domingo, 5 de julho de 2009

Pílulas dos cadernos literários (#3) - 04/07/2009

Complemento do Caderno Prosa & Verso (Jornal O Globo), transcrevo a matéria de José Castello a respeito do livro "Histórias reais" de Sophie Calle, que esteve na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP).

Fonte: Caderno Prosa & Verso (O Globo). Sábado (04/07/2009)

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# Sophie, a encoberta
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Por José Castello

> Nos tempos do reality show, dos blogs e das celebridades, a francesa Sophie Calle – autora de "Histórias reais" (Agir, tradução de Hortência Santos Lencastre) – inverte as expectativas de um mundo que se desnuda e faz da escrita, um segredo, e da fotografia, um véu.

Seu livro é uma reunião de histórias pessoais a que se associam fotografias pessoais também. Nada mais frustrante, no entanto, para quem busca intimidade e escândalo. Ou talvez sim, se considerarmos que o íntimo se refere não ao aparente, mas à esfera secreta das essências; e que, em sua origem latina, escândalo significa também obstáculo, ou armadilha.

Como fotógrafa, Sophie se comporta como uma escritora – sabe que as imagens são sinais arbitrários, condenados a roçar o que lhes foge. Como escritora, é uma fotógrafa – ciente de que as palavras estão encobertas por uma fina película que, uma vez arrancada, expõe um vazio insuportável.

Do jogo entre palavras e imagens Sophie Calle tira livros assombrosos, como este "Histórias reais". Breves histórias, sob as quais abismos se escondem. Aos 11 anos, ela e a irmã Amelie praticam pequenos furtos nas lojas de departamentos. Para inibi-las, a mãe inventa que um policial descobriu tudo. Desistem dos furtos, mas (efeito da ficção sobre o real) põem-se a procurar o policial inexistente. Não o encontram e, para se consolar, furtam um par de sapatos vermelhos. Amelie fica com o pé direito, Sophie, com o esquerdo. Precisavam correr mais esse risco: o medo é tudo o que lhes resta do falso policial.

O vermelho dos sapatos reaparece em uma foto da própria Sophie. Em seu pescoço, vinda do nada, aparece uma linha vermelha. Mesmo com o defeito (ou por causa dele), ela guarda a fotografia. Duas semanas depois (a arte antecipando o real, ou melhor: transcrevendo-o) um homem tenta estrangulá-la na rua. De novo, o falso encobre o verdadeiro.

Um de seus sonhos era receber uma carta de amor. Não pensa duas vezes: encomenda-a a um escritor de cartas. A falsa carta lhe custa cem francos. Ao lê-la, esbarra na frase verdadeira: "... sem fazer um só gesto, segui você por toda parte". Fala das ideias, que nunca a abandonam.

A falsificação lhe serve uma segunda vez. Quando se casa – em uma cerimônia improvisada em Las Vegas –, não tem tempo para o ritual vestido de noiva. Muitos anos depois, reúne a família para uma cerimônia falsa, só para poder usar o vestido. Potência da ficção: "Eu coroava com um falso casamento a história mais verdadeira da minha vida".

Sophie se lembra de uma tia-avó, Valentine, que, aos 100 anos de idade, lhe pediu que o anúncio de sua morte se resumisse a uma frase: 'Ela fez o que pôde'. Também a escrita faz o que pode – e sempre fica pelo meio do caminho. As coisas escapam das palavras. Mas, em vez de enfraquecê-la, essa autonomia fortalece a escrita.

Muitas vezes, uma frase gruda na alma e sela um destino. Aos 30 anos, quando recusa o beijo de um desconhecido, ouve a agressão: "Não faz mal, você come como um porco". Estavam em um churrasco, Sophie passara a maior parte do tempo grelhando salsichas e servindo os convidados. Não importa: a frase se sobrepõe ao real e o engole. "Não me lembro mais nada desse indivíduo, mas ele continua sentado à minha mesa". Palavras não morrem.

Para desfazer uma palavra, Sophie nos mostra, só mesmo outra palavra. O pai achava que a filha tinha mau hálito e a encaminha a um médico. Ao entrar no consultório, percebe que está diante de um psicanalista. "Houve um engano", diz. "Meu pai me mandou a um clínico geral". A potência das palavras está em nossa capacidade de contorcê-las. O psicanalista pergunta: "Você sempre faz o que seu pai manda?" Naquele momento, empurrada pela força da língua, Sophie inicia sua análise.

Outras vezes, as palavras – fracassadas – registram apenas uma ausência. Uma desconhecida, Mâkhi lhe pede que visite o apartamento de duas mulheres, recém-falecidas, que a criaram. Aceita o papel de substituta. Vai e fotografa a casa – fotografa o medo de Mâkhi. Missão cumprida, Sophie pede para guardar uma agenda das mortas. Na página referente ao Natal de 1980, encontra a anotação: "Não vi nada – ninguém". E em 1981: "Natal – nada". As palavras são véus; mas, se as erguemos, nada aparece.

Sempre desejou receber uma carta de amor; o marido lhe negava. Um dia, descobre uma carta de amor entre as coisas do marido. Não está endereçada a ela, mas a certa "H.". Não pensa duas vezes: rouba a carta. Risca o "H." e coloca em seu lugar um "S.". A falsificação se impõe como uma verdade. "Essa carta de amor passou a ser a que eu nunca recebi".

Sophie nos mostra que as palavras podem tudo. E, no entanto, esse tudo é quase nada. Um dia, durante uma briga, o marido lança objetos sobre ela. Como uma cicatriz, fica um buraco na parede. "Foi então que entendi que era preciso fazer a única coisa que ele pedia: ouvi-lo". Fazem as pazes. O que o marido tinha a dizer? Provavelmente nada – o que não diminuía seu desejo de escuta. Na parede, fica o buraco que representa esse desejo. Sobre ele, Sophie dependura uma fotografia de seu casamento.

Também o leitor de "Histórias reais" não deve se iludir: o livro nada lhe revelará. Mas é preciso ler esse rombo. A própria Sophie recorda de um amigo que, na arena de Sevilha, caiu fulminado por um touro. Uma chifrada no coração. O relatório médico registra: "Seu coração estava aberto em dois, como um livro". Também o livro de Sophie é um coração que se rasga.

Quanto mais avanço, mais distante Sophie está. Como leitor, repito uma experiência que ela mesma viveu. Um dia, um amante resolveu abandoná-la. No último encontro, deu-lhe de presente um segredo. Uma história terrível, confiada só a ela, e a mais ninguém. Sophie não nos revela esse segredo – ela o esconde. Do segredo, resta o véu: "No mesmo instante em que me privara de seu amor, aquele homem me presenteava com a última prova de nossa intimidade".

Ao fim da leitura, um segredo nos é confiado. Barrada de sua história, a própria Sophie o ignora. O livro é esse segredo. E esse segredo é tudo.

Pílulas dos cadernos literários (#2) - 04/07/2009

Continuação das pílulas dos cadernos literários de ontem, agora do Caderno Prosa & Verso (Jornal O Globo).

Destaco no post de hoje a matéria "Caldeirão literário" que traz um debate promovido pelo Jornal O Globo com os escritores Milton Hatoum, Bernardo Carvalho e Cristovão Tezza. O texto completo publicarei num post em separado.

Aproveitem!

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!Caderno Prosa & Verso (O Globo). Sábado (04/07/2009)!
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# Caldeirão literário

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Por Miguel Conde
* Hatoum, Carvalho e Tezza falam das vozes dissonantes que compõem o país.


Reunidos em Paraty por conta da Flip, onde participaram ontem cada um de um debate, três dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos se encontraram para trocar ideias sobre o lugar da literatura no mundo de hoje. Espremidos num sofá de uma pousada da cidade, Milton Hatoum, Bernardo Carvalho e Cristovão Tezza nem sempre estiveram igualmente próximos em suas opiniões, expostas na conversa de mais de uma hora e muitos assuntos. Entre divergências, implicâncias e concordâncias ocasionais, os três falaram de arte, paranoia, Google, Machado de Assis e do paradoxo que é ser escritor num país em que pouco se lê.

%%% A matéria completa eu publicarei aqui no Canastra ainda hoje.

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# Sophie, a encoberta
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Por José Castello

>>> Nos tempos do reality show, dos blogs e das celebridades, a francesa Sophie Calle - autora de "Histórias reais" (Agir, tradução de Hortência Santos Lencastre) - inverte as expectativas de um mundo que se desnuda e faz da escrita, um segredo, e da fotografia, um véu. (...)

%%% O artigo completo eu publicarei aqui no Canastra ainda hoje.


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# O desafio de rever Clarice
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Por Rachel Bertol
* Entrevistas feitas pela escritora são dramatizadas em filme

>>> Inspirada numa declaração de Clarice Lispector sobre Rubem Braga - "Há mil Rubens em Rubem Braga, assim como há mil Clarices em mim" -, a diretora Nicole Algranti realizou o filme "De corpo inteiro", um docudrama com título homônimo de uma das obras com entrevistas feitas pela autora. O filme, que será apresentado amanhã em Paraty, às 18h, encerrando a programação da Flip na Casa da Cultura, põe em cena alguns desses encontros, com artistas e, sobretudo, outros escritores, muitos deles amigos e cúmplices de profissão de Clarice. A fim de retratar sua figura múltipla, que, para além da obra, é uma persona literária envolta em clichês - de excêntrica, solitária, angustiada, intensíssima -, Nicole propôs a diferentes atrizes o desafio de dramatizarem as entrevistas, feitas quando a escritora colaborava com a grande imprensa, para pagar as contas.

Mas a própria Nicole, sobrinha neta de Clarice, avisa:

- Não quis fazer um filme em que os entrevistados falassem que Clarice era isso ou aquilo, mas deixar que falassem de si. O filme não é sobre Clarice, mas sobre o João Saldanha, o Fernando Sabino, o Nelson Rodrigues, o Rubem Braga, o Carybé.

(...)

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# Encontro com Talese

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* Autor participa, na quarta, de bate-papo no Instituto Moreira Salles


>>> Considerado o principal expoente do "new journalism", modalidade de escrita jornalística que usa artifícios da literatura, Gay Talese vai dar duas chances para os brasileiros conhecerem seus truques. (...)

Na quarta, dia 8, a partir das 20h30m, o jornalista participa de um bate-papo com o colunista do GLOBO Arthur Dapieve no Instituto Moreira Salles (IMS). O encontro é uma parceria entre O GLOBO, a editora Companhia das Letras, a revista "Piauí" e o IMS, por meio de sua revista "Serrote". (...)

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# Catherine Millet enfrenta o ciúme
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>>> Catherine Millet tornou-se internacionalmente conhecida quando, no início dessa década, lançou um livro impactante: "A vida sexual de Catherine M.", publicado no Brasil pela Ediouro, em que conta - sempre em tom plácido - suas aventuras tórridas com dezenas de homens, em geral desconhecidos, nos mais diversos lugares, sem poupar o leitor dos detalhes. Mais impactante talvez fosse o fato de Catherine ser uma crítica de arte reconhecida, editora da revista "Art Press", e também ser casada. (...)

Depois de girar o mundo para a divulgação do seu primeiro best-seller e de publicar um livro sobre Salvador Dalí, Catherine cumpriu a promessa que tinha feito a si mesma e escreveu "A outra vida de Catherine M.", lançado nesta Flip, no Brasil, pela Agir/Ediouro. No livro, que a crítica francesa considerou mais bem escrito que o anterior, a autora conta como se desesperou profundamente quando descobriu que o marido a traía com outras mulheres. (...)

Segunda-feira, no Rio, participará de edição do Prosa nas Livrarias, em bate-papo com a jornalista Helena Celestino, às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon (Afrânio de Melo Franco 290/205). O evento terá tradução simultânea. O Prosa nas Livrarias é promovido pelo Prosa & Verso, com livrarias e editoras, para promover a leitura no país.


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# coluna NO PRELO
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Por Mànya Millen e Rachel Bertol


> Pós-Flip. Um pouco da Festa Literária Internacional de Paraty (Fip), que acontece até amanhã, poderá ser vista no Rio nos próximos dias. Além de Catherine Millet, que participa da edição do Prosa nas Livrarias, e de Gay Talese, que dará palestra no Instituto Moreira Salles, com apoio do GLOBO, outros "flipenses" estarão na cidade a partir de segunda-feira. O francês Ollivier Pourriol, autor de "Cinefilô" (Zahar), fará segunda, às 21h, no Espaço de Cinema, em Botafogo, a palestra "Spinoza e o desejo de eternidade", usando cenas de filmes como "Blade Runner", "X-Men" e "Matrix". Na terça-feira, o mexicano Mario Bellatin participa de debate com o escritor João Paulo Cuenca, às 19h30m, na Travessa do Shopping Leblon. No mesmo dia, o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (Avenida Pasteur 250) vai reproduzir dois encontros realizados em Paraty. Às 16h, reúne Tatiana Salem Levy, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues. Às 18h, o convidado é Bernardo Carvalho. Ainda no pós-Flip, o Oi Futuro terá três mesas de debates com convidados da festa, mediadas pelas jornalistas Cristiana Costa e Valéria Lamego, às 19h30m. A primeira, dia 7, reunirá a chinesa Xinran e Paulo Henriques Brito (que desmarcou sua participação na Flip); dia 8, será a vez de Zuenir Ventura e Rodrigo Lacerda; e, dia 9, de Arnaldo Bloch e Domingos Oliveira.

> Ponte literária Rio-Rosário. Com organização de Denise Schittine, Mariana Patrício Fernandes e Christian Dutileux, o livro "Veredas argentinas: ensaios à margem da literatura" (7Letras) reúne oito autores brasileiros e argentinos em torno de temas como literatura, memória, ditadura e vanguarda. Resultado de um programa de intercâmbio entre a PUC e a Universidade Nacional de Rosário, será lançado quarta, às 19h, na Travessa de Ipanema.

> Ano França I. No espírito do Ano da França no Brasil, Evandro Nascimento dará o curso "Diálogos entre filosofia e arte", na Casa do Saber (tel. 2227-2237), tendo como referência textos de Foucault, Deleuze e Derrida, e obras de Magritte, Francis Bacon e outros. São quatro aulas, às quartas, a partir de 8 de julho, às 20h.

> Ano França II. Começa terça, 7, na ABL, o ciclo "A França no Brasil", com palestra de Silviano Santiago sobre a importância da literatura e da língua francesa no Brasil, às 17h30m. Sergio Paulo Rouanet, Manuel Correa do Lago e Mary Del Priore farão palestras no ciclo.

> João Cabral. Novo número da revista "Coyote" circula com entrevista inédita de João Cabral de Melo Neto, feita em 1993, pelo poeta Thomaz Albarnoz Neves.

Pílulas dos cadernos literários (#1) - 04/07/2009

Vamos às pílulas do Caderno Ideias (Jornal do Brasil) de ontem, que atrasou um pouquinho devido às muitas notícias da Flip.

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!Caderno Ideias (JB). Sábado (04/07/2009)!
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# Com elegância e sem frescura
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* Textos inéditos publicados na imprensa mostram a face de crítico literário do poeta

>>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Com elegância e sem frescura).

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# Três epigramas de Manuel
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Por Edson Nery da Fonseca

* Pesquisador comenta poemas satíricos do poeta homenageado na festa literária de Paraty
>>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Três epigramas de Manuel Bandeira).

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# Enquanto o Lobo não fala
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Por Alexandre Montaury
* A presença de António Lobo Antunes, hoje, na Festa Literária Internacional de Paraty - como convidado único da mesa 'Escrever é preciso', às 19h - cria as condições necessárias para a sua obra adquirir maior visibilidade no Brasil e também maior circulação entre os leitores. O 'Ideias' publica aqui um ensaio sobre a longa trajetória do escritor português que é detentor dos mais relevantes prêmios europeus

> Em janeiro de 1971, aos 28 anos, António Lobo Antunes, recém-formado em medicina, partiu com a tropa portuguesa para Angola no barco Vera Cruz. Logo depois de desembarcar em Luanda, iniciou uma “viagem apocalíptica” de 2 mil quilômetros até o posto militar de Gago Coutinho, vila próxima à fronteira com a Zâmbia, a extremo leste de Angola, para permanecer até 1973.

Seis anos após o seu regresso a Lisboa, há exatamente 30 anos, o escritor António Lobo Antunes entrava na cena literária portuguesa com dois romances: Memória de elefante e Os cus de Judas. Publicados em 1979, os dois textos foram recebidos não apenas como testemunhos de guerra, mas, sobretudo, como ficção empenhada na focalização frontal do legado que as guerras coloniais deixaram em Portugal após 13 anos de duração, de 1961 a 1974. (...)

>>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Enquanto o Lobo não fala).

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# Os sentimentos a cargo de cachorros e porcos

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Por André de Leones
* Ana Paula Maia escreve novelas em que os personagens vivem o nada

>>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Os sentimentos a cargo de cachorros e porcos):


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# O grande injustiçado
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Por Wilson Martins


> Desprezar Coelho Neto (sem lê-lo) tornou-se em nosso decálogo crítico um daqueles postulados simplistas que ninguém mais discute, mas a questão é mais complexa do que imaginam. Foi o prosador mais ortodoxamente representativo do código literário de seu tempo – e assim o consideraram os contemporâneos, e tão representativo que a literatura que representava desapareceu com ele. Mas, para que isso ocorresse, foi preciso toda uma revolução literária e artística, a mais profunda e radical de nossa história. Coelho Neto encarnou uma idade literária que somente poderia ser substituída, o que os contemporâneos compreenderam muito bem pela forma costumeira dos manifestos e manifestações, e o compreenderam tão bem que o tomaram desde logo como o inimigo a abater, no que havia, bem entendido, forte dose de rivalidade e luta pelo poder. (...)



>>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (O grande injustiçado).

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# Sevilha capital
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Por Felipe Fortuna

* Casa da Cultura, Casa Jornal do Brasil, Flipinha e Flipzona são atrações

> Nesta Sevilha quentíssima, passo pelas ruas, vejo os jardins e as praças, e penso nos poemas de João Cabral de Melo Neto. Muito antes de vir para cá, às portas do verão, foi com o poeta que imaginei a cidade. Agora fico de frente para o Arquivo das Índias, onde ele, na condição de diplomata, pesquisou documentos e organizou o livro O Arquivo das Índias e o Brasil (1966), em quatro volumes. Um trabalho de valor histórico feito com a disciplina do funcionário.

>>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (Sevilha capital)

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# No lar como no front
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Por Juliana Krapp
* Em seu mais recente livro, Armando Freitas Filho faz a autobiografia da sua poética



>>> A matéria completa pode ser lida no site do JB (No lar como no)

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# coluna Informe Ideias
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Por Alvaro Costa e Silva, com Juliana Krapp

> Latino-americanos. As desistências de Carlos Fuentes e Junot Díaz, ambas justificadas por incompatibilidade de agenda, enfraquecem a participação de autores latino-americanos na Flip. Aos 80 anos, o mexicano Fuentes, uma das cabeças premiadas do chamado boom, continua na ativa como há 50 anos - a prova é o caudaloso romance A vontade e a fortuna, que a Rocco acaba de mandar para as livrarias. Diaz, dominicano radicado nos EUA e ganhador do Pulitzer de 2008 com o romance A breve e a assombrosa vida de Oscar Wao (traduzido pela Record), é uma espécie de continuador do realismo mágico: escrita que mistura inglês e espanhol para falar da vida dos emigrantes.

> Latino-americanos 2. Sobretudo nos últimos dois anos, a festa literária de Paraty havia promovido um saudável intercâmbio com a literatura de países vizinhos. Estiveram na cidade os argentinos César Aira, Rodrigo Fresán, Alan Pauls, Martín Koan, os mexicanos Ignario Padilla e Guilherme Arriaga, o colombiano Fernando Vallejo. Que em 2010 eles retornem.

> Latino-americanos 3. A boa notícia é que Mario Bellatin, o Golem, compensa qualquer ausência.

> Roman à clef. Autor de Gregório de Mattos, o Boca de Brasa e Glauber Rocha, esse vulcão, João Carlos Teixeira Gomes estreia no romance com Assassinos da liberdade, tendo como pano de fundo a encruzilhada política nos anos 60 e 70. O personagem Greber "queria filmar, filmar de todos os ângulos, exibir para o país e para o mundo a realidade do atraso".

> Oficina. Manuel Bandeira vai continuar como centro das atenções depois da Flip. O jornalista Jorge Moutinho ministra oficina sobre o poeta, de 13 a 17 de julho, no 22º Inverno Cultural da Universidade Federal de São João Del-Rey. Os participantes serão estimulados a escrever seus próprios textos. Informações: http://www.invernocultural.ufsj.edu.br/.

> Ney Reis. Quarta, na livraria Otelo, em Niterói, Ney Reis lança O ócio cansativo: 30 poemas nas horas vagas. O hai-cai "Sensação borgeana": "Às vezes, um labirinto/ E a exata expressão/ Do que sinto".

> O autor ou o flâneur? Reinaldo Moraes, autor de Pornopéia, flana na Flip.

> Campus. Terça, às 17h30, na ABL, Silviano Santiago fala sobre "A importância da literatura e da língua francesa no Brasil".

Matrículas abertas no Círculo Psicanalítico (2286-6922) para a conferência "O divino mercado", do filósofo francês Dany-Robert Dufour, em agosto.

Inscrições para 5º Prêmio Maximiano Campos de Contos (http://www.imcbr.org.br/).

Título "As meninas" cria mal-estar entre Maitê Proença e Lygia Fagundes

A peça de Maitê Proença que estreou sexta-feira no Teatro Laura Alvim, no Rio, causou muito ruído, não por ter recebido boas ou más críticas, mas por ter sido lançada com o título "As meninas", o mesmo nome do romance de Lygia Fagundes Telles que há pouco foi relançado pela Companhia das Letras.

Quando Lygia soube da coincidência, falou com Maitê, que prometeu mudar o nome da peça. Mas, na semana passada, quando soube que o nome havia sido mantido, Lygia chegou a dizer que iria à Justiça contra a atriz. O problema todo não estava exatamente no título, mas na preocupação de prejudicar a adaptação de seu romance que Lygia também fará para o teatro e está prevista para novembro.

Mas parece que os ânimos esfriaram, e tudo está em paz. Maitê, por problemas burocráticos, não conseguiu mudar o nome, e tentou avisar Lygia a respeito.

Sinceramente acho que não era para tanto. Foi uma infeliz coincidência, a estreia da peça acontecer tão próximo ao relançamento do livro. Mas não creio que houve malícia, ainda mais com um nome tão comum.

Para saber um pouco mais, leia a matéria "Lygia Fagundes desiste de processo", de Ubiratan Brasil e Roberta Pennafort, publicada no Estadão.

Flip: debate sobre o Acordo Ortográfico

Na programação da Casa de Cultura, aconteceu na sexta-feira, às 10h30 uma mesa especial sobre o Acordo Ortográfico.

A mesa teve no debate o escritor angolano Ondjaki e o brasileiro Marcelino Freire. A mediação foi de Marcelo Moutinho.

É incrível, mas os jornais daqui divulgam muito pouco os eventos paralelos. Fui achar uma matéria do Diário de Pernambuco. Acreditem!

Então, para saber um pouco mais como foi esse debate, a matéria do Diário de Pernambuco. E acrescentando um olhar pessoal e amigo, o post da querida Lucia Bettencourt, no seu blog nadanonada.

Um pouco mais de António Lobo Antunes

Estou doida que eles publiquem logo um vídeo da mesa de António Lobo Antunes.

Mas enquanto isso não acontece, alguns links que falaram sobre o encontro de ontem. Umas das matérias que me chamou a atenção, foi a do Blog do Fernando Molica. Ele acrescentou um detalhe que eu não pude assistir, pois vi de casa, e eles encerram a transmissão logo depois do "acabou". Fernando disse que António voltou ao microfone, emocionado (parecendo chorar) e agradeceu o "carinho, a ternura e a generosidade", e completou com um "que Deus lhes proteja".

Pois eu digo "que Deus lhe proteja também e você continue escrevendo bastante".

Algumas notícias:

- Blog Pontos de Partida (Fernando Molica): Talese constrangido; Um Lobo bonzinho

- Blog Prosa onLine: Lobo Antunes fala das suas raízes brasileiras

- Portal Flip: Um contador de histórias

- G1: Se quer ser escritor, tem que assistir a Garrincha, diz Lobo Antunes

- Blog Pé de Moleque (JB):

António Lobo Antunes, o showman da Flip 2009
Do Lobo
Do Lobo 2
Do Lobo 3
E, por fim: 'por que parar, Lobo?'

- Último segundo:

Lobo Antunes faz jus à expectativa e protagoniza melhor mesa de sábado da Flip
'Quem escreve é o leitor', garante o português António Lobo Antunes

sábado, 4 de julho de 2009

Mesa de António Lobo Antunes

António Lobo Antunes não leu nenhum trecho de sua obra, pois como ele mesmo disse, não sabia onde havia colocado o papel. Mas ao final, quando ainda faltavam cinco minutos, ele revelou: "foi melhor assim". E eu concordo. Podemos ler seus livros a hora em que quisermos, mas ouvi-lo falar, são raras as oportunidades.

A mesa começou com a apresentação de Humberto Werneck. Mas não foi uma apresentação nos moldes tradicionais. Ele apresentou António contando uma pequena historinha do menino de sete anos, que na véspera de Natal, dentro de um táxi, pensava no que se tornaria, e decidia ser escritor. E ao chegar em casa, se pôs a começar a trabalhar no seu ofício. E que aos treze anos, já havia colocado num caderno o plano geral de sua obra completa, com os títulos inclusive.

António ia escrevendo e queimando no quintal da casa em Benfica, no bairro português onde viveu. Ele queria fazer o curso de Letras, mas o pai o "aconselhou" a fazer alguma outra coisa, e assim ele se tornou médico, e depois psiquiatra.

Sempre escreveu em folhas de papel pequenas, e em qualquer lugar. Mesmo quando se viu envolvido numa experiência dramática, a guerra de Angola, ele encontrava uma maneira de escrever. Até na Flip, ele encontra tempo para escrever uma coisa ou outra.

Mas apesar de toda essa paixão, ele só estreou aos 36 anos, com o romance Memórias de elefante. Motivo esse tardio que ele explica no decorrer da mesa.

Disse Humberto que ninguém tem razão para duvidar que ele é um dos maiores escritores do nosso tempo.

Assim acabou a apresentação de Humberto e, a partir daí, com muito bom humor, António Lobo Antunes foi falando sobre sua família, sua relação com o Brasil, sua estreia, seu processo de trabalho, seu amor pela literatura.

Transcrevo, na ordem, tudo o que foi possível eu captar do que ele disse.

Espero ter conseguido captar o melhor dessa mesa maravilhosa!

Sobre a leitura do trecho de um livro seu...

Lobo: "Eu penso que eu devia ler um trecho do livro, mas não tenho aqui o papel".

"Eu queria dizer que para mim a amizade é igual ao amor. A gente encontra um homem e fica amigo desde infância."

"Foi um encontro maravilhoso que tive com Humberto, com seu humor, sua cultura..."

Sobre sua família e sua relação com o Brasil...

Lobo: "Para mim o Brasil não é um país... são os cheiros, os sabores, os doces da minha avó, uma maneira de viver e de falar, e, sobretudo, é o meu avô que está aqui em toda parte. Uma das pessoas que eu mais gostei. É a terra dele, é a terra da minha família, de onde vêm os meus nomes: Lobo, Antunes."

"Os Lobos saíram para o Brasil no século 17/18; os Antunes mais tarde, no princípio do século 19."

"Ainda tenho muitos parentes no Rio de Janeiro".

"Meu avô lia pouco. Quando eu tinha 12 anos, um dia me mandou chamar ao escritório. Mandou me sentar à frente dele. 'Ouvi dizer que você escreve versos... Você é veado?' Eu não sabia o que era veado. E disse logo: 'Não, não, não.' Fui tirar minha informação, e o que me disseram me tornou mais confuso."

"Meu pai era muito severo. Era médico. Meu pai não queria ter filhos, queria ter campeões de karatê. Se nós apanhávamos, a chegar a casa, apanhava dele. 'Filho meu não devia apanhar', dizia".

"Sentávamos na beira da cama, e lia poesia para nós. O primeiro poeta que leu para nós foi Manuel Bandeira."

"Pouco antes de ele morrer, um dos meus irmãos perguntou, o que gostaria de deixar para seus filhos: 'O amor das coisas belas.'"

"Ele era um escritor frustrado."

"Embora fosse muito severo, nunca me contrariou quando descobriu que eu escrevia."

"Eu também pensava que meu pai não tinha lido meus livros. Mas depois que morreu, encontrei meus livros todos anotados. E deixou uma carta de 600 páginas. Deve ter levado uns 2 anos escrevendo".

Humberto pergunta: Por que você demorou tanto tempo para voltar ao Brasil?

Lobo: "Quando você diz a palavra Brasil, para mim não é a palavra que tem significado... Os cheiros, as coisas estão sempre comigo. Recordações doces, ao mesmo tempo tristes. "

"Quando meu avô morreu, minha avó deu tudo dele. Fiquei triste, porque eu tinha a certeza que ele ia voltar. Eu tenho a certeza que ele está aqui conosco."

Humberto: Você segue a literatura brasileira?

Lobo: "Meu pai comprava muito poesia brasileira. Para mim o grande poeta do século XX é Cabral."

Humberto: Você acompanha os prosadores?

Lobo: "Eu tenho uma relação mais difícil com a prosa, pois pego e tenho logo vontade de corrigir."

"Você aprende muito mais a escrever lendo poesia. Na poesia cada palavra tem um peso e uma carga."

Humberto: Você não é um grande admirador de Joyce?

"Eu admiro a proeza técnica"

"A gente leva muito tempo para entender que o livro inteiro tem que ser uma grande metáfora, e não o livro ser esmaltado, cheio de pequenas metáforas."

Humberto: Você fez 21 romances em 30 anos? Você escreveu bastante rápido?

Lobo: "Eu levei muito tempo sendo rejeitado por muitas editoras. Ninguém queria os livros. Em 77, uma pequena editora aceitou."

"Eu fiquei famoso assim. Então, passou em Lisboa um escritor, Marcio Souza, de Manaus. Deram para ele esse livro. Deixou num agente americano em Nova Iorque, era agente de João Ubaldo, Jorge Amado, Marcio Souza, Garcia Lorca, Drummond (...), e ele entrou em contato comigo. Eu achei que era brincadeira e não respondi. Depois ele mandou uma carta e eu achei chique ter um agente em Nova Iorque. (...) Aconteceu a mesma coisa, ele tentava colocar os livros nas editoras e ninguém queria. Ele dizia 'você vai conquistar o mundo', e eu não conquistava nada. Fomos ter com um editor de Nova Iorque e ele disse 'eu não li o seu livro mas vou publicá-lo'.
(...)
Tivemos críticas espantosas. Depois todos aqueles que não tinham querido, começaram a me procurar."

"Eu tinha escrito Memórias de Elefante, um amigo levou e voltou dizendo que leram ele e outro amigo. (...) Ele achava que devia tirar a primeira parte. O amigo achava que devia tirar a segunda parte. Foi a primeira critica literária que eu recebi."

"Eu tinha conhecido Jorge Amado. (...) Jorge levou tanta pancada da crítica daqui. O Jorge era muito melhor do que os livros dele. Era um homem de muita coragem, de muita capacidade de amar."

"João Ubaldo, em Lisboa, passava fazendo feijoada às 2 da manha, de calção e chinelo. (...) Um dia deu uma entrevista, que perguntaram: 'João, você já não escreve?'. E ele respondeu: 'Escrevo, meu pseudônimo é António Lobo Antunes'".

"Como ninguém queria um livro, eu ia escrevendo os outros".

Humberto: Voce planeja um livro?

Lobo: "Eu planejava por insegurança. Quando começava um livro, já tinha os capítulos todos feitos."

"Eu ainda não tinha compreendido que um livro é um organismo vivo, que tem o seu temperamento, seu caráter."

"Quando um livro é bom, ele se faz sozinho. A única coisa que você tem que fazer é tornar a sua mão feliz. Se a sua mão está feliz, o livro sai."

"Eu tenho muito medo de escrever. Só vale a pena escrever se for para ser o melhor. "

"Aos 14 anos você descobre que é muito diferente escrever e escrever bem. Aos 18, você descobre que é muito diferente escrever bem e escrever obra-prima".

"Escrever é sobretudo corrigir e reescrever."

"Você tem que ter uma atitude muito humilde em relação ao material."

"Nós não temos controle sobre o nosso trabalho e temos que ter uma atitude tão humilde."

"Cada sucesso não é mais que um fracasso adiado".

"Quanto à prosa, problemas oficinais e técnicos muito grandes, se você não for fiel a você mesmo, você fica sujeito a moda."

"Eu só tenho uma regra antes de começar a escrever: digo que vou escrever um livro que não sou capaz de escrever. (...) Tem que se pôr desafios cada vez mais intensos"



Humberto: Você quer mudar a arte do romance?

Lobo: "Claro que sim. Qualquer grande escritor muda a arte. Eu gostava de escrever um romance... é um quadro... As Meninas dos Velásquez."

"Você não trabalha com materiais novos, você trabalha com pequenas coisas que as pessoas não dão atenção."

"Todo aspirante a escritor deveria ter essa quadra escrita de um poema de Cabral:



'Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca'"

"Há palavras que existem para não serem usadas: advérbios de modo, adjetivo."

"Tirar tudo aquilo que não é faca, como diz Cabral."

Humberto: Fazer um romance não te ajuda a fazer os demais?

Lobo: "Eu nunca chamo de romance, eu chamo de livros. A distinção entre os gêneros normalmente é artificial."

"Escrever um trabalho é impossível, que você está trabalhando com emoções (...) quando você lê os poetas, você consegue transformar isso em palavras"

"Escrever é um ofício."

"Dica: nunca deixar uma frase com ponto final para o dia seguinte."
"Não terminar um capítulo e deixar o novo para o dia seguinte. Começar um capítulo é muito lento"

"Uma vez perguntaram a Picasso sobre inspiração. Ele disse: 'Ai, se ela viesse quando eu estou trabalhando'"

"Percebi que consigo aquele estado entre o dormir e o acordar, através do cansaço. (...) Quando trabalho, as duas primeiras horas são perdidas, os mecanismos lógicos ainda estão funcionando. (...) Depois, como você está cansado, as coisas começam a fluir melhor, a sair de regiões suas que voce não conhece. (...) Eu demorei muito tempo para entender isso."

"Quem estuda o problema a fundo, sai pelo outro lado."

"Em vez de profundidade, há uma infinidade de superfícies sobrepostas. A gente tem que desmistificar a idéia do escritor. (...) Toda entrevista é um exercício de vaidade. É o livro que tem que ser inteligente, não o autor."

"Eu lia Nabokov e ele estava sempre 'olha como eu sou inteligente'”

"Se você quer ser escritor, devia ver 10 minutos de Mané Garrincha jogar a bola. Aquilo sai da alma."

"Para escrever você tem que ter dentro de si Didi e Garrincha. Didi, a cabeça; garrincha, a mão"

"É a mão que escreve, mas a cabeça tem que estar a vigiar por cima."

"O livro é como uma estátua enterrada no jardim, você tem que tirar a estátua, e depois ir limpando".

"E é através desse ofício que você vai despertar as emoções."

"Quando você está escrevendo bem, dá a impressão que está debaixo de um ditado."

"Dá a impressão que é a mão de Deus que está na sua mão, a mão de um anjo que está ditando."

"Uma vez eu estava escrevendo, e as lágrimas caindo pela cara, e eu não sou um homem de muitas lágrimas. (...) Mas isso são momentos muito raros, nunca mais voltou a acontecer".

Humberto: Por que você está anunciando que vai parar de escrever?

Lobo: "Há alturas que você fica desesperado. Eu não vou ser mais capaz. O livro não presta. E você pensa 'para que escrever, vou deixar de escrever'. E a sua alegria é o seu tormento. Só vale a pena quando nos é inconcebível a vida sem isso. Porque ler nos dá muito mais prazer."


"Eu penso que era o leitor que devia estar na capa do livro, pois é o leitor que escreve o livro, não o escritor."

"O livro bom é um livro que foi escrito só para mim. (...) A gente se apaixona pelo autor através do livro."

Humberto: Você disse em algum momento que precisa arrendondar a sua obra e depois calar?

Lobo: "Você andou lendo tudo."

"Eu acho que a gente quando começa é como se os seus livros fossem a almofada que está fazendo para apoiar a cabeça quando morrer"

"Ficamos sempre aquém daquilo que criamos. É a grande frustração de quem trabalha com as palavras. Sempre ficamos nos questionando. (...) Aí e melhor escrever outro livro."


"Um dia compreendi que o livro está acabado quando o livro não quer mais. (...) Você sente que o livro está enjoado de você. O melhor é entregar ao editor."

Humberto: Seus livros estão cada dia menores?

Lobo: "Eu como leitor gosto de livros grandes. (...) O livro tem as páginas que eu quero"

"Os editores às vezes assustam com livros muito grandes. (...) Há as leis do comércio."

"Eu gosto de mudar."

"Como eu costumo dizer: a experiência é como os flutuadores de avião. Não servem de nada quando você está no ar."

"Quando eu comecei a ler seu livro, fiz uma prece, pois gostei muito de ti, 'Deus queira que não seja uma merda.'"

"Quando vou ler um livro de um amigo, eu não leio logo. Começo a rondar o livro como um cão, cheiro, farejo, pois tenho medo. Quando é uma pessoa que eu gosto, tenho medo. Quando é uma pessoa que não gosto, eu adoro."

"Eu tenho um prazer muito grande de ler os livros do Garcia Márquez, mas não gostava de ter escrito."


Humberto: O que você gostaria de ter escrito?

"Descobrir um livro bom é uma coisa extraordinária. (...) E todos os livros bons gostaria de ter escrito."


"Graças a Deus tenho descoberto muitos livros bons."



Mil vezes fantástica! Termina mesa de Lobo Antunes

Acabou nesse instante a mesa com António Lobo Antunes.

Sua última frase foi "Graças a Deus tenho descoberto muitos livros bons".

E eu digo: "Graças a Deus consegui assistir a essa mesa, que foi uma grande aula".

Magnífica, fantástica!

Consegui digitar umas 300 linhas, transcrevendo o que ele disse.

Vou preparar o post que sairá quentinho daqui a pouco.

Última mesa de sexta e mesas de sábado

Vamos às notícias da última mesa de ontem, com Chico Buarque e Milton Hatoum, e as mesas de hoje até às 17h.

O post especial com a transcrição do que foi possível da mesa maravilhosa, com o António Lobo Antunes publiquei às 21h30.


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Sexta (19h): Mesa Sequências Brasileiras, com Chico Buarque e Milton Hatoum. Mediação de Samuel Titan Jr.
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Prosa onLine: Chico Buarque, o mais concorrido da Flip 2009

Portal Flip: Com a bênção de Chico e Milton

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Sábado (10h): Mesa O dissonante, com Alex Ross em conversa com Arthur Dapieve
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Prosa OnLine: Ross lamenta não ter citado melhor Villa-Lobos

Portal Flip: Ross: 'O público tem medo de si mesmo'

Blog Pé de Moleque (JB): Alex Ross, o fã de música brasileira


Vídeo (tempo 04:18)

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Sábado (11h45): Mesa Entre quatro paredes, com Sophie Calle, Grégoire Bouillier, com mediação de Angel Gurría-Quintana
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Prosa OnLine: 'Não é proibido dar um fora', diz Grégoire Bouillier

Portal Flip: Terapia em grupo

Blog Flip: Discutindo a relação

Blog Pé de Moleque (JB): Final feliz para Sophie Calle e Grégoire Bouillier

Portal G1: 'É um direito amar alguém e, depois, deixar de amar', diz escritor francês

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Sábado (15h): Mesa Segredos de Família, com Anne Enright, James Salter com mediação de Liz Calder
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Prosa OnLine: plateia sonolenta para Anne Enright e Salter

Portal Flip: Tudo em família

Blog Pé de Moleque (JB): Homens, mulheres e amores

Blog Máquina de Escrever (G1): Dramas íntimos de classe média

Vídeo (tempo 07:16)

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Sábado (17h): Mesa Fama e anonimato, com Gay Talese, em conversa com Mario Sergio Conti
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Prosa OnLine: Talese fala sobre jornalismo na Flip 2009

Blog Pé de Moleque (JB): Plateia lotada ovaciona Gay Talese

Blog Máquina de Escrever (G1): Talese vai lançar livro sobre o próprio casamento

Mesas de sábado

Acabo de chegar. Passei o sábado todo fora com a família. Não consegui assistir a nenhuma mesa hoje, mas vou procurar tudo o que rolou para postar aqui.

Mas ainda dá tempo de assistir daqui a 5 minutinhos a mesa Escrever é preciso com António Lobo Antunes, numa conversa com Humberto Werneck.

É só clicar direto no portal G1.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Morre o escritor Rodrigo de Souza Leão

Buscando as notícias da FLIP, encontro uma notícia triste. Morreu ontem o poeta e ficcionista Rodrigo de Souza Leão.

Rodrigo publicara ano passado a novela Todos os cachorros são azuis e está concorrendo ao Prêmio Portugal Telecom, selecionado entre os 50 finalistas.

A notícia foi anunciada por Carlito Azevedo durante a mesa "Evocação de um poeta". Segundo ele, Rodrigo morreu ontem, aos 43 anos, de parada cardíaca.

No último sábado, Rodrigo participou com Catarina Pereira, de um encontro de leitura na Estação das Letras, intitulada "Novos novos da ficção contemporânea".

Em seu blog http://lowcura.blogspot.com/, um pouco da sua obra. A última postagem é de 25 de junho.

Sobre as mesas de sexta-feira

Bem, algumas mesas de hoje eu consegui assistir (ou pelo menos ouvir), outras assisti e ouvi, e muito poucas consegui transcrever algumas frases e o andamento das perguntas.

Então, para que vocês possam aproveitar um pouco, fui buscar um clipping das notícias sobre os debates de hoje.

Os clippings sobre a mesa do Chico Buarque e Milton Hatoum eu publico amanhã.

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Mesa com Angélica Freitas, Heitor Ferraz e Eucanãa Ferraz. Mediação de Carlito Azevedo
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Prosa OnLine: A poesia entre o alumbramento e o trabalho na Flip 2009
Portal Flip: Evocação a Bandeira
Blog Pé de Moleque (JB): Ao evocar Bandeira, poetas fazem a melhor mesa da Flip até agora

Vídeo (tempo 8:04).

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Mesa com Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho. Mediação de Beatriz Resende
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Prosa OnLine: Flip 2009: o antagonismo de Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho
Portal Flip: O desafio de cruzar fronteiras
Blog Pé de Moleque (JB): As fronteiras da literatura na mesa "O avesso do realismo"


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Mesa com Edna O'Brien em conversa com Liz Calder
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Prosa OnLine: Edna O'Brien, ou: Irlanda, Irlanda, Irlanda
Portal Flip: Homenagem a Obama
Blog Pé de Moleque (JB): Uma tarde irlandesa na Flip

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Mesa com Cristovão Tezza e Mario Bellatin. Mediação de Joca Reinners Terron
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Prosa OnLine: Flip: a literatura entre o arranjo de Tezza e a bomba de Bellatin
Blog Máquina de Escrever: Enquanto Chico não fala
Blog Pé de Moleque (JB): 'É próximo ao silêncio que eu realmente me sinto um escritor'

Mesa fantástica com Chico Buarque e Milton Hatoum

Acabou agora a última mesa de sexta-feira, na Flip, com Chico Buarque e Milton Hatoum.

Como o título do post denuncia, foi fantástica. Um verdadeiro show!

Eles começaram a leitura de trechos de seus livros: Leite derramado e Órfãos do Eldorado.

Depois responderam perguntas do mediador Samuel Titan Jr. sobre as semelhanças das obras, entre elas: romances muito concisos, que narram mais de cem anos de história, cujo narrador é centenário e homem, e se refere a uma mulher de extremo poder, mas que não aparece no livro. Depois foi a vez de falar sobre a voz narrativa e a pesquisa em campo para composição dos livros e as influências.

Mas, infelizmente, vou ficar devendo as frases citadas por eles. Hoje, por compromissos pessoais, só pude emprestar meus ouvidos a essas mesas maravilhosas. Os dedos rápidos de digitação tiveram que concluir um trabalho.

Mas nem por isso o Canastra vai fazer feio. Cuidarei de garimpar os melhores resumos sobre as mesas de hoje e publicarei aqui.

A programação da FLIP de amanhã (sábado, dia 4):

10h. Mesa O dissonante século XX.
Alex Ross em conversa com Arthur Dapieve

11h45. Mesa Entre quatro paredes
Sophie Calle, Grégoire Bouillier, com mediação de Angel Gurría-Quintana

15h. Mesa Segredos de família
Anne Enright, James Salter com mediação de Liz Calder

17h. Mesa Fama e anonimato
Gay Talese em conversa com Mario Sergio Conti

19h. Mesa Escrever é preciso
António Lobo Antunes em conversa com Humberto Werneck


Como não terei como assistir às mesas do final de semana, trarei para o Canastra todos os resumos e links de vídeos que encontrar.

Vídeos com trechos de algumas mesas

As frases que publiquei aqui, retiradas das mesas que assisti, podem ser interessantes para quem perdeu os debates. Mas, certamente, melhor ainda é ouvir o próprio escritor falar sobre literatura.

Então, garimpei alguns vídeos de trechos das mesas, para que vocês possam curtir, caso não tenham assistido. E, se assistiram, não importa, é sempre bom rever.

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Vídeo de Davi Arrigucci Jr em que ele fala sobre o alumbramento na obra de Manuel Bandeira.
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(Tempo: 03:27)
http://www.youtube.com/watch?v=z0FQhXTKoXQ&feature=channel_page

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Vídeo com as HQs que Rafael Coutinho e os irmãos Fábio Moon e Gabriel Sá mostraram. Há também o vídeo em que eles respondem se os quadrinhos podem ser considerados literatura
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(Tempo: 06:41) Vídeo da HQ de Rafael Coutinho http://www.youtube.com/watch?v=rY5gd3Z_ppk&feature=channel_page

(Tempo: 01:23) Vídeo da HQ dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Sá
http://www.youtube.com/watch?v=YbrWSHl5GRY&feature=channel_page

(Tempo: 04:48) Vídeo dos quadrinistas respondendo se os quadrinhos podem ser considerados literatura
http://www.youtube.com/watch?v=b656UZyjbrk&feature=channel_page


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Vídeo em que Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira falam de seus personagens
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(Tempo: 08:26)
http://www.youtube.com/watch?v=ZWye5Eqjfps&feature=channel_page

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Vídeo em que Tatiana Salem Levy, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues falam das dificuldades em remexer em fatos do passado (ligados às histórias pessoais e ao passado brasileiro) e da coragem necessária para publicar seus livros

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(Tempo: 07:23)
http://www.youtube.com/watch?v=41Lhb8tO4fo&feature=channel_page

Os vídeos da Flip, não só dessa edição, como das edições anteriores podem ser acessadas no Youtube.

Mesa O avesso do realismo

Acabou agora a mesa O avesso do realismo com Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho.

Eles começaram lendo trechos de seus romances. Atiq, de Syngué sabour: pedra de paciência; e Bernardo, de O filho da mãe.

Falaram em seguida sobre se existiria uma literatura nacionalizada, em como criar arte a partir de uma tristeza profunda, sobre o realismo em suas histórias e responderam perguntas da plateia.

Algumas frases da mesa:

Atiq: "Essa economia de palavras que eu faço e esse aspecto poético do livro, eu acho que fui influenciado, simplesmente. (...) O ritmo é muito importante porque a nossa cultural é oral. Existe um ritmo ligado a musicalidade".

"A palavra é errante e o escritor é condenado a ser errante e usar a palavra como elemento errante".

"eu, um afegão que nunca tinha viajado para a França antes, que não conhecia nada da civilização francesa, quando eu li Os miseráveis, eu entendi alguma coisa".

"A realidade serve como matéria-prima, então nós pegamos a realidade e a destruímos. A realidade para poder existir, ela precisa ser contada".

Bernardo: "Não acho que a literatura seja universal".

"Eu sou pela diferença. É importante que a gente se interesse por coisas estranhas, esquisitas, que não se relacionem com nosso universo".

"Nas artes têm coisas mais interessantes que os bons sentimentos".

"A realidade passa a conspirar a meu favor".

Ausência em três mesas da FLIP

Apesar de estar de férias, por compromissos pessoais, não foi possível acompanhar nem as duas últimas mesas de ontem, nem será possível assistir à primeira mesa de hoje.

Mas para que vocês tenham ideia do que aconteceu, faço um clipping de links das matérias que saíram.

Mesa 4 - China no divã, com Ma Jian e Xinran, mediação de Angel Gurría-Quintana

Prosa OnLine: China em debate na Flip 2009
Prosa OnLine: A unha vermelha de Xinran (matéria complementar)
Portal G1: Autores chineses falam sobre trabalho do escritor no país
Portal da Flip: China: uma geração silenciosa

Mesa 5 - Richard Dawkins em conversa com Silio Boccanera

Prosa OnLine: A 'religião' de Dawkins conquista a Flip 2009
Portal G1: É um grande desperdício pensar no que vem após a vida, diz Dawkins
Estadão: Dawkins: 'Não fosse Darwin, diria que Pantanal é obra de Deus'

Às 10h, haverá a sexta mesa, Evocação de um poeta, outra homenagem a Manuel Bandeira. A mesa tem a presença de Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas. Mediação de Carlito Azevedo.

Não percam! Infelizmente, não poderei assistir, mas volto para a sétima mesa, O avesso do realismo, às 11h45m, com Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho. Mediação mais uma vez de Beatriz Resende.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Mesa "Verdades inventadas"

Acabou há pouco a mesa Verdades inventadas, com Arnaldo Bloch, Tatiana Salem Levy e Sérgio Rodrigues.

A mesa teve a mediação de Beatriz Resende e também foi muito boa.

Os escritores começaram com a leitura de trechos de seus livros.

Arnaldo leu um trecho que está na página em que aparece uma foto sua, na capa da manchete, ao 1 ano de idade, nu.

Tatiana leu um diálogo entre a protagonista de seu romance e a mãe que já está morta. O diálogo fala sobre a doença dessa mãe e o relacionamento profundo das duas.

Sérgio leu o trecho em que o comunista Xerxes revela ao escritor Molina sua participação na famosa batalha da Praça da Sé.

Logo depois, eles responderam perguntas da Beatriz e da plateia a respeito da feitura do livro, da coragem em expor fatos biográficos e elementos para tornar a história verossímel, empática e emocionante.

Abaixo algumas frases ditas pelos escritores:

Beatriz Resende: “se ainda for preciso encontrar uma definição para a literatura, pode-se usar o próprio tema dessa mesa: 'Verdades inventadas'”.

Arnaldo: “Só depois do livro pronto é que eu me dei conta do que eu tinha realizado com a minha própria memória”.

“A biografia definitiva é uma falácia”

“A biografia definitiva tende a ser a versão mais pobre de uma história”.

Tatiana: “A escrita desse romance começou muito antes da própria escrita. Começou na infância com as histórias que eu ouvia”.

“Os judeus levavam consigo as chaves das suas casas, na esperança de um dia voltar”.

“A verdade que eu procuro não é a verdade dos fatos, mas a verdade da literatura”.

“Meu processo de escrita foi muito físico”.

“Toda a minha questão é como trabalhar a palavra na literatura”.

“Cada romance pede uma coisa. Você tem que ouvir o que seu romance está pedindo. A reescrita para mim é o momento mais importante. Eu jogo muita coisa fora. Eu sou obsessiva em cortar palavras. Falar o máximo possível com o menos. Eu vou lapidando o texto até chegar onde eu quero.”

Sergio: “O livro me foi encomendado, não era um projeto meu”.

“Desde a encomenda, não foi um livro convencional, de história. A encomenda tinha uma certa licença para criar”.


“Ficção não é mentira. Ficção pode ser muito mais verdadeira. A realidade não existe. A realidade é linguagem. Não tem nenhuma lei em lugar nenhum que o discurso de um historiador, de um jornalista é mais verdadeiro que de um escritor.”

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Hoje não terei como acompanhar as próximas mesas, mas não deixem de assistir, se puderem.

Até amanhã.

Anna Claudia Ramos é reeleita presidente da AEILIJ

crédito da foto: blog da Anna Claudia Ramos




Galeno Amorim divulgou hoje em seu blog que Anna Claudia Ramos foi reeleita presidente da AEILIJ (Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil), com mais de 70% dos votos dos 214 associados votantes, espalhados por todo o Brasil.



Anna Claudia era candidata em chapa única.



Vale destacar que a AEILIJ tem protagonizado debates importantes sobre o papel da literatura na escola e na própria vida nacional.

Mesa sobre Verdades Inventadas começa daqui a pouco

Crédito da foto: blog Prosa OnLine

Às 15h, começa a mesa Verdades inventadas, com Tatiana Salem Levy, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues. A mediação é de Beatriz Resende.

Sérgio Rodrigues, em seu romance Elza, a garota, fala da história da jovem morta pelo partido comunista. Em Os irmãos Karamabloch, Arnaldo Bloch faz uso da história de sua família, fundadora da Rede Manchete, para compor um livro com traços de biografia, romance e memorialismo. Os mesmos elementos presentes em A chave de casa, romance de estreia e premiadíssimo de Tatiana Salem Levy.

Esse é o mote que une os três escritores nessa mesa.

Sérgio Rodrigues nasceu em Muriaé (MG), em 1962. Jornalista e crítico literário, é autor do blog Todoprosa. Estreou na literatura com o livro de contos O homem que matou o escritor (2000). Publicou em 2006 o romance As sementes de Flowerville e neste ano Elza, a garota.

Arnaldo Bloch nasceu no Rio de Janeiro, em 1965. Jornalista e escritor, foi repórter e redator na Revista Manchete de 1987 a 1993, quando passou a integrar a equipe do Jornal O Globo. Em 2007 publicou Os irmãos Karamabloch, em que fala das realizações e percalços de sua família. Já havia publicado Amanhã a loucura (em 1998) e Talk show (em 2000).

Tatiana Salem Levy nasceu em Lisboa, Portugal, em 1979. Com seu romance de estreia, A chave de casa, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Estreante e foi finalista do Jabuti, ambos em 2008. Tatiana também é autora de A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze e seus contos foram publicados nas coletâneas Paralelos (2004), 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura (2005) e Dicionário amoroso da língua portuguesa (2009).

Veja no blog Prosa online um pouco mais sobre o que há de "verdades inventadas" nos três romances.

Simplesmente maravilhosa!

Simplesmente maravilhosa a mesa que acabei de assistir com Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira.

A conexão sobre o tema Separações se deu entre o filme de Domingos de Oliveira, de mesmo título e o romance de Rodrigo Lacerda, Outra Vida.

A mesa começou com Rodrigo lendo um trecho do seu livro. Exatamente do capítulo em que acontece o primeiro flashback, que é o capítulo que trata do parto da filha. Livro este que foi elogiado por Domingos de Oliveira.

Em seguida, Domingos leu um texto preparado por ele, que fala do tema da mesa e da relação dele com suas próprias separações conjugais. Sua apresentação arrancou muitas gargalhadas da plateia.

Nela ele disse que teve cinco separações e que esses períodos são altamente produtivos. Seu atual casamento com Priscila já dura 28 anos, mas durante esse período, eles passaram um ano separados, e é sobre essa fase que ele conta no filme "Separações". De forma divertida, ele acrescentou seu marketing: “Vai passar aqui, é bom à beça”. Em seguida, ele discorreu sobre a dor do amor e as indagações a seu respeito.

Em seu filme ele usou quatro fases do processo de separação: a primeira, a da negação; a segunda, da negociação (“se ela voltar para mim, eu paro de fumar, vou subir a Igreja da Penha, paro de ser galinha”); a terceira é a revolta (“quero te matar sua filha da puta; puta, tá dando para todo mundo... que eu sei”) e a quarta fase, a da aceitação (“que é quando se arranja outra namorada ou a mulher volta para a gente”). Ele disse que existe ainda a quinta fase, que é do estado de graça.

“O filme é muito engraçado; ver aquele homem se arrastando pelo chão, pagando todos os micos para recuperar a mulher amada.”, disse ele. E para concluir: “Hoje eu tenho 72 anos e continuo querendo me separar da Priscila e ela de mim, pois somos normais. (...) Morro de medo de me separar da Priscila. (...) A verdadeira arte de viver é tentar ser exatamente o que você é.”

Em seguida, Paulo Roberto fez algumas perguntas a ambos, seguidas das perguntas da plateia.

Para encerrar, Rodrigo Lacerda leu um texto que ele e o Paulo Roberto selecionaram, como homenagem ao Domingos de Oliveira. O texto fala do "homem lúcido" e está no filme Separações. Procurei o texto na Internet e presenteio vocês no final do post.

Abaixo, alguns trechos que capturei de suas respostas.

Sobre a relação com os personagens...

Rodrigo: Os personagens são banais, até anônimos. (...) Uma vez eu vi um censo da literatura brasileira, e deu um perfil muito parecido com todos nós: pessoas urbanas, entre 25 e 45 anos, professores universitários ou escritores. Quando comecei, eu disse: quero ir para outro universo. Trabalhar com personagens que não fizessem parte desse mundo literário ou artístico. A ideia toda do livro é iluminar o que há de alegria, de dor, de tragédia, de comedia, nas coisas mais cotidianas, nas coisas mais banais, embora tenha um trecho em que o marido está envolvido num escândalo de corrupção. Mas na essência é uma coisa corriqueira – um casal na rodoviária brigando, quem de nós não passou por isso.
(...)
Enquanto esse casal se debate num impasse, esse valor novo dado às situações banais, ao conflito que é comum a qualquer pessoa, acaba aparecendo. Essa é a ideia.


Domingos: Rodrigo foi modesto. Não há banalidade no mundo. É apenas aparente. A cabeça das pessoas é um turbilhão. Nenhum acontecimento é banal, a questão é se ver mais de perto ou mais de longe. (...) Uma história de amor você vê mil vezes no cinema e continua gostando. (...)
Eu não sei o que é o amor, mas se eu vejo um bom filme de amor, eu sei o que é o amor.
(...)

Eu tento fazer com que as mãos escrevam, não eu. (...) tentando que elas se aproximem do inconsciente. Depois eu tento racionalizar o texto com tudo o que aprendi. Tenho obsessão pela clareza. Aí eu organizo aquilo tudo. Tem uma hora em que eu acho que aquilo tudo é uma merda, que não tenho talento nenhum. É uma hora terrível. (...) Essa fase passa milagrosamente, há um momento em que os personagens começam a escrever a peça para você. Aí a peça começa a ficar boa. A obra é ruim enquanto o escritor escreve, é boa quando os personagens é que escrevem.
(...)
Eu acredito na "terra das peças (romances) prontas". O seu único trabalho como escritor é deixar o seu corpo leve para chegar até lá e pegar. Tanto é que quando você acerta uma página, você fica alegre e estala os dedos e diz é isso, pois a página está lá pronta.

Sobre os personagens que se rebelam...

Rodrigo: Comigo foi um longo processo de escrita. Eu comecei querendo impor a minha vontade, mas os personagens não se revoltavam, queriam me obedecer, mas me mostravam que o que eu fazia não estava convencendo. (...) O fato é que houve uma desobediência pacífica, não foi uma rebelião. Mas no final, não era mais eu que determinava.

Sobre Rodrigo Lacerda procurar personagens muito diferentes de si e Domingos trabalhar os personagens muito autobiográficos...

Domingos: Você pode imaginar histórias, mas no fundo você as viveu de modo direto ou simbólico. (...) Os homens são todos iguais apesar de serem todos diferentes.

Rodrigo: Eu sou perseguido pelos leitores que acham que tudo o que eu faço é autobiográfico.
(...) Nesse livro eu queria escrever sobre pessoas que tivessem uma vida diferente da minha. O titulo também tem essa ideia de projetar outras vidas diferentes da minha.

Sobre autoajuda...

Domingos: Toda arte é uma coisa de autoajuda. A arte pertence a vida. A arte é para criar motivos de viver. A obra de arte só tem valor no momento em que ela te ajuda a viver.
(...) Dom Quixote e Moby Dick não são autoajuda?

Rodrigo: Uma vez me perguntaram se todo livro de auto-ajuda é ruim? Confissões de Santo Agostinho será que não é auto-ajuda?

Outras respostas:

Domingos: Eu sou a favor da vida. Eu tenho uma profunda noção da minha extrema felicidade. Mesmo quando eu estou deprimido, que me acontece duas ou três vezes por semana, porque eu sou um cara normal.

Rodrigo: depois que eu escrevi esse livro, várias pessoas vieram falar comigo. Quando o livro é para cima, diz que é história de amor, quando é para baixo, é historia de relacionamento.

Rodrigo: Quando eu quis fazer um corrupto, eu não queria fazer um canalha inescrupuloso, eu queria fazer um personagem que o leitor pudesse inclusive pensar: "talvez nessa situação, eu também fizesse o que ele fez". Fazer o canalha é muito mais fácil, é muito mais fácil escrever um personagem chapado assim. O difícil é escrever de tal forma que não caia no discurso.

Domingos: Essa coisa do particular para o geral não existe. Cada homem contem o mundo e tudo está em tudo.

Domingos: Nunca deixei de ser produtivo. Inventei uma técnica para isso que eu ensino para todo mundo, é facílimo, eu acabo tudo que eu começo, esse é o segredo da produtividade.
Eu também sempre fui produtivo, porque senão eu piro, começo a pensar na morte.
(...)
Eu escolho o nível mais alto de fuga da realidade, que chama-se arte.


O Homem Lúcido

"O Homem Lúcido sabe
que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções
que ele nunca se entusiasma com ela
Assim como ele nunca tem memórias
O Homem Lúcido sabe
que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor
posto que a vida contém tantos sofrimentos
que a sua cessação não pode ser considerada um Mal
O Homem Lúcido sabe
que ele é o equilibrista na corda bamba da existência
Ele sabe que por opção ou por acidente é possível cair no abismo a qualquer momento
interrompendo a sessão do circo
Pode também o Homem Lúcido optar pela vida
Aí então ...Ele esgotará todas as suas possibilidadades
Ele passeará pelo seu campo aberto
pelas suas vielas floridas
Ele saberá ver a beleza em tudo!
Ele terá amantes, amigos, ideais
urdirá planos e os realizará
Resistirá aos infortúnios e até mesmo às doenças
E se atingido por um desses emissários
saberá suportá-lo com coragem e com mansidão
E morrerá, o Homem Lúcido, de causas naturais
e em idade avançada
cercado pelos seus filhos e pelos seus netos que seguirão a sua magnífica aventura.
Pairará então sobre a memória do Homem Lúcido
uma aura de bondade
Dir-se a:
-Aquele amou muito. Aquele fez muito bem as pessoas!
A Justa Lei Máxima da Natureza obriga que
a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se iguale sempre
à quantidade de acontecimentos favoráveis
O Homem Lúcido porém
esse que optou pela vida
com o consentimento dos deuses tem o poder magno de alterar essa lei
Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre maioria...
Porque essa é uma cortesia que a Natureza faz com Os Homens Lúcidos"

Mesa com Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira, sobre separações

Às 11h45m, começa uma mesa que para mim é imperdível. É a segunda mesa da Flip: Separações, com os escritores Rodrigo Lacerda e Domingos de Oliveira, com mediação de Paulo Roberto Pires.

Rodrigo é formado em história e doutor em teoria literária. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1969, e iniciou sua carreira com o excelente e bem-humorado livro O mistério do leão rampante, lançado em 1995, e ganhador do Jabuti. Outros romances foram publicados depois, mas os últimos, o juvenil O fazedor de velhos e o romance Outra vida, marcam um grande momento de sua carreira.

E exatamente um relacionamento amoroso em crise, que é tratado em Outra vida, é o mote para a mesa de hoje.

Vocês podem conferir a resenha que fiz dos últimos livros do Rodrigo, aqui no Canastra (O fazedor de velhos e Outra vida).

Domingos de Oliveira é ator, dramaturgo e cineasta. Autor de várias peças, entre elas, Ensina-me a viver (1981), A volta por cima (1982) e Adorável Júlia (1983). No cinema, Domingos escreveu o roteiro e foi diretor dos filmes Separações (2002), Feminices (2004), Carreiras (2005) e Juventude (2008), tendo atuado em todos eles. Domingos nasceu no Rio de Janeiro, em 1936.

A transmissão ao vivo é comandado pelo site do G1.

Conferência de Davi Arrigucci Jr

Começou ontem a Flip com a conferência de Davi Arrigucci Jr a respeito do homenageado da festa - Manuel Bandeira.

Davi começou dizendo "eu espero ser breve e intenso como o meu poeta".

Antes de dar início ao seu tema principal, Davi fez algumas observações a respeito da Flip e da importância da leitura.

“Eu penso que a Flip a cada ano renova a nossa crença na importância da leitura. A Flip tem criado uma espécie de sementeira de novos leitores. O que é uma coisa importantíssima para nós. Devemos saber que a leitura de um texto também é a leitura do mundo. A leitura não é um ato qualquer. Esse ato detido e rudimentar da decifração é uma coisa decisiva na nossa vida. Certamente é isso que nós vamos tentar demonstrar um pouco hoje. A ideia da Flip é uma espécie de comunidade internacional dos leitores. Isso é uma coisa fundamental. Nós devemos saber que é imposssível escrever sem ler antes. A leitura está na base de tudo. A escrita segue a leitura. Nós devemos nos vangloriar menos dos livros que nós escrevemos, e nos vangloriar mais dos livros que nós lemos”, disse ele.

Logo depois, Davi começou a falar da grande importância de Bandeira como o poeta da passagem para a poesia moderna no Brasil.

“Bandeira foi marcado por um desejo de transcendência. (...)
Um país nos que deu um homem da fibra moral de Bandeira tem que dar certo”, disse Davi.


Sua palestra seguiu tratando de três pontos sobre Bandeira: como ele concebeu a poesia, como ele a praticou e com que sentido.

Num ponto alto da palestra, Davi falou sobre o alumbramento.

“A diferença entre a emoção poética e a emoção de todo dia é que ela é capaz de nos dar a sensação de um universo. Isso significa que na emoção poética ela traz consigo um mundo completo; esse mundo completo é uma totalidade orgânica, constituído pelos mesmos atos, objetos do mundo banal, mas todos os elementos deste mundo estão como que musicalizados, eles se procuram, se enlaçam, e dão a nós uma sensação de totalidade completa. A essa manifestação do poético Bandeira chamou de 'alumbramento'”, disse ele.

Essa emoção pode ser sentida no livro de memórias que Bandeira nos deixou, o Itinerário de Pasárgada, no qual o poeta nos conta que todas as vezes em que voltava às lembranças de sua infância, ele sentia uma emoção diferente. Essa emoção diferente, mais tarde, ele começou a ligar à experiência do poético.

Davi falou da produção de Bandeira na década de 20, quando o poeta está pobre e doente, e passa a incorporar a seu trabalho a observação do cotidiano humilde carioca.

Analisou, ainda, dois poemas: "Momento um café" e "Poema só para Jayme Ovalle", onde observa a dialética entre o dentro e o fora.

E a Festa continua.

Agora, às 10h, temos a mesa Novos traços, com Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Sá, Rafael Grampá e a mediação de Joca Reiners Terron. A mesa trata sobre a produção de histórias em quadrinhos que tem ganho muita força no país.

Para assistir ao vivo, é só clicar no link: http://www.flip.org.br/aovivo_2009.php.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Flip começa hoje



E daqui a poucas horas terá início a primeira mesa da Festa Literária Internacional de Paraty - a Flip.

A única mesa de hoje é a Conferência de Abertura com Davi Arrigucci Jr, que acontecerá às 19h.

Davi nasceu em São João da Boa Vista (São Paulo), em 1943, e é um dos mais renomados críticos literários do país. É professor aposentado de teoria literária e literatura comparada da Universidade de São Paulo, onde lecionou por mais de trinta anos.

Sua palestra será dedicada ao homenageado da Flip - Manuel Bandeira. Davi publicou em 1990, Humildade, paixão e morte que é considerado um dos principais estudos sobre o poeta.

Mas não só da Tenda dos Autores vive a Flip. Outras programações paralelas estão acontecendo. Há encontros na Casa da Cultura e eventos promovidos pela Off Flip.

Para quem está em casa (igual a mim), é só clicar no link que transmitirá as mesas ao vivo e curtir a festa.

O Livreiro está no ar!

Para quem já visitou o Skoob (comunidade para leitores), o novo portal O Livreiro criado pela InfoGlobo, com parceria da Livraria Cultura, estreou na mesma linha, com alguns serviços diferenciados.

Além de podermos criar a nossa estante de livros, o site ainda apresenta notícias da área, informações sobre alguns autores, criação de comunidades e o Clube do Livro.

No caso da estante, os livros, adicionados e comentados, vão sendo contabilizados numa lista de "livros mais lidos" e "livros mais adicionados". Há também a lista dos "livros mais comentados" que até agora há pouco não havia nenhum.

Na lista de livros da nossa estante, podemos marcar se já lemos um livro, estamos lendo ou queremos ler. É possível também marcar se queremos emprestar ou doar um título, além de indicar quais são os nossos favoritos.

No Clube do Livro, a proposta é a discussão de um título a cada seis semanas. A leitura terá como guia o escritor Milton Hatoum. Durante a discussão será possível questionar sobre a estrutura das obras, personagens, e quaisquer outras dúvidas sobre o mesmo.

O próprio Hatoum faz uma seleção de três livros e os membros votam em qual será discutido. Nessa estreia, estão na votação: Um coração simples (Gustave Flaubert), O Alienista (Machado de Assis) e Leite derramado (Chico Buarque).

O portal ainda está na sua versão Beta. Alguns links não funcionam, achei a passagem de uma página para outra um pouco lenta, mas tem uma grande vantagem: a base de dados de livros é a mesma da Livraria Cultura. Isso é uma vantagem em relação ao Skoob, pois neste precisávamos incluir nossos livros, caso ninguém o tivesse feito. Esse é o principal motivo de eu ter deixado de atualizar meu cadastro no Skoob. A pobrezinha da minha estante ficou com 117 livros, bem longe dos mais de 500 da biblioteca que tenho em casa.

O que achei mais engraçado em O Livreiro foi encontrar livros de Informática na lista de livros adicionados. Provavelmente, a equipe web aproveitou as suas leituras técnicas para testar o site. Com isso, percebi que meu nome está lá na estante de livros (que chique!), com meus três livros publicados. Calma, ainda não são livro de contos ou romances, são apenas os meus livros de Informática. Mas já dá uma certa felicidade. E recordar que há sete anos já apareci na lista dos mais vendidos da Livraria Cultura, Saraiva e Submarino traz bons fluidos.

Bem, eu já me cadastrei como membro, votei no meu livro e começo a encher minha estante. E vocês, quando vão dar uma passadinha por lá. Acho a proposta interessante e pode ser um bom cantinho para se trocar dicas de leitura. Além do Canastra, é claro! :)

Para ler um pouco mais sobre O Livreiro, acesse o post Pílulas Literárias #1, que publiquei aqui no último sábado. Esse post que traz as principais notícias do Caderno Prosa & Verso, inclui na íntegra a matéria "# Rede social para os amantes do livro" que fala sobre o novo portal.