São Clemente.

Coluna Rodapé

- Dias Gomes
Dia 21, às 17h30m, no Teatro R. Magalhães Jr. da ABL (Presidente Wilson 203), acontece a mesa redonda “10 anos sem Dias Gomes”

- Café Literário
Durante as sextas-feiras de maio a escritora Lúcia Bettencourt comanda, no Espaço Telezoom (Dias Ferreira 78/301), o Café Literário, série de encontros sobre literatura que acontece das 10h às 12h. Por conta do horário, o curso inclui o café da manhã. Informações: 3435-1617

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Caderno Ideias (JB) – Sábado (16/05/2009)
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Coluna Informe Ideias (Por Alvaro Costa e Silva, com Juliana Krapp)

- Estratégia
Se de fato fechar negócio e adquirir a Nova Fronteira, o poderoso grupo Leya – holding que concentra algumas das mais prestigiadas editoras portuguesas, como Asa, Caminho, Dom Quixote, Texto Editores, Oficina do Livro, Teorema – já tem um segundo passo em curso: comprar os direitos da obra completa de Rubem Fonseca que, como se sabe, brigou com a Companhia das Letras, sua casa há 30 anos.

- Prêmio São Paulo
Duzentos e dezessete romances concorrem aos R$ 400 mil (R$ 200 mil para cada categoria) do Prêmio São Paulo de Literatura 2009. Milton Hatoum, Moacyr Scliar, Marcelo Rubens Paiva, Patrícia Melo, Paulo Coelho e até José Saramago são candidatos. Os finalistas serão anunciados durante o 2º Festival da Mantiqueira, de 29 a 31 de maio, em São Francisco Xavier, São Paulo.

- O livro da infância
Até o dia 31 de maio, estudantes do 1º ao 5º ano podem responder, na Livraria DaConde (2274-0359), à pergunta: “Qual livro marcou sua infância?”. Quem melhor justificar sua escolha ganha duas cestas de livros: uma para si e outra para sua escola.

- Estão abertas até 12 de junho as inscrições para as bolsas da Biblioteca Nacional voltadas para pesquisadores, tradutores e autores.

Livro sobre amor por Ana Maria Machado e Moacyr Scliar

Falando em lançamentos, em breve sairá pelo selo Papirus 7 mares, um livro escrito a quatro mãos, por Ana Maria Machado e Moacyr Scliar.

O livro traçará a trajetória do amor, dos seus primórdios ao século XXI, passando pelo nascimento do conceito de casal, a ideia do "amor romântico" e o "ficar" dos tempos atuais.

Lançamento do livro Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa

Em março, falei aqui sobre a nova antologia organizada pelos escritores Marcelo Moutinho e Jorge Reis-Sá -- Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa.

Pois agora eu volto ao assunto para avisar que o livro de contos já está com data para nascer. Seu lançamento será no próximo dia 2 de junho, na Livraria Travessa de Ipanema.

No livro, 35 autores de países lusófonos criaram textos nos formatos de prosa, poesia e ensaios falando sobre palavras da nossa língua escolhidas previamente.

Imperdível!

Mais detalhes do lançamento, publico assim que tiver. Para saber algumas palavras e a lista dos autores, deem uma olhadinha no post que publiquei no dia 22 de março.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Outro sucesso de Bernhard Schlink

Já falei aqui da impressão maravilhosa que tive com o filme O Leitor. Já ouvi de vários amigos que o livro é muito melhor. Pois bem, há pouco, saiu publicada a tradução de mais um livro de Bernhard Schlink, chamado O outro.

E claro que vem como promessa de bestseller. E uma pulguinha me perguntou se teríamos aí outro sucesso, que agradasse ao público e à crítica.

E dias depois dessa pulguinha começar a me perturbar, eu nem tendo colocado o título na minha lista do "a comprar", me deparo com o artigo de José Castello, em sua coluna semanal do caderno Prosa & Verso.

Impressão depois dessa leitura: o livro já foi incluído na minha lista interminável, que arrebenta com a conta do cartão de crédito. Ele e seu irmão famoso: O leitor. Duplo gasto.

Como o artigo não fica online, espero que ninguém reclame de eu o reproduzir aqui. E com isso, deixo que vocês tirem suas próprias conclusões.

A mentira da verdade
Por José Castello
(Caderno Prosa & Verso - edição 09/05/2009)

A literatura é um rasgão na placidez do mundo. Olhar enviesado, que nos pega pelas costas e de mau jeito, ela se impõe como um golpe e nos agita. Pode a literatura dar conta do mundo? Lendo Manuel Bandeira, deparo com uma de suas traduções do poeta espanhol Juan Ramón Jiménez, que me ajuda a pensar: "Colhi-te? Não sei/ Se te colhi, pluma suavíssima/ Ou se colhi tua sombra". Nunca chegamos ao que queremos. O mundo se assemelha a esses espelhos sinuosos que, nas feiras e nos circos, nos oferecem sucessivas imagens deformadas. Você se mira naquelas sombras, na esperança, tola, de uma convicção. À saída, já não sabe mais quem é.

Ideias sobre os limites fluidos do ser me vêm enquanto leio "O outro", novela do alemão Bernhard Schlink (Record, tradução de Kristina Michahelles). Um livro simples que -- com a delicadeza cruel dos anestesistas, que nos embalam em sono profundo só para que nos retalhem -- arranca a cortina de ilusões em que nos protegemos. Schlink (que é também o autor de "O leitor", livro que Stephen Daldry transformou em um filme premiado) nos pega de jeito. Acredita-se, em geral, que ele seja só um inofensivo autor de bestsellers. Você se deixa levar por seus relatos, neles se aconchega, como se abraçasse um animalzinho de estimação. Ao final, porém, o livro fica cravado em seu peito, como uma adaga.

"O outro" é a história de Bengt, um músico que, depois de perder a mulher, Lisa, vitimada por um câncer, faz uma descoberta cruel: durante longos anos, sem que ele jamais suspeitasse, a esposa o traiu. A carta de Rolf, o Outro, lhe chega em meio aos cartões de condolências. Destina-se não a ele, o viúvo, mas a Lisa, a morta. Julgando-a viva, Rolf lhe escreve para falar do "pecado da vida não vivida, do amor não amado". Implora que volte a seus braços.

Bengt lê a carta do Outro com desespero. O ciúme o fere. Mais dolorosa, porém, é a ideia de que, provavelmente, não conhecia a mulher que amou. "Como saber se ela fora uma para ele e outra para o Outro?" -- ele se pergunta. Não se interessa por Rolf, mas pelo lugar que o Outro ocupou na vida de sua mulher. Lugar não só de um terceiro, mas a partir do qual uma nova imagem de Lisa -- agora vista como uma estranha, ela também Outra -- se descortina. Ao lado do Outro, Lisa era, por certo, a mesma mulher que ele sempre amou e a quem, com tanto carinho, ajudou a morrer. Mas era, ao mesmo tempo, uma Outra, uma desconhecida. A imagem da amada se divide. O que é pior: Lisa ter sido Outra ao lado do Outro, ou ter sido a mesma? Quem, afinal, foi Lisa: a mulher que o amou, ou a mulher que o traiu?

Bengt controla a raiva e, friamente, escreve ao Outro comunicando a morte da esposa. Quer dar a questão por encerrada. São apenas três frases secas: "Sua carta chegou. Mas já não chegou para quem você a escreveu. A Lisa que você conheceu e amou morreu." Em vez de tomá-la como um comunicado fúnebre, porém, o Outro a lê como um pedido de ruptura, que a amada assina. Como são pérfidas as palavras! A carta -- a mesma carta --, dependendo de quem a lê, se torna outra carta. As três linhas escritas por Bengt imitam a consistência fluida da literatura, massa pegajosa que, na mente de cada leitor, toma uma forma. Volto à sentença genial de Roa Bastos: "Um livro só existe na cabeça do leitor". Para cada um de nós, um mesmo livro é, sempre, outro livro.

Um desesperado Bengt responde a carta em nome de sua mulher -- "ressuscistando-a". Ao ocupar o papel da morta, ele experimenta o prazer perverso de transformar Rolf em seu fantoche. Passa a lidar, assim, com um segundo Rolf: não mais o homem que Lisa amou, mas o tolo que ele, por vingança, manipula. Faz assim, do Outro, um terceiro. A partir daí, Bengt se entrega a um jogo sofisticado, no qual as regras variam de acordo com quem mexe as peças. Não é outra coisa a literatura, senão um mundo arbitrário que, nas mãos de cada escritor, se transforma em algo distinto. A literatura é uma valise dentro da qual o escritor, iludido a respeito de seu poder, arruma as palavras. Mas só o leitor -- cada leitor -- lhes confere sentido.

A partir daí, Bengt passa a viver para o Outro que, no entanto, já não é o Mesmo que Lisa conheceu. Que desassossego! O mundo sacoleja: as posições se desfiguram, os horizontes quebram. Com as cartas escritas em nome de Lisa, um temerário Bengt não só se intromete no amor secreto entre ela e o Outro, como inventa uma maneira (suicida, pois faz dele uma carta fora do baralho) de ressuscitar a mulher. O jogo se desenrola até o momento-limite em que Bengt, não suportando mais o solo quebradiço em que avança, decide procurar o Outro, Rolf em pessoa, para encará-lo. Acredita que, defrontando a verdade, pisará, enfim, em terra firme.

A verdade, porém, é deplorável: Rolf não passa de um pobre fanfarrão, um miserável janota. A verdade é uma mentira. O que Lisa via, afinal, naquele imbecil? Bengt abandona, então, a busca da verdade e a substitui -- para usar uma expressão do artista russo Wassily Kandinsky -- pela invenção de uma "olhada interior". Abdica da nitidez e da perfeição e retorna a si. Também o Outro se duplica: Rolf era um homem para Lisa, passa a ser outro para Bengt, que só assim pode fazer a travessia de seu luto. Ao leitor cabe, agora, elaborar uma perda: a de suas ilusões a respeito do que lê. Não temos mais o direito de acreditar nesses personagens límpidos e coerentes que habitam as narrativas da tradição. Se eles ainda surgem em muitos relatos contemporâneos, já não passam de farsas.

Cabe, então, ao leitor se perguntar quem era aquele Outro que, em seu lugar, com sinceridade e boa fé, lia com tanta candura. A crença cega, os dogmas, as certezas já não lhe servem mais. A novela o leva a uma difícil descoberta: a de que as grandes narrativas são aquelas que nos libertam. Nem a beleza dá acesso à verdade, que é sempre inacessível. "A beleza não é meta suficiente para a arte", dizia Kandinsky. Vêm-me, agora sim, os versos de Manuel Bandeira: "Não quero mais saber do lirismo que não é libertação".

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Flip - programação liberada

Já é possível consultar no site da Flip a programação das mesas literárias.

E o site da Flip está com novo visual, bem melhor. É só conferir!

Momento de lazer: Teste de pontuação

Recebi um e-mail com um teste de pontuação. Dizem que foi aplicado por uma companhia aérea num curso oferecido.

Para nós amantes da língua, é uma brincadeira gostosa, que serve para exercitarmos nossa atenção.

Então, a frase na qual deve ser colocada a pontuação correta é:

MARIA TOMA BANHO PORQUE SUA MÃE DISSE ELA PEGUE A TOALHA.

E então, conseguiu? Eu consegui em trinta segundos. A resposta está bem abaixo, mas não vai colar antes de tentar.
















Maria toma banho porque sua. Mãe, disse ela, pegue a toalha.


Workshop com Luiz Ruffato na Estação das Letras


Amanhã (dia 15/05), Luiz Ruffato estará na Estação das Letras, apresentando um workshop de um dia com o tema "A prosa de ficção: sua criação e seu alcance".

O workshop sobre Prosa de Ficção será realizado em duas etapas. Na primeira, será tratada a seguinte questão: resta alguma coisa sobre a qual valha a pena escrever? O ponto de partida será um artigo de Pier Paolo Pasolini, intitulado "Ainda existem vidas romanescas?", publicado no pequeno livro Caos, crônicas políticas. Na segunda etapa, serão discutidos os textos dos alunos que deverão levar um pequeno conto, a partir do qual será estudado a forma e conteúdo, que dá à prosa de ficção a dimensão de literatura.

O encontro acontecerá no horário de 17 às 22h. Valor de R$ 250,00. Maiores informações na Estação das Letras (R. Marquês de Abrantes, 177 loja 107 - Flamengo - Rio de Janeiro - RJ - Tel: 3237-3947 ou pelo site http://www.estacaodasletras.com.br/)

Para quem está no Rio, é só aproveitar as últimas vagas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

13 de maio - Nossa Senhora de Fátima


Nesse 13 de maio, uma prece à Nossa Senhora de Fátima, rogando mais amor e paz no coração dos homens. Pois acredito plenamente que só o amor verdadeiro e puro é capaz de reduzir o mal que assola a humanidade.

Aos católicos ou não, quem quiser conhecer a história de Fátima, e das visões que tiveram as três crianças, é só acessar a página do Santuário de Fátima (Portugal).

[ Crédito da Foto: Site oficial do Santuário de Fátima - http://www.santuario-fatima.pt/portal/ ]

Festa literária de Santa Teresa

As feiras literárias estão começando. As últimas notícias giram em torno da Flip, a Feira de Paraty, mas aqui na capital tem outros eventos que não deixam a desejar quanto à bagagem dos escritores.

No próximo dia 16 de maio (sábado) acontecerá em Santa Teresa a FLIST - Festa Literária de Santa Teresa, promovida pelo CEAT - Centro Educacional Anísio Teixeira. A homenageada é Lygia Bojunga que não só tem residência no bairro, como tem ali sua editora -- a Casa Lygia Bojunga.

E a programação está bem interessante e pode ser conferida online. Veja alguns dos encontros que acontecerão no sábado:

  • Às 9h: acontece a Abertura: Café com Lygia Bojunga. O encontro será na Rua Triunfo, 38.
  • Ao meio dia: Oficina com Ilustradores: Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello. Na Livraria Largo das Letras - Rua Alm. Alexandrino, 501
  • Às 16h: acontece conversa com os escritores Ferreira Gullar e Ondjaki. Mediação de Adriana Armony. No Centro Cultural Laurinda Santos Lobo - Rua Monte Alegre, 306

terça-feira, 12 de maio de 2009

Feira do Livro de Bento Gonçalves


Na cidade gaúcha de Bento Gonçalves acontece a 24ª edição da Feira do Livro, com o tema: "Leitura: A arte da transformação", numa realização da Prefeitura de Bento Gonçalves, Fundação Casa das Artes e Biblioteca Pública Castro Alves.

O evento tem início nesta quarta-feira, dia 13 de maio, e segue até o dia 24, na Praça Walter Galassi (Rua Marechal Floriano).

A Via del Vino, no centro da cidade, também concentrará uma parte da programação, que terá uma área total coberta de 1450 metros quadrados.

Haverá estandes para venda de livros, contação de histórias e oficinas literárias e culturais.

Lançamento: A arte da ficção


O escritor inglês David Lodge por quase 30 anos deu aulas de literatura inglesa na Universidade de Birmingham, mas também é um escritor de talento comprovado com romances como Invertendo os papéis, Fora do abrigo e Terapia.

E disposto a dividir os artigos publicados semanalmente nas páginas literárias do jornal britânico The Independent on Sunday, na coluna "A arte da ficção" (e republicadas no Washington Post), ele resolveu reuni-los em livro de mesmo nome, que sai agora pela LP&M, com tradução de Guilherme da Silva Braga.

Toda a semana o crítico escolhia uma ou duas passagens breves de contos, clássicos e modernos, de autores ingleses e americanos, para ilustrar seu texto. "Por essa delimitação é que o tradutor Guilherme da Silva optou por versões inéditas para todas as citações, porque a maioria dos títulos ou não está disponível em português ou conta com traduções muito antigas, e também porque, nos comentários do autor, são feitas referências a palavras específicas e aspectos formais do original", constata Alvaro Costa e Silva em seu artigo publicado no último sábado (09/05/2009) no caderno Ideias.

A matéria completa de Alvaro Costa, por sinal muito rica de informações, pode ser conferida no site do JB. Nela é possível ter uma dose homeopática de alguns tópicos abordados no livro de Lodge.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Lançamento: 125 contos de Guy de Maupassant


Já nas livrarias um ótimo lançamento da Companhia das Letras: uma antologia de Guy de Maupassant com 125 contos de um dos mestres do gênero. O livro possui seleção e apresentação de Noemi Moritz Kon e tradução do escritor Amilcar Bettega. São 824 páginas trazendo a obra de um autor que é referência como contista.

Um nome é fundamental na trajetória de Maupassant: Gustave Flaubert, o autor de Madame Bovary. Flaubert teve-o como pupilo durante anos, impondo-lhe duas condições: a de escrever ininterruptamente e de não publicar os primeiros resultados, em nenhuma hipótese. Processo que funcionou, pois quando Maupassant foi liberado para publicar seus textos, já havia um material considerável e de qualidade para publicação nos jornais da época.

Flaubert morreu pouco depois de Maupassant começar a ganhar reconhecimento, mas ainda houve tempo de ele deixar registrado sua admiração pelo trabalho de seu "seguidor". Em uma carta a respeito de um dos contos mais famosos de Maupassant (Bola de Sebo), ele diz:


Reli "Bola de Sebo" e sustento que é uma obra-prima. Trata de escrever uma dúzia de textos assim e será um homem.

Guy de Maupassant influenciou muitos contistas americanos do fim do século 19 e início do século 20, fazendo presença nesse time escritores como Henry James.

Em seus contos, ele preferia personagens simples e enredos ligeiros, o que por vezes confundiu a crítica. Diziam-no menos poderoso que Balzac, menos amplo de Zola, menos profundo que Flaubert. Por isso mesmo podia-se dizer que era Maupassant, e essa era sua voz.

Fonte: Caderno Ideias do JB (edição 09/05/2009)

domingo, 10 de maio de 2009

Frei Betto: Deus e a literatura

Ontem foi publicado no Jornal O Dia online um bonito texto de Frei Betto: Deus e a literatura, no qual ele diz:

"Embora a música seja, na minha opinião, a mais sublime das artes, a literatura é a mais sagrada."

Confiram o texto online.

Feliz Dia das Mães


Sexta-feira eu chorei, muito. Nada anormal, diria meu filho de 11 anos. Sou manteiga derretida. Por que chorei? Porque minha filha de 4 anos cantou, dançou e sorriu para mim, na tradicional homenagem do Dia das Mães feita na escola.

Talvez alguns não entendam porque o motivo das lágrimas, que em nada há de tristeza.

São apenas lembranças líquidas do momento em que esses anjinhos eram parte de nós, dentro de uma barriga que de repente se torna aparente, nos tornando únicas, privilegiadas, poderosas.

São lembranças da primeira visão daquele bebê, do primeiro sorriso, da cabecinha que ganha equilíbrio, enquanto o corpo ainda não consegue sair do lugar.

São lembranças daquele gatinho ou gatinha que não tem pelos, mas excesso de mãos e sorrisos. E que explora os cantinhos, vai aprendendo a conquistar seu espaço, enquanto nós desaprendemos o que é relaxar.

São lembranças dos primeiros passos, das gargalhadas que contagiam e que incentivamos quando percebemos como consegui-la.

São lembranças e pedidos a Deus para que nos ajude a guardar essas lembranças na forma de um amor que nunca acabe, pois assim não sofreremos ao vê-los crescer, ao não vê-los mais dançarem para nós.


E nessas horas, busco as lágrimas de minha mãe, quando era eu a dançar e sorrir para ela. Quando era eu a desenhar rosas e escrever declarações de amor. Não lembro se ela chorava. Vou perguntar-lhe, quando estivermos juntas daqui a pouco, reunindo 3 gerações entrelaçadas por esse amor.

Mas o que me vem agora é a música que ela me cantava, e eu cantei para ela, e já cantei para meus filhos, e até hoje nunca esqueci.


Assim, para comemorar o Dia das Mães, para nós que somos mães, para nós que somos filhos, divido a letra com vocês. E para quem conhecer a música, proponho pegar a letra, relembrar a melodia e, no dia de hoje, apenas cantar para as suas flores especiais.



Feliz Dia das Mães


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Flor Mamãe
(Júlio Louzada / Jorge Gonçalves)

Andei por todos os jardins
Procurando uma flor pra te ofertar
Em lugar algum eu encontrei
A flor... perfeita pra te dar

Ninguem sabia onde estava
Essa flor mimosa perfeição
Ela se chama flor mamãe
E só nasce no jardim do coração

Enfeita, nossos sonhos
Perfuma, nossa ilusão
Flor divina, que eu suponho
Faz milagres em oração

Nesse dia, de carinho
Quero sentir lá no peito
Inebriando minha alma
Flor mamãe, amor perfeito

sábado, 9 de maio de 2009

Flip - programação adiada

A programação da Flip que estava prevista para ontem (dia 8 de maio) foi adiada para 15 de maio.

Mas enquanto isso, podemos conferir algumas participações já confirmadas.

- O cineasta Domingos de Oliveira e o escritor Rodrigo de Lacerda (autor de O Fazedor de Velhos) dividem mesa que terá como tema principal os relacionamentos amorosos. O tema é recorrente na maioria das peças teatrais de Domingos de Oliveira. E Rodrigo lança esse ano, pela editora Alfaguara, o romance Outra Vida, que retrata a frágil relação entre um casal que tenta sobreviver na cidade grande.

- Haverá uma mesa entre Milton Hatoum e Chico Buarque. (O tema não foi divulgado)

- A mesa entre Sérgio Rodrigues (autor de Elza, a garota), Arnaldo Bloch (autor de Os irmãos Karamabloch) e Tatiana Salem Levy (autora do premiadíssimo romance A chave de casa) discutirá o papel dos elementos históricos e autobiográficos na criação literária.

Haverá ainda a participação de António Lobo Antunes, Catherine Millet, Cristovão Tezza, entre outros.

A lista completa de autores confirmados pode ser conferida no site da Flip, onde está publicada uma pequena biografia de cada um.

Prêmio Sesc - inscrições abertas

A corrida por conseguir a primeira publicação recomeçou. Estão abertas até o dia 30 de setembro as inscrições para o Prêmio SESC de Literatura, que é oferecido anualmente e tem como premiação a publicação, pela Editora Record, de uma coletânea de contos e de um romance.

O edital pode ser conferido no site do SESC ou no meu blog de concursos literários -- o Ficção de Gaveta.

Achei algo muito bom este ano. Talvez as regras sempre tenham sido essas, mas o edital agora deixa mais claro. A obra tem que ser inédita quanto à publicação, mas parte da obra pode ter sido publicada em blogs pessoais ou revistas eletrônicas, desde que não exceda a 1/4 do tamanho do texto inscrito. Isso é ótimo!

Então, é só conferir o edital e começar a revirar as gavetas!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Conto Longe de casa

Para começar a sexta-feira ou terminar a semana, um conto meu. Talvez esteja mais para uma crônica. Bem, vale como exercício.

Espero que gostem.

Longe de casa
Ana Cristina Melo

Estava sozinha naquela mesa de bar, há meia hora. Consumira apenas um coquetel, quando o percebeu lhe fitando, seis mesas à sua frente. Era charmoso, o suficiente para chamar de bonito. Tipo semelhante aos que conhecera nos últimos meses.

Começara a sair sozinha desde a última briga com o marido. Contas, a escola dos filhos, as picuinhas diárias, e o casamento estava se afogando.

Foi na mesma época em que ele começou a trabalhar à noite, uma vez por mês. Sempre às sextas. Ela passou a deixar as crianças com a mãe, e buscar a aventura que estava faltando.

Nunca ficava no mesmo lugar. Sempre em bares diferentes. Igual, só o cabelo bem arrumado, a maquiagem que destacava seus olhos claros e a boca desenhada, o vestido decotado e o olhar de quem estava disponível.

A primeira vez fora a mais difícil. Não sabia como fazer, sem parecer vulgar. Não sabia o que dizer a um estranho. Deixou que ele conduzisse o encontro. Enredasse-a numa noite agradável, avivasse sua libido. Limites transpostos, passou a desejar novos encontros, e a descobrir muito de si em cada novo parceiro.


O desconhecido se aproximou. Posso? Ela concordou com a cabeça e um olhar ardiloso. Conversaram um pouco. Amenidades, longe de detalhes sobre suas vidas. Ela notou a aliança dele na mão direita. Ele notou a dela. Essa era a senha.

Um toque na mão, a outra correndo suas coxas por baixo da mesa. A conversa cada vez com menos palavras e mais sensações. Ela pede a conta. Ele paga. Entram num táxi, mudos. O coração acelerado pela transgressão. O motorista os deixa dentro de um motel.

Se entregam às reações de cada corpo, nada além. Ela descobre toques novos, mais ousados. Sensações há muito esquecidas são repetidas pela noite adentro.

O corpo cansado, satisfeito, relaxa no peito nu.

De manhã, ele a acorda com provocações.

Ela sorri e se espreguiça antes de abrir os olhos. E ouve ele falar, enquanto se dirige ao banheiro:

— Vamos, meu amor, ainda temos que pegar as crianças na casa da sua mãe.