sexta-feira, 10 de abril de 2009

Descobrindo Adélia Prado


Se tenho autores preferidos? Claro! Vários. E não canso de citá-los aqui. Mais os vivos, nem tantos os que já se foram. Mas meu coração de leitora é coração de mãe. E assim está sempre aberto a descobrir um novo autor, e com isso sua literatura.

E hoje posso dizer que descobri Adélia Prado. Não no sentido de novo, porque é iniciante. Nunca. É escritora renomada, mas que infelizmente (para mim) li apenas um livro em 2006, "Quero minha mãe".

Só que ao viajar pelos meus cantinhos literários, e me valendo também de um elogio feito a ela por um amigo, resolvi procurar mais sobre essa escritora.


Achei um vídeo no site do programa Entrelinhas, da TV Cultura. E aí aconteceu, logo no poema "Impressionista" que abre a entrevista.


Aconteceu: descobri Adélia Prado.


Meio desnorteada, como se tivesse sido atingida por algo invisível, comecei a procurar por outros poemas na Internet. Peguei o livro na estante, busquei marcações. Encontrei algumas, mas que não me diziam muito. Comecei a reler o livro. E confirmei. Nossa! Que ESCRITORA!!!!

Pode ser que esteja numa fase mais sensível, pois o mesmo aconteceu há não muito tempo com a Cora Coralina. Mas acho que não, são apenas minhas percepções mais aguçadas, pois vivo uma fase de intensa produtividade. Estou respirando literatura várias horas por dia. Mais do que antes, virou uma necessidade vital. Sem ela, sufoco.

Bem, o que importa mesmo é que a descobri como autora, e ainda posso esperar pelo o que venha a produzir. Que viva muitos anos, para que eu possa percorrer sua obra enquanto ainda aguardo novos presentes. Sim, porque a boa literatura é sempre um presente.

Fica a dica para vocês. Tenham certeza que de vez em quando deixarei aqui um pouquinho dessa literatura que sacode nossos sentidos. Então, para mostrar que cumpro minhas promessas...


Impressionista
Adélia Prado

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

Direitos humanos
Adélia Prado
(in Oráculos de Maio)

Sei que Deus mora em mim
como sua melhor casa.
sou sua paisagem,
sua retorta alquímica
e para sua alegria
seus dois olhos.
Mas esta letra é minha.


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