sábado, 20 de junho de 2009

Pílulas dos cadernos literários - 20/06/2009

Vamos às pílulas dos cadernos literários de hoje.

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Caderno Prosa & Verso (O Globo) – Sábado (20/06/2009)
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As paixões de Bandeira

O caderno Prosa & Verso desse sábado vem falando sobre as paixões de Manuel Bandeira, o homenageado da 7ª Flip, que acontecerá de 1º a 5 de julho.
Abaixo trago um pouquinho de cada matéria.

Matéria: As paixões de Bandeira - Argumentação atual e pertinente
Mesmo com idiossincrasias, o livro de Bandeira sobre poesia brasileira não perdeu sua força.
(Por Antonio Carlos Secchin)

Num transcurso de dez anos, a partir de 1937, Manuel Bandeira publicou nada menos do que cinco antologias: as de poesia romântica e parnasiana, a de "obras-primas da lírica brasileira" (com notas de Edgard Cavalheiro), a de "poetas bissextos contemporâneos" e a "Apresentação da poesia brasileira" (primeira edição em 1946). Entre todas, destaca-se a última — inexplicavelmente há muito ausente do mercado editorial — pelo fato de conter, além da seleção de textos propriamente dita, um longo estudo introdutório, em que Bandeira percorre os principais poetas e movimentos de nossas letras, de José de Anchieta às vanguardas das décadas de 1950 e 60. Bandeira, aliás, foi o único dos grandes poetas brasileiros a dedicar-se continuamente ao ofício de antologista. (...)

Corpo a corpo: entrevista com Paulo Werneck
(Por Rachel Bertol)
Paulo Werneck, da CosacNaify, diz que dificilmente passará em suas mãos, em sua trajetória de editor, material tão importante quanto a prosa poética de Bandeira, lançada pela casa. Werneck, que não quis adiantar quais serão os próximos livros a serem editados, conta como tem sido realizado o trabalho.

* Como avalia a importância do trabalho da editora com a prosa de Bandeira? Tem gerado um novo olhar?
WERNECK: Novo olhar no sentido de uma nova geração lendo Bandeira, sem dúvida. Bandeira está na linha de frente da crônica e deu ao estilo feições muito próprias. Disso os especialistas já sabiam, mas o leitor menos especializado, o estudante mais jovem talvez não. E Bandeira foi dos poucos, senão o único de sua estatura, que pôs a palavra "crônicas" no título do livro. Ao contrário da poesia, as crônicas de Bandeira não estavam na ponta da língua do leitor. (...)

* O que tem sido privilegiado no curso das reedições?
WERNECK: A primeira etapa foi recolocar em circulação as "Crônicas da província do Brasil", de 1937, organizado pelo próprio Bandeira. Depois, começamos a edição dos volumes de inéditas e a trabalhar partes menos conhecidas da produção de Bandeira, muitas vezes esgotadas ou confinadas em volumes de obras completas: ensaios literários, antologias, tradução de teatro, crônica, correspondência. Outra faceta menos conhecida de Bandeira é a de um fino tradutor de teatro, como se vê na tradução de "Macbeth". Sobre a edição das crônicas inéditas, o trabalho de Júlio Castañon Guimarães é excelente, tem muito critério. Uma decisão importante foi incluir tudo o que Bandeira publicou em jornais e revistas. A edição de imagens sempre nos dá trabalho. Originalmente, alguns textos eram pubicados com imagens, por exemplo de obras de arte que Bandeira comentava, ou a caoa de um livro resenhado. Fazemos de tudo para dar a mesma sensação ao leitor de hoje. (...)


* Por que fazer uma biografia do autor? Quando deve ficar pronta?
WERNECK: Bandeira já deveria ter três ou quatro boas biografias. Esse é o tipo da situação brasileira, que pode ser ótima para editores e biógrafos, pelos terrenos inexplorados, mas péssima para os leitores. É preciso fazer a biografia de Bandeira, projeto que o Humberto Werneck apresentou depois de ter concluído "O Santo Sujo", sobre Jayme Ovalle. A CosacNaify encampou e levou a proposta à família de Bandeira. A vida dele foi interessantíssima, conhecemos pelos escritos, pela correspondência, pela excelente crítica. Mas não por uma biografia que não seja um cozido de tudo o que já se conhece. Uma das vocações da editora é preencher lacunas como essa.

Matéria: As paixões de Bandeira - O crítico e suas lições
Falando sobre literatura, música ou artes plásticas, poeta rompeu os grilhões da especialização

Resenha de Crônicas Inéditas 2. Organização, posfácio e notas de Júlio Castañon Guimarães (Editora CosacNaify, 480 pgs. R$ 69)
(Por José Castello)
Manuel Bandeira foi o poeta da leveza. Sempre disposto a enfrentar dilemas metafísicos, como o sentido da existência, e a tratar de assuntos dolorosos, como a fraqueza e a morte, Bandeira os puxou, com vigor e alegria, para a esfera do chão. A vida, suas miudezas e incoerências, está no centro de sua escrita. (...)
A mesma paixão pelas coisas vivas e pela fragilidade humana aparece, também, no crítico de literatura e de artes. Tendência que se manifesta, de modo forte, no segundo volume de suas "Crônicas inéditas/1930-1944", com organização, posfácio e notas de Júlio Castañon Guimarães. Os duros e frios críticos de hoje deviam parar um pouco, depor os temores e as armas, e reler Bandeira. Temos, todos, muito a aprender com ele.
(...)

Coluna No Prelo (por Mànya Millen e Rachel Bertol)

- Mia Couto dramaturgo
A segunda edição do Festival de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip), que acontecerá no Rio entre 2 e 12 de julho, terá como homenageado o escritor moçambicano Mia Couto, que virá à cidade do Rio para o evento. Nos dez dias do festival, serão apresentados espetáculos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal — além do Brasil, país anfitrião. Todos terão entrada franca, e poderão ser vistos em três teatros: Ginástico, Sesc Tijuca e Espaço Sesc. Haverá, ainda, shows e um cardápio especial no OO Cozinha Contemporânea, baseado na gastronomia dos países participantes. No Rio, Mia Couto vai receber o prêmio Festlip 2009, por suas criações como dramaturgo e pelo estímulo ao teatro em Moçambique. Couto fará uma palestra na abertura do festival, dia 2, no Sesc Ginástico, quando será apresentada a peça "Mar me quer", de sua autoria, pelo grupo moçambicano Tijac. (...)

- Doc Comparato
O professor e roteirista Doc Comparato entregou recentemente à Summus Editorial os originais da nova edição do livro "Da criação ao roteiro". Essa reedição, revista, ampliada e atualizada, contempla inclusive os novos meios digitais. O livro é um dos mais completos já feitos no Brasil sobre a arte de escrever roteiros para cinema e televisão. A nova edição está prevista para chegar às livrarias no fim deste ano.


- São Francisco
O crítico e acadêmico Luiz Paulo Horta fará a palestra "Francisco de Assis", terça, às 17h30m, na ABL (Pres. Wilson 203).

- Filosofia
A PUC-Rio abriu inscrições para o curso "Filosofias da diferença", em agosto, coordenado por Paulo Cesar Duque-Estrada, sobre pensadores como Nietzsche, Freud, Benjamin, Deleuze, Foucault e Derrida.

Matéria: A primeira vez (por Miguel Conde)
Autores falam de estreias escrevendo com (Sant'Anna) e sem (Verissimo) encomenda


Sergio Sant'Anna publicou seu primeiro livro em 1969. Luis Fernando Verissimo, em 1973. Hoje em plena flor da meia-idade literária, consagrados como dois dos mais importantes autores brasileiros, ambos vivem experiências novas, em direções opostas: enquanto o carioca escreve pela primeira vez um romance por encomenda, o gaúcho toca o primeiro escrito por iniciativa própria. Juntas na nova edição da revista "Granta" (Alfaguara), que tem como tema a ambição e publica um capítulo de cada livro — os romances ainda estão sendo escritos e não têm título definido — os dois se encontram dia 29 na Casa do Saber, no Rio, para falar sobre as suas ambições como escritores. Nesta entrevista na sede da editora Objetiva, no Cosme Velho, eles conversaram sobre este e outros assuntos.
(...)
VERISSIMO: Não tem uma explicação para eu ter resolvido escrever esse livro sem encomenda. Não foi uma história que estivesse dentro de nmim e eu precisasse escrever. Ela começou um dia quando pensei numa frase de "Ébrio", do Vicente Celestino: "Tornei-me um ébrio,/ na bebida busco esquecer". Tomando isso emprestado, pensei na frase: "Formei-me em Letras, na bebida busco esquecer". Comecei a me perguntar "quem é esse cara que diz isso, onde ele trabalho, como vive?". Foi a partir dessa frase que nasceu a história.

SANT'ANNA: Fui a Praga para escrever uma história de amor (como parte do projeto Amores Expressos), mas estou escrevendo à minha maneira. Foi bom, tive muitas ideias andando pela cidade. O livro tem um narrador em primeira pessoa que vive uma série de encontros estranhos. Não conseguiria fazer uma história tradicional, uma love story.

VERISSIMO: A encomenda é só um mote a partir do qual você cria com liberdade. O problema é o prazo. Ainda mais no Brasil, onde o escritor acaba trabalhando nas horas vagas, que nem sempre aparecem.

SANT'ANNA: Antes de começar o livro já avisei que não teria prazo. Faço rascunhos exaustivamente, sou um escritor sabidamente lento. Mesmo esse capítulo que está na revista, eu não considero definitivo. É bom poder publicar ainda nesse estágio, porque isso me ajuda a perceber criticamente o texto, percebo onde posso melhorar.
(...)

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Caderno Ideias (JB) – Sábado (20/06/2009)
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Matéria de capa (por Juliana Krapp)

- O eu exibido!
A primeira pessoa — atual dom supremo da literatura — domina discursos e atitudes na festa literária internacional

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (A primeira pessoa domina discursos e atitudes na Flip).

Coluna Informe Ideias (Por Alvaro Costa e Silva, com Juliana Krapp)

- Na cola de Salomão
Do alto de seus 86 anos, José Saramago partiu na última quarta-feira em uma aventura e tanto. Lidera uma "expedição" que vai percorrer a rota portuguesa de Salomão, o protagonista paquidérmico de seu último romance, A viagem do elefante. A trupe partiu da cerca de Belém, em Lisboa, e vai até a fronteira com a Espanha, em Figueira de Castelo Rodrigo. Apesar de ter inventado o itinerário de Salomão, uma vez que não há informações precisas sobre a viagem real do elefante, o Prêmio Nobel espera encontrar, nos lugares visitados, "passos" do bicho. Durante a excursão, promete atualizar o diário de viagem em <http://aviagemdoelefante.wordpress.com/>. Por enquanto, já há por lá breves relatos e fotos, nas quais, apesar do caráter esportivo de sua empresa, Saramago aparece em seu indefectível terno-e-gravata.

- 40 anos de Pasquim
Sexta que vem faz 40 anos que saiu o primeiro número de O Pasquim. A patota — entre eles, Jaguar, Sérgio Augusto, Sérgio Cabral, e Ziraldo — comemora a efeméride terça, às 19h, no Bar Lagoa. A editora Desidereta aproveita a ocasião para fazer dois lançamentos: o terceiro volume da Antologia do Pasquim, com 50 edições, publicadas entre maio de 1973 e abril de 1974; e Pasquim 40 anos, compilação com 40 capas emblemáticas do jornal — incluindo a clássica imagem de Leila Diniz com uma toalha na cabeça, e a de Rogéria fazendo as vezes de Mona Lisa.

- Ribeirão Preto
Vai até o dia 28 a 9ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Entre as atrações estão Carlos Heitor Cony, José Miguel Wisnik, Mário Prata, Carola Saavedra.

- Em Paraty
Na Casa da Cultura de Paraty, durante a Flip, o angolano Ondjaki — que acaba de lançar pela Cia. das Letras Avó Dezanove e o segredo soviético — e Marcelino Freire, autor de Balé ralé, trocam impressões a respeito do acordo ortográfico. Na mediação, o escritor Marcelo "Natalino da Feijoada" Moutinho, organizador do Dicionário amoroso da língua portuguesa. Será no domingo, dia 5.

Cinema (por Daniel Schenker)

- Imagens que saltam os olhos
Em 'Andrei Rublióv', de Tarkovski, fica evidente a presença da natureza como personagem

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB ('Andrei Rublióv', de Tarkovski, faz da natureza um personagem).

Martin Heidegger (por Rafael Haddock-Lobo)

- Um filósofo do espaço
Livro de Ligia Saramago explora tema pouco estudado na obra do pensador alemão

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Livro explora tema pouco estudado na obra de Heidegger).

Hannah Arendt (por Haron Gamal)

- Irreflexão e violência
Nova edição do clássico 'A vida do espírito' é imprescindível ao ambiente acadêmico e ao leitor comum

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Nova edição do clássico 'A vida do espírito' chega às livrarias).

Verso (por Fábio Lucas)

- A busca interminável pela expressão poética
Ronaldo Werneck recria seu mundo indo às fontes memorialísticas

Minerar o branco ficará entre as surpresas de boa leitura nos últimos tempos. (...)

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Ronaldo Werneck recria seu mundo indo às fontes memorialísticas).

Matéria 'As máquinas dos tempos' (por Felipe Fortuna)

EXTRAÍDO DO LIVRO Céu em fogo (1915), o conto "A estranha morte do professor Antena" ressurge agora numa edição de bolso (...)

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Tentativa de superar a morte permeia conto de Mário de Sá-Carneiro).

Literatura Brasileira (por Agnes Rissardo)

- Náusea contemporânea, à la Sartre
'Tinha uma coisa aqui', estreia de Ieda Magri, mostra engenhosidade na forma de narrar

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Estreia de Ieda Magri na prosa mostra engenhosidade na narrativa).

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sobre reconhecimento

No último dia 17, saiu na coluna Gente Boa (O Globo), de Joaquim Ferreira dos Santos, uma notinha dizendo que os ilustradores, principalmente os de livros infantis, queriam rachar o direito autoral com os escritores.

Parece aquela história do ouviu cacarejar, mas não sabe onde. No dia seguinte, em palestra que participei, ouvi dos próprios ilustradores que havia um grande mal entendido na divulgação dessa notícia. Eles nunca pensaram em dividir os direitos autorais dos escritores. Reinvidicam um percentual obtido diretamente das editoras, sem qualquer prejuízo do valor recebido por eles.

Hoje, por justiça, a mesma coluna Gente Boa publicou a resposta da Sociedade Brasileira dos Ilustradores. Veja abaixo:
“Não queremos que autores de texto dos livros infantis dividam seu percentual, mas que as editoras façam as contas sob a nova realidade do mercado, incluindo vendas para o governo, e todos, inclusive ilustradores, passem a receber sua parte”. (Orlando Pedroso, Sociedade Brasileira dos Ilustradores)

E falando de justiça e reconhecimento, vejo hoje que a Revista Crescer publicou a lista dos 30 melhores livros infantis do ano. Maravilhoso! Incentiva a leitura, reconhece o trabalho dos escritores, mas... só vejo um probleminha: a lista é mista e inclui não só os livros nacionais, mas os estrangeiros. Se alguns comemoram que os nacionais ganharam a disputa, por 16x14, eu lamento que eles tenham que entrar na disputa.

Há livros maravilhosos sendo produzidos no Brasil, para o público infantil e juvenil. Mas considerando que a lista trata de livros na faixa de 3 a 7 anos (os juvenis têm grandes concorrentes lá de fora), acho um desperdício completo não se fazer uma lista somente nacional. E para essa galerinha, que ainda não sabe ler, as ilustrações fazem toda diferença, pois serão o ímã que as farão andar com o livro para cima e para baixo. Palavra de quem tem uma princesinha nessa idade em casa.

Bem, abaixo a lista dos livros indicados. Mas no link da
Crescer é possível verificar detalhes de cada um.

1. COMILANÇA, de Fernando Vilela, Ed. DCL, R$ 23 (A partir de 4 anos)
2. COMO COMEÇA?, de Silvana Tavano e ilustrações de Elma, Ed. Callis, R$ 35 (A partir de 3 anos)
3. O LIVRO INCLINADO, de Peter Newell, Ed. Cosac Naify, R$ 35 (A partir de 5 anos)
4. A HISTÓRIA DE TUDO, de Neal Layton, Ed. Companhia das Letrinhas, R$ 43 (A partir de 4 anos)
5. NA NOITE ESCURA, de Bruno Munari, Ed. Cosac Naify, R$ 59 (A partir de 5 anos)
6. PULA, GATO!, de Marilda Castanha, Ed. Scipione, R$ 26,90 (A partir de 3 anos)
7. DE PASSAGEM, de Marcelo Cipis, Ed. Companhia das Letrinhas, R$ 28 (A partir de 4 anos)
8. ZOO, de João Guimarães Rosa e ilustrações de Roger Mello, Ed. Nova Fronteira, R$ 35 (A partir de 3 anos)
9. O NAMORADO DA FADA, de Ziraldo, Ed. Melhoramentos, R$ 27,50 (A partir de 7 anos)
10. SETE HISTÓRIAS PARA CONTAR, de Adriana Falcão e ilustrações de Ana Terra, Ed. Salamandra, R$ 31,50 (A partir de 5 anos)
11. AS CARTAS DE RONROROSO, de Hiawyn Oram e ilustrações de Sarah Warburton, Ed. Salamandra, R$ 31,90 (A partir de 5 anos)
12. HISTÓRIAS À BRASILEIRA 3, de Ana Maria Machado e ilustrações de Odilon Moraes, Ed. Companhia das Letrinhas, R$ 32,50 (A partir de 6 anos)
13. KACHTANKA, de Anton Tchekhov e ilustrações de Guenádi Spirin, Ed. Cosac Naify, R$ 39
(A partir de 6 anos)
14. ANACLETO, de Bartolomeu Campos de Queirós e ilustrações de Júlia Bianchi, Ed. Larousse Júnior, R$ 22,50 (A partir de 2 anos)
15. ABC CURUMIM JÁ SABE LER!, de Bia Hetzel e Silvia Negreiros e ilustrações de Mariana Massarani, Ed. Manati, R$ 32 (A partir de 3 anos)
16. A E I O U, de Angela Lago e Zoé Rios, Ed. RHJ, R$ 28 (A partir de 4 anos)
17. GRANDE LIVRO DOS MEDOS, de Emily Gravett, Ed. Salamandra, R$ 34,90 (A partir de 3 anos)
18. ONDA, de Suzy Lee, Ed. Cosac Naify, R$ 35 (A partir de 2 anos)
19. O GATO E O ESCURO, de Mia Couto e ilustrações de Marilda Castanha, Ed. Companhia das Letrinhas, R$ 32,50 (A partir de 4 anos)
20. MAMÃE ZANGADA, de Jutta Bauer, Ed. Cosac Naify, R$ 32 (A partir de 4 anos)
21. FOLHA, de Stephen Michael King, Ed. Brinque-Book, R$ 35 (A partir de 5 anos)
22. ATÉ AS PRINCESAS SOLTAM PUM, de Ilan Brenman e ilustrações de Ionit Zilberman, Ed. Brinque-Book, R$ 27,50 (A partir de 4 anos)
23. MAS POR QUÊ??! A HISTÓRIA DE ELVIS, de Peter Schössow, Ed. Cosac Naify, R$ 29
(A partir de 4 anos)
24. OLIVIA AJUDA NO NATAL, de Ian Falconer, Ed. Globo, R$ 35 (A partir de 3 anos)
25. SÓ MEU, de Mario Quintana e ilustrações de Orlando, Ed. Global, R$ 29 (A partir de 5 anos)
26. MITOS BRASILEIROS EM CORDEL, de César Obeid e xilogravuras de Ernesto Bonato, Ed. Salesiana, R$ 32 (A partir de 6 anos)
27. O MENINO POETA, de Henriqueta Lisboa e ilustrações de Nelson Cruz, Ed. Peirópolis, R$ 45 (A partir de 6 anos)
28. AS MENINAS E O POETA, de Manuel Bandeira e ilustrações de Graça Lima, Ed. Nova Fronteira, R$ 32,90 (A partir de 6 anos)
29. A VERDADEIRA HISTÓRIA DE CHAPEUZINHO VERMELHO, texto e arte de Agnese Baruzzi e Sandro Natalini, Ed. Brinque-Book, R$ 44 (A partir de 3 anos)
30. O QUE É QUE TEM O MEU CABELO?, de Satoshi Kitamura, Ed. Companhia das Letrinhas, R$ 43 (A partir de 1 ano)

Lançamento do infantil "A sereia e o caçador de borboletas"


(Clique na imagem, para ver os detalhes)


No próximo domingo, dia 21 de junho, a partir das 16h, tem lançamento na Livraria Travessa de Ipanema (RJ).

É o novo livro infanto-juvenil de Adriana Lisboa, com ilustrações de Rui de Oliveira: A sereia e o caçador de borboletas (Rocco). Confiram!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Lançamento do romance "Outra Vida"

(clique na imagem para ver os detalhes)

Estou com muita inveja dos paulistas. Semana que vem tem lançamentos ótimos. Na terça, será o romance da Ivana. Na quarta, do querido Rodrigo Lacerda.

Será no dia 24 de junho, das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila.

O romance do Rodrigo, Outra vida, publicado pela Alfaguara, conta a história de um corrupto que se vê diante de um momento decisivo numa rodoviária, onde está com a mulher e a filha de 5 anos. Mas esse corrupto não é uma caricatura, é uma pessoa tão próxima que talvez os leitores sintam até carinho.

O romance promete. Sua primeira novela, O mistério do leão rampante, foi premiada com o Jabuti. O último livro, O fazedor de velhos, já recebeu vários prêmios e empolgou crítica e leitores em geral.

Então não percam!

Se quiser curtir um pouco mais dos bastidores do novo romance do Rodrigo, dê uma lida no post que publiquei aqui no último final de semana.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Notícias literárias

Não é só de lançamentos que vive o Canastra, nem de minhas reflexões pós-escrita, mas também do que está acontecendo no mundo literário.

Então como estou com notícias acumuladas desde segunda-feira, publico tudo num único post. Não dará tempo para fazer comentários sobre cada uma, mas uma ou outra, colocarei uma linha em verde.

Além disso, vocês sabem que as notícias divulgadas aqui trazem as minhas pesquisas pelos links na rede, o que sempre é bom para se obter mais informações.

### Buenos Aires foi eleita como a Capital do Livro em 2011
A Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) elegeu Buenos Aires como a Capital Mundial do Livro em 2011. A seleção faz parte de esforços em promover a literatura e foi realizada através de uma comissão formada pela Associação Internacional dos Editores, pela Federação Internacional dos Livreiros e pela Federação Internacional das Bibliotecas. Para a escolha, foram considerados a qualidade e a variedade de propostas literárias oferecidas pela capital da Argentina, que agora eleita será designada a promover o Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor em 2011, comemorado em 23 de abril. Junto com Buenos Aires estavam concorrendo Lagos (Nigéria), Porto Novo (Benin), Caracas (Venezuela), Havana (Cuba), Sharjah (Emirados Árabes) e Teerã (Irã). Buenos Aires é a 11ª cidade a receber esta distinção. Até o ano que vem, Beirute segue com o título, quando a Liubliana, capital da Eslovênia, assumirá o posto para celebrar as comemorações em 2010.
Fonte: PublishNews

>> As outras capitais que já receberam o título foram: Amsterdam (Países Baixos, 2008), Bogotá (Colômbia, 2007), Turim (Itália, 2006), Montreal (Canadá, 2005), Antuérpia (Bélgica, 2004), Nova Deli (Índia, 2003), Alexandria (Egito, 2002) e Madrid (Espanha, 2001).

### Reinvindicação dos Ilustradores
Diz a coluna Gente Boa do dia 17/06 que uma nova reinvindicação no mercado dará trabalho às editoras: os ilustradores, principalmente os de livros infantis, querem rachar o direito autoral com os escritores. Não aceitam mais um xis pelo trabalho. Pedem um percentual nas vendas.
Fonte: Coluna Gente Boa (O Globo) de Joaquim Ferreira dos Santos

>> Hoje, dia 18/06, ouvi dos próprios ilustradores que há um grande mal entendido na divulgação dessa notícia. Os ilustradores nunca pensaram em dividir os direitos autorais dos escritores. Eles reinvindicam das editoras um percentual extraído diretamente das vendas, sem que haja prejuízo dos valores recebidos pelos autores do texto.

### Editoras independentes na Travessa
A Livraria Travessa da Ouvidor (a primeira da cadeia), inaugurada nos anos 80, mudará de perfil em agosto. Será especializada em livros de editoras independentes. Com seu perfil tradicional, a Travessa abre nova loja, no mesmo mês, na Rua Sete de Setembro.

Fonte: Coluna Gente Boa (O Globo) de Joaquim Ferreira dos Santos

>> Ah, bom! Seria horrível se ficássemos sem a Travessa do Centro (bem no Centro, perto da Ouvidor). Tudo bem, tem no início da Rio Branco e na Primeiro de Março, mas ambas ficam loooonge demais para mim. ;)

### Tobias Wolff não virá mais à FLIP
A organização da FLIP informou que o escritor Tobias Wolff não poderá comparecer à Festa em virtude de problemas de saúde. Para substituí-lo, a FLIP convidou o norte-americano James Salter, que dividirá a mesa Segredos de Família com Anne Enright, no sábado, 4 de julho, às 15h.
Fonte: FLIP

### J.K. Rowling é acusada de plágio, mas editora nega
A editora Bloomsbury negou na segunda-feira alegações de que a escritora J. K. Rowling teria copiado "partes substanciais" de um livro de outro autor de literatura infantil quando escreveu "Harry Potter e o Cálice de Fogo". As alegações de plágio foram feitas pelos herdeiros de Adrian Jacobs que disseram terem aberto uma ação na Alta Corte de Londres contra a Bloomsbury por infração de direitos autorais. De acordo com a ação, Rowling teria copiado "partes substanciais" de "The Adventures of Willy the Wizard -- No 1 Livid Land", escrito por Jacobs em 1997, no que tange ao concurso de magos, e a ideia de magos viajando de trens. O comunicado dos herdeiros diz ainda que Jacobs tinha procurado os serviços do agente literário Christopher Little, que mais tarde se tornou agente de Rowling. Jacobs teria morrido em 1997, sem dinheiro, num asilo para doentes terminais em Londres. O livro de Jacobs tem apenas 37 páginas e teve uma distribuição muito limitada. A editora de Rowling afirma que a autora nunca ouvira falar de Jacobs, nem lido seu livro.

Fonte: Reuters

>> Sem conhecer o conteúdo do livro é difícil emitir uma opinião. Mas abrir esse processo só agora, 9 anos depois do lançamento, me deixa desconfiada que tem caroço nesse angu. No último final de semana, vi com meus filhos o DVD do último filme das Crônicas de Nárnia (Príncipe Caspian). Se no livro anterior as crianças mudam de mundo por dentro de um armário, nesse elas passam do mundo "normal" para o mágico dentro de uma estação de trem. Será que os herdeiros de C. S. Lewis também abririam um processo de plágio?

Lançamentos de hoje no Salão FNLIJ

Hoje foi o último dia que visitei o Salão FNLIJ com as crianças. Fomos especialmente para dois lançamentos. O primeiro, na realidade, um relançamento: Quarto de menina (Record), da querida Livia Garcia-Roza, e que vem com uma nova capa belíssima. Este que é classificado como um livro infanto-juvenil foi o primeiro livro publicado por ela. E atualmente já está na 3ª edição.

A história para quem não conhece fala sobre Luciana, uma menina com o coração entupido de perguntas, dúvidas e sofrimentos. Filha de pais separados, a jovem observa o comportamento dos dois e faz de seu quarto um refúgio secreto, onde desabafa suas angústias com bonecas e grilos que moram num vaso de flores.



Logo depois, no próprio Espaço para Jovens, ficamos (como planejado) para ouvir o Luis Eduardo Matta, que falou sobre o lançamento de seu livro O Rubi do Planalto Central (Ed. Atica), título da coleção Olho no Lance, que é paixão do meu filho de 11 anos.

O livro vem com a mesma turma que já apareceu em outro livro seu: Roubo no Paço Imperial (Ed. Atica). Neste segundo livro, Dona Olga e as crianças Júlia, André e Rachid vão viver uma nova aventura. Depois de descobrir o roubo da moeda no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, o grupo de detetives estará em Brasília, tentando descobrir o que aconteceu com um valioso rubi de um marajá indiano que acaba de sumir.


Vocês que tenham filhos pequenos nesta faixa etária (10/11 anos), se estiverem tendo problema para as crianças aprenderem a amar os livros, comecem por títulos como esses. Aventura para essa idade é uma ótima receita para fazer com que o livro se torne um companheiro e não uma obrigação. Funcionou comigo aos 9 anos, funcionou com meu filho e funciona com a maioria das crianças. Receita infalível.

Eu ainda volto amanhã, mas para a Palestra que acontecerá durante todo o dia que será na realidade um bate-papo com autores de literatura infanto-juvenil.

Mas aviso a quem ainda não foi: se preparem para não encontrar vaga (hoje paguei R$ 10,00 num estacionamento desses park-alguma-coisa, no final da primeira transversal) e levem sabonete líquido. O banheiro feminino de lá estava um horror! Mas depois que entramos, esquecemos os problemas de infraestrutura.

Lançamento do livro "Hotel Novo Mundo"


E saiu do forno o primeiro romance da contista Ivana Arruda Leite: Hotel Novo Mundo (editora 34). A contar pelas "azeitonas" (1, 2, 3, 4, ..., 16, 17, ...) que ela vem publicando desde maio em seu blog, a história está ótima.

Então melhor do que eu contar aqui, é dar uma passadinha lá e conferir os bastidores do livro (as azeitonas), que ela preparou tão carinhosamente para nós.

Só adianto um pequeno aperitivo: trata-se da história de uma ex-prostituta que, traída pelo marido, larga tudo no Rio de Janeiro e vai recomeçar sua vida em São Paulo, se hospedando no Hotel Novo Mundo, um hotel barato onde desfilarão vários personagens interessantes.

Bom, não?!

Para prestigiar essa escritora querida, basta conferir o convite do lançamento (abaixo). Será no próximo dia 23 de junho, em São Paulo, na Livraria da Vila.



Mas os cariocas quem não puderem ir até São Paulo não precisam ficar tristes. Ela estará no Rio, lançando seu Hotel Novo Mundo, na Livraria Travessa de Ipanema, no dia 4 de agosto.

Mas ninguém precisa esperar até lá para comprar o livro, não é? :)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Notícias do Salão




Voltei há pouco do Salão FNLIJ.

(Como é bom estar de férias. Borboleteamos no horário em que todos estão trabalhando!) :)

Levei minha princesinha para conhecer a Livia e ouvir a própria autora contar a história da Bettina, que ela adora. Bettina é a personagem principal do livro infanto-juvenil que Livia lançou no finalzinho do ano passado: A casa que vendia elefantes.

Uma maravilha. Para quem já ouviu a Livia contar histórias, pode ouvi-la a cada parágrafo lido.

A Beatriz adorou. Mas, tímida, só começou a conversar quando já íamos embora.

O Espaço Leitura estava lotado e Livia ouviu histórias fantásticas das crianças que estavam lá.

A Bia gostou tanto que quer voltar (e olha que foi a 2ª visita em menos de uma semana). Amanhã estou lá de novo. Tem o relançamento de Quarto de menina (que está com uma capa belíssima) da Livia e o lançamento de O Rubi do Planalto Central do Luis Eduardo Matta. Esse último já é na linha do Gustavo, que adora livros da Coleção Vaga-lume e Olho no Lance.

A terça-feira foi especial: pude rever minha querida amiga e fada-madrinha, Livia Garcia-Roza, e, melhor do que tudo, ouvi-la e vê-la esbanjar toda a sua alegria. E se não fosse suficiente, a mãe coruja aqui ainda ficou orgulhosa de ver o amor pela Literatura ganhando força na caçulinha.

Passeando pelos livros... e talvez encontrando respostas.

E pensar que escrevi esse post pela manhã e o blogspot fez o favor de perdê-lo, na íntegra, sem deixar nenhuma linhazinha de rascunho... Vamos ver se consigo reescrever, claro que não sairá com as mesmas palavras...

Hoje estive passeando pela minha estante. Estou em estado de suspensão. Terminei há um mês a última versão do meu livro de contos, que está sendo escrito há quatro anos e que está agora tentando colocar a orelha para fora da gaveta...

Sinto falta dos meus personagens. Estou com um sentimento de vazio. Uma nostalgia, quase uma desorientação.

Para dominar a ansiedade, comecei a escrever um romance, mas ainda não engrenou. Talvez porque ainda esteja embuída da atenção a cada palavra, como faço no conto, justificando sua existência. Preciso deixar a mão correr mais livre, para só depois podar. Estou também escrevendo novos contos, e guardando numa outra gaveta. Mas não sei escrever aleatoriamente. Chega num ponto que preciso achar um fio condutor que ligue todos eles. Acho que só depois que eu encontrar esse fio, vou começar a produzir com a agilidade de antes.

Hoje, meu segundo dia de férias, deveria estar teclando alucinadamente, mas não estou. Na realidade, não teclando, escrevendo, nos meus cadernos carinhosamente escolhidos (ah, papelarias, lugares mágicos!), e com a letra que se posiciona redonda com a ponta de minha lapiseira. Só depois é que vou para o Word, para cortar, colar, retirar, incluir...

Então, por que não estou escrevendo? Talvez porque esteja frio, talvez porque tenha medo de recomeçar, talvez porque sinta a espada frequente que nos obriga a fazer o melhor possível. Tenho um outro romance bem avançado na gaveta, que fiquei me perguntando se seria bom. Talvez seja tolice minha não terminá-lo. Deveria terminá-lo para depois me questionar sobre um trabalho pronto. E não começar um novo, por mais interessante que esse novo enredo me pareça.

E pensar que não tenho problemas para escrever. Faço em qualquer lugar, apesar do pouco tempo. Sou funcionária pública e trabalho, muito. Cumpro carga horária de 8 horas, fora as três horas gastas em locomoção. Sobra para mim esse tempo do transporte, a hora do almoço (que me refugio na biblioteca da ABL), os minutos antes de arrumar as crianças para a escola, os minutos antes que o sono me domine... Mas às vezes falta concentração ou inspiração para escrever em alguns desses lugares, em outras, escrevo até em verso de nota de compra, se a vontade me vier incontrolável e meu caderninho de ideias não estiver comigo. Gasto, então, esses minutos, lendo, rabiscando só as ideias, atualizando o Canastra. E no que sobra (que é muito maior), penso em literatura, respiro, imagino. Mentalmente, transformo em palavras um céu azul, um bebê sorrindo, a vida que flui sem que venhamos a lhe dar a devida atenção.

E então por que não estou escrevendo, se agora me sobra tempo? Boa pergunta. Talvez seja o excesso de assuntos para resolver: arrumar os armários, terminar a revisão do livro publicado (técnico), etc.

Talvez seja apenas medo.

Por isso, percorri minha pequena biblioteca. Tirei alguns exemplares e resolvi reler trechos que eu havia marcado. Peguei os livros e coloquei ao meu lado. Fui relendo e transcrevendo aqui, porque adoro dividir com vocês. E, então, percebi que meus olhos paravam em trechos que me pareciam respostas para perguntas que não ousei formular. Mas que estavam ali, dentro de mim.

A primeira frase que transcrevi me tocou profundamente. Traz a lembrança de menina, quando já fantasiava minha vida. Imaginava uma vida diferente da que eu tinha, mas que desejava para mim. Pensava em cada detalhe, em cada frase de algum diálogo esperado, de cada cena, como uma peça de teatro. Andava pela casa, comia, ia dormir, pensando na próxima cena, no próximo capítulo. E com isso, passava dias vivendo cada idade naquela situação. E quando chegava a idade de partir, terminava a história, ou melhor, a interrompia. Não saberia dizer como seria ir embora. E então ficava triste. Sentia que faltava um pedaço de mim, me sentia órfã. Até pensar numa nova vida. Inventar uma nova história. Primeiro comigo, depois comecei a fantasiar histórias para os outros: amigos, familiares, desconhecidos. Se Vargas Llosa estiver correto, talvez tenha sido a semente de uma vocação literária, a mesma que espero ser ratificada um dia, talvez quando se tornar realidade a última fantasia...

Então, quando acabar esse post, darei atenção a minha filha, depois, me arrumarei para prestigiar a querida Lívia Garcia-Roza que lança, hoje, seu livro “A casa que vendia elefantes” no Salão da FNLIJ. E, à noite, ou no máximo amanhã, sentarei para escrever. Qualquer coisa. Nem que seja para amassar. Ou para depois retocar, excluir, incluir, ou seja, escrever...


Então vamos aos textos...

“Se não estou errado em minha suposição (claro que tenho mais chances de estar errado do que certo), um homem ou uma mulher desenvolve precocemente, na infância ou no começo da adolescência, uma predisposição para fantasiar pessoas, situações, casos, mundos diversos do mundo em que vive, e essa inclinação é o ponto de partida do que mais tarde poderá se chamar vocação literária.(...)

Os que o fazem e se tornam criadores de mundos por meio da palavra escrita — os escritores — são uma minoria, que, àquela predisposição ou tendência somaram essa expressão da vontade que Sartre chamava de escolha. Elegeram-se como tal. Organizaram a vida para transportar para a palavra escrita essa vocação que antes se contentava em fantasiar, no território impalpável e secreto da mente, outras vidas e outros mundos.”

“A vocação literária não é um passatempo, um esporte, um lazer refinado que se pratica nas horas vagas. É uma dedicação exclusiva e excludente, uma prioridade à frente da qual nada pode passar, uma servidão livremente escolhida que transforma suas vítimas (suas ditosas vítimas) em escravos. Como no caso do meu amigo de Paris, a literatura passa a ser uma atividade permanente, algo que ocupa a existência, que extrapola as horas que alguém dedica à escrita e impregna tudo mais que se faz, pois a vocação literária se alimenta da vida do escritor exatamente como a comprida solitária se nutre dos corpos que invade. Como dizia Flaubert: “Escrever é uma maneira de viver”.


“Cartas a um jovem escritor”
Mario Vargas Llosa

“Dê razão sempre a si mesmo e a seu sentimento, diante de qualquer discussão, debate e introdução; se o senhor estiver errado, o crescimento natural de sua vida íntima o levará lentamente, com o tempo, a outros conhecimentos. Permita a suas avaliações seguir o desenvolvimento próprio, tranquilo e sem perturbação, algo que, como todo avanço, precisa vir de dentro e não pode ser forçado nem apressado por nada. Tudo está em deixar amadurecer e então dar à luz. Deixar cada impressão, cada semente de um sentimento germinar por completo dentro de si, um ponto inalcançável para o próprio entendimento, e esperar com profunda humildade e paciência a hora do nascimento de uma nova clareza: só isso se chama viver artisticamente, tanto na compreensão quanto na criação.
(...)
Ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante as tempestades da primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele vem apesar de tudo. Mas só chega para os pacientes, para os que estão ali como se a eternidade se encontrasse diante deles, com toda a amplidão e a serenidade, sem preocupação alguma.”
“Cartas a um jovem poeta”
Rilke

“Não apenas as origens do texto literário são obscuras. O próprio significado deste pode ser intrigante — inclusive, e principalmente, para o próprio autor, a quem frequentemente se pergunta o que quis dizer com determinado conto, determinado poema. Como se a obra fosse um enigma do qual o escritor, e só o escritor, possui a resposta. O leitor, este, tem de sofrer; o leitor é Édipo ouvindo da esfinge literária o desafio: “Decifra-me ou te devoro”. Mas isto é um equívoco. Em relação à sua própria obra, o escritor é como alguém que tem uma ferida no dorso; a lesão está ali, ele a sente, mas não pode vê-la. E, se não tem um espelho à mão, precisa de alguém que lhe diga o que está se passando numa parte de seu corpo que é para ele quase como a face oculta da Lua.”

“Mas é isso que acontece quando a gente se deixa levar por palavras. Porque nos arrastam, as palavras. Sobretudo as pomposas.”

“Quando eu menos esperava, e num gesto quase automático, pegava uma caneta e uma folha de papel, e escrevia. Fui assim colecionando histórias que, no entanto, guardava na gaveta: aprendera a ter paciência. Ao fim de seis anos eu tinha uma coleção de textos ficcionais que representavam o melhor que eu podia fazer: se isto não é bom, eu pensava, então não sou mesmo escritor e é melhor largar esta coisa de vez.”

“De qualquer modo, a gente escreve. E aí vem a pergunta: O que fazer com aquilo que escrevemos? Guardamos, tipo diário íntimo, ou mostramos?

Melhor mostrar. Textos guardados na gaveta são perigosos. Fermentam, produzem emanações emocionalmente tóxicas que adoecem ou fazem sofrer seu autor. Agora: mostrar para quem? Isto é importante, inclusive para não encher o saco de pessoas. Pais, professores, amigos são o primeiro escalão. Depois vêm os escritores. Mostrei meus originais a vários deles. Rubem Braga perdeu a minha primeira coleção de contos (e eu não tinha cópia). Erico Veríssimo foi mais amável.”


“O texto, ou: a vida. Uma trajetória literária”
Moacyr Scliar

“Eu não escrevo aquilo que quero, eu escrevo aquilo que sou”.

Clarice Lispector.
Citação de “O livro entre aspas”

“Convém tem disposição para limpar armários e gavetas.
Pelo menos vez-ou-outra. Ajuda a recomeçar um capítulo ou reanimar uns versos sem sangue.”

“Tem que trabalhar duro. Faça chuva ou faça sol. Trabalhar duro não significa ficar só escrevendo por horas e horas. Pensar na vida também é trabalhar. Pensar no mundo. Pensar na humanidade. Pensar nas belezas, nos desacertos, pensar até na morte da bezerra.
Pensa que é fácil?”

“Tem que reescrever um parágrafo umas quinhentas vezes. Procurar uma palavra certa durante meses. Apagar, substituir, refazer. Rasgar e embolar papéis, anos e anos a fio. Guardar alguma coisa aproveitável.
Ter obsessão pela arte o resto da vida.”

“Tem que frequentar livrarias, bibliotecas, feiras de livro, seminários, congressos e bate-papos em cafés. Brigar por um livro raro, conseguir emprestado aquele exemplar magnífico, juntar dinheiro para comprar o livro que não vê a hora de ler. Ouvir com carinho e cuidado qualquer definição de literatura.
Alguém explica a vida?”

“Tem que reler os livros de que mais gosta. Os clássicos e os novos. Reler vários trechos, em doce ou furiosa contemplação. Revisitar o desejo do protagonista. Identificar-se com esse desejo, viver desse desejo. Ajuda a entender que os melhores livros são os que permanecem dentro da gente, embora a cada dia pareçam tão novos, tão outros.”

“Tem que gostar de papelarias. Para comprar ou pelo menos namorar clipes, grampeadores, fitas adesivas, pastas de arquivo, resmas de papel, tesouras, lápis, borrachas, canetinhas de várias cores, réguas, cola-bastão, tinta para impressora, disquetes e papel para fax. Papelaria é um lugar onde sempre se encontra um escritor. Ou um estudante.
E estudante e escritor são sinônimos, entenda isso bem direitinho”

“Deixar o tempo passar. Escrever outras coisas. E ler de tudo, sempre.”


“Esses livros dentro da gente. Uma conversa com o jovem escritor”
Stela Maris Rezende

domingo, 14 de junho de 2009

Jornalista é...


O Logo é uma página publicada no Jornal O Globo de domingo, sempre numa editoria diferente.

A de hoje foi sobre o jornalismo ou o conceito do que seria um jornalista. Com a arte de André Mello que se baseou nas figurinhas apaixonantes do Amar é..., foi feita uma página na qual artistas, professores, estudantes, comerciantes, entre outros, procuraram definir o que é um jornalista.

Todas as respostas estão no blog do Logo. É só clicar e conferir.

Coluna do José Castello no Prosa & Verso


Esta matéria faz parte da publicação semanal do Canastra: Pílulas dos cadernos literários.

O texto abaixo é a transcrição da coluna do José Castello a respeito do novo livro de Gustavo Bernardo: Monte Verità.

Matéria publicada no Caderno Prosa & Verso (O Globo), em 13/06/2009.

A bofetada metafísica
Por José Castello

Tenho um vizinho que se diz filósofo. Semana passada, em uma reunião de condomínio, como discordássemos em torno de uma questão hidráulica e sabendo de minha paixão pela literatura, ele me desafiou: "Kant dizia que a leitura de romances corrói o pensamento e aniquila a memória". E, fechando a cara, prosseguiu: "Tome cuidado, porque a literatura pode provocar um grande mal".

Mal sabe meu vizinho que, naquela tarde, eu lia, com grande interesse, "Monte Verità", o mais recente livro de Gustavo Bernardo (Rocco, Coleção Jovens Leitores). Um romance filosófico que — mesmo retido na etiqueta comercial da "literatura para jovens" — trabalha justamente com algumas das ideias de Emannuel Kant. Em particular, com as que compõem a sua ética.

Antes de modificar o mundo, devemos modificar a nós mesmos, Kant sugeria. E nos dava outra sugestão ainda mais decepcionante: o importante não é procurar a felicidade, mas merecê-la. Não é agradável o conselho de que desistamos de consertar o mundo; mais dolorosa ainda é a proposta de que abdiquemos da felicidade. Contudo, só depois de abandonar a ilusão, podemos, enfim, viver. E até melhorar um pouco o mundo e diminuir a infelicidade.

É o que faz o moçambicano Manuel, protagonista de "Monte Verità". Depois de ter a mulher assassinada pela repressão política, só lhe resta fugir de Maputo. Não tem tempo, sequer, de apanhar a filha pequena que o espera na escola. Pouco antes, quando se deparou com a mãe morta, a menina lhe ofereceu um insight metafísico. Olhou o corpo vazio e disse: "Papai, Deus chegou atrasado". Aceitando as brutais limitações impostas pela ausência divina, Manuel se refugia na Suíça italiana, onde se emprega como garçom no hotel Monte Verità. Nos intervalos do trabalho, escreve o livro que estamos a ler.

O livro de Manuel conta a história de misteriosas "intervenções" impostas ao planeta Terra, atos pragmáticos e "sem autor" que, no entanto, modificam nossa existência. Quem as propaga? Algum poder secreto? Seres de outro planeta? O próprio Deus? A primeira delas bane todas as armas. Nas intervenções seguintes, combate-se a explosão demográfica, a poluição, a violência contra os animais e os crimes hediondos. Atos que, no entanto, não pretendem dar lições de vida, ou "educar". O objetivo não é salvar, ou amadurecer, mas, sim, levar o homem a abandonar a onipotência, para que suporte se ver como o ente vulnerável que é. O homem deve desistir da felicidade e da perfeição para, contando apenas consigo mesmo, merecer enfim esse nome.

Olhei para meu vizinho e pensei no modo altivo com que ele manipula as ideias, como se elas existissem apenas para lhe servir. Ocorreu-me, então, que a filosofia é, muitas vezes, uma forma mais obsessiva de literatura. Acontece que, enquanto os filósofos se agarram precariamente a seus sistemas e conceitos, os escritores — que não têm onde se amparar — agarram-se ao que lhes falta. Todo escritor parte, sempre, de uma ausência. Um grande vazio brilha na primeira página em branco.

Pensava nisso quando o porteiro me entregou um postal expedido por uma amiga que vive em Paris. Uma bela fotografia do escritor francês Louis-Ferdinand Céline, tomada seis anos antes de sua morte. Sexagenário, Céline — um escritor fabuloso sempre odiado por culpa de suas ideias fascistas, que são de fato hediondas — aparece em um jardim, vestindo roupas amarfanhadas, desolado e cabisbaixo, a observar seu gato. Ereto e solene, ao contrário, o animal ostenta o olhar altivo dos "homens que sabem pensar"; enquanto Céline, àquela altura entregue ao ostracismo e à derrota, é só um homem que luta para suportar a dor.

Duro e intransigente na vida, Céline fez da literatura, ao contrário, um lugar de liberdade. Não conseguiu livrar-se, porém, da leitura dogmática a que seus grandes romances, até hoje, estão condenados. A que torrente de olhares os escritores estão expostos! Há poucos dias, uma vaga absurda de incompreensão levou "Aventuras provisórias", o romance de Cristovão Tezza, a ser recolhido, depois de adotado pelas escolas de Santa Catarina. Aos olhos obtusos das autoridades locais, duas ou três cenas amorosas tornariam o livro ofensivo aos adolescentes.

É desse mesmo mundo duro e cego, em que romances são vistos como venenos, que trata "Monte Verità". Ele é também o objeto de "Aventuras provisórias", a história de uma traição que termina em um crime. A ética, para o escritor, porém, não está na submissão a princípios, ou a dogmas. O escritor só tem uma ética: não pode trair a si mesmo, sob pena de se tornar, apenas, um escrivão. E é nessa condição inegociável que a potência da literatura se garante.

Em nosso tolo mundo do Eu, os escritores se transformaram em celebridades. Escritores deveriam repetir, hoje, a frase de Manuel, o protagonista de Gustavo Bernardo: "Eu não sou nenhum tipo de deus. Eu não sou sequer nenhum tipo de eu". Universo vazio, no qual as coisas só existem em potência, a literatura produz narrativas tão distintas quanto "Aventuras provisórias" e "Monte Verità"; agrega — sem que isso signifique conflito mas, ao contrário, riqueza — autores tão distantes quanto Cristovão Tezza e Gustavo Bernardo. É por isso que a literatura se torna ameaçadora: porque não exclui nada, nem ninguém. Porque encara, sem medo, a precariedade do homem.
Julio Cortázar dizia, por isso mesmo, que só a literatura é capaz de desferir no mundo uma verdadeira "bofetada metafísica". Não para fazer proselitismo, ou pregação; tampouco para buscar seguidores, ou produzir crentes. Ao contrário, a literatura só produz descrentes; sujeitos que, cientes da fragilidade do mundo, fazem da fraqueza a sua grandeza. Tal disponibilidade para o quase-nada rege, também, os verdadeiros filósofos. É dela, ainda, que o moçambicano Manuel se vale para continuar a viver. Conhecido por seu ceticismo, o filósofo escocês David Hume, um antecessor de Kant, afirmava que a filosofia é um saber vacilante, no qual "praticamente nada se pode dizer". É também com esse "praticamente nada" que os escritores escrevem.

Rodrigo Lacerda lança romance


Esta matéria faz parte da publicação semanal do Canastra: Pílulas dos cadernos literários.

A matéria abaixo fala do lançamento do novo romance de Rodrigo Lacerda. E embalada pelas leituras que fiz de outros livros do autor, sinto-me já ansiosa para o meu exemplar de Outra vida. .

Matéria publicada no Caderno Prosa & Verso (O Globo), em 13/06/2009.

Despojamento de um autor

Rodrigo Lacerda lança romance sobre desilusão amorosa, em que fez esforço para não julgar personagens

Por Rachel Bertol

"Outra vida" (Alfaguara), o novo romance de Rodrigo Lacerda, levou oito anos até vir à luz. Nesse meio-tempo, publicou seu romance de 2004, "Vista do Rio" (Cosac), e um livro para jovens, "O fazedor de velhos" (Cosac), do ano passado. A obra que está chegando às livrarias, sobre um amor à beira da ruína, foi escrita aos poucos, como se Lacerda fosse um diretor de teatro em busca do papel ideal para o perfil de seus atores-personagens — foram eles, sobretudo, que impuseram seu caráter durante a composição da trama. E assim como boa parte dos livros anteriores do autor, este guarda uma estrutura bastante teatral. Não por acaso, Lacerda participará da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em julho, dividindo uma mesa com o dramaturgo e diretor Domingos de Oliveira sobre o tema da desilusão amorosa.

A história se passa numa rodoviária, onde um casal e sua linda filha de 5 anos vivem momentos decisivos: em poucas horas, partirá o ônibus que representará uma ruptura em suas vidas. Por conta da trama dramática, marcada pelo suspense, Lacerda não lançou mão do humor, presente especialmente em nos seus dois primeiros livros — as novelas "O mistério do leão rampante", de 1995, premiada com o Jabuti, e "A dinâmica das larvas", de 1996.

— Mesmo no romance de 2004, embora houvesse momentos dramáticos, pelo menos um personagem tinha mais humor. Ao longo dos anos, minha veia humorística foi aos poucos sendo temprada por uma carga de drama maior — conta Lacerda.

Um corrupto por quem se sente carinho

O livro demorou tantos anos para ser concluído porque Lacerda se debateu, sobretuo, com as mulheres da história: a mãe e a filha. Só o marido tinha seu caráter bem definido desde o início, um homem amoroso, porém fraco que, enredado num esquema de corrupção, viu-se obrigado a deixar a cidade grande. De origem mais humilde que a mulher, tinha cedido à tentação do dinheiro fácil, mas estava disposto a recomeçar no interior, com o apoio dos pais.

— É preciso entender o que acontece no país. Eu queria mostrar um corrupto próximo da gente, por quem as pessoas sentissem carinho. Se eu transformasse o meu corrupto num canalha, que só pensar em se locupletar, estaria fazendo uma caricatura. Mas a corrupção está disseminada na sociedade brasileira, é vício. Aqui e ali vemos pequenas contravenções: o dinheiro que damos para o guarda, o cara do bar que põe a cadeira em lugar proibido, a pessoa que fura o sinal. O marido encontra mil atenuantes para a corrupção. Ele pensa: se a Constituição diz que tenho direito à educação e a tratamento de saúde gratuitos, mas preciso pagar por tudo isso, tem algo errado.

Lacerda também expressa a ambiguidade em torno do personagem:

— O escorregão ético do marido não prejudica o bem público em nada. Ele leva um dinheiro que não sai dos cofres públicos, não adultera o resultado da concorrência, só recebe para transmitir informações.

Mas é sobretudo a mulher — sobre a qual já ouviu comentários de que não presta — que Lacerda vê com bons olhos.

— Não concordo com esses comentários. Enquanto o homem é mais doce, por outro lado tem seus deslizes, que são graves. Ele sempre nega o próprio desejo e obtém o que quer por debaixo do pano. Já a mulher é mais franca, aberta e sincera nesse sentido. Eu a vejo determinada, disposta a correr atrás dos seus desejos.

A maternidade é o tema mais pungente do livro. E não é a primeira vez que o escritor trata dele: em "Vista do Rio", havia a sombra de uma mãe que tinha largado a família para morar no exterior com o segundo marido. Era só uma sombra, mas agora o escritor aprofunda o olhar sobre uma mãe diante de dilemas semelhantes.

— Eu não tinha pensado nisso. Não sei qual foi o processo da mãe em "Vista do Rio", não me debrucei sobre a decisão dela, mas, nesse livro novo, embora ela tenha dificuldade de conviver com o papel de mãe, gostaria, preferencialmente, de levar a família junto.

Obra teve leitura crítica de Ronaldo Correia de Brito

Segundo o escritor, trazer para a cena essa mãe em conflito é uma forma de mostrar como a equação se complicou para as mulheres que precisam conciliar a rotina do trabalho com papel de mãe, esposa, dona de casa. O fato de o homem ser doce também resultaria, um pouco, dessa situação.

O personagem mais cândido é a menina, que foi nascendo, no papel, das lembranças de Lacerda, pai de uma adolescente, e das muitas leituras sobre comportamento infantil que fez para o livro.

— A menina tem uma dose de perversidade, normal nas crianças. Mas, naquela família, ainda, ela tinha de ter algum problema, não podia sair ilesa.

Para chegar à versão final (180 páginas), Lacerda contou sobretudo com as dicas de Ronaldo Correia de Brito, que lhe sugeriu inúmeros cortes. O escritor foi seu principal interlocutor durante a escrita e Lacerda, por sua vez, foi um leitor crítico do elogiado "Galileia" (igualmente da Alfaguara), que Brito lançou no ano passado.

— Sou de família de editores (é filho de Sebastião Lacerda, da Nova Aguilar, e neto do político Carlos Lacerda, fundador na Nova Fronteira). Acredito muito no papel do editor. Também, conversei muito com o editor da Alfaguara, Marcelo Ferroni.

Só alcançou o ponto final depois de um duro exercício de despojamento.

— Sempre ouvi escritores dizerem que o personagem fugia do controle, e achava que era conversa fiada, mas neste livro vivi algo semelhante. Os personagens eram bonzinhos, queriam me obedecer, mas aos poucos eu era obrigado a perceber que não combinavam com que eu queria que fizessem ou dissessem. Fui sendo convencido.

O próprio autor fala, em relação aos personagens, como um diretor de teatro:

— Escrever este livro foi um processo de despojamento da autoridade de diretor que impõe papéis para atores que não têm nada a ver com eles. Foi um despojamento para deixar os atores mostrarem como teriam de representar. É a busca da verossimilhança, também, mas além disso houve uma melhor compreensão dos atributos positivos ou negativos que o personagem teria de ter. Quero dizer, não se tratava de buscar só a verossimilhança, mas de parar de julgar.

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Trecho de "Outra vida" de Rodrigo Lacerda


"Em outro ponto da rodoviária, por entre pernas que andam rápidas, a imagem da filha reaparece. No exato instante em que o pai olha e vê, todos os pensamentos que tumultuavam seu espírito um segundo atrás desaparecem. Ele revive a esperança. Está mais perto agora e fixa bem a imagem e a alegria. Quer lembrar aquele momento para sempre. Num canto do chão sujo da rodoviária está a menina querida, abraçada ao gato que a fizera sumir. Um pressentimento, e ela ergue o rosto. Observado pelo policial que o acompanha, o pai se agacha com afobação, segura e suspende aquele pequeno corpo de criança sem nenhuma força, num movimento antigravitacional. Abraça-a com filhote de gato e tudo entre eles, como se fosse um travesseiro de perfume conhecido, que cede de bom grado à pressão. A menina retribui o carinho, encostando o rosto em seu ombro."


Pílulas dos cadernos literários - 13/06/2009

Vamos às pílulas dos cadernos literários de ontem (transcrições na íntegra de algumas matérias selecionadas por mim).

Percebi que várias matérias do Caderno Ideias (JB) são publicadas online. Então, a partir das pílulas de hoje, reorganizarei o caderno para vocês. Assim, serão mais do que pílulas, serão as referências de todas as matérias que saíram, com seus links para leitura online. Assim, para quem está longe do Rio pode saber o que rolou nos suplementos literários daqui.

E quanto ao Prosa & Verso (O Globo), normalmente eles só publicam uma reportagem na íntegra. Essa eu colocarei o link. As outras, colocarei o início, ou se gostar muito, transcreverei tudo em posts separados. É o que acontece hoje com a matéria sobre o próximo livro do Rodrigo Lacerda. Uma ótima matéria em que ficamos cheios de vontade de ler seu romance Outra vida, principalmente depois do sucesso do ótimo O fazedor de velhos.

Transcreverei também a coluna de José Castello, sempre especial, na qual ele fala do novo romance de Gustavo Bernado: Monte Verità.

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Caderno Prosa & Verso (O Globo) – Sábado (13/06/2009)
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Coluna No Prelo (por Mànya Millen e Rachel Bertol)

- Letras indígenas na ABL!
Os autores indígenas presentes no Rio para participar do 6º Encontro de Escritores e Autores Indígenas, no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, também terão um encontro, aberto ao público, com imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), nesta segunda-feira, às 17h. (...)

- Dramaturgias
O projeto "Dramaturgias", do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que existe há oito anos em São Paulo, estreia no Rio quarta-feira, 17, às 18h30m, com leitura da peça "Lulu", adaptação do francês Jean-Luc Lagarce para o texto de Frank Wedekind, sob a direção de Marcelo Olinto e Bel Garcia. (...) O CCBB fica na Primeiro de Março 66 (3808-2020).


- Infanto-juvenis em debate
A discussão acontecerá entre especialistas, mas o público está mais do que convidado a participar do debate que a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ) promoverá dia 18, das 9h às 17h, no 11º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens. Nomes consagrados como Pedro Bandeira, Luiz Antonio Aguiar e Rosa Amanda Strausz, entre outros, estarão conversando sobre os bastidores de seu ofício.


Matéria de capa: As duas vidas de Catherine M. (por Helena Celestino)

Depois de expor em detalhes sua vida sexual, crítica francesa, que estará em Paraty, narra o inferno do ciúme

>> A parte inicial da matéria e a entrevista com Catherine Millet foi publicada no blog do caderno.

Matéria: Um mar de livros (por Mànya Millen)
Festejando 40 anos de literatura, Ana Maria Machado lança primeira coletânea de poesias

>> A matéria e a entrevista completa com Ana Maria Machado, além de alguns poemas foram publicados no blog do caderno. Link dos poemas.

Matéria: Despojamento de um autor (por Rachel Bertol)

Rodrigo Lacerda lança romance sobre desilusão amorosa, em que fez esforço para não julgar personagens.

>> A matéria completa transcreverei no próximo post.

Coluna de José Castello

A bofetada metafísica

>> A matéria completa transcreverei no próximo post.

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Caderno Ideias (JB) – Sábado (13/06/2009)
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Matéria de capa (por Alvaro Costa e Silva)

- Exagerado!
Com 'Pornopopéia', Reinaldo Moraes retorna ao romance depois de 24 anos e ensina o pulo do gato original e abusado que deve ter toda literatura

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Reinaldo Moraes retorna ao romance depois de 24 anos).

Coluna Informe Ideias (Por Alvaro Costa e Silva, com Juliana Krapp)

- Promete
É genial a primeira frase do novo romance de Luis Fernando Verissimo, Os espiões, cujo primeiro capítulo está no número 4 da revista Granta em português.Verissimo que já fizera também uma também paródica abertura ("Me chame de Ismael e não atenderei") agora sai-se com esta: "Formei-me em letras e na bebida busco esquecer".

- Romance por Torres
O escritor Antonio Torres ministra o curso em quatro aulas "Para gostar de ler (e escrever) romance", na Casa do Saber, todas as terças de julho, das 19h às 22h. "No século 20" — apresenta Torres — "o romance teve sua estrutura virada pelo avesso, a partir das inovações formais e estilísticas introduzidas por James Joyce. Depois de todas as experimentações que sofreu daí em diante, e já com sua morte tantas vezes anunciada, afinal, qual o romance que se quer ler (ou escrever) hoje? Apenas uma velha e boa história bem contada?". Informações e inscrições no telefone 2227-2237, no e-mail inforio@casadosaber.com.br ou no site <http://www.casadosaber.com.br/>.

- 90-00
Sai no Peru, no fim de julho, pela Ediciones Copé, a coletânea 90-00 — cuentos brasileños contemporáneos. Organizada por Nelson de Oliveira e Maria Alzira Brum Lemos, traz textos de 21 autores contemporâneos, como Ademir Assunção, Veronica Stigger, Paulo Scott, Joca Reiners Terron, Barbão e Andréa Del Fuego.

- Campus
Segunda, às 17h, na ABL, começa o I Colóquio de Tradição Oral e Literatura Brasileira. Na Fundação Eva Klabin, estreia o curso de Cláudia Calirman, do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, sobre arte contemporânea.

Terça, às 17h30, na ABL, palestra de Leonardo Fróes sobre "John Milton".

Quinta, às 14h30, na Casa de Rui Barbosa, Beatriz Kushnir ministra a palestra "Lampião da Esquina: em exercício de geração".

No próximo sábado, das 10h às 13h, o Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro apresenta a mesa-redonda "O silêncio nos primórdios da vida psíquica".

Inscrições prorrogadas até segunda para as bolsas da Biblioteca Nacional.

Literatura Brasileira (por Ronaldo Bressane)

- Famoso também é gente
Saiu o Inverdades, do André Sant'Anna, o gênio da burrice. Mestre em pegar assuntos complexos e ir reduzindo à migalha, André tricota personagens até se transformarem em estereótipos, estereótipos se tornarem signos, signos virarem meros ritmos. (...)

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Contos de André Sant'Anna devolvem a condição de reais aos famosos).

Especial

- Conto inédito de Antônio Fraga
Antônio Fraga volta mais uma vez. Desta, espera-se, para ficar. Um volume da coleção Sabor Literário, que a editora José Olympio está mandando para as livrarias. (...)

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Coletânea reúne a mítica 'Desabrigo' e novelas de Antônio Fraga).

Poesia (por Sebastião Edson Macedo)

- Quando Pessoa assina Pessoa
Volume reúne textos que o português escreveu em seus últimos cinco anos de vida
A famosa arca dos originais de Fernando Pessoa (cujo nascimento complewta hoje 121 anos) não cessa de nos surpreender. (...)

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Volume reúne inéditos de Fernando Pessoa).

Ditadura (por Rodrigo de Almeida)

- O pesadelo no porão do Brasil
O diário do frade dominicano Fernando de Britto, prisioneiro dos militares, narra uma situação asfixiante
Um dos mais asfixiantes pesadelos do escritor Primo Levi, em Auschwitz, era voltar para casa e não encontrar quem acreditasse no horror do que tinha a contar. (...)

>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Frei Betto revela o diário do frade dominicano Fernando de Britto).

sábado, 13 de junho de 2009

Indicação de filme: A Mulher Invisível


O cinema brasileiro tem melhorado exponencialmente. Assim, temos que valorizar o que está sendo produzido aqui com qualidade.

Ontem, fui curtir o Dia dos Namorados com o maridão, e assisti ao filme A Mulher Invisível, com Selton Mello, Luana Piovani, Vladimir Brichta e Maria Manoella.

Fantástico!

É um filme de Claudio Torres, que também foi responsável pela produção e direção. Claudio tem o talento no sangue, pois é nada menos do que filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres, e irmão de Fernandinha Torres, que também aparece no filme.

O texto é divertido, inteligente e, nem precisamos dizer nada sobre a interpretação maravilhosa de Selton, que sabe fazer comédia com louvor.

Deem um pulinho no site do filme, www.amulherinvisivel.com.br, para pegar detalhes sobre o enredo, ficha técnica e alguns vídeos. Depois, abram o jornal e vejam onde está passando. Boa dica para o final de semana, com ou sem namorado. :)

Rascunho de junho já está no ar

Muito antes do que eu esperava, o Jornal Rascunho de junho já está no ar. Então, o post anterior pode ser conferido na íntegra.

E aproveito para indicar mais algumas matérias:

- Coluna "Palavra por Palavra" de Raimundo Carrero que esse mês vem falando sobre o uso de solilóquio, discurso indireto livre, monólogo e fluxo da consciência.

- A maravilhosa entrevista com o ator carioca César Cardadeiro, que fez o Pedrinho do Sítio do Picapau Amarelo e o jovem Bentinho de Dom Casmurro. Ele, aos 19 anos, demonstra uma maturidade impressionante, principalmente quando discute cultura. Apesar de vocês poderem ler a entrevista completa, deixo aqui sua última resposta, que diz muito, diz tudo aquilo em que eu acredito.

Como formar um leitor no Brasil? É preciso mudar urgentemente a forma de ensinar e de incentivar a leitura e o interesse pela cultura, em geral, aos jovens brasileiros. Pensei em falar mal da política educacional do país, mas do que iria adiantar? Não precisamos dos "colarinhos brancos" para mostrar aos nossos filhos, amigos e irmãos, a importância da cultura. Este incentivo deveria partir dos ciclos de amizades, dos bibliotecários, professores, familiares... Se o governo não cumpre o papel dele, por que EU não posso cumprir o meu? Por que não chego para um amigo e falo de algo que li, empresto um livro, converso sobre o tema? Por que a maioria dos professores não educa com carinho seus alunos? O educador é a principal ferramenta de formação de uma geração. Por que não escuta e ajuda seus alunos no caminho literário? Vou tentar resumir sem floreios esse desabafo. A formação cultural deve ser estimulada por cada cidadão consciente, com pequenos esforços. Se algo não funciona, como o modelo dos colégios, ignore. Troque informações, livros, poesias, cultura, com seus próximos. Procure e mostre algo diferente, não necessariamente novo. Confronte idéias, debata. Ajude-nos (ajude-se) a descobrir um novo caminho para a formação cultural do país. Quem sabe assim fugimos da - cada vez mais assustadora - desigualdade de oportunidades.

Um pouquinho do Rascunho desse mês

Enquanto o Rascunho de junho não é disponibilizado, preciso dividir com vocês o que já achei de melhor na edição desse mês. Mas ressalto, para quem não tem a assinatura do jornal, está na hora de pedir. Um valor insignificante diante da qualidade do que eles publicam: R$ 50,00 anuais. E eles precisam de novas assinaturas. Então vamos colaborar para que um jornal tão importante para o mundo literário não perca força.

Logo de cara, o jornal traz a resenha do livro Coração Andarilho, de Nélida Piñon, escrita pela queridíssima Lúcia Bettencourt.

Veja alguns trechinhos da resenha:

"(...) a escritora Nélida Piñon ostenta o domínio cultivado da língua e do estilo, o que lhe permite, em Coração andarilho, transformar retalhos e fragmentos colhidos no jardim da memória num buquê de cores variadas e harmoniosas, que servem para ressaltar e explicar sua formação. Ela recolhe, aparentemente ao acaso, e compõe, com maestria, um texto em pequenos capítulos trabalhados estilisticamente para compor miniaturas e mosaicos sentimentais de seu passado."

"Nélida Piñon, escritora brasileira, mas de coração andarilho, nos deixa entrever como ser fiel ao berço natal, mesmo quando nossos vínculos mais fortes estão atados na tradição milenar e sem fronteiras da cultura e da arte ocidental. Fazendo um balanço de sua vida, ela se reinventa a cada página, enquanto avalia -- e revalida -- seu compromisso com a arte. Suas memórias acabam por formar o mosaico que ela procura recompor: seu próprio ser, como ela mesma, com têmpera de aço e doçura, forjou."

Em seguida vem a edição do encontro de maio do Paiol Literário, que foi, não coincidentemente, com a própria Nélida Piñon.

Alguns trechinhos do que Nélida disse:

"Milhões de pessoas já leram Dom Quixote. Milhões, em diferentes línguas. Mas é o mesmo livro para diferentes leitores. Isso prova que a literatura dá visibilidade a quem somos, a nossos sentimentos mais secretos, mais obscuros, mais desesperados, às esperanças mais condicionais do ser humano. E a literatura conta histórias porque os sentimentos precisam de uma história para que você se dê conta deles. Então, a literatura pensou em dar conta de quem somos, dessa nossa complexidade extraordinária. Porque somos seres fundamentalmente singulares. E, por isso, a literatura é singular."

"Se vocês tiverem o hábito de ler, vão ingressar em um mundo tão fascinante que, de imediato, os fará se tornarem criaturas sedutoras. Porque a leitura também nos dá uma condição erótica. Com as palavras na mão, você se torna uma pessoa sedutora."

"Desde menina, eu sou eu. Sou um coração andarilho. Sempre fui uma grande aventureira. Quando criança, meu ideal de vida era pular a janela e sair mundo afora, sem jamais dormir uma segunda noite debaixo do mesmo teto. Uma vida extraordinária. De certo modo, quis ser escritora atraída pela aventura."

"Um ou dois anos antes de conhecer Clarice, comprei na Kopenhagen um carrinho com ovinhos de chocolate e escrevi no cartão: "Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo". Não assinei e deixei o carrinho na casa dela, porque não queria, não desejava aceitar a condição de fã. Queria, um dia, ser amiga de Clarice, e em igualdade de condições, com o devido respeito. E isso aconteceu. Foi uma amizade de 18 anos, que só terminou com a morte dela. Fiquei com ela, no hospital, os últimos 40 dias, segurando sua mão esquerda, e a Olga Borelli, sua mão direita. Posso falar sobre isso agora. Antes, não falava sobre Clarice. Me dava muita dor."

"Conheci Philip Roth, William Styron e John Updike. Philip Roth me levou para jantar e fez um vaticínio interessantíssimo. Na época, ele era uma promessa, mas ainda não tinha essa dimensão, essa grandeza de hoje. Ainda não havia escrito O complexo de Portnoy, e sim Adeus, Columbus. Naquele momento, quem estava fazendo um grande sucesso -- e que depois eu também conheci, mas muito pouco -- era Saul Bellow, com Herzog, o primeiro romance de alta categoria que também se tornaria um best-seller. Isso era uma novidade. E estávamos, Roth e eu, conversando num restaurante, quando ele me disse: "De agora em diante, será assim. Os próximos a fazerem um milhão de dólares serão John Updike, William Styron e eu". E todos esses três, em xis anos, fizeram um milhão de dólares, se tornaram best-sellers. Styron, com As confissões de Nat Turner, Roth, com O complexo de Portnoy; e Updike, com Casais trocados."

Há resenhas que nos deixam com água na boca para ler os originais. E isso aconteceu comigo nas resenhas de Marcio Renato dos Santos sobre A cidade ilhada de Milton Hatoum e de Andreia Ribeiro sobre O gato diz adeus de Michel Laub, ambos ainda não lidos por mim. Aliás, quando pensamos em todos os livros que gostaríamos de ler e ainda não tivemos tempo... Ai, meus sais, que eu não uso, pois não tenho banheira!

Bem, ainda não terminei a leitura do Rascunho (viu, além dos livros, tem os jornais, as revistas, os blogs... é melhor parar por aqui). Quando chegar ao fim, divulgo as outras matérias que me atraíram. Provavelmente, até lá ele já estará disponível online, bastando um link para o texto na íntegra.