Diário (ou não tão diário assim) da escritora Ana Cristina Melo.
Um pequeno espaço para somar letras, contos e sonhos.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
O que tenho lido...
Hoje li um conto do livro A liberdade é amarela e conversível do André Giusti (aliás, um livro de contos muito bom. Recomendo!) que fala sobre o vazio. Um vazio imenso que nos toma meio a felicidade, que transforma a felicidade do que conquistamos em algo menor do que realmente é. E sabe que estava me batendo um vazio sobre o Canastra. Uma sensação de que ele já não era mais o mesmo. Então, pensei que é bom comentar, citar as notícias literárias, mas se tem algo que me dá prazer é ir direto ao ponto, ou seja, falar dos livros, citar o que mais me tocou, divulgar meus escritos.
E para espantar de vez esse vazio, vamos voltar a conversar sobre o que de bom tem passado pelas minhas mãos.
Sobre a coleção Viver & Escrever da Edla Van Steen eu já havia falado aqui duas vezes. E com minha falação (como diz minha pequena), havia citado também alguns trechos. Mas são tantos depoimentos interessantes, que só lendo o livro todo.
Outro livro muito bom que terminei de ler há 10 dias se chama Nos bastidores do imaginário: criação e literatura infantil e juvenil, da Anna Claudia Ramos. Mas alguns devem pensar assim: "mas não pretendo escrever literatura infantojuvenil". E eu respondo: "Não faz diferença, pois Anna fala e muito da literatura, de sua técnica, de sua importância. E literatura é literatura, não importa o gênero".
Sobre os livros, eu indico Mundos de Eufrásia de Claudia Lage. Ainda não terminei, mas até agora foram três quartos de uma história forte contada com linhas inteligentes, de técnica refinada, de palavras exatas, de jogos de palavras que são uma aula à parte. Recomendo!
Voltando um pouquinho mais no tempo (já que desde junho eu não falo sobre essas leituras), terminei aquele que foi o livro de estreia de minha querida Livia Garcia Roza -- Quarto de menina. Livia o lançou em 1995 e o relançou no Salão do Livro deste ano. Falta muito pouco para eu dizer que já passei por toda a sua prosa. E Quarto de menina prova que tudo de maravilhoso que ela criou depois nasceu com seu livro de estreia. É classificado como livro infantil, mas sendo acima de tudo literatura, recomendo a qualquer idade.
Já passei por vários romances e coletânea de contos de Lygia Fagundes Telles, mas ainda não havia lido Antes do baile verde. Aproveitei o relançamento pela Companhia das Letras para saldar meu débito. E fiquei feliz em fazê-lo. O livro é um dos melhores de Lygia. Alguns contos eu já conhecia, mas é sempre bom revê-los, revisitá-los com novas experiências, novas sensações. Afinal somos leitores diferentes a cada vez que entramos em um livro.
Li também nos últimos meses a coletânea de contos A cabeça, de Luiz Vilela. Se tem algo que fui tratando com carinho nesses últimos anos em meus textos são os diálogos. O próprio Paulo Bentancur disse sobre meu livro de contos: "(...) é sobretudo nos diálogos – essa praga na literatura brasileira, uma vez que diálogos são tratados pelo escritor nacional de forma um tanto forçadamente seca ou falsamente retórica –, repito, é nos diálogos que Ana Cristina Melo mostra que é incapaz de trair suas personagens e o universo de que elas dão notícia.". Mas não é sobre mim ou meus diálogos que quero frisar, mas sobre os diálogos não menos que perfeitos que permeiam todo o livro de contos de Luiz Vilela.
Outro título é Vésperas de Adriana Lunardi. Esse livro não é um lançamento recente, mas estava na minha fila do "a comprar" há muito tempo. E depois de comprado, passou para a fila do "a ler". E como me arrependi de não tê-lo lido antes. São contos que transcendem a biografia das escritoras e seus últimos momentos. Muito bom!
Sobre Outra vida de Rodrigo Lacerda, nem preciso falar, até porque já publiquei aqui uma resenha sobre o mesmo. Mas não custa lembrar de que é um romance maravilhoso.
Na mesma linha de lançamentos recentes, vale e muito uma passagem pelo Hotel Novo Mundo da Ivana Arruda Leite. Outra preciosidade. Ivana tem um humor inteligente e a simplicidade que de nada tem de simples na criação, mas o esforço e a minúcia de quem muito se esforça para atingir esta segurança.
Ainda com Ivana Arruda Leite, aproveitei e fui na marola de sua prosa, lendo o livro de contos Ao homem que não me quis. Um livro muito bom, que fecha com o conto que dá título ao livro. Conto este simplesmente maravilhoso.
E falando em estreias tem o romance O contorno do sol de Natália Nami. Pauta-se em dois enigmas e uma grande habilidade da autora para narrar entre os claros e as sombras da história.
E para não me acusarem de só ler os daqui, cito um estrangeiro. Não é porque goste menos, mas realmente tivemos tão bons lançamentos nos últimos meses, que foi impossível ficar longe do que de melhor é fabricado "dentro da nossa casa". Assim, li também, O animal agonizante de Philip Roth. Não é preciso que se fale de Roth. Seus livros são o bastante. Mas esse livro nos prende e nos derruba, mantendo o estilo irônico e incisivo do autor.
Bem, por hoje é só.
Assim, para atiçar mais ainda a curiosidade de vocês, nos próximos posts (incluindo esse) vou deixar aqui algumas sementinhas dessas leituras. Trechos que me tocaram, que marquei com a minha tradicional carinha de "Adorei!". :)
Começo com o livro da Anna Claudia Ramos:
* Entrevista de Anna Claudia Ramos com Ana Maria Machado
"Em um ciclo de palestras a respeito de sua obra, alguém lhe perguntou sobre o que ela considerava um bom livro infantil, Ana Maria (MACHADO, 2002) respondeu, apesar de antes ressaltar que essa era uma definição difícil, muito ampla, citando o autor inglês C. S. Lewis: 'Um bom livro infantil é aquele que a gente lê com deleite aos 10 anos e relê com igual prazer aos 50 anos'".
"Anna Claudia - Criar um mundo pra aquela história. O leitor não precisa saber de um monte de coisas que o escritor pensou ao construir uma personagem, por exemplo, mas o que o escritor precisa saber.
Ana Maria - O Hemingway dizia uma coisa perfeita. Ele dizia que o livro deve valer pelo muito que nele não entrou. Eu acho, por exemplo, que um dos segredos da grande qualidade da literatura infantil é que tivemos um grupo de autores muito leitores e que, então, eles tinham muito para não entrar no livro."
* Capítulo: Como e por que criamos?
"(...) é pela linguagem que o escritor realiza seu trabalho, que este só é possível pelo trabalho estético, o que distingue a criança que brinca do escritor criativo. Mas é preciso deixar claro que Freud faz uma distinção entre o escritor criativo (que cria seu próprio material) e o escritor que utiliza temas preexistentes (que reformula um material preexistente e conhecido, que geralmente procede dos mitos e lendas)."
"Quando digo que alguém pode escrever só para agradar a um tipo de mercado, essa pessoa tem um caminho a seguir bem diferente de quem quer ter estilo próprio e escrever sem se preocupar em passar valores ou conceitos preestabelecidos. Esse tipo de texto no qual o escritor se permite escrever sem ficar preso a passar valores explícitos se propõe a ser literatura. São textos onde as personagens podem ser paradoxais e os mundos da ficção são bem estruturados e definidos, em detrimento de textos em que existem personagens pré-fabricadas e mundos falsos, criados apenas para agradar a um tipo de demanda no mercado."
"Aonde se quer chegar com a história? Há que se preocupar com o foco narrativo, com a estrutura da narrativa, a técnica, a pontuação, o ritmo do texto, a idéia e o aproveitamento da idéia, com a construção das personagens. (...) Em se falando de construção narrativa, vale dizer que, para se criar uma história e achar seu tom, seu ritmo, seu foco, seu narrador, é preciso criar o mundo dessa história".
"O mais importante é o ritmo, que tem que fluir bem e se sustentar ao longo do texto. E é preciso maestria para saber dar ritmo a um texto, senão o texto fica cheio de palavras desnecessárias.
Existe ainda o problema da adjetivação. Escritores iniciantes normalmente se valem excessivamente de adjetivos. A cada frase usam tantos adjetivos que acabam sufocando o texto, não deixam um espaço de respiração entre as palavras. Isso, na maioria das vezes, deixa o texto pesado e chato, pois tudo tem uma definição, tudo vem tão pronto, tão mastigado que nem sobre lugar para o leitor imaginar nada".
"(...) a linguagem não é apenas o que ela diz, ela é também o que está na ausência das palavras, nas lacunas existentes entre as linhas de um texto e nas relações entre quem fala e quem ouve, quem escreve e quem lê."
"As palavras são as ferramentas de trabalho de um escritor. É pela linguagem que ele dá vida às personagens. A viagem da ficção começa na maneira como as palavras são articuladas e organizadas nas frases, em como o autor vai usar a sua técnica pessoal para criar um texto, em como ele fará uso da pontuação".
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Programação da Estação das Letras - próxima semana
* A arte da persuasão, com Antonio Fernando Borges

* As ficções breves: mergulho no conto, com Ondjaki

* A Prosa de ficção: sua criação e seu alcance, com Luiz Ruffato
Enter - antologia digital

segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Copa de Literatura - jogos definidos
Mais detalhes acesse o site da Copa - http://copadeliteratura.com/.
Jogo 1 - Cordilheira, de Daniel Galera X O livro dos nomes, de Maria Esther Maciel
Jurado: Paulo Polzonoff Jr.
Jogo 2 - Areia nos dentes, de Antônio Xerxenesky X O vencedor está só, de Paulo Coelho
Jurado: Fernando de Freitas Leitão Torres
Jogo 3 - O fazedor de velhos, de Rodrigo Lacerda X O verão do Chibo, de Vanessa Barbara e Emilio Fraia
Jurado: Bernardo Brayner
Jogo 4 - Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito X Manual da paixão solitária, de Moacyr Scliar
Jurado: Felipe Charbel
Jogo 5 - Flores azuis, de Carola Saavedra X Dias de Faulkner, de Antônio Dutra
Jurado: Tiago A.
Jogo 6 - O ponto da partida, de Fernando Molica X Acenos e afagos, de João Gilberto Noll
Jurado: Fabio S. Cardoso
Jogo 7 - A arte de produzir efeito sem causa, de Lourenço Mutarelli X Jonas, o copromanta, de Patrícia Melo
Jurado: Luís Francisco Carvalho Filho
Jogo 8 - Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum X O conto do amor, de Contardo Calligaris
Jurado: Alex Castro
Vencedor do jogo 1 X Vencedor do jogo 2
Jurada: Beatriz Resende
Jogo 10
Vencedor do jogo 3 X Vencedor do jogo 4
Jurada: Simone Campos
Jogo 11
Vencedor do jogo 5 X Vencedor do jogo 6
Jurado: Leandro Oliveira
Jogo 12
Vencedor do jogo 7 X Vencedor do jogo 8
Jurado: Luís Augusto Fischer
Semifinais
Jogo 13
Vencedor do jogo 9 X Vencedor do jogo 10
Jurado: Amônio PlausÃvel
Jogo 14
Vencedor do jogo 11 X Vencedor do jogo 12
Jurado: Antonio Marcos Pereira
Final
Jogo 15
Vencedor do jogo 13 X Vencedor do jogo 14
Jurados: Todos + Lucas Murtinho
sábado, 8 de agosto de 2009
Pílulas dos cadernos literários (#1) - 08/08/2009
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!Caderno Ideias (JB). Sábado (08/08/2009)!
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# Obra e graça de Didi
* Biografia por Péris Ribeiro recupera a trajetória do craque que inventou a folha seca, uma jogada única e inimitável (Por Alvaro Costa e Silva)
( Leia mais )
# Mais uma confirmação do soneto
* Coletânea com 68 poemas de Ildásio Tavares faz homenagem a Charles Baudelaire (Por Pedro Lyra)
( Leia mais )
# Uma nova forma de ler ficção
* O escritor mineiro Alexandre Brandão reúne duas novelas para discutir cinema e internet (Por Duílio Gomes)
( Leia mais )
# Entre o passado e o presente
* Em seu sétimo livro, Bernardo Ajzenberg intercala narrativas distintas de uma mesma vida (Por Carolina Leal)
( Leia mais )
# Um grito diante da porta
* Com apuro na linguagem, romance de Natália Nami tematiza a angústia coletiva moderna (Por Ieda Magri)
( Leia mais )
# O humor dos irmãos Marx
* Por Leandro Konder
( Leia mais )
# O poeta a domicílio
* Por Felipe Fortuna
( Leia mais )
# Pracinhas em Fornovo
Culminação da campanha da FEB na Segunda Guerra Mundial, as batalhas no vilarejo do norte da Itália são narradas em livro do historiador Fernando Lourenço Fernandes (Por Luiz de Alencar Araripe)
( Leia mais )
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Programação da Estação das Letras - próxima semana
* Oficina de conto, com Nilza Rezende

* Oficina de revisão e copidesque, com Alvanísio Damasceno

* Atelier da escrita, com Bia Albernaz 
* Oficina de poesia, com Carlito Azevedo
* Escrita criativa, com Silvia Carvão

Encontro com escritores no RJ
Os escritores Marcelo Moutinho, Ondjaki e Flávio Izhaki participarão de um debate, com mediação de Miguel Conde, amanhã, na Livraria Moviola.
Infelizmente, não poderei ir, mas para quem estiver livre é uma oportunidade maravilhosa, pois os três escritores são ótimos ficcionistas e têm muito o que dizer sobre essa arte especial.
Pílulas dos cadernos literários (#6) - 01/08/2009
‘Escrever para não morrer’
Para alguns autores, palavra pode atuar como ferramenta útil na recuperação de um ‘eu’ partido
Por Luciana Hidalgo
Disse Balzac que o homem é um bufão a dançar sobre precipícios. A frase, transcrita por Lima Barreto em seu diário, diz muito, não apenas sobre a trajetória desse escritor carioca, internado duas vezes no hospício, mas acerca do homem e de suas certezas movediças. Nessa admirável valsa da condição humana, que junta “normais” e “loucos” separados por frágeis limites, uma questão lateja: o que une os quadros de Van Gogh, os bordados de Arthur Bispo do Rosário e os escritos de Artaud? É tentador, mas redutor explicar gênios pela sua “loucura”. No entanto, é inevitável a impressão de que, de uma forma ou de outra, a arte se beneficia, e muito, dessa dança por contornos extremos.
A fronteira entre o real e o ficcional é permeável
Se é impossível fazer o elogio da loucura, com todo o desespero que esquizofrênicos expõem ao vislumbrá-la, pode-se ao menos fazer a apologia da arte vazada do delírio, às vezes dotada de incomum qualidade estética. Talvez por criarem numa eterna situação-limite, esforçam-se por pintar ou “escrever para não morrer”, como disse o crítico Maurice Blanchot. Ou escrevem para não enlouquecer, a exemplo de Lima Barreto que, ao ser internado no Hospital Nacional dos Alienados em 1910/20, escreveu “Diário do hospício” como forma de reestruturação de si.
Mulato de origem humilde, Lima viu acrescentar-se aos clichês preconceituosos de seu tempo o de “louco”. Ele era apenas alcoólatra, no estágio mais avançado do vício: o das alucinações que, uma vez acabadas, relegavam-no à solidão do homem lúcido no manicômio. Por isso escapou da vigilância para escrever o que bem entendesse no espaço branco do papel. Era um espaço autônomo, intocado pela psiquiatria, que ele usou para construir sua literatura da urgência, num intricado diálogo entre escritor e instituição. Não só fez uma autoanálise, mas descreveu ritos e vícios manicomiais, com o forte tom de crítica que o movia.
Escritores marcados pelo trauma de situações como esta têm em comum a insistência com a temática “loucura”. Rodrigo de Souza Leão, autor de “Todos os cachorros são azuis”, que nunca escondeu sua esquizofrenia, contagiou seu primeiro romance com a própria experiência. Seu narrador alterna realidade e fantasia para contar o dia a dia no hospício, a certa altura agitado por um crime. Entre comprimidos, injeções eletrochoques, o personagem combate cupins gigantes, vê samambaias crescerem ao seu lado e convive com Rimbaud, colega de infortúnio. A fronteira entre o real e o ficcional é permeável, o que influencia essa escrita que corre bem, mas às vezes vai, volta, fragmenta-se e remete à estrutura seccionada do delírio.
Para alguns desses autores, a escrita parece atuar como ferramenta útil na recuperação de um “eu” partido, ou do pensamento cindido, para usar expressão próxima à etimologia da esquizofrenia (do grego, “alma fendida”). É o caso do dramaturgo francês Antonin Artaud, que dispôs da escrita como artifício de resistência durante nove anos de internação na França dos anos 1930/40. Esquizofrênico, alternando fases lúcidas e outras marcadas por um contato quase nulo com a realidade, escreveu diários sacolejados por esses altos e baixos.
A arte como uma sutil busca pelo todo
Uma pergunta de Artaud dá a dimensão da angústia: “Até quando devo refugiar-me no não-ser para ter o direito de ser o que sou?” A escrita tinha a função de compensar este corpo desgovernado, sitiado pela autoridade numa época marcada por tratamentos violentos, pré-movimento antimanicomial.
Talvez pelo caráter fragmentário da esquizofrenia essa arte seja tão autorreferente e flagre uma sutil busca pelo todo. É o caso de Arthur Bispo do Rosário, interno da Colônia Juliano Moreira que criou mais de mil obras consagradas no mercado de arte contemporânea. Ele dizia cumprir uma missão, a representação de tudo o que havia na Terra, feita para Deus, sob ordens de anjos. Bordou nomes de pessoas queridas, delírios, extratos poéticos, autoficções.
Na retidão da cela, Bispo desfiou o uniforme azul do manicômio para reaproveitar os fios que cerziriam seus bordados. Ao fazer estandartes, usou as mantas da Colônia como suporte; para as assemblages, apropriou-se das canecas de alumínio do refeitório. Signos manicomiais ganharam novo sentido e valor estético nessa ousada desconstrução do poder no hospício.
Podem-se citar outras preciosidades da literatura brasileira que tocam no tema “loucura”, a exemplo de “Armadilha para Lamartine”, de Carlos Sussekind, “Quatro-Olhos”, de Renato Pompeu, e “Hospício é Deus”, de Maura Lopes Cançado. Artistas de alta linhagem, provavelmente comungariam da frase bordada por Bispo numa obra: “Eu preciso dessas palavras – escrita.” A palavra alcança status extraordinário, a arte traduz universos inacessíveis.
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LUCIANA HIDALGO é jornalista e autora de “Arthur Bispo do Rosario – O senhor do labirinto” (Rocco) e “Literatura da urgência – Lima Barreto no domínio da loucura” (Annablume)
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Lançamentos e a alegria do primeiro encontro
Primeiro, passei na Argumento para o lançamento do queridíssimo Rodrigo Lacerda. É contagiante a alegria dele. Que simpatia! Enquanto eu estava lá, chegaram Edney Silvestre, Renato Machado e João Ubaldo Ribeiro. Rodrigo é um grande fã de João Ubaldo.
Para quem não leu, não perca seu romance Outra vida. É maravilhoso!
De lá fui para a Travessa de Ipanema prestigiar a não menos querida Ivana Arruda Leite. Ela eu não conhecia pessoalmente. Só pela troca de mensagens em seu badalado blog Doidivanas. Ai, como é bom trocarmos essa energia ao vivo! Ivana também é uma simpatia. Lá encontrei a minha amada Livia Garcia-Roza, que foi prestigiar o lançamento da amiga, mesmo cansada da viagem à São Paulo.
Para mim, a alegria na Travessa foi tripla. Conhecer Ivana pessoalmente, reencontrar a querida Livia e conhecer a Fatima Cristina, leitora fiel deste blog, com quem tivemos grande afinidade virtual, e não menos ao vivo e a cores. Ela e seus filhos. Que lindos!
Fatima, amei te conhecer!
E seu lançamento no Rio virou quase um encontro de Doidivanas. Pois logo chegaram outras.
Noite perfeita! Pena que tive que sair mais cedo. Mas não faltarão oportunidades para novos encontros.
Seu romance Hotel Novo Mundo também é fantástico. Leiam! Eu indico e assino embaixo. Fiquei com saudade da personagem Renata quando terminou. ;)
Tentei fugir da maquininha da Ivana, mas não teve jeito. Não faria essa desfeita de não tirar uma foto com ela. No caso, duas. rsrss
Mas bem que eu preferia um Photoshop.
Para conferir as fotos e mais do lançamento, dê um pulinho no blog dela.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Finalistas do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon
São eles:
- A chave de casa, de Tatiana Salem Levy;
- A viagem do elefante, de José Saramago;
- Acenos e afagos, de João Gilberto Noll;
- Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito;
- Heranças, de Silviano Santiago;
- Leite derramado, de Chico Buarque;
- O filho eterno, de Cristovão Tezza;
- O livro das impossibilidades, de Luiz Ruffato;
- O livro dos nomes, de Maria Esther Maciel; e
- O vento assobiando nas gruas, de Lídia Jorge.
Temos na mesma disputa os vencedores do Prêmio São Paulo das edições de 2008 (O filho eterno, de Cristovão Tezza) e 2009 (Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito).
Nessa lista, apesar de ter gostado bastante de O filho eterno, deixo minha torcida para A chave de casa de Tatiana Salem Levy.
Atualização do Sobrecapa...
Está disponível mais um lançamento no Sobrecapa, o meu site sobre lançamentos literários.
É sobre o livro de contos A liberdade é amarela e conversível de André Giusti, que será lançado amanhã, na Livraria Travessa de Ipanema (RJ).
Este é o quarto livro de contos do André. Seu primeiro livro foi indicado ao prêmio Jabuti.
Descubram mais detalhes do livro e de seu perfil lá no Sobrecapa. É só clicar!
Pílulas dos cadernos literários (#5) - 01/08/2009
Arte entre os extremos
Convencido de que em Itaguaí a loucura era uma regra, o psiquiatra Simão Bacamarte tomou a decisão lógica e despachou os loucos para a rua. Trancou-se no hospício em companhia de sua aberrante sanidade, e de lá só saiu morto. Obra-prima de Machado de Assis, “O alienista” vira de cabeça para baixo os chavões positivistas sobre demência e razão. A loucura, por sua vez, também demole nossas ideias a respeito de literatura. Para o carioca Rodrigo de Souza Leão, cuja morte completa um mês amanhã, a vocação da escrita se manifestou junto com a esquizofrenia, aos 23 anos de idade. Em 2008, aos 42, ele lançou “Todos os cachorros são azuis” (7Letras), elogiado romance de estreia que concorre ao Prêmio Portugal Telecom. Era um escritor “lírico, irônico e melancólico”, escreve o poeta Ramon Mello, que adaptou o livro para o teatro. Ao morrer, deixou no computador um segundo romance de 300 páginas, do qual trechos inéditos são publicados nesta edição.
Leão era apaixonado por Rimbaud e admirava Nise da Silveira, criadora do Museu de Imagens do Inconsciente. Luiz Carlos Mello, diretor da instituição, explica seu recém-concluído livro sobre a vida e o trabalho da psiquiatra, uma pioneira que mostrou como a criação artística ordena as emoções dos pacientes e dissipa preconceitos da sociedade. A morte de Nise completa dez anos dia 30 de outubro, data que também motiva a discussão sobre a fronteira porosa entre delírio e realidade.
Lembranças do mundo azul
O delírio e a lucidez do escritor carioca Rodrigo de Souza Leão, que morreu em julho
Por Ramon Mello
O mundo ficou mais triste com a morte do escritor Rodrigo de Souza Leão. Soube da notícia durante a última edição da Festa Literária Internacional de Paraty, através da homenagem realizada por Carlito Azevedo no painel “Evocação de um poeta”. Fiquei chocado. Rodrigo foi uma das maiores surpresas que tive na vida, seu delírio e lucidez me fascinavam – poesia pura, a mesma matéria-prima dos textos de Stela do Patrocínio, Maura Lopes Cançado, Lima Barreto, Samuel Beckett e Antonin Artaud.
Em novembro de 2008 recebi um exemplar do romance “Todos os cachorros são azuis” (7Letras) para realizar uma entrevista com o autor para o site Portal Literal. Peguei o pequeno livro, fui para um café e mergulhei no universo lírico, irônico e melancólico de Rodrigo de Souza Leão: a trajetória (autobiográfica) de um homem internado no hospício.
No mesmo dia liguei para Rodrigo e combinei um encontro. Ele só fez uma ressalva: “A entrevista tem de ser aqui em casa”. Topei. Em seguida, justificou: “Sou esquizofrênico e faz alguns anos que não saio de casa”. Fiquei receoso, talvez por medo de que o encontro um esquizofrênico me revelasse que, afinal, não éramos assim tão diferentes. Mas não desisti, fui até Rodrigo. A entrevista aconteceu numa quinta-feira.
Paixão por Rimbaud e horror ao hospício
Quando cheguei ao apartamento, a porta da sala estava aberta, e o autor me esperava sentado numa sofá florido, acariciando um cachorro. Foi ele quem fez a primeira pergunta: "Gostou do livro?" Depois levantou, apertou minha mãe e disse: "Não repara, minhas mãos estão tremendo por causa dos remédios. É uma merda: engorda, enfraquece os dentes e deixa mão amarelada. Só não deixa brocha. Mas eu fico calminho", disse com um riso irônico.
Começamos a falar sobre o título do seu livro: "Na minha primeira infância eu tive um cachorro de pelúcia azul. Depois esse cachorro sumiu e nunca mais eu vi. É forte lembrança desse tempo. (...) Mas nenhum cachorro é azul, é bom deixar claro. Só os cachorros de pelúcia são azuis".
Por duas horas, Rodrigo falou sobre a paixão pela poesia de Rimbaud, o sofrimento em lidar com a esquizofrenia, a admiração por Nise da Silveira e o horror ao tratamento concedido aos loucos no hospício: "São lugares tão bonitos que lembram cemitérios". Seu irmão, Bruno, acompanhou o encontro e tornou a conversa mais engraçada ao revelar curiosidades sobre o poeta, como o hábito de assistir ao programa da Igreja Universal do Reino de Deus, embora gostasse de ler Nietzsche e não tivesse muita crença: "Nem sei se Deus existe. Eu sou meio revoltado com Deus. Por que eu fui nascer esquizofrênico?"
Próximo do final da entrevista, perguntei o que era mais importante em sua vida, e Rodrigo respondeu: "O mais importante, no momento, é eu não saber o que é a coisa mais importante na minha vida. É saber colocar importâncias variadas. É importante que eu continue estável e consiga viver o máximo de tempo possível."
E, por fim: "Você quer viver muito?"
"Não. Eu espero viver pouco. Se eu conseguir viver até 50 anos ficarei contente. Porque viver muito é para quem não tem problemas. Quando a pessoa tem muito problema é até melhor morrer cedo porque se livra um pouco dos traumas e angústias. Sou uma pessoa muito traumatizada. Mas feliz! Eu sou feliz. Posso dizer que sou muito feliz, mais feliz que a grande maioria das pessoas. Eu não estou realizado porque ainda estou no meu primeiro livro. Estou na batalha para publicar um livro há muito tempo, desde os 27 anos."
Depois desse encontro, Rodrigo passou a me ligar todas as quintas-feiras por volta das 15h. Com o decorrer da amizade, criei coragem e pedi autorização para adaptar "Todos os cachorros são azuis" para o teatro. Para minha surpresa, Rodrigo me enviou a autorização por escrito, com um CD da sua banda Krâneo e Seus Neurônios -- uma produção experimental em parceria com Gizza Negri. Depois de inúmeras consultas por telefone e trocas de e-mails, finalizei a adaptação. Mas, infelizmente, não tive tempo de lhe mostrar o trabalho. Resta, agora, homenageá-lo no palco.
Sua obra merece ser publicada e reavaliada
Rodrigo de Souza Leão não precisa de sentimentos de piedade, o que está muito claro na carta de despedida deixada por ele antes de ir para o hospital, onde morreria de ataque cardíaco: "Nunca tenham pena de mim. Nunca deixem que tenham pena de mim. Lutei. Luto sempre". Não tenham pena de Rodrigo, apenas cuidem de sua obra. "Os loucos têm seu céu particular", ele afirmou.
Mas, afinal, o que o poeta pensava sobre a morte?
"Eu torço para que exista algo além. Gostaria de ver o que as pessoas acham de mim quando eu estivesse morto. Sabe? Para saber se meu melhor amigo iria chorar, se alguma namorada ia lembrar de mim, se meu livro ia vender depois de morto... Porque depois que morre todo escritor vende", profetizou Rodrigo.
Não tenho dúvidas de que o mundo azul de Rodrigo de Souza Leão nos oferece um caminho infinito. Os poemas do blog Lowcura devem ser reunidos. "Carbono pautado", "Há flores na pele" e "Todos os cachorros são azuis" merecem edições novas, acompanhadas de textos críticos. E "Tripolar" tem de sair da gaveta logo. Sua produção literária merece ser republicada, relida e reavaliada.
Ficamos com a lembraça do seu mundo azul. Paz, meu amigo.
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RAMON MELLO é poeta e autor de "Vinis mofados", que será lançado pela editora Língua Geral
O termo 'loucura' não pode eclipsar 'literatura'
Por Sergio Cohn
Em 2001, havia acabado de criar a Azougue Editorial quando conheci Viviana Mosé. Ela me contou que estava interessada em publicar um original com os poemas da Stela do Patrocínio, uma interna do mesmo hospital psiquiátrico de Arthur Bispo do Rosário que impressionou artistas e pesquisadores pela força poética de sua fala nos anos 1980. O projeto imediatamente me atraiu. Encaixava-se perfeitamente na ideia da editora, de trabalhar com o que o poeta norte-americano Jerome Rothenberg denominou "etnopoesia": poéticas outras, para além das tradições literárias ocidentais.
Rothenberg usa esse conceito criando antologias que misturam poéticas africanas, ameríndias e asiáticas com textos de autores modernos e contemporâneos. Não há uma separação clara entre o que está dentro ou fora da tradição ocidental, num conceito próximo ao do Museu das Origens de Mário Pedrosa. Interessam-lhe não apenas essas poéticas, mas o quanto elas podem contaminar as nossas próprias produções, ampliando os limites da poesia contemporânea.
É impressionante como o Brasil ainda não se voltou, tirando raras e maravilhosas exceções, para as diversas riquezas culturais que o seu território abrange, como as poesias dos povos da floresta ou das tradições afrobrasileiras. Considero que um dos motivos para isso foi o triunfo dos escritores da geração de 1930, uma segunda geração modernista que substituiu o interesse da primeira geração pelo "Brasil profundo" por uma dicção urbana e cotidiana, criando a mais influente linhagem poética do século XX.
Voltando a Stela do Patrocínio, disse a Viviane que tinha todo o interesse no livro, mas que gostaria de ler os poemas antes de confirmar a publicação. Preocupava-me que eles tivessem mais valor por um interesse social do que literário. Não me apraz a corrente culturalista, que trabalha num viés social da literatura, de forma muitas vezes permissiva e até paternalista. Não era o caso. Stela é uma poeta com uma voz própria e impressionante, capaz de poemas como "você está me comendo tanto pelos olhos/ que eu já não tenho de onde tirar forças/ para te alimentar". Em menos de dois meses o livro "Reino dos bichos e dos animais é o meu nome" estava nas ruas.
Escrevo isso para falar que a questão principal que vejo na relação da literatura com a loucura é o quanto esses criadores podem conceber textos fora dos nossos padrões estabelecidos, permitindo descobertas e contaminações. Mas me preocupa que o termo "loucura" se faça muito presente. Certa vez, o poeta e antropólogo Antonio Risério disse que discordava do termo "etnopoesia", que não faz sentido "carregar essa corcunda taxonômica imposta pela erudição ocidental. Um poeta ocidental literário é um poeta e um poeta iourbano ou araweté tem que ser um etnopoeta?". O mesmo se coloca aqui. É claro que não serei eu a dizer que não importa o que o autor é. E a inserção social e cultural dos "loucos" e "marginais" é sempre bem-vinda. Mas espero que o termo "loucura" não venha nunca a eclipsar "literatura".
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SERGIO COHN é poeta e editor da Azougue.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Lançamentos de Rodrigo Lacerda e Ivana Arruda Leite (última chamada)
Rodrigo lança Outra vida na Livraria Argumento, às 19h30. E Ivana lança Hotel Novo Mundo na Livraria Travessa de Ipanema, às 20h.
Ufa! A noite promete. Vamos ver se eu aguento, pois estarei lá, nos dois.
Para mais detalhes, leiam o post que publiquei aqui no Canastra divulgando os eventos.
E para mais detalhes ainda, acessem o meu site de lançamentos literários - o Sobrecapa - que traz detalhes sobre os livros (incluindo o texto da orelha) e perfil dos autores.
Vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura
O prêmio de melhor romance ficou com Galileia, de Ronaldo Correia de Brito. Já o de autor estreante ficou com A parede no escuro, de Altair Martins. Cada um receberá R$ 200 mil.
Os livros finalistas foram escolhidos após avaliação de júri formado pelos professores Ivan Marques e Marcos Moraes, pelos escritores Menalton Braff e Fernando Paixão, pelos livreiros Paula Fabrio e José Carlos Honório, pelos críticos literários Marcelo Pen e Josélia Aguiar e os leitores Márcia de Grandi e Mario Vitor Santos.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Pílulas dos cadernos literários (#4) - 01/08/2009
Digitarei a matéria e publicarei aqui para os leitores do Canastra. Peço um pouco de paciência, pois são três páginas do caderno.
Veja os títulos das matérias:
- Lembranças do mundo azul
O delírio e a lucidez do escritor carioca Rodrigo de Souza Leão, que morreu em julho
Por Ramon Mello
- O termo 'loucura' não pode eclipsar 'literatura'
Por Sergio Cohn
- 'Nise da Silveira é um nome vivo'
Diretor do Museu de Imagens do Inconsciente prepara livro sobre psiquiatra, cuja morte completa dez anos em outubro
Por Miguel Conde
- 'Escrever para não morrer'
Para alguns autores, palavra pode atuar como ferramenta útil na recuperação de um 'eu' partido
Por Luciana Hidalgo
Atualização do Sobrecapa...
Está disponível mais um lançamento no Sobrecapa, o meu site sobre lançamentos literários.
É sobre o infantil Botoque e Jaguar: a origem do fogo de Claudia Roquette-Pinto, que será lançado hoje, na Livraria Travessa de Ipanema (RJ).
A Claudia é uma poeta premiada e reconhecida. E agora está levando sua sensibilidade para contar essa lenda indígena.
Aproveitem para conferir também a entrevista com a escritora Índigo.
Então, é só clicar!
Já divulgou o Sobrecapa? Não! Boa oportunidade!
Pílulas dos cadernos literários (#3) - 01/08/2009
- Foi publicada na edição de sábado (01/08/2009) uma entrevista de Miguel Conde com Salgado Maranhão e Geraldo Carneiro, a respeito do manifesto lançado que defende a força política do estético.
Confira, no blog do Prosa online, a entrevista completa.
Pílulas dos cadernos literários (#2) - 01/08/2009
Por Alvaro Costa e Silva, com Carolina Leal
No CCBB. Dando sequência ao ciclo Jornalismo Literário, o Centro Cultural Banco do Brasil realiza, quarta, das 18h30 às 20h30, o debate Jornalismo e denúncia social, com Nirlando Beirão, diretor-adjunto da revista Brasileiros, e o escritor Paulo Lins. O debate tem entrada gratuita, e as senhas devem ser retiradas na bilheteria do CCBB com uma hora de antecedência. A mediação será do colunista Alvaro Costa e Silva.
Prêmio Cunhambebe. Segue a lista dos finalistas do Prêmio Cunhambebe, que contempla o melhor livro estrangeiro de ficção publicado no Brasil em 2008: História do pranto, de Alan Pauls; O encontro, de Anne Enright; O tigre branco, de Aravind Adiga; O pintos de batalhas, de Arturo Pérez-Reverte; Porta do sol, de Elias Khoury; Um romance russo, de Emmanuel Carrère; Ciências morais, de Martín Kohan; Homem no escuro, de Paul Auster; Fantasma sai de cena, de Philip Roth; Putas assassinas, de Roberto Bolaño. A boa nova - nem tão nova assim, é mais uma tendência, como se viu no ano passado - é a presença de autores de língua espanhola. Ao todo, são quatro: dois argentinos, um chileno e um espanhol. O vencedor será conhecido em outubro.
O seminário internacional Retornos do real: cinema e pensamento contemporâneos, de 19 a 21 de agosto, no Salão Moniz de Aragão do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, com Inscrições gratuitas pelo e-mail: retornosdoreal@forum.ufrj.br
Cinema: a oficina de vídeo do Festival Internacional de Cinema de Arquivo - Recine está com inscrições abertas até o dia 6 de agosto pelo e-mail <recine@arquivonacional.gov.br>. De 10 a 21 de agosto, no Arquivo Nacional.
Inscrições abertas para o curso sobre poesia brasileira, com Eucanaã Ferraz no POP. Dias 05, 12, 19 e 26 de agosto.
Pílulas dos cadernos literários (#1) - 01/08/2009
Vamos às pílulas do Caderno Ideias & Livros (Jornal do Brasil) de sábado.
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!Caderno Ideias (JB). Sábado (01/08/2009)!
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# Um mundo sem deus.
* Novo romance do escritor Mia Couto revela o passado traumático e o isolamento de Moçambique. (Por Lucia Bettencourt)
( Leia mais )
# A rica tradição do conto no Brasil
* Nova antologia Os melhores contos brasileiros de todos os tempos reúne 87 textos de autores nacionais. (Por Henrique Marques-Samyn)
( Leia mais )
# A ideia é apenas uma faísca
* Um bate-papo de Tracy Chevalier com a tradutora brasileira de cinco de seus livros (Por Beatriz Horta)
( Leia mais )
# Um caçador que quer a presa solta
* Safra de livros para crianças e jovens reconta mitos africanos e indígenas, e investiga onde o escocês Robert Louis Stevenson tinha a sua própria ilha do tesouro (Por Elaine Pauvolid)
- A fantasia como poder curativo (Por Carolina Leal)
- A ilha do tesouro de Stevenson (Por Alvaro Costa e Silva)
( Leia mais )
# A literatura brasileira, enfim, está no mapa
* IBGE elege escritores para mostrar registros culturais e históricos (Por Carolina Leal)
( Leia mais )
# Nostalgia machadiana
* Roteirista Francisco Azevedo narra saga familiar no romance de estreia (Por Flávio Braga)
( Leia mais )
# Lênin vai ao samba
* Por Eduardo Goldenberg
( Leia mais )
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Jornada de Passo Fundo adiada em função da gripe A
Por causa da gripe A, a Jornada de Literatura de Passo Fundo foi adiada para outubro.
O evento que ocorreria de 24 a 28 de agosto foi remarcado para 26 a 30 de outubro.
Incentivo à cultura no Rio
Fonte: PublishNews, de 28/07/2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
O amor não tem idade
Vocês acham que estou falando de um casal de adolescentes, cujos pais, inspirados em Romeu e Julieta, decidem proibir o namoro? Não!
Estou falando de um casal. Duas pessoas que até podem ser ainda adolescentes, não no corpo ou na certidão de nascimento, mas na alma, no mais fundinho do coração, cantinho que não envelhece, que não tem idade.
Estou falando de Irma e Jorge. E o que há de diferente nos dois? Ela tem 73 anos e ele 63. E se apaixonaram, enquanto moravam num asilo de La Paz, na Bolívia. Imagine o que significou o amor na vida desses dois, largados em um asilo...
Eles viviam em alas separadas, só se viam na hora de comer e uma vez por mês, quando saíam juntos para buscar a aposentadoria e aproveitavam para tomar sorvete juntos.
A vida estava perfeita. Dois anos e meio de namoro até uma funcionária do asilo os surpreender se beijando. Até aí não haveria problema algum. Qual o impedimento que pode haver em dois idosos se amarem? Pois é, a diretora do Serviço de Gestão Social de La Paz também vai investigar isso. Mas a questão é que muito antes de chegar na diretora, a administração do asilo impôs que eles não se falassem mais.
E é evidente que eles não concordaram e, após várias brigas, decidiram sair do asilo, que ainda os obrigou a assinar uma declaração de que não voltariam a procurar o local.
Só que como disse Irma à BBC, eles não pensaram nas consequências. Fora do asilo e sem dinheiro suficiente, ficaram de alojamento em alojamento tentando encontrar um endereço fixo. Ela dizia que "o coitadinho não tinha dinheiro nem para comprar os comprimidos que toma para sua úlcera" e completa "mas mesmo assim o amo".
Venderam todos os seus pertences (até os celulares) e voltaram à La Paz. Procuraram uma rádio local para contar sua história. Irma conseguiu um lugar em um asilo feminino e ele voltou a viver com a família.
Eles foram entrevistados pela BBC e até o momento da entrevista ainda não tinham se reencontrado, pois, pasmem, a família dele também o recriminou pelo romance.
O asilo de Irma está tentando encontrar uma maneira para que eles finalmente morem juntos.
Fiquei sinceramente emocionada quando li essa história.
Querem mais detalhes, acessem a matéria no O Globo, retirada da BBC Brasil.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Lançamentos de Rodrigo Lacerda e Ivana Arruda Leite
Cliquem nos convites para mais detalhes.
O primeiro é do queridíssimo Rodrigo Lacerda, com seu romance Outra vida. Será na Livraria Argumento, dia 04, às 19h30.
Confira detalhes sobre o livro e o autor no site Sobrecapa.

O segundo lançamento é da não menos queridíssima Ivana Arruda Leite e seu romance de estreia Hotel Novo Mundo. Este será na Livraria Travessa de Ipanema, dia 04, às 20h.
Confira detalhes sobre o livro e a autora no site Sobrecapa.
Programação da Estação das Letras - próxima semana
* Como publicar o seu livro na internet

* História da Literatura Brasileira

* Escrevendo e publicando textos para crianças
terça-feira, 28 de julho de 2009
Leitura em debate essa semana
O tema é "Tendências da Literatura Infantil e Juvenil contemporânea" e terá a presença de Beth Serra, Soraia Reis e Maria Dolores Prades, com a mediação de Anna Claudia Ramos.
Serão discutidos os seguintes assuntos:
- as publicações para crianças e jovens nas últimas décadas;
- as mudanças dos anos 1970 para cá;
- a influência nos programas de leitura e do mercado escolar na criação dos catálogos editoriais;
- novas linguagens nos livros para crianças e jovens;
- o que é considerado como um bom texto e uma boa imagem para publicação.
Os encontros mensais do Projeto “Leitura em Debate” discutem a formação de novos leitores e a literatura infantil e juvenil em seus diversos aspectos. Para isso, escritores, ilustradores, professores, editores, contadores de histórias, teóricos, psicólogos infantis, produtores culturais e pais são convidados para participar, mostrando os diversos olhares que compõe a busca por uma literatura de qualidade e pela formação do leitor.
O evento é gratuito e acontece no Auditório Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional (Rua México, S/N. Entrada pelo jardim).
Mais informações: (21) 2220-2356 ou (21) 2220-2599 ou pelo e-mail eventos@bn.br..
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Atualização do Sobrecapa
Está disponível mais um lançamento no Sobrecapa, o meu site sobre lançamentos literários.
É sobre o infantil Casal verde da Índigo, que foi lançado em São Paulo no último dia 25.
A Índigo tem dezenas de livros publicados e está conseguindo cada vez mais reconhecimento.
Confiram! E não se esqueçam de divulgar o Sobrecapa.
Clipping da Internet
******* PublishNews:
"Grupo português já está no Brasil"
Em 24/07/2009
Há tempos que o Grupo Leya, um dos maiores grupos editoriais de Portugal, iniciou a sua travessia do Atlântico e já navegava em águas brasileiras. Ontem, o Grupo anunciou oficialmente que aporta por aqui com festa de lançamento em setembro e com os primeiros títulos publicados a partir de outubro. Depois de muitos rumores e fatos sobre tentativas de compra e negociações – a última foi a aquisição de 50% da Nova Fronteira que acabou não se concretizando – a Leya decidiu iniciar sua operação no Brasil por conta própria. Mas em tempos de crise mundial, uma pergunta incomoda muita gente: como uma editora de outro país resolve vir para o Brasil justo agora? Por quê? A resposta simples, objetiva e que demonstra a boa imagem do momento econômico brasileiro lá fora foi: “Acreditamos muito no Brasil”. leia mais
"Os fantasmas de Junot Diaz"
Retirado do Valor Econômico, de 24/07/2009, por Luís Antônio Giron
O escritor dominicano-americano Junot Díaz, de 40 anos, ganhou fama internacional em 2008, quando ganhou o Pulitzer pelo romance A fantástica vida breve de Oscar Wao (Record, 336 pp., R$ 45 - Trad.: Flávia Carneiro Anderson). O livro narra a saga de uma família dominicana, das origens na ilha de Santo Domingo à imigração para os Estados Unidos. O personagem principal é o jovem Oscar Wao, um nerd latino e obeso de classe média que se esforça para se integrar à vida americana. Enquanto ele amarga o cotidiano em escolas de péssima qualidade em Nova Jersey e não consegue ter amigos ou namorar, sua família o assombra com espectros do passado dominicano, que passam a conviver com as ações presentes. Em entrevista, concedida por telefone, de Nova York, Díaz fala da vida nos guetos latinos e dos fantasmas adquiridos que ele converteu em ficção.
"Projeto do Vale-Cultura é enviado ao Congresso"
Retirado de O Globo, em 24/07/2009, por Adauri Antunes Barbosa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou no dia 23 a mensagem que será encaminhada ao Congresso junto com o projeto que cria o Vale-Cultura, a primeira política do governo voltada ao consumo cultural, que funcionará nos moldes do vale-refeição. Pela avaliação do Ministério da Cultura, com o vale, mais de R$ 600 milhões poderão ser injetados mensalmente em atividades culturais. O projeto permitirá ao trabalhador comprar ingressos de cinema, teatro ou shows, e livros, CDs e DVDs, por meio de um cartão magnético. O Vale-Cultura será entregue aos funcionários por empresas que declaram Imposto de Renda com base no lucro real. O valor será de até R$ 50 mensais por funcionário, e a empresa poderá deduzir até 1% do IR devido. Os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos pagarão pelos vales, no máximo, R$ 5 (ou 10% do valor). Quem ganha mais de cinco mínimos também poderá receber o vale, desde que antes já tenha sido garantido o atendimento de todos os empregados que ganham abaixo desse patamar.
"Pai da Wikipedia promoverá e-books escolares"
Retirado da Abril.com, em 21/07/2009, por Juliano Barreto
O fundador da Wikipedia participará de organização que promove a padronização dos livros digitais para crianças. Após se envolver em alguns escândalos, Jimmy Wales volta ao noticiário por uma boa causa: foi nomeado como conselheiro da CK-12 Foundation, uma organização sem fins lucrativos que visa estabelecer padrões para e-books usados por estudantes de até 12 anos. Um dos projetos da CK-12 é difundir a ferramenta FlexBooks, que cria livros eletrônicos didáticos em uma plataforma aberta capaz de receber modificações tanto dos professores quanto dos alunos. O conteúdo do material educativo deverá seguir o modelo de distribuição aberto Creative Commons. Além da Wikipedia, Wales toca o projeto Wikibooks, que tem finalidade parecida com os FlexBooks, da CK-12.
"Um brasileiro chamado Ziraldo"
Em 24/07/2009
Conhecido como “pai” do Menino Maluquinho, e também de tantas outras artes e criações, Ziraldo está completando 60 anos de atividade entre as escritas e os desenhos. Para celebrar essa data, está acontecendo desde o dia 16 de julho, e vai até o dia 30 de agosto, a exposição “Ziraldo, um brasileiro”, que tem projeto e coordenação da AMS Agenciamento, curadoria de Ricky Goowin e Ana Pinta (Pacatatu) e direção de arte de Luke Bosshand. São 70 trabalhos que estão expostos no SESC Quitandinha, que fica no Palácio Quitandinha (Av. Joaquim Rolla, 2 – Quitandinha, Petrópolis – RJ – tel: 24-2242-9504/ 24-2245-4917) totalmente restaurado pelo SESC e reinaugurado agora. Além dos trabalhos expostos, a sala de leitura (foto ao lado de Ana Maria Santero) captura as crianças, que “entram de cabeça” nos livros. O Ziraldo merece!
"No mundo da literatura"
Em 24/07/2009
Quem gosta de literatura tem uma oportunidade de se aproximar desde mundo na oficina “Entendo a literatura: As manifestações literárias”, que vai tratar de alguns conceitos básicos da Teoria da Literatura, da Linguística e da Semiótica. A intenção é fazer com que o instrumental teórico auxilie os leitores a compreender melhor os meandros das manifestações literárias. O curso ocorre em três sábados - dias 8, 15 e 22 de agosto, em um total de 9 horas, das 14h às 17h, na Livraria Cortez (Rua Bartira, 317 – Perdizes. São Paulo/SP. Tel.: 11 3873-7111). A oficina foi elaborada a partir da observação das dificuldades que professores e estudantes apresentam na interpretação e estudo de textos propostos. As dificuldades encontradas são contextualizadas historicamente e decodificadas simultaneamente. Nestes encontros, cada participante se apresenta e expõe os motivos do interesse pela oficina. A cada motivo exposto, gera-se um debate, o que motiva ainda mais as pessoas a contribuir com suas ideias, fazendo com que a oficina se torne cada vez mais produtiva. No link “Leia Mais” você confere a programação completa da oficina.
******* Revista Época:
"Literatura de mulherzinha seduz até os homens"
A chick lit como é conhecida em inglês, invade as livrarias e recebe elogios da crítica especializada
Em 26/07/2009, na seção Mente Aberta, por Luís Antônio Giron e Danilo Venticinque
Elas existem desde que literatura é literatura. Autoras que escrevem para mulheres sobre temas que só interessam a elas sempre fizeram sucesso. Mas as dezenas de lançamentos de mulheres que estão invadindo as livrarias brasileiras são de outra categoria. O gênero – que um dia foi denominado “romances para moças” e retratava as ansiedades lacrimejantes de Sabrinas e Pollyannas – passou por um banho de... biblioteca. E virou chick lit.
A expressão“chick lit” é a abreviatura em inglês de “literatura para garotas”. O nome não tem a carga pejorativa das denominações do passado para livros do gênero. A reciclagem gerou uma nova classe de autoras sintonizada com os desejos femininos atuais. É chique fazer chick lit. Livros “de mulherzinha” vendem milhões de exemplares, como sempre. Comparadas a suas avós, porém, as ficcionistas de chick lit abordam de forma mais realista e sarcástica as estrepolias amorosas da mulher do século XXI. Com isso, tornaram-se guias de milhões de leitoras e conseguiram uma façanha inédita: agradar à crítica pela originalidade de suas narrativas. Mais espantoso ainda, elas têm atraído leitores do sexo oposto. leia mais
******* Estadão:
"Hora sagrada para três intelectuais"
Em 26/07/2009
- Ler é, para Fernando Henrique Cardoso, como respirar, um oxigênio para o pensamento. Mesmo quando era presidente da República, sempre achou tempo para ler e escrever, tanto faz se em português, inglês, francês ou espanhol. Ou se romance, história ou economia. "Não importa; leio tudo, e mais de um livro ao mesmo tempo", confidencia. E, apesar de ter em casa um canto de leitura, com sofá confortável e boa iluminação, além da poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, é capaz de pôr seu hábito em prática em qualquer lugar. "Até enquanto estou conversando, posso ler", diz, entre sério e brincando. leia mais
"Termômetros de uma era veloz"
Em Mundos de Eufrásia, Claudia Lage aborda uma relação amorosa do abolicionista Joaquim Nabuco
Por Lilia Moritz Schwarcz, em 26/07/2009
Dizem que algumas vidas bem valem um romance, e esse pode ser o caso de Eufrásia Teixeira Leite e Joaquim Nabuco. Aí está um bom enredo para um livro de ficção, e foi isso que fez Claudia Lage em Mundos de Eufrásia.
Imagine-se o cenário. Ela, a bela filha mais nova de ricos fazendeiros de Vassouras, acostumada à vida do campo e ao luxo que advinha da agricultura. Ele, apesar de caçula, era herdeiro político de uma família que agitava o Império brasileiro. Eufrásia fazia parte de uma família identificada ao partido conservador, aos valores da terra e à escravidão. Nabuco ficaria na memória como o príncipe dos abolicionistas; aquele que fez da oratória liberal uma arma poderosa para comover corações e mentes. leia mais
"Caminhos de García Márquez"
Entusiasta, mas escrupuloso, Gerald Martin narra a trajetória do colombiano
Por Michael Greenberg, em 26/07/2009
Quando Gabriel García Márquez terminou de escrever Cem Anos de Solidão, em 1966, estava com quase 40 anos, era pai de dois meninos e não tinha dinheiro suficiente para mandar os manuscritos da Cidade do México para seu possível editor em Buenos Aires. O episódio é famoso, aliás, um dos muitos que contribuíram para a imagem pública cuidadosamente elaborada de populista e estereótipo do gênio. No prazo de um ano, o sucesso do romance deslumbraria o autor, que foi tomado, como diria mais tarde, pelo "frenesi da fama". Antes de Cem Anos de Solidão, ele havia publicado apenas três contos em pequenas edições quase clandestinas. Não parecia razoável esperar mais. leia mais
"A alma feminina na visão de um expert"
Michael Cunningham, o roteirista da As Horas, adapta a história de amor do belo Ao Entardecer
Por Antonio Gonçalves Filho, em 26/07/2009
- Lajos Koltai é um cineasta húngaro refinado, mais lembrado como colaborador de István Szábo, autor de Mephisto (1981), sobre a oportunista relação de um ator de teatro com o nazismo. Já independente, dirigiu há quatro anos seu primeiro filme, baseado em Sem Destino, autobiografia de Imre Kertész. Em 2007, animado com o convite de um produtor da Focus, Koltai reuniu forças com o roteirista Michael Cunningham (As Horas) e assinou a direção de Ao Entardecer (Evening), baseado no livro de Susan Minot, seu primeiro filme americano.
Cunnigham é um homem sensível ao universo feminino - e ao ajuste de contas destas com o passado. Em Ao Entardecer, ele conta o fim desastroso de um caso amoroso, o da cantora Ann Lord (interpretada por Claire Danes na juventude e Vanessa Redgrave na velhice). Convalescente, Ann relembra como chegou a uma pequena cidade costeira para ser madrinha de casamento de uma amiga, apaixonando-se pelo melhor amigo do irmão da noiva, o médico Harris (Patrick Wilson).
Koltai prefere ignorar a barreira social que separa o casal pobre de seus amigos ricos. Concentra-se no desequilibrado triângulo amoroso entre a cantora, o médico e seu amigo milionário e faz isso com competência, auxiliado por grandes atrizes (Glenn Close, Meryl Streep e Miranda Richardson).
"Hábito que vai até o palco"
Em 26/07/2009
- Olívia Byington deu o tempero final de intimismo no show "A vida é perto" ao decorar o palco como se fosse a sala de sua casa. "Levo meus livros também. A ideia é criar uma extensão da sala de casa para dividir com o público", diz a cantora, que montou seu espaço de leitura no mesmo estúdio usado para compor suas canções, no Rio.
Sua poltrona de leitura, simples, de cor viva, é só um detalhe na grande casa onde mora, na Gávea. Mas é confortável o bastante para a leitura, que intercala com acordes no violão. Olívia nem sempre pode estar perto de sua poltrona, tenta arrumar tempo para ler durante as turnês, nas salas de embarque, entre conexões. "Ler depende da vida", diz. "Às vezes, temos de ler um livro específico para o trabalho. Geralmente, muito rápido." leia mais
domingo, 26 de julho de 2009
Pílulas dos cadernos literários (#4c) - 25/07/2009
A tesoura responsável pela prosa minimalista
Com a primeira versão de ‘Iniciantes’, picotada pelo editor, Raymond Carver virou o mestre das histórias curtas
Por Marília Martins
Correspondente – NOVA YORK
O americano Raymond Carver tornou-se célebre como um mestre das histórias curtas, um artista da prosa minimalista. Mas desde que sua viúva, Tess Gallagher, também escritora, decidiu publicar uma nova edição de um volume de 17 histórias do marido, um outro Carver anda perturbando a crítica. As histórias reunidas em “Iniciantes” são as mesmas que estão em “What we talk about when we talk about love”, publicado por Carver em 1981. O estilo, no entanto, é muito diferente. Entre a edição de 1981 e a de “Iniciantes” – publicada em 2008 nos Estados Unidos e recém-lançada no Brasil pela Companhia das Letras – um novo Carver aparece diante de seus leitores, 21 anos depois de sua morte.
O primeiro volume, de 1981, foi em grande parte responsável pela fama de minimalista de Carver. A edição patrocinada por Tess Gallagher, porém, tem um estilo bem diferente, expansivo e nada sintético. O primeiro volume foi fortemente editado por Gordon Lish, que trabalhava para a editora Alfred Knopf nos anos 80. Alguns contos foram radicalmente cortados a ponto de Carver ter, na época, cogitado em interromper a produção do livro. O editor foi em frente e o volume mereceu aplausos da crítica, para surpresa do autor. Em 2008, a viúva decidiu lançar as histórias com o estilo em que foram escritas originalmente.
– Eu não pretendo retirar de circulação a edição publicada em 1981, apenas quero fazer justiça ao livro escrito originalmente por Ray, que até agora permaneceu como um segredo – declarou Tess ao jornal “The New York Times” na época.
O desejo de Tess parece ser o mesmo de seu marido. Até a morte, aos 50 anos, em 1988, Carver republicou, em revistas literárias, cinco contos da coletânea com o texto original. E no ano de sua morte, um volume intitulado “Where I’m calling from” trazia mais três histórias do grupo de 17 em nova versão, mais expansiva e menos contida. Mas Carver também incluiu quatro contos mantendo os cortes feitos na edição da Knopf. Por isto, a crítica parece ainda indecisa em saber se o autor aprovaria a edição dos originais como está sendo feita agora.
O pesquisador William Stull e sua mulher Maureen Carroll, ambos da Universidade de Hartford, consultaram os originais que Gordon Lish doou para a biblioteca da Universidade de Indiana e verificaram a diferença de estilo entre os escritos do autor e o livro de 1981. Pelo interesse da crítica, mais cedo ou mais tarde a edição feita por Tess viria à tona, a fim de apresentar aos leitores um escritor bem diferente daquele que ganhou fama de minimalista. É verdade que, se aquele volume da Knopf não tivesse sido tão prontamente aclamado pela crítica, talvez Carver não tivesse incorporado certa contenção a outros escritos seus e sua prosa seria, afinal, bem diferente.
Pílulas dos cadernos literários (#4b) - 25/07/2009
Com a palavra o Escritor.
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A última rejeição
O Escritor
Querido Editor,
Se você soubesse o quanto esperamos o encontro contigo. Amor verdadeiro, ódio platônico. Foram concursos literários, encadernações intermináveis, oficinas, leituras nos almoços e jantares. Sim, escritor também toca música de fundo para os familiares. É literatura de fundo enquanto os parentes conversam e picotam a carne. Nossa primeira rejeição é familiar. A segunda também: quando irmãos nem abrem as nossas estreias, põem direto na estante. Se brigam com a gente, vendem ao sebo sem piedade.
Você será a nossa última rejeição. Infelizmente, não é o primeiro, reduza seu sadismo. Tivemos outras antes.
Não vou apressar, o GLOBO me deu tempo para digitar a sós contigo, meu Nosferatu, meu Hermógenes, meu Mefistófeles do bem.
Madrugadas insones com café, guaraná cerebral, cobertor nos ombros, um bando de clichês no cinzeiro, para que pudesse um dia ler o nosso original por vinte minutos. Literatura é um vestibular que não tem lista de classificados no jornal. Nem se suplentes. Talvez seja por isso que Drummond disse que “os acontecimentos me chateiam”.
Para quem demora quinze anos com um original na gaveta do Windows, dói inclusive folhear o Segundo Caderno e o Prosa & Verso. Tanta gente festejada, comentada, avacalhada e a gente obrigada a seguir com o emprego. A inveja não tem jardim de infância. Nascemos e já vale nota. Mais não digo, confesso.
Frequentar lançamentos para ver como é, não entendo como não morremos intoxicados com os canapés e os vinhos oferecidos em vernissages. Primeiro requisito do escritor: ter estômago forte.
Manhãs atormentadas em que relemos o que escrevemos na noite anterior. Se o café esfria rápido, o texto congela. Rasgamos folhas orgulhosas, que julgávamos geniais. Gastamos as digitais revisando as palavras. Imprimir e rasgar, imprimir e rasgar, conheço o barulho da impressora como o motor de meu carro 1993.
Ave César, se soubesse o que enfrentamos para achar seu contato. No Google. Nas páginas amarelas. Nas fichas catalográficas. Nas cartas de Tarô. Conversando com as telefonistas da empresa. Já conheci escritor que de tão recusado casou com a telefonista da editora. Sem sequer receber uma dica, um sinal, bênção de dedos de mãe Sinhá na testa. Uma reza a Santo Expedito. Tudo sozinho, arame farpado nas unhas, com medo de mostrar o livro e com medo de não mostrar o livro.
O escritor tem tudo para ser um coitado e não é. Tem tudo para ser um paranoico e não é. Somos normais para quem experimenta uma vida invisível, de pequenas privações e conspirações. Uma vida sem porteiro. Tem que bater na nossa porta. Tento explicar. Porque você tem tanta coisa para fazer em seu lado, que não sobra tempo para explorar o nosso. O editor não precisa morrer para visitar o escritor. Basta ler o nosso epitáfio.
Compreenda, não queremos carona, queremos direção. Pode deixar de cobrar corrida dois na luz da tarde? O tempo não é dinheiro, o tempo é direito autoral. Não me trate como mais um, somos particulares até em nossas falhas. Enquanto procura sucesso, procuramos sobreviver. O sucesso é um editor antecipado e queremos antecipar o leitor. É uma filosofia diferente.
O sujeito que tenta acertar, erra. O sujeito que tenta errar, acerta. O erro virtuoso é um clássico. Se bem que não deseja clássico, o clássico é o erro do editor.
Não somos mendigos, ou oportunistas, trabalhamos duro para não apanhar da gramática. Para se defender das facas da próclise, das artimanhas das vírgulas, das ciladas dos adjetivos e da conjugação. Para contar uma história que possa ser relida mais do que lembrada.
Escrevemos para ganhar uma chance em sua mesa, para sair do meio da Muralha de Jericó de sua escrivaninha. Ser escolhido para a leitura já é tão difícil quanto aparecer em seu catálogo.
Catálogo! Pode mudar o nome na hora de responder as cartas de recusa? Não suportamos a frase “nosso catálogo já está fechado até 2010, mas agradecemos o envio do livro”. O catálogo é um padrasto que nos bate com o nosso próprio livro. Sem eufemismo, por favor? Que tal “minha paciência está esgotada até 2010, agradecemos a inconsequência”. Por que você não projeta, mas quando um escritor recebe uma negativa da editora buscará um duplo sentido em cada linha. Ele não repara que é uma carta padrão já enviada a milhares de natimortos. Anseia salvar alguma expressão, localizar uma esperança para não desistir. É capaz de entender o “muito obrigado” como prova de intimidade. E pensar alto: “Se ele não gostasse diria apenas obrigado, o muito significa que tenho chance”.
Um amigo mandou sua coletânea de contos para uma editora. Recebeu de volta o envelope pardo com aquela alegria amarela e azul do carteiro. Qual foi sua surpresa ao vasculhar sua criação e detectar centenas de intervenções do editor. Ele negava o livro e alterava a obra. Não corrigiu, não perguntou, passou a caneta mesmo. Cortou, apagou, rabiscou e transformou finais imprevisíveis em previsíveis. Açucarou parte das tramas. Reescreveu o volume para pior, numa espécie de cátedra de quebra de decoro editorial. Nem caberia dizer que a obra foi editada do jeito que estava por um novo selo, arrebatou quatro prêmios (dois internacionais) e foi finalista do Jabuti.
Loucura? Já avisei que não somos paranoicos. Realmente você nos persegue. Até é involuntário. Não há como ter culpa por olhar para trás, aprendemos contigo. Olhar o passado de um livro para convencê-lo do seu futuro.
Nunca ouvi um editor pedir desculpa. Por quê? Ou aceitar que desperdiçou uma oportunidade com a gente. Por quê? Não tem crise de consciência? Ou sempre é assim, passional, se ele se envolveu com outra editora é porque não nos merece? O sofrimento é um segredo que não se conta, lamento a desfaçatez da catarse.
Agora, entenda, o livro não é da editora, está na editora. Demoramos a compreender que cuidar de negócio não significa se prostituir. Durante séculos enxergávamos o editor como um benfeitor. Com a ideia de que ele se privava e corria risco apostando em anônimos. Ele é tão-somente um contato que talvez vire um amigo. Nossas razões são iguais às suas, mas sobra senso de humor.
Aceitamos dicas, revisões, sugestões, desde que a última palavra seja nossa. Mesmo que venha com a chantagem de que desse jeito não dá para editar. Não edite, não está fazendo um favor. Assim como não fiz um favor ao enviar o inédito. São escolhas. Editora não faz filantropia, escritor não faz filantropia, acho que finalmente somos adultos.
Consumimos expectativas para sentar frente a frente contigo. Para desvendar caminhos no estilo, para aceitar nossas limitações e retrabalhar as vertentes da tinta. Conselhos são maravilhosos, envolvidos em atenção, interesse e cuidado. Não temos arrogância para mudar parágrafos se percebemos que não funcionam. Então, não venha com ameaças. O livro seguirá com nosso nome. Temos somente um nome desde o início. A pobreza do nome nos enriquece. Ninguém pode roubar uma pobreza.
Ou, como avisou Maiakóvski: se produz melhor, pegue a caneta e escreva.
O sangue lateja. O resto some com a purpurina.
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O ESCRITOR vive e trabalha no Brasil e tem o desafio de convencer a si, à família, aos amigos e ao editor de que tem talento. Quando fracassa, é um chato. Se alcança a fama, é temperamental.

