sábado, 4 de setembro de 2010

Ribamar, de José Castello



José Castello lançou essa semana seu romance intitulado Ribamar. Eu que estou tendo a oportunidade preciosa de ouvi-lo mensalmente numa oficina que temos na Estação das Letras, estive no lançamento que aconteceu na última quinta. Recebi seu autógrafo e seu carinho, em agradecimento a nossa presença.

Enquanto esperava uma amiga que estava na fila de autógrafos, comecei ali mesmo a ler seu livro. E de repente me vi arrebatada. Um primeiro capítulo que não nos poupa, que nos mostra o que será o romance, a profundidade com que Castello resgatou suas memórias e a relação com o pai.

Kafka, com sua Carta ao pai, dá-lhe o caminho, mas é pouco, é pequeno, diante do que Castello conseguiu por sua própria sensibilidade.

Ainda não terminei o romance, que nos apresenta fragmentos desse resgate em capítulos curtos. Capítulos que nos deixam revirados e, ao mesmo tempo, ansiosos para continuar sendo atingido do jeito que ele faz.

Um romance maravlhoso, sem dúvida, que esse final de semana mesmo divulgarei no Sobrecapa (http://www.sobrecapa.com.br/). Mas enquanto isso, deixo aqui minha dica. Leiam "Ribamar" de José Castello.

Abaixo, o texto que o autor publicou em seu blog Literatura na Poltrona (http://oglobo.globo.com/blogs/literatura/), falando sobre a concepção do livro.

Leia também a matéria que saiu no Prosa e Verso que dá outros detalhes sobre o livro.

Um convite ao leitor


Autografo nessa quinta-feira, 2 de setembro, no Rio de Janeiro, meu novo livro, Ribamar (Bertrand Brasil). Nele trabalhei durante quatro anos. Embora não seja uma biografia, ou um livro de memórias, mas um romance, tem como figura central meu pai, José Ribamar, falecido em 1982.

Nunca foi tão dificil escrever um livro. Estive várias vezes a ponto de desistir, sofri o diabo, pois não é fácil reencontrar um pai morto. Amigos muito queridos, como Acyr Maya, Flávio Stein, Maria Hena Lemgruber e Paulo Bentancur, me ampararam nos momentos mais difíceis. Conversas decisivas com Romildo do Rego Barros e Antonio Godino Cabas me ajudaram a não me desviar de meu caminho.

Dois primos distantes, mas queridos, Alcenor Candeira Filho e Carlos José Castelo Branco Candeira, me escoltaram durante a viagem que fiz a Parnaíba, Piauí, cidade a que meu pai chegou ainda de fraldas e de onde só saiu para descer para o Rio de Janeiro, estudar Direito e se casar.

Não teria terminado o livro sem a presença afetuosa e leal de Carmen Da Poian, minha primeira leitora. De modo desordenado, mas vigoroso, ela acompanhou a produção de cada um dos 98 capítulos e suas palavras de consolo me impediram de desistir. Com sua infinita paciência, a editora Rosemary Alves me ajudou, também, a conservar a coragem.

Não sei bem o que é esse livro, que escrevi às cegas, guiado mais por impulsos, sonhos, intuições e pela presença sempre desestabilizadora do acaso. Uma frase de André Gide, que depois usei como epígrafe, me guiou. Diz: "Tudo o que vejo, tudo o que fico sabendo, tudo o que me advém há alguns meses, gostaria de fazer entrar no romance".

Segui à risca os conselhos de Gide e transformei meu romance em uma reportagem interior. Nas páginas de Ribamar, ficou, em consequência, uma parte importante de mim. Sei que, agora que o romance está pronto, ele já não me pertence, mas aos seitores que dele se apossarem.

Eu o autografo na noite de hoje, quinta-feira 2, a partir das 19h00, na Livraria DaConde, na rua Conde de Bernadotte, 26, lojo 125, no Leblon.

3 comentários:

A Mina do cara! disse...

que seja um ótimo dia de lançamento.

Anônimo disse...

Não é entitulado e sim intitulado.

Ana Cristina Melo disse...

Ops! Não havia percebido. Já corrigi. Obrigada.