domingo, 4 de julho de 2010

Agentes de leitura

Uma matéria que li essa semana me trouxe à reflexão. Primeiro vamos a ela, depois aos meus comentários.


O Ministério da Cultura lançou editais para a seleção e formação de novos agentes de leitura. O público beneficiado será de jovens leitores de comunidades carentes que receberão uma bolsa mensal de R$ 350 para incentivar seus vizinhos a ler.

Os editais começaram a ser publicados em junho e seguem até agosto, descentralizando as inscrições por várias cidades.

O projeto, integrante do Programa Mais Cultura, foi inspirado na experiência do Ceará, criada em 2005 pelo Governo do Estado. Os agentes de leitura são jovens entre 18 e 29 anos, com ensino médio completo, situados, preferencialmente, em um contexto sócio-econômico do programa Bolsa Família, selecionados por meio de uma avaliação escrita (interpretação e produção textual), fluência de leitura e uma entrevista domiciliar.

Cada jovem irá cadastrar um grupo de até 25 famílias de sua comunidade, com as quais vão desenvolver atividades de empréstimos de livros, rodas de leitura, contação de histórias, criação de clubes de leitura e saraus literárias abertos à população.

Leia a matéria completa no blog Mais Cultura.

Pois bem, essa iniciativa de criar agentes de leitura me fez pensar na seguinte questão:

o quanto nós temos feito o papel desses agentes?

Sim, nós lemos muito, sem dúvida, amamos ler, mas o quanto incentivamos essa leitura no próximo?

Falamos dos livros estrangeiros, do quanto eles invadiram as livrarias, as mídias, mas se isso está acontecendo é porque temos leitores que estão atuando como agentes. São leitores comuns que não só leem, mas divulgam o que leem, sem preconceitos. Que comentam com o colega de trabalho, com a amiga, com o vizinho, que carregam seu livro no ônibus, no metrô. A própria mídia ao divulgar sua lista de mais vendidos, com estrangeiros, está atuando como agente de leitura.

E nós? Quando foi a última vez que comentamos um livro que lemos? Quanto da nossa literatura estamos consumindo por mês? Quantas obras brasileiras temos comprado e ofertado como presente?

Esse final de semana consegui rearrumar minha biblioteca. Separei as prateleiras para autores estrangeiros e nacionais. E duas outras especialmente para os infantojuvenis. Fiquei orgulhosa de ver que adquiri muito mais literatura nacional do que estrangeira.

Não só adquiri, como leio e divulgo os autores nacionais. E bastante. Mas vi também que cometo o mesmo pecado de comentar pouco com o colega de trabalho, de preferir outros presentes aos livros, principalmente quando sei que o presenteado não tem hábito de leitura. E não seríamos nós que devíamos dar o primeiro passo?

Para alguém que não tem o hábito de leitura, que tal escolher aquele romance que flui, que instiga, que prende, que faz ter vontade de procurar outras leituras.

Amar os livros é divulgar também. Exatamente do tamanho dos livros gigantes que vão tomar conta de São Paulo, na primeira semana de agosto. Livros com mais de 1,80 de altura que vão chamar a atenção para a Bienal do Livro que começa dia 12 de agosto.

É isso. Não se pode ter vergonha para falar de literatura. Não se pode ter preconceito. O mesmo preconceito que rege outro projeto: o Projeto "Livros de Rua" que na última quarta-feira (dia 30) distribuiu, de graça, mil livros na Central do Brasil (RJ, capital). Quem ia pegar um trem, podia voltar para casa lendo. Foram livros para todos os gostos: romances, obras científicas, auto-ajuda, didáticos, religiosos, infantojuvenis. O único compromisso desse leitor conquistado e fisgado era passá-lo adiante.
 
É isso: passar adiante. Temos que passar esse amor adiante. Lemos um livro, gostamos dele, então vamos falar dele. Vamos indicar. Seja nos nossos blogs, para o colega do trabalho, para o vizinho, para o desconhecido. Principalmente se esse livro for contemporâneo e nacional.
 
Quem vem comigo ser um agente?

3 comentários:

Alexandre Brandão disse...

Ana,
Estou metido num projeto assim, logo te dou notícias concretas. Mas a ideia é produzir um livro e distribuí-lo gratuitamente em vários lugares. É uma coletânea de contos.

Paula Laranjeira disse...

Gostei deste teu post. Tenho poucos livros. utilizo serviço de bibliotecas, mas sempre q vejo algo novo comento com amigos. É interessante vc falar em dar livros de presente e receber. ganhei vários livros ultimamente...e adoro.
Vou divulgar este projeto por aqui...

Ana, ...bjs

Ana Cristina Melo disse...

Que legal, Alexandre. Quando estiver certo, avise, para espalharmos a boa notícia.

Paula, é sempre bom ler seus comentários.

Beijos