sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Peço a quem encontrar...

Perdemos de tudo nessa vida, não é? Quem já não perdeu um livro, um papel importante, um número de telefone, os documentos? Aqui em casa quando some alguma coisa, ou apelo para São Longuinho ou aviso aos duendes que vivem escondendo minhas coisas, que a brincadeira não tem mais graça. Basta uma voltinha, e lá está ele, o objeto sumido, no lugar onde eu havia cansado de vasculhar.

Bem, mas tem algo que está perdido em minha memória e está me martelando a semana toda. Fala do princípio, o gênese de minha paixão pela Literatura. Foi no colégio, nos textos trabalhados nas aulas de português, que tudo começou. Gostaria de poder dizer que meus primeiros livros foram do Lobato, mas Emília era a realidade no seriado que passava na tevê. Meus primeiros livros, amados e que me deixavam excitada, foram escritos pelo Marcos Rey. Mas foram os textos lidos e analisados em meus livros escolares que me fizeram transbordar o gosto da leitura para o gosto da escrita.

Comecei rabiscando uns poemas, que incentivados por meus amores juvenis, se transformaram em páginas e páginas, todas datilografadas e devidamente arrumadas. Onde estão? Eu mesma joguei fora, quando achei que isso fazia parte do passado; quando me vi tão envolvida com a Informática e com as dezenas de livros técnicos que precisava devorar, que acabei achando que a Literatura estava limitada a um ou outro romance que eu me forçava a ler, para viajar e relaxar.

Lembro que vasculhava o dicionário buscando palavras que funcionassem em minhas rimas. E houve especialmente duas palavras que me marcaram e nunca esqueci o significado, pois absorvi a emoção que elas queriam me passar: uma eu usei em meus poemas; a outra é do texto que falo abaixo. As palavras? Incomensurável (= muito grande) e rota (= esfarrapada).

Pois é. O engraçado é que lembrei essa semana do trecho de um texto (desses de livro de ginásio), acredito que um poema, que mesmo trinta anos depois ainda está vívido em minhas lembranças.

E estou precisando desesperadamente descobrir que texto é esse, pois isso se tornou uma obsessão. Quem é o autor? Qual o título? Voltar a ler na íntegra esse texto que me marcou tanto.

Se alguém souber sobre ele, peço que publique aqui pistas que me levem a tirar a poeira de minhas lembranças. Recompensa? Minha eterna gratidão.

O trecho que nunca me esqueci está aqui:
“aquela boneca velha, toda rota, quase nua, por uma menina rica foi abandonada na rua”.

5 comentários:

danibenevides disse...

ola, Ana!!
tow ate emocionada em ler seu comentario, pq tbm li esse texto quando menina e hoje aos 32 anos nao esqueci dessa introduçao e por incrivel q pareça, coloquei uma melodia nela q ficou linda, mas infelizmente nao o decorei.peço por gentileza, se vc souber o texto completo e se nao sabe, o encontrar, envia ao meu email(dani.jr@hotmail.com )e ficarei muito feliz.
Um feliz natal e prospero ano novo, amada!!!Fica na paz!!!

Ana Cristina Melo disse...

Dani,
Infelizmente ainda não tenho pistas desse texto, mas assim que conseguir, te aviso.
O que um pequeno texto não pode fazer na vida de uma pessoa, nao é? E agora acabo de descobrir que na vida de duas pessoas.
Essa é a magia da Literatura.
Um feliz natal e próspero ano novo para você também.
Ana

Bruxange disse...

Gente,

Agora fiquei arrepiada, pois estava procurando este conto que declamei na escola quando tinha 10 anos. Hoje tenho quase 40. Queria dar a minha filha, pois marcou muito a minha forma de ver e brincar.
Continuarei procurando e quem achar compartilhe.
Beijos Ângela

Wanderlei disse...

Este Poema é de

"A Boneca" De Walter de Freitas

Aquela boneca velha, toda rota, quase nua
Por uma menina rica foi atirada na rua
Uma pobre lavadeira que passava nessa
Hora pensando em sua filhinha apanhou-a sem demora.

Ao vê-la a menina pobre bateu palmas de contente
Como é linda foi dizendo ó que bonito presente
Assim a boneca velha pela rica despresada
Achou na menina pobre sua mãezinha adorada.

Ana Cristina Melo disse...

Wanderlei,

Você não tem idéia do quanto estou feliz. Quantas lembranças esse poema me trouxe! Minha eterna gratidão a você. Muito obrigada.

Abraços
Ana Cristina