sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Resenha: O fazedor de velhos



Quando comprei o livro O Fazedor de Velhos, de Rodrigo Lacerda, fui atrás do que havia escrito na minha listinha do "a comprar": romance de formação.

Isso é um ímã para mim. O título era instigante e falava sobre a vocação para a escrita. Ponto duplo.

Ao recebê-lo, me chamou a atenção o livro ter vindo lacrado. Como comprei pela internet, não sei se nas livrarias ele também está assim. De qualquer forma, aumentou minha expectativa com o que teria pela frente.

Mas Rodrigo não decepcionou. Como diz o título do primeiro capítulo, o livro "começa sem a gente perceber".

O primeiro capítulo nos apresenta as origens literárias de Pedro, nas quais não faltam versos apresentados e narrados pelo próprio personagem. E essa influência é clara logo na primeira frase: "Eu não me lembro direito quando meu pai e minha mãe começaram a me enfiar livros garganta abaixo".

Em seguida acontece o primeiro encontro de Pedro com um velho misterioso, ainda aos 16 anos, no aeroporto, quando Pedro já dá sinais de toda a sua criatividade. Um novo encontro ocorre em sua festa de formatura. No momento em que Pedro tem sua primeira decepção amorosa, ele também descobre que o professor palestrante é na realidade o mesmo homem misterioso do aeroporto e se chama Nabuco.

Pedro inicia a faculdade de História, mas logo depois entra em crise, por não ter certeza de sua vocação.

Em busca das respostas que precisa, seu destino cruza novamente com Nabuco, e a partir de uma sequência de testes que o professor o submete, além de uma nova paixão, ele vai descobrindo essas respostas.

Como o próprio Nabuco diz à Pedro, ele é um homem de bom coração. E esse ensinamento sobre a esperança, a bondade na natureza humana sobressaem no livro. É preciso se resgatar isso, para que possamos vislumbrar tempos melhores.

Após terminar a leitura, que fiz de um fôlego só, fiquei feliz com a sensação boa que o livro me despertou. Apenas estranhei a linguagem para um romance adulto, até ler a ficha bibliográfica (que a Cosac Naify traz no final do livro) e descobrir que era um livro Infanto-Juvenil.

Isso me bastou para eliminar o único senão (que nem chegou a ser um senão), e admirar ainda mais o trabalho de Rodrigo Lacerda, pois ele conseguiu oferecer aos jovens um material belíssimo, mas que não agrada apenas aos jovens de idade, mas a qualquer um que ainda tenha um pouco de pureza no coração, e ache isso importante para se viver com grandeza cada um dos nossos dias.

Então eu recomendo: se você tiver de 10 aos 100 anos, pegue O Fazedor de Velhos, e se deixe entregar a sentimentos bons, enquanto lê.

Trechos do livro:

"Fui trabalhando; uma, duas, três semanas. Comecei a me divertir. Os personagens eram muitos reais. Aos poucos, estabeleci relações próprias com cada um deles. Recriminava os bonzinhos quando erravam, quando eram ingênuos, quando tomavam todo mundo pela própria bondade e, claro, acabavam se ferrando. Compreendia os motivos que levavam os malvados a cometer suas maldades. Alguns eram verdadeiros abismos de emoção".

"Por alguns instantes, ruminei a idéia. No final, me convenci. O professor tinha mesmo o poder de nos fazer pensar e de nos fazer sentir coisas estranhas. E conviver com ele dava mesmo a sensação de se estar mais velho".
Mais sobre o livro:
Título: O Fazedor de Velhos
Autor: Rodrigo Lacerda
Editora: Cosac Naify
Sinope: "Rodrigo Lacerda narra neste livro a passagem de Pedro para a vida adulta. O adolescente descobre que a vida pode não ser tão doce quanto a primeira paixão, e encontra na literatura um caminho para buscar suas respostas. Mas o que torna 'O Fazedor de Velhos' uma novidade do gênero é sua capacidade de reavivar a ternura e o afeto como sentimentos que também participam do processo de amadurecimento. Neste romance de iniciação, Rodrigo traça o retrato de um artista quando jovem. O personagem Pedro tem dúvidas sobre seus caminhos, o que o leva a pensar em desistir da faculdade de História. Eis que conhece Nabuco, um professor que o auxilia na difícil tarefa de se colocar no mundo. E por meio dos livros conhecerá a si mesmo. Sobretudo quando aparece Mayumi, por quem sentirá uma nova forma de amor. "

9 comentários:

Ana Cristina Melo disse...

Vasculhando a rede sobre o trabalho do Rodrigo Lacerda, achei várias outras resenhas. Na página da Livraria Cultura (pesquisando por O Fazedor de Velhos) encontrei um vídeo muito bom com o autor.

Também é possível ler uma entrevista dele na Revista Cultura desse mês, seção Novíssimo.

Márcio Ibiapina disse...

Interessantíssimo o blog. De bom gosto, bem escrito, fazendo a gente, navegante, ficar ligado a este bom porto seguro mais do que pretendia. Favoritado para visitas frequentes. Parabéns!

Ana Cristina Melo disse...

Obrigada, Márcio.
Dei uma passada por seu blog também e amei o último poema postado.
[]s
Ana

Leeticiia disse...

né por mal não mas esse livro é saco pra lê , muito chato .. O boom do livro é vc imaginar as cenas viajar nele mas esse ai cada vês que eu fuii lendo tava piorando

@babi_alvins disse...

KKKK... verdade leee... oo livro CHATO!!!! so to lendo essa merda por causa do trabalho... So o titulo me dah sono...

Anônimo disse...

Leeticiia e @babi_alvins, pelo visto vocês não tem muito senso para a leitura! Eu amei o livro, e tenho certeza que se vocês tivessem se envolvido um pouco mais, e reparado nos mínimos detalhes, teriam amado assim como eu!
Em relação a resenha que o autor do blog fez, também gostei muito. Foi bem escrito e mostrou seu ponto de vista de forma clara e simples, muito fácil de ser entendida por qualquer um! Parabéns pelo seu trabalho, uma das melhores resenhas desse livro que já vi na internet :D

Anônimo disse...

Adorei esse livro, achei muito sutil e um final emocionante =D

Graça acarpes disse...

Estou assistindo uma entrevista com Rodrigo Lacerda, na TV Futura. Resolvi buscar na internet, informações sobre o livro. E cheguei aqui. Parabéns pelo blog.

Graça Carpes disse...

Estou assistindo uma entrevista com Rodrigo Lacerda, na TV Futura. Resolvi buscar na internet, informações sobre o livro. E cheguei aqui. Parabéns pelo blog.