quinta-feira, 16 de julho de 2009

Clipping da Internet

Resolvi nomear esse clipping como "Clipping da Internet". E para quem ainda não leu os anteriores, trata-se de um pequeno clipping, com algumas notícias literárias que foram publicadas em portais de notícias nos últimos dias:

******* Blog do Galeno:

"Zelador junta 4 mil livros e abre biblioteca ao lado de sua casa"

Matéria da Folha de São Paulo, em 05/07/2009

O zelador Sebastião Silvestre Morais Filho, 50, acaba de realizar parte de um sonho. No dia 14 de junho, ele inaugurou em Cravinhos o projeto "Biblioteca na Calçada", uma sala de leitura construída ao lado da própria casa e aberta à comunidade.

Tudo começou em 2007, quando Morais passou a recolher as revistas que eram descartadas pelos moradores do condomínio onde trabalhava, numa área nobre de Ribeirão.Ele chamou tanto a atenção dos moradores que passou a receber doações de revistas e livros. A coleção cresceu, e Morais decidiu dividir o acervo que montou. leia mais

"Empresa inclui livros em cestas básicas"
Em 13/07/2009

Pensando sempre em melhorar a qualidade de vida da humanidade, a ONU - Organização das Nações Unidas- lançou mundialmente em 2004, o Programa “8 Jeitos de Mudar o Mundo”. O objetivo dessa ação é estimular as empresas a contribuírem para 1- Acabar com a fome e a miséria; 2 – Educação básica de qualidade para todos; 3 – Igualdade entre sexos e valorização da mulher; 4 – Reduzir a mortalidade infantil; 5 – Melhorar a saúde das gestantes; 6 – Combater a Aids, a malária e outras doenças; 7 – Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; 8 – Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.

Após estudar este programa, a Marbel Alimentos, empresa de cestas mais premiada do Brasil, reconhecida com o Selo de Qualidade da ABRACESTA (Associação Brasileira dos Produtores e Distribuidores de Alimentos Básicos ao Trabalhador), resolveu fazer a sua parte dentro desses oito macro-objetivos do milênio, sugeridos pela ONU. Assim, lançou em 2005 o Projeto “Marbel Por um Mundo Melhor”.

Como primeira ação, a empresa adotou o “Segundo Jeito - Educação Básica para Todos”, com o objetivo de estimular a leitura das crianças dentro de casa. Abrir uma bela cesta de alimentos e degustar um saboroso... livro! É isso mesmo, um livro! É esta a proposta da Marbel Alimentos, para alimentar não apenas o corpo, mas também a mente das pessoas e, mais especificamente, das crianças. leia mais

******* Reuter Brasil:

"Demorou, mas o Vaticano finalmente abençoou 'Harry Potter'"
Em 14/07/2009

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - Levou algum tempo, mas o Vaticano finalmente deu sua bênção a "Harry Potter".

O jornal do Vaticano publicou uma crítica favorável do filme mais recente da série, "Harry Potter e o Enigma do Príncipe", depois de ter desaprovado o personagem principal no passado.

A resenha publicada diz que o novo filme "atinge o equilíbrio correto", graças a "uma divisão clara entre aqueles que trabalham pelo bem e os que fazem o mal".

O Osservatore Romano disse que "Enigma do Príncipe" é "o melhor filme da série", apesar de faltar aos livros "uma referência ao transcendente". leia mais

******** BBC Brasil:

"Britânico devolve livro à biblioteca com 46 anos de atraso"
Um britânico que pegou um livro emprestado em uma biblioteca há 46 anos o devolveu esta semana, evitando pagar uma multa de quase R$ 8 mil.

Em 14/07/2009

David Hall pegou o livro Engineering Workshop Practice (Grupo de Discussões de Práticas de Engenharia, em tradução livre) para seu pai na biblioteca da cidade inglesa de Derby.

Hall tinha dez anos quando pegou o livro em 1963 e encontrou a publicação somente quando limpava o sótão da casa de seu pai, quando este morreu.

"Encontrei o livro quando meu pai morreu, uns 20 anos atrás. Notei que era o mesmo que eu havia pegado para ele, há anos", disse Hall.

"Depois, fiquei sabendo da anistia e pensei que era uma excelente oportunidade", disse ele. leia mais

******** Globo.com:

"Bolsa arte"
Ancelmo.com


de 15/07/2009:

Ladrão Cultural. Uma fã de literatura foi ontem à Saraiva do Plaza Shopping, em Niterói, para comprar "Gomorra". Não conseguiu porque os únicos três exemplares do estoque foram parar na delegacia, como prova de flagrantes de furto na livraria.
A leitora levou, então, "Leite derramado" que teve 15 exemplares surrupiados de uma vez, escondidos numa sacola. O ladrão do best-seller de Chico Buarque foi pego no pulo. Está em cana.

'Latte versato'. "Leite derramado", best-seller de Chico Buarque, será lançado na Itália pela editora Feltrinelli.

'Marcellin Caillou'. O clássico infanto-juvenil "Marcellin Caillou", do ilustrador e escritor francês Jean-Jacques Sempé, vai ganhar uma edição em português da Cosac Naify, com tradução do jornalista Mario Sergio Conti.

de 13/07/2009:

Cansada de Guerra. Mais um livro de Jorge Amado ganha as telas. A produtora Gláucia Camargos comprou os direitos de "Tereza Batista Cansada de Guerra". Tereza é uma sergipana vendida aos 13 anos, que se transforma numa mulher valente.

Viva Ziraldo! Dois professores da Universidade de Alcalá, na Espanha, vieram ao Rio para organizar uma exposição em Madri de desenhos do nosso Ziraldo. Será inaugurada em outubro, quando Ziraldo receberá lá o Prêmio Quevedos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

As férias acabaram...

As férias acabaram...

Impossível não me sentir triste. Foram férias não para o corpo viajar, mas para a imaginação tomar outros espaços, para dar o ponto final no meu livro (e graças a Deus, consegui!), para curtir eventos literários, para deixar o coração viajar pelos sonhos...

Mas, agora, preciso aterrissar e voltar à realidade.

É a vida... afinal, precisamos do ganha-pão (ainda tem hífen?).

Mas o Canastra continua firme, talvez com menos postagens por dia, mas sempre alerta às notícias literárias.

Agenda de Lançamentos da Semana (RJ e SP)

# Foi lançado no DOMINGO, DIA 12:

- "O medo e o mar", de Maria Camargo
(Companhia das Letras)
às 16h, na Travessa de Ipanema (Visconde de Pirajá, 572 - Ipanema - RJ)

# Foi lançado ontem, SEGUNDA, DIA 13:

- "Indivíduo singular plural", de Eduardo Leal
(Editora 7 Letras)
às 19h, na Travessa de Ipanema (Visconde de Pirajá, 572 - Ipanema - RJ)

- "Didi, o gênio da folha seca", de Péris Ribeiro
(Editora Gryphus)
às 20h, na Argumento (Dias Ferreira, 417 - Leblon)

# Hoje, TERÇA, DIA 14:

- "Entre cavalos e amigos", de Henrique Berardinelli
(Editora VTN)
às 19h, na Argumento (Dias Ferreira, 417 - Leblon)

- "Audito", de Flávio Castro
(CL Edições Autorais)

às 19h, na Travessa de Ipanema (Visconde de Pirajá, 572 - Ipanema - RJ)

- "Banco de Verso", de Flanklin Valverde
(Editora Terceira Margem)
às 18h30, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena)


# QUARTA, DIA 15:

- "A hora em que os lobos choram", "Eros proibido" e "Pra todo mundo entender" de Ricardo Thomé
(Editora Nova Razão Cultural) ,
às 18h, na Travessa Rio Branco (Rio Branco, 44 - Centro - RJ)

- "El último día", de Reynaldo Valinho Alvarez
(Editora Contraste)

às 18h, no Pen Clube do Brasil (Praia do Flamengo 172/ 11º andar)

- "Para sempre teu, Caio F.", de Paula Dip
(Editora Record)
às 19h, na Argumento (Dias Ferreira, 417 - Leblon)

- "Gestão Pública: melhores práticas", de João Lins e Paulo Miron
(Editora Quartier Latin)
às 19h, na Travessa do Shopping Leblon (Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A - Leblon - RJ)

# QUINTA, DIA 16:

- "Manual para publicação científica", de Maria Lucia Brancão
(Editora Campus)
às 19h, na Argumento (Dias Ferreira, 417 - Leblon)

# SEXTA, DIA 17:

- "Mulheres, prazeres e poesias", de Hilzia Elaine Andrade
às 19h, na Travessa do Barra Shopping (Av. das Américas, 4666 - nível Américas loja 220 - Barra da Tijuca - RJ)

Finalistas do 6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura

Foi divulgada ontem a lista dos 48 finalistas do 6º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon para romances em língua portuguesa.

O vencedor será conhecido no dia 24 de agosto e receberá o prêmio de R$ 100 mil.

Nem preciso dizer que minha torcida principal fica com a querida Livia Garcia-Roza. E para isso ignoro favoritos. :)

Mas também fico imensamente feliz de encontrar as obras de Tatiana Salem Levy e Carola Saavedra.

Confira a lista dos 48 finalistas:

ESCRITORES - OBRAS
Adriana Lisboa - Rakushisha
Alcione Araújo - Pássaros de voo curto
Altair Martins - A parede no escuro
Ângela Dutra Menezes - A tecelã de sonhos
Antonio Lobo Antunes - Ontem não te vi em Babilônia
Bernardo Carvalho - O filho da mãe
Carola Saavedra - Flores azuis
Chico Buarque - Leite derramado
Contardo Caligaris - O conto do amor
Cristóvão Tezza - O filho eterno
Daniel Galera - Cordilheira
Edgard Telles Ribeiro - O livro em fuga
Flávio Moreira da Costa - Alma de gato
Francisco José Viegas - Longe de Manaus
Godofredo de Oliveira Neto - Marcelino
Gustavo Bernardo - A filha do escritor
Inês Pedrosa - A eternidade e o desejo
João Almino - O livro das emoções
João Gilberto Noll - Acenos e afagos
José Luiz Passos - Nosso grão mais fino
José Saramago - A viagem do elefante
Lidia Jorge - O vento assobiando nas gruas
Lívia Garcia Roza - Milamor
Lourenço Mutarelli - A arte de produzir efeito sem causa
Luiz Ruffato - O livro das impossibilidades
Marcelo Mirisola - Animais em extinção
Marcelo Rubens Paiva - A segunda vez que te perdi
Maria Esther Maciel - O livro dos nomes
Menalton Braff - A muralha de Adriano
Mia Couto - Venenos de Deus, remédios do Diabo
Michel Laub - O gato diz adeus
Miguel Sanches Neto - A primeira mulher
Miguel Souza Tavares - Rio das Flores
Milton Hatoum - Orfãos de Eldorado
Moacyr Scliar - Manual da paixão solitária
Patricia Melo - Jonas, o compromanta
Regina Rheda - Humana festa
Reinaldo Santos Neve - A ceia dominicana
Rinaldo Fernandes - Rita no pomar
Ronaldo Correia de Brito - Galiléia
Ruy Castro - Era no tempo do rei
Salim Miguel - Jornada com Rupert
Sérgio Rodrigues - Elza, a garota
Silviano Santiago - Heranças
Tabajara Ruas - O detetive sentimental
Tatiana Salem Levy - A chave de Casa
Vítor Ramil - Satolep
Wanderley Guilherme dos Santos - Acervo de maldizeres

Os vencedores de 2007 e 2005 foram respectivamente Mia Couto, com "O outro pé da Sereia" e Chico Buarque com "Budapeste".

A história de um Roberto Carlos bem diferente

Os canais Discovery Kids e Nickelodeon que viciaram as crianças não me deixam assistir mais nada à noite, mas não reclamo. Acho bem melhor as séries e desenhos que passam lá do que outros programas que não acrescentam nada e ainda deseducam.

Mas com isso não consigo mais assistir jornal. Também não lamento, pois para acompanhar as mesmas notícias, basta acessar qualquer portal de notícia no dia seguinte.

Contudo, ontem no Jornal Nacional passou uma reportagem interessante com o escritor e educador Roberto Carlos Ramos. Um Roberto Carlos bem diferente do rei. Ele que se tornou um menor infrator porque a mãe o internou na Febem, aos 6 anos, achando que fazia o melhor para seu futuro, conseguiu com a ajuda de uma pedagoga francesa dar a volta por cima.

Vale a pena assistir. Então copio aqui o link da matéria e do vídeo.

Dica de filme

Querem uma dica de filme: A Proposta com Sandra Bullock e Ryan Reynolds.

Ótima comédia. E como sou manteiga derretida, consegui chorar várias vezes.

Um pouquinho sobre o filme: a poderosa editora de livros Margareth Tate descobre que será deportada para o Canadá. Sem ter saída, resolve chantagear o assistente Andrew para que ele se case com ela, e em troca o promoverá a editor.

Para que possam manter a farsa diante do Departamento de Imigração, eles viajam para o Alasca, onde mora a família dele, para passarem um final de semana. Ali, pretendem anunciar o noivado para a família, além de se conhecer melhor, garantindo assim as respostas que terão que dar ao agente da Imigração.

Um destaque para a avó de Andrew que rouba algumas cenas.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Bolsa de criação literária

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) lançou no dia 30 de junho três editais de incentivo às artes:

- o Prêmio Interações Estéticas - Residências Artísticas em Pontos de Cultura
- o Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais/Internet
- o Bolsa Funarte de Criação Literária

No caso do Prêmio Interações Estéticas, serão investidos, nas propostas vencedoras, R$ 2 milhões (do orçamento da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, parceira da Funarte no programa). Já a Bolsa de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais / Internet e a Bolsa de Criação Literária distribuirão juntas entre os selecionados o valor de R$ 450 mil (do orçamento da própria Funarte).

Os prêmios e as bolsas viabilizarão projetos de todas as regiões do país.

Clique aqui para acessar os editais e as fichas de inscrição.

Notícias de jornal

Faço um pequeno clipping, com algumas notícias literárias que foram publicadas em alguns portais de notícias nos últimos dias:

******* Estadão de São Paulo:

"Vivo numa bomba-relógio circular"
Rodrigo de Souza Leão morreu aos 43 anos deixando um romance e poemas que delineiam a esquizofrenia


Por Márcia Vieira, em 11/07/2009

- A literatura e a esquizofrenia vieram juntas há exatos 20 anos. Foi depois do primeiro surto, aos 23, que Rodrigo de Souza Leão começou a escrever ficção sem parar. Em algumas vezes, versos rabiscados no primeiro pedaço de papel que aparecesse pela frente. Noutras, poesias curtas em revistas literárias na internet. O mundo virtual era sua vitrine. Rodrigo editava uma revista literária, escrevia para sites e mantinha um blog, o Lowcura. No ano passado, conseguiu realizar um sonho: publicou pela editora 7 Letras seu primeiro livro em prosa, Todos os Cachorros São Azuis. Ficou eufórico por ser um dos 50 finalistas do Prêmio de Literatura Portugal Telecom, ao lado de nomes como José Saramago, Manoel de Barros e Milton Hatoum. O romance, quase uma autobiografia, é uma imersão no mundo da esquizofrenia. (...) leia mais

"Raymond Carver em versão integral"
Iniciantes apresentam contos tais como foram concluídos pelo ficcionista, antes de passarem pela tesoura do editor Gordon Lish
Por Ronaldo Bressane, em 12/07/2009

Já pensou descobrir que Capitu na verdade se chamava Picaxu? Ou que Josef K foi um nome inventado por um editor de Kafka - que primariamente teria chamado seu personagem de Francis Q? Ou que o conto O Cobrador, como o conhecemos, é só metade do que escreveu Rubem Fonseca? É mais ou menos essa a sensação ao ler Iniciantes (Companhia das Letras, 296 págs., R$ 49), antologia traduzida por Rubens Figueiredo que traz os contos de Raymond Carver conforme originalmente concebidos - antes da tesoura e da caneta do editor Gordon Lish. Melhor dizendo, do cutelo: há narrativas sem 70% do tamanho, ritmo alterado, personagens renomeados, frases inventadas...

Tudo em nome do minimalismo de Lish. Nascido em 1938, Carver, hoje conhecido por inspirar o roteiro de Short Cuts (1993), de Robert Altman, foi um escritor cronicamente duro, oscilando entre o alcoolismo e bicos de jardineiro e faxineiro. Conheceu Lish em 1967, trabalhando com revisão em uma editora, e logo mostrou seus contos ao escritor e professor de escrita criativa - que se surpreendeu com seus sub-heróis de shopping center. Iniciaram uma correspondência em que Carver aceitava dicas de Lish, um dos primeiros a publicá-lo, em revistas como a Esquire. Ao mesmo tempo em que Carver era estimulado pelo editor, contrariava-se com as crescentes intervenções nos textos. Mais tarde, Lish foi para a editora Alfred A. Knopf, para onde levou os textos do amigo. (...) leia mais

"Chávez limita compras de 'livros de direita' "
Iniciantes apresentam contos tais como foram concluídos pelo ficcionista, antes de passarem pela tesoura do editor Gordon Lish
Por Ruth Costas, em 12/07/2009

Há pelo menos três livrarias no aeroporto de Caracas, mas se estiver em busca de um escritor consagrado da literatura latino-americana para passar o tempo antes do embarque, o visitante sairá frustrado de qualquer uma delas. O colombiano Gabriel García Márquez? "Não." O mexicano Carlos Fuentes ou o argentino Julio Cortázar? "Também não." O peruano Mário Vargas Llosa? "Nem pensar, só tenho esses aqui", diz a vendedora, desconcertada, apontando para uma estante quase vazia que começa com "Culinária para Crianças" e termina numa série de análises sobre o socialismo do presidente Hugo Chávez.

No centro da capital venezuelana ou em bairros de classe média a situação é a mesma. "As autoridades não estão liberando dólares para importar livros, papel ou tinta. E não adianta dizer que o problema é a crise, pois sabemos que há uma questão ideológica por trás disso: para esse governo, literatura ?desengajada? não é prioridade", diz Andrés Boersner, dono da tradicional livraria Noctua. (...) leia mais

******** Globo.com:

"Bolsa arte"
Ancelmo.com


Dia 23 no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, Lula se reúne com artistas para anunciar, finalmente, o Vale-Cultura. Empresas poderão abater do lucro R$ 50 por mês para o funcionário gastar com filmes, peças e livros. - Será o Bolsa Família da Arte - celebra o cineasta Luiz Carlos Barreto, que sempre batalhou pelo projeto.

PatriciaKogut.com

Para crianças. Anderson Muller, o Abel de “Caminho das Índias”, está abrindo uma editora, a Lola Edições. O primeiro livro será voltado para o público infantil, uma reunião de quatro peças de Lupi Gigliotti.

Pílulas dos cadernos literários (#2) - 11/07/2009

Vamos às pílulas do Caderno Ideias (Jornal do Brasil) de sábado, que atrasou um pouquinho mais essa semana.

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!Caderno Ideias (JB). Sábado (11/07/2009)!
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# Genealogia da crítica aristocrática
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* Ensaios do italiano Ítalo Calvino iluminam a vida literária da segunda metade do século 20


> RIO - Publicados entre 1955 e 1980, antes, portanto, do póstumo Seis propostas para o próximo milênio, os imperdíveis ensaios literários de Ítalo Calvino se encontram finalmente traduzidos ao português e reunidos em Assunto encerrado. Por recobrirem um período crucial para as artes europeias, quando o vento da renovação soprava sobre o velho continente ainda tomado pela expiação e o luto, a coleção serve para iluminar a vida literária no período e esclarecer várias facetas da personalidade do ficcionista e crítico italiano. A ser levantada pelo leitor, a primeira e mais previsível das incógnitas vira pergunta na curta e incisiva “Apresentação”. Por que e para que o romancista escreve ensaios? Ao respondê-la, Calvino se adentra por um caminho que se bifurca, a fim de salientar, pela dupla negação de lugares comuns, a originalidade de sua presença atrevida e precursora na literatura da segunda metade do século passado. (...)

>>> Leia a matéria completa no site do JB.

>>> Leia também o complemento da matéria: Um ambientalista da literatura


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# Sem alma nem qualidade
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Por Haron Gamal

* Romance da alemã Juli Zeh tem como base a filosofia de Friedrich Nietzsche

> RIO - Há uma passagem em A menina sem qualidades, de Juli Zeh, em que Alev, um estudante de 18 anos (meio egípcio, um quarto de sangue francês, cresceu na Alemanha, na Áustria, no Iraque, nos Estados Unidos e na Bósnia-Hezergovina) entra junto com Ada, uma menina de quinze anos – sua cúmplice – na sala de informática do colégio onde estudam, senta num boxe e grita: “Heil Hitler!”. (...)

>>> Leia a matéria completa no site do JB.


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# Enzensberger, o eterno provocador
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Por Marcelo Backes
* Escritor alemão se ocupa da vida e obra do polêmico chefe militar Kurt von Hammerstein

> RIO - Moxinifada? Ou colagem experimental? Hammerstein ou a obstinação, de Hans Magnus Enzensberger, não é romance heroico nem ensaio histórico, mas tem lá seu interesse. Enzensberger é da mesma geração de Günter Grass. Ambos estão entre os autores alemães mais divulgados depois de Thomas Mann. Enzensberger é, além disso, um dos escritores alemães mais multifacetados do pós-guerra: ensaísta de alta qualidade, organizador de livros, autor infanto-juvenil, dramaturgo, biógrafo, romancista e poeta. Na poesia, é autor de obras como A defesa dos lobos (1957) e O naufrágio do Titanic (1978), que voltaram a dar estatuto universal à poesia alemã, tanto em termos de qualidade quanto de divulgação. (...)

>>> Leia a matéria completa no site do JB.

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# Contos da cidade

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Por Wilson Martins


> Marques Rebelo teve com Oscarina, em 1931, uma das mais rumorosas estreias da literatura brasileira e, oito anos depois, passando do conto para o romance, parecia confirmar o que convencionalmente se espera na carreira dos ficcionistas, isto é, que evoluam das formas mais simples para as mais complexas (A estrela sobe [1939]. Rio: José Olympio, 2009). Da extrema-direita, com Plínio Salgado e Tristão de Athayde, à extrema-esquerda, com Jorge Amado e seus acólitos (ao tempo em que tais distinções significavam alguma coisa, todos concordaram em saudá-lo como uma grande revelação, tanto mais sensível quando as letras passavam por acentuado momento de marasmo, depois das grandes manifestações modernistas. (...)

>>> Leia a matéria completa no site do JB.


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# Porta de acesso a Joaquim Cardozo
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Por Manoel Ricardo de Lima

* Edição do volume que reúne a poesia completa e a prosa do autor pernambucano peca por não trazer a identificação dos organizadores

> RIO - Foi publicado recentemente pela Nova Aguilar, numa parceria com a editora Massangana, na conhecida Série Brasileira da Biblioteca Luso-Brasileira, o volume intitulado Poesia completa e prosa de Joaquim Cardozo. (...)

>>> Leia a matéria completa no site do JB.

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# Medo, o senhor das ações
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Por Marcelo Ambrosio

* Jornalista canadense explora mecanismo que governa decisões do homem, boas ou ruins

> RIO - É engraçado fazer a resenha de um livro como Risco: a ciência e a política do medo, do jornalista canadense Dan Gardner, a bordo de um avião, como é o caso. Afinal, um dos temas mais recorrentes nesse estudo é o da importância desse elemento na vida cotidiana e nos negócios, e todos conhecem de cor a estatística de segurança em torno da aviação civil. Como meio de transporte coletivo, endossa o autor, os aviões comerciais só perdem para os elevadores, porém quando algum incidente cuja explicação foge à lógica acontece, números e estatísticas deixam de ter peso na decisão sobre usar ou não o meio aéreo. Ainda acompanhando as investigações em torno do desastre com o Airbus A330 da Air France, essa discussão parece mais viva do que nunca. (...)


>>> Leia a matéria completa no site do JB.

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# coluna Informe Ideias
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Por Alvaro Costa e Silva, com Juliana Krapp

> Lá no sul. Passada a Flip (graças a Deus), as atenções do mundinho voltam-se para a 13ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, de 24 a 28 de agosto. O tema, amplo, vai abordar as relações entre arte e tecnologia. O autor homenageado será Pedro Bandeira, que se dedica ao gênero infanto-juvenil com enorme sucesso - tem 70 títulos publicados e já vendeu cerca de 20 milhões de exemplares. Já foram confirmados pela organização os nomes de Pierre Lévy, Fernando Molica, Clarah Averbuck, Dorota Maslowska, Beatriz Sarlo, Fernando Bonassi e Nélida Piñon, entre outros.

> Na sequência. Logo depois será a vez da Bienal do Livro do Rio, entre os dias 10 e 20 de setembro. E vem mais por aí: será realizada, no ano que vem, a segunda edição da Bienal do Livro de Minas. O lançamento oficial será na terça-feira, em Belo Horizonte, onde serão apresentadas as novidades do evento que deve ganhar proporções ainda maiores que em 2008.

> Curso sobre livro. Como funciona a indústria do livro e o mercado editorial? O que significa ser autor hoje? Quais os caminhos possíveis de trilhar para ter um livro publicado e lido? Estas são algumas questões presentes no curso destinado a profissionais da indústria do livro e escritores, a cargo de Maria Amélia Mello, da José Olympio, a realizar-se no próximo sábado, das 10h às 14h, na Estação das Letras (Rua Marquês de Abrantes, 177, no Flamengo). Informações e inscrições no telefone 3237-3947.

> Caio F. A jornalista Paula Dip autografa quarta, às 19h, na Argumento, a biografia de Caio Fernando Abreu Para sempre teu, Caio F. Paula reuniu cartas, bilhetes e otras cositas más que dividiu com o escritor, além de depoimentos, entre os quais os de Cazuza e Ney Matogrosso.

> Lady Day, 50. Na sexta completam-se 50 anos da morte de Billie Holiday. Para lembrar a data, o jornalista Roberto Muggiati fala no Espaço Telezoom (Rua Dias Ferreira, 78/301, no Leblon), contando desde a infância pobre da cantora em Baltimore até a glória nos palcos e a ruína por causa das drogas.

> Os craques. No livro Craques do futebol, o jornalista francês Bernard Morlino selecionou mais de 100 fotos para falar dos virtuoses, arquitetos, rebeldes, atiradores - assim são classificados, respectivamente, Pelé, Tostão, Sócrates e Ronaldo. Ao todo foram escolhidos 88 jogadores de todo o mundo (em particular, a França).

> Livro do Baixinho. O jornalista Marcus Vinícius reúne convidados para o lançamento do livro Romário, no dia 20, às 19h, na Travessa do Shopping Leblon. A obra é uma biografia autorizada e reúne 98 depoimentos de pessoas que viveram ao lado do craque, da infância ao fim da carreira como jogador de futebol. Familiares, amigos, atletas, técnicos e dirigentes contam um pouco da trajetória de um dos principais nomes do futebol mundial. Romário é presença confirmada na noite de autógrafos que marca, também, o lançamento do seu novo site oficial: www.romario11.com.br.

> Bento Teixeira. A peça O língua solta, de Miriam Halfim, que estreia no dia 22 no Centro Cultural da Justiça Federal, será publicada em livro pela editora Réptil. Será um monólogo sobre as peripécias do primeiro poeta brasileiro, Bento Teixeira, autor de Prosopopéia (1601).

> Cavalgada. Henrique Berardinelli sonhava ser fazendeiro mesmo morando em Copacabana. O motivo, sua paixão por cavalos, narrada no livro Entre cavalos e amigos, cujo lançamento será terça, às 19h, na Argumento.

> Nabokov na Playboy. A Playboy adquiriu os direitos de um trecho de The original of Laura, o romance inacabado de Vladimir Nabokov. A edição americana da revista vai trazer o excerto em dezembro, uma semana antes de o livro chegar às livrarias. O investimento (a Playboy nunca antes havia pago valor tão alto por 5 mil caracteres) é justificável pela relação de Nabokov com a revista. Em 1969, o escritor publicou lá um trecho de Ada. Em 64, deu uma longa entrevista à publicação, na qual afirmou não ter se arrependido de criar Lolita ("Há um estranho e terno feitiço naquela ninfeta mística"). The original of Laura conta a história de um homem enfeitiçado por sua mulher promíscua.

> Olha o Gaiman aí. A Rocco adquiriu os direitos de tradução no Brasil do mais recente romance do escritor britânico Neil Gaiman, recordista de autógrafos na Flip do ano passado. The graveyard book conta a história de um garoto que mora num cemitério e é criado por fantasmas. O livro está há 37 semanas na lista de mais vendidos do The New York Times. A editora tem ainda dois outros livros infantis do autor no prelo: The dangerous alphabet e The blueberry girl.

> Campus. Segunda, às 18h, no auditório RAV 112 da Uerj, Marcos Siscar apresenta a palestra "O teatro da intimidade em Ana Cristina Cesar".

> Inscrições abertas na Biblioteca Nacional para cursos como "Memória e tempo na literatura infantil".

> Também está aberto o 1º Concurso de Ilustrações da Livraria (www.livrariadavila.com.br).

Pílulas dos cadernos literários (#1) - 11/07/2009

Desculpem as pílulas serem postadas apenas hoje. Compromissos literários e familiares me tomaram o fim de semana.

Vamos às pílulas dos cadernos literários de sábado. Começando pelo Caderno Prosa & Verso (Jornal O Globo).

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!Caderno Prosa & Verso (O Globo). Sábado (11/07/2009)!
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# Jean Rouch em transe

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Por Miguel Conde


>>> Definido desde seu nascimento pela pretensão de capturar o real, o cinema documentário deve ao francês Jean Rouch (1917-2004) uma boa parcela da fecunda crise de identidade por que passa até hoje. Quando cineastas como os brasileiros Eduardo Coutinho e João Moreira Salles exploram em seus filmes as margens imprecisas entre realidade e ficção, estão seguindo uma trilha aberta nos anos 1950 por esse artista inquieto, que em seus filmes reinventou a linguagem, os propósitos e mesmo a definição do cinema documentário, tranformado por ele em "cine-transe". Uma revolução que os cariocas poderão conhecer melhor a partir do próximo sábado, dia 18, quando será aberta no Instituto Moreira Salles a maior retrospectiva já dedicada à obra de Rouch fora da França. (...)

%%% Para saber um pouquinho mais, alguns posts do blog Prosa OnLine:
- Programação de julho da mostra Jean Rouch no IMS
- O cinema de Jean Rouch por Consuelo Lins
- O cinema de Jean Rouch por João Moreira Salles

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# Os pés sujos de Fraga
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Por José Castello

>>> Alguém é poeta por ser vagabundo, ou vagabundo por ser poeta? A pergunta - traiçoeira - me chega pela boca de Evêmero, o protagonista de "Desabrigo" (José Olympio), novela que Antônio Fraga escreveu entre 1942 e 43. Poetas flutuam sobre as palavras; vagabundos vagam entre as contingências. Serão mesmo inseparáveis? Antes que eu me atreva a dar uma resposta, o personagem me atropela: "A resposta depende muito de quem faz a pergunta". Joga-me a dúvida na cara, me esbofeteia. E não é que qualquer resposta sirva. Ao contrário: minha resposta - qualquer resposta - só valerá se eu for capaz de sustentá-la.

Agarro-me a "Desabrigo", livro em que as figuras do poeta e do vagabundo se confundem. Um se alimenta do outro. Devoram-se. Retorno ao autor da maldita pergunta, o personagem Evêmero. Tem o mesmo nome do filósofo grego nascido em Messina, no ano 330 A.C. Para Evêmero, o filósofo, os deuses da mitologia não passavam de homens desprotegidos. Seres comuns e pequenos. O medo do efêmero lhes aumentou a estatura; os gregos precisavam acreditar em alguém. Para Fraga, poetas também não passam de miseráveis que nossa fome embeleza. (...)


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# A era da adolescência
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Por Alessandro Soler
* Livro conta como surgiu o mito do 'teenager' - e como ele mudou o capitalismo

>>> Entrevista com Jon Savage

A explorão de euforia e hedonismo pós-Segunda Guerra e a consolidação da cultura de massa (roqueira, televisiva) são frequentemente associadas à gênese da ideia da adolescência como a conhecemos. Mas a historia teen é mais antiga, remonta a décadas, até séculos antes que Little Boy fosse despejada sobre Hiroshima, pulverizando a antiga ordem mundial. Em "A criação da juventude - Como o conceito de teenage revolucionou o século XX" (Rocco, 558 páginas, R$ 84, tradução de Talita M. Rodrigues), o jornalista e escritor britânico Jon Savage faz um recorte dos 70 anos anteriores a 1945, nos quais se teria fermentado a visão contemporânea da juventude. Visão cujas raízes mais profundas, ele sustenta, estariam cravadas nas máximas rousseaunianas, do século XVIII, sobre o "momento crítico" entre infância e fase adulta. (...)

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# coluna RODAPÉ

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> Saramago na ABL. O escritor português José Saramago é, desde quinta-feira, o mais novo sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras. O Nobel de Literatura de 1998 foi eleito com os votos de 28 acadêmicos para a vaga do escritor francês Maurice Druon, que morreu em abril.

> França no Brasil. Dia 14, às 17h30m, na Academia Brasileira de Letras (Presidente Wilson 203), Sergio Paulo Rouanet faz palestra sobre a "Recepção do pensamento e da literatura francesa no Brasil". Entrada Franca

> Billie Holiday. Dia 16, às 20h, o jornalista Roberto Muggiati fará palestra sobre a cantora Billie Holiday, cujos 50 anos de morte serão contemplados dia 17. A palestra "Lady sings the Blues" acontece no Espaço Telezoom (Dias Ferreira 78/301, 3435-1617).

> Dany-Robert Dufour. O Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro está com inscrições abertas para uma conferência com o filósofo francês Dany-Robert Dufour, que acontecerá em agosto. Dufour é professor da Universidade de Paris e autor de livros como "A arte de reduzir cabeças" e "O divino mercado" (lançados pela Companhia de Freud), este último o tema de sua palestra. Inscrições: 2286-6922.

> Novo prêmio. Embora o nome remeta à produção ficcional, o Prêmio Montreal de Literatura nasce para prestigiar livros relacionados à aplicação da tecnologia da informação. Poderão concorrer ao novo prêmio autores de "ensaios, tratados, pesquisas, textos acadêmicos, casos e experiências" que tenham sido publicados em livro no Brasil entre 1º de janeiro de 2008 e 31 de julho de 2009. As inscrições estão abertas até agosto e a premiação será em setembro, durante o Rio Info 2009. Informações: www.rioinfo.com.br

> Foto Rio 2009. Na próxima semana, entre os dias 14 e 16, a partir das 19h, acontece no Oi Futuro (Dois de Dezembro 63) o Colóquio Internacional Foto + Vídeo + Arte Contemporânea, promovido pela Foto Rio 2009 e coordenado por Milton Guran. André Parente, Anna Bella Geiger, Fernando Cocchiarale, Maria Iovino, Milton Machado, Rosângela Rennó e Valentina Valentini estão entre os convidados.

> Bienal em Minas. Para a felicidade geral de editoras e leitores, os eventos literários continuam a mostrar vigor Brasil afora. Ainda nos preparativos para a Bienal do Livro do Rio, que acontece em setembro, a Fagga Eventos - realizadora da feira no Riocentro - anuncia a segunda edição da Bienal do Livro de Minas para 2010. A expectativa é que ela seja maior que em 2008, quando recebeu 90 autores em dezenas de atividades.

> Brasil colônia. Quarta-feira, às 15h, acontece no Instituto Histórico Geográfico Brasileiro (2509-5107) a palestra "Resgate Barão do Rio Branco", que vai apresentar importantes documentos sobre o período colonial brasileiro pertencentes a arquivos da Europa e EUA. O encontro terá como palestrantes Esther Caldas Bertoletti, Kátia Jane de Souza Machado e Patrícia Moura de Siqueira.

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# coluna NO PRELO
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Por Mànya Millen e Rachel Bertol



> De Lima a Sophie. A obra de Sophie Calle, a artista plástica francesa que na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), encerrada no último domingo, participou de uma sessão pública de lavação de roupa com o ex-namorado Grégoire Bouillier, é tema de um dos artigos do site www.autofiction.org. Lançado este ano, é o primeiro site inteiramente dedicado ao que os franceses chamam de autoficção, escrita que mistura o ficcional com o autobiográfico. O site é dirigido pelos franceses Isabelle Grell e Arnaud Genon, mas tem colaboradores de todo o mundo. Entre eles uma brasileira, a escritora Luciana Hidalgo, que elaborou uma relação de autores de autoficção no Brasil. A lista inclui, entre outros, Silviano Santiago, Cristovão Tezza, Caio Fernando Abreu, Ana Cristina Cesar e Carlos Sussekind. Considerado por Luciana um dos pioneiros da autoficção no Brasil, ao lado de Raul Pompéia, Lima Barreto é analisado por ela num outro artigo escrito para o site.

> Edgar Morin na ABL. A Academia Brasileira de Letras receberá terça-feira, às 11h, o pensador francês Edgard Morin. Autor de mais de 30 livros, Morin falará sobre "O pensamento do Sul", conferência baseada na questão dos saberes fundamentais para a educação do futuro, um tema caro ao intelectual. A conferência, coordenada pelo acadêmico Candido Mendes, terá tradução simultânea. Informações: 3974-2500.

> Tim Winton. Além de confirmar presença no projeto Tarrafa Literária, que acontecerá em setembro, em Santos, o escritor australiano Tim Winton também participará da Bienal Internacional do Livro do Rio, no mesmo mês. Indicado a vários prêmios e ganhador de outros tantos, Winton é o autor do romance "Fôlego", lançado com grande sucesso pelo selo Argumento, da editora Paz e Terra.

> Prosa e poesia. Entre os próximos dias 13 e 17 a Estação das Letras, no Flamengo (3237-3947), abrigará cursos sobre a escrita em prosa e em poesia. O de prosa será conduzido por Bia Albernaz e o de poesia terá Paulo Henriques Britto, Antonio Carlos Secchin e Marcos Lucchesi.

> Mercado Editorial. Ainda na Estação das Letras a editora Maria Amélia Mello, da José Olympio, falará spobre o funcionamento da indústria do livro, desde o momento em que ele sai das mãos dos autores até chegar às prateleiras. O curso será no próximo sábado, dia 18, das 10h às 14h. Tel: 3237-3947.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Começa hoje o Anima Mundi

Começa hoje o Anima Mundi. No Rio, as exibições acontecerão até o dia 19 de julho. Depois, em São Paulo, de 22 a 26 de julho.

No site do Festival Anima Mundi é possível conferir todos a programação e outros detalhes.

O ingresso custa apenas R$ 6,00 e os filmes de animação estão sendo exibidos nos seguintes locais:

- Cinema Odeon BR (Praça Floriano, 7 - Centro)
- Cinema CCBB RJ (Rua Primeiro de Março, 66 - Centro)
- Teatro II CCBB (Rua Primeiro de Março, 66 - Centro)
- Centro Cultural Correios - Sala de Cinema (Rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro)
- Centro Cultural Correios - Praça Animada (Rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro)
- Centro Cultural Correios - Galeria (Rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro)
- Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63 - Flamengo)
- Cinema Estação Botafogo (Rua Voluntários da Pátria, 88 - Botafogo)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Notícias de jornal

Faço um pequeno clipping, com algumas notícias literárias que foram publicadas em alguns jornais e portais de notícias:

******* Portal G1:

Brasil é convidado de honra da XIV Feira Internacional do Livro de Lima

Lima, 8 jul (EFE).- O Brasil, com uma delegação liderada pela romancista Nélida Piñon, será o convidado de honra da XIV Feira Internacional do Livro de Lima (FIL-Lima 2009).

Além de Piñon os escritores Santiago Nazarian e João Paulo Cuenca também se apresentarão na feira, além de Augusto Cury e Maria Alzira Brum, entre outros artistas. (...) leia mais

******** Diário de Canoas:

Sacola Ambulante leva literatura para famílias de São Leopoldo

São Leopoldo - A leitura foi além da sala de aula na Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Edila da Silva Schmidt, bairro Rio dos Sinos. Há um ano o projeto Sacola Ambulante está transformando a vida de alunos e seus familiares por meio da literatura. A iniciativa, idealizada pela professora Vera Maria Hoffmann, tem como objetivo despertar o hábito da leitura e fortalecer o elo entre a família, escola e comunidade.

Cada aluno fica três dias com a sacola que contém revistas, gibis, livros de poesia, folclore, contos, literatura infantil e infanto-juvenil. ‘‘Percebi a importância de envolver as famílias no ato de ler e queria que a leitura fosse agente de integração’’, disse Vera. De acordo com a professora, por meio dos livros qualquer pessoa pode ampliar horizontes e aumentar seu conhecimento em relação ao mundo que a cerca, ampliando seu vocabulário, escrevendo melhor e desenvolvendo sua consciência crítica. (...) leia mais


********* Jornal Uai

Veríssimo e novos talentos da literatura são premiados em Minas

O vice-governador Antonio Anastasia entregou, nesta quarta-feira, dia 8, na Academia Mineira de Letras, a segunda edição do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura. Foram premiados o jornalista gaúcho Luís Fernando Veríssimo, pelo conjunto da obra, e os novos talentos da literatura Reni Andrade, na categoria Ficção, Eduardo Jorge de Oliveira (Poesia) e a universitária Maria Zilda Santos Freitas, na categoria Jovem Escritor. Durante a solenidade, o vice-governador ressaltou a importância do reconhecimento a escritores consagrados e o incentivo aos novos talentos. (...) leia mais


***** Jornal O Globo

Morre Jorge Adoum, ícone da literatura do Equador

QUITO (Reuters) - Jorge Enrique Adoum, o escritor que descreveu o seu país, o Equador, "como um país irreal limitado por si mesmo, cortado por uma linha imaginária", morreu nesta sexta-feira, aos 83 anos, depois que problemas de saúde o mantinham internado em uma clínica privada.

Autor de vários romances e ganhador de prêmios latino-americanos, Adoum foi durante dois anos secretário privado do Nobel de literatura Pablo Neruda, no Chile, onde se formou em Direito e Filosofia. (...) leia mais


Maitê Proença comenta polêmica com sua peça 'As meninas' e livro de Lygia Fagundes Telles


RIO - A polêmica em torno da estreia de "As meninas", peça de Maitê Proença e Luiz Carlos Góes, ameaçou empanar a alegria que é pôr de pé um espetáculo de teatro. Isso porque outras "Meninas", essas as do memorável romance de Lygia Fagundes Telles, também ganharão o palco este ano, numa adaptação de Maria Adelaide Amaral, e Lygia não gostou da coincidência. "As meninas" de Maitê, portanto, são as primeiras a vir a público - e vieram com tudo, segundo Barbara Heliodora ( leia aqui a crítica no site do Rio Show ). Também nesta página, Maitê explica que tentou mudar o nome da peça, por deferência à grande escritora, mas que a burocracia a impediu. O que dizer? Quanto mais meninas, melhor.

'Fica brava, não, Lygia', por Maitê Proença

Lygia Fagundes Telles ficou muito brava comigo. Brava ao ponto de me chamar de ladra e afirmar que gostaria de subir ao palco de minha estreia teatral esta semana para fazer a acusação. Parece que desistiu, a noite correu suave, pungente, magnífica! Sobressaltos, só os incontáveis que emanavam do palco para o deleite da plateia. (...) leia mais

Eventos de hoje

A Academia Brasileira de Letras e o Instituto Cultural Brasil-Uruguai oferecem hoje uma mesa redonda em homenagem ao escritor uruguaio Mario Benedetti. A mesa será no Teatro R. Magalhães Jr., às 17h30m.

O evento será gratuito e contará com a presença do escritor e acadêmico Moacyr Scliar, do Consul Albero Guani, de Eric Nepomuceno e Mário Pontes. Para quem quiser aproveitar de casa, haverá transmissão ao vivo pelo portal da ABL.

Hoje, também, acontece no Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63 - Flamengo), no nível 7, a mesa PÓS-FLIP, tema Relações Íntimas, com Arnaldo Bloch e Domingos de Oliveira. O evento será às 19h30m.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Conto Passageira

Minhas férias estão acabando. Já estou ficando deprimida... tanto que tinha para fazer e não consegui concluir nem um terço.

Bom, para me deixar um pouco mais para cima, publico um conto meu.

Passageira
Ana Cristina Melo

Enquanto o carro avançava numa velocidade de bicicleta, a pista inversa corria fluída, levantando uma nuvem de fumaça preta. À sua frente, outras nuvens. O sol tentava vencer a paisagem cinza-chumbo das nuvens. Os raios que conseguiram a cegaram momentaneamente. Tateou a bolsa para encontrar os óculos escuros. Vinte metros depois, o vidro foi salpicado por grossos pingos de chuva, logo transformados em temporal. Poças rapidamente começaram a se formar. Até que ela viu caminhar, por entre os carros, uma verdadeira multidão de homens e mulheres de branco. Seu coração ao mesmo tempo em que não sentia medo, parecia diminuir de ritmo.

Eles cercaram seu veículo, enquanto ela mantinha o olhar sempre reto, ansiosa para que o trânsito se desfizesse. Travou as portas e evitou a visão periférica.

O tempo foi ficando cada vez mais fechado. Não arriscava confirmar, mas sabia que eles continuavam ali.

Quando sua mão decidia destravar as portas, seu olhar esbarrou no painel. Viu a foto com as filhas e os netos. Sentiu falta do marido, que se fora há dois anos, após um casamento de cinquenta e um. Mas a vida ainda era boa, não lhe faltava amor, nem saúde, apenas pequenos engasgos comuns às suas sete décadas. Falta mesmo só sentia do ombro companheiro, ausência que ainda a fazia chorar todas as noites, quando os bons motivos não lhe eram suficientes para aplacar a saudade que vinha forte. Sentiu vontade de fugir dali.

Os carros da frente começaram a se mover. Ela engatou a primeira e seguiu devagar, até que no espelho retrovisor não viu mais nenhum vestígio da multidão.

A chuva cessou e o sol foi vencendo novamente as nuvens pesadas. A luz voltou a cegá-la momentaneamente.

Fechou os olhos para se proteger e, ao abri-los, viu-se então de branco. Ouviu o barulho metálico das máquinas que diziam o quanto estava viva.

Segurando suas mãos estavam duas gerações: motivo para ainda continuar.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Agenda de lançamentos da semana (RJ e SP)

# TERÇA, DIA 7:

- "Picabu #4 - Edição Especial", de Rafael Sica, Mathias Rosner, Fabiano Gummo às 19h, na Travessa de Ipanema (Visconde de Pirajá, 572 - Ipanema - RJ)

- "Itaipu", de Tão Gomes Pinto
às 18h, na Travessa Rio Branco (Rio Branco, 44 - Centro - RJ)

- "Métodos extremos de sobrevivência", de Márcia Bechara
(Editora Publisher Brasil)
às 20h, no 2º andar (Sala de Leitura) do Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195 - SP)


# QUARTA, DIA 8:

- "O ócio cansativo: 30 poemas nas horas vagas", de Ney Reis
(Edição independente) , na Livraria Otelo (Rua Tavares de Macedo, 74 - Niterói - RJ)

- "Enquanto ele estava morto", de Estevão Ribeiro
às 17h30, na Livraria Leonardo da Vinci (Rio Branco, 185 subsolo - Centro - RJ)

- "A emoção como método de trabalho", de Augusto Martins
(Editora 7 Letras)
às 19h, na Livraria DaConde (Conde de Bernadote, 26/125 - Leblon - RJ)

# QUINTA, DIA 9:

- "Educação multicultural - Teoria e prática para professores e gestores em educação", de Ana Caren e Angela Rocha dos Santos
(Editora Ciência Moderna)
às 19h, na Travessa Ipanema (Visconde de Pirajá, 572 - Ipanema - RJ)

- "Valores religiosos e legislação no Brasil", organizado por Luiz Fernando Dias Duarte e outros
(Editora Garamond Universitária)
e "Dinâmicas contemporâneas do fenômeno religioso na sociedade brasileira", organizado por Edlaine de Campos Gomes
(Editora Ideias & Letras)

às 19h, na Livraria Museu da República (Catete, 153 - RJ)

# SEXTA, DIA 10:

- "O sociólogo e as políticas públicas - Ensaios em homenagem a Simon Schwartzman", de Isabel Farah Schwartzman, Felipe Farah Schwartzman e Luisa Farah Schwartzman
(Editora FGV)
às 19h, na Travessa do Shopping Leblon (Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A - Leblon - RJ)

domingo, 5 de julho de 2009

António Lobo Antunes fala da técnica

É, acho que estou fascinada com o escritor. E quando isso acontece, santo Google que me permite saber mais, mais...

Assistindo novamente os vídeos da Flip, descobri um outro vídeo no Youtube feito para divulgação do seu livro "O Arquipélago da Insónia". Mas nesse vídeo, António Lobo Antunes fala muito mais do que sobre o livro, fala sobre a técnica, sobre a relação com a literatura.

Ele não está tão solto quanto na Flip, mas as palavras são as mesas, os sentimentos idem. Então, para quem não assistiu à mesa da FLIP, é uma oportunidade.

Antes de colocar o link do vídeo, reproduzo uma frase dele:

"devemos retirar toda a gordura, reduzir as coisas às pedras de que somos feitos"
Link para o vídeo (tempo = 9:19)

Para quem não assistiu... vídeos de António Lobo Antunes

Para quem não assistiu, já estão disponíveis os vídeos de trechos da mesa do António Lobo Antunes.

Para quem assistiu como eu, é bom demais ouvir novamente.

Vídeo 1 (tempo = 2:55)
Vídeo 2 (tempo = 7:41)
Vídeo 3 (tempo = 3:10)

Pílulas dos cadernos literários (#4) - 04/07/2009

Complemento do Caderno Prosa & Verso (Jornal O Globo), transcrevo a matéria Caldeirão Literário, um debate entre Milton Hatoum, Bernardo Carvalho e Cristovão Tezza, com perguntas de Miguel Conde.

Fonte: Caderno Prosa & Verso (O Globo). Sábado (04/07/2009)

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# Caldeirão Literário
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Por Miguel Conde (enviado especial * Paraty)

O GLOBO: Desde o romantismo, passando pelo modernismo e pelos romances de críticia social dos anos 1930 aos 1970, há uma tradição no Brasil de se exigir da literatura que ela de alguma forma represente o país. Isso ainda existe hoje, ou vivemos um novo momento?

BERNARDO CARVALHO: Eu deixo os decanos responderem.

MILTON HATOUM: Essa exigência de representar o país como afirmação de uma nacionalidade existiu no século XIX. José de Alencar foi isso. Mas o Machado já foi a contra-corrente. A literatura encontrou vozes muito diferentes do século XIX para cá. Difícil enquadrar num único discurso, numa única vertente.

CRISTOVÃO TEZZA: No romantismo, é claro que é um projeto de fundação do Brasil e houve uma literatura a serviço disso muito forte, que deixou marcas até hoje. Tem uma vertente que começa com José de Alencar e vai passando por vários autores. E outra linha mais abstrata da literatura brasileira que foi fundada pelo Machado de Assis. Hoje a gente vive uma liberdade total, em comparação à minha geração de anos 1970. Quando eu era guri, você vivia uma pressão ideológica muito forte.

HATOUM: Mesmo assim já sempre rupturas. No auge da ditadura apareceu "Lavoura arcaica" do Raduan Nassar. Você não enquadra isso num discurso denuncista contra a repressão. Há uma violência ali, enorme, mas há também um mergulho na subjetividade, uma vontade de estilo. E uma crítica ao patriarcalismo que está na base da sociedade brasileira, mas que não se refere ao momento histórico. A própria Clarice Lispector...

# ...ela chegou a ser chamada de alienada.

TEZZA: Você tinha um clima mais ou menos chapado. O discurso político te dava uma certa obrigação ética com relação ao momento.

HATOUM: Talvez eu mesmo tenha pulado essa década. Só fui publicar em 1989, senti esse tipo de constrangimento. O primeiro livro que eu ia escrever, e que acabei jogando fora, era uma crônica política.

CARVALHO: Do ponto de vista dos escritores não existe mais essa camisa de força, mas eu vejo na crítica mais abalizada, a crítica que você mais respeita no Brasil, uma demanda por um retrato do Brasil. Sempre. E isso é claro. O livro atual do Chico Buarque, do qual eu gosto muito, é claro que foi recebido com mais bons olhos do que o "Budapeste". A literatura não tem função no Brasil, que é um país de analfabetos, e as pessoas tentam justificar a literatura por uma tese sociológica. Na hora em que o Chico faz um romance machadiano, ele é reconhecido como um clássico. E o Machado, embora não faça uma busca de identidade brasileira como a do José de Alencar, depois do Roberto Schwarz virou, sim, o retrato do Brasil. E a Clarice Lispector é vista, sim, como uma escritora menor. Se você pedir para os grandes críticos brasileiros fazerem um ranking dos escritores nacionais, o Machado vai encabeçar, e o Guimarães vai vir atrás.

HATOUM: Acho que não.

CARVALHO: Você acha que não?

TEZZA: Primeiro que a universidade hoje é um arquipélago de fragmentos.

CARVALHO: Talvez porque eu esteja vindo de São Paulo, onde existe essa hegemonia.

# Você está pensando na USP?

CARVALHO: Totalmente.

HATOUM: Mas, Bernardo, há vários livros sobre Guimarães Rosa da USP.

CARVALHO: Eu sei, mas a tradição Antonio Candido, Roberto Schwarz, que é a que eu mais admiro no Brasil...

HATOUM: ...os dois escreveram sobre Guimarães Rosa.

CARVALHO: Tudo bem, mas o escritor maior para eles é Machado de Assis, inquestionavelmente.

HATOUM: Bernardo, Machado representou muita coisa. Nos contos Machado é um gênio. Aí de fato ele não deve nada a qualquer contista do mundo. E a crítica tem revelado nos últimos 30 anos não só como ele explora contradições do Rio ou do Brasil, mas outros temas, como a loucura. Já era uma coisa nova naquela época.

CARAVALHO: Existe um endosso da literatura que serve de ilustração de uma teoria sociológica do Brasil. Qual é o bom romance brasileiro? É o que ilustra uma teoria sociológica do país.

HATOUM: Isso de um ponto de vista.

CARVALHO: O ponto de vista mais importante da crítica brasileira. A cobertura da imprensa desse romance é incrível, porque dá o que pedem, o que se estabeleceu consensualmente sobre o que deve ser literatura brasileira hoje. O problema não são os escritores, mas o que resta de melhor na universidade, e que endossa esse tipo de livro.

HATOUM: Não é o caso, por exemplo, das análises do Davi Arrigucci. E os jovens também. Há jovens professores que não priorizam a visão mais sociológica, que há na França, na Inglaterra.

CARVALHO: Mas no Brasil ela é hegemônica. E é a que eu mais gosto no Brasil, mas há uma hegemonia da tradição do Roberto Schwarz sobretudo com a introdução do Machado como "o" escritor brasileiro. É como se você, se escapar dessa tradição, ficasse invisível.

HATOUM: Você acha isso?

CARVALHO: Acho. Se aparece o equivalente do Beckett hoje, fazendo uma ruptura, o que você faz com esse cara? Não tem recepção. Se houvesse um equivalente do Beckett entre os escritores brasileiros, não vai ser essa crítica que vai recebê-lo.

# Para vocês a ruptura ainda é um valor importante?

TEZZA: Sempre, nas não necessariamente ao modo do Beckett, que está ligado a um tempo, época, ideário. A literatura tem que trabalhar com a transgressão. Mas talvez num critério além do ideário formalista dos anos 1920, dentro do qual o pessoal normalmente trabalha. A ideia de criar...

HATOUM: ...uma nova linguagem...

TEZZA: ... o estranhamento como lei absoluta de reconhecimento da obra, porque você quebra o modelo, isso teve uma força tremenda. O estruturalismo colocou isso como uma espécie de Santo Graal, a obra estética desvinculada de qualquer coisa. A linguagem nunca é desvinculada de nada, ela é tudo. Sociologia, política, filosofia, está tudo ali. A gente constrói essa realidade paralela com esses fios, ela não cai do céu. Não adianta pegar o ideário estético de outro tempo e implantar a fórceps no século XXI. Você vê hoje um renascimento da prosa romanesca, uma linguagem capaz de se apropriar de todas as linguagens e ser um ponto de reflexão.

# A transgressão hoje estaria nessa contaminação do literário?

TEZZA: Não sei onde ela está, ela está na inadequação. A literatura tem que trabalhar nessa corrente de não ter lugar no mundo. O senso de inadequação é a alma da linguagem literária. Escrever é constituir um ponto de vista sobre o mundo. Sou otimista, está havendo um retorno da palavra escrita. O audio-visual foi uma implosão da palavra escrita no século XX. Hoje isso está voltando via internet. Você não abre uma página que não tenha coisa escrita.

CARVALHO: Mas você lê?

TEZZA: Claro que leio! Tudo bem, mudou a forma. Há uma fragmentação, ninguém lê dois parágrafos seguidos (ri), mas as pessoas estão escrevendo mais. A escrita voltou a ser um valor social. É considerada uma coisa legal. Há 20 anos não se considerava nada.]

HATOUM: Não acredito mais em romance de vanguarda. O último foi "Grande sertão". Esse tipo de transgressão linguística, jogar com neologismos, depois do Rosa... Mas do ponto de vista da estrutura, do modo de narrar, há uma variação infinita. Você pode contar uma história de mil maneiras diferentes. É inesgotável. Você pode jogar com essas estruturas, com o tempo, com o modo de narrar, aí é que está algum tipo de renovação. Não na linguagem.

# Vocês sentem essa falta de função social mencionada pelo Bernardo? Existe um sentimento de absurdo na empreitada literária no Brasil que faz com que as pessoas tentem justificá-la atrelando-a a outros campos?

TEZZA: A última coisa que vi sobre isso foi um certo movimento multiculturalista de valorização da literatura de periferia. Isso tem ganhado espaço até na universidade. Mas estou me sentindo meio esquizofrênico, porque a visão do crítico não é a do autor. Nunca sei bem o que escrevo (ri). É um processo intuitivo que mexe com tudo, uma linguagem meio suja, no bom sentido.

HATOUM: Se for um bom romance, uma ficção com um certo grau de complexidade, ela pode oferecer vários tipos de leitura sempre. O problema é você classificar. A classificação na literatura é a morte. "Literatura tem que ser isso, se não for isso não me interessa".

CARVALHO: Mas como este país não é especialmente educado para literatura, a crítica ainda é muito importante. A recepção do "Nove noites" não tem comparação com a recepção de nenhum outro livro meu. Porque é como se fosse um retrato do Brasil do ponto de vista de uma antropologia importante aqui.

TEZZA: Mas eu não li o livro dessa forma (ri).

CARVALHO: Eu não escrevi o livro dessa forma. Falo da recepção crítica.

HATOUM: O próprio Candido critica essas visões totalitárias. Ele que descobriu a Clarice, e acha que a crítica sociológica é uma das vertentes, como a psicanalítica, ou a antropológica. E também não sei, Bernardo, se hoje isso é hegemônico. O Brasil mudou, há jovens acadêmicos, escritores e leitores. Hoje a crítica está muito mais difusa no Brasil. Há leitores em muitos lugares.

TEZZA: A internet descentralizou o eixo. Nos anos 1980, você estava morto, enterrado se não tivesse os dois pés fincados lá. Hoje isso mudou.

CARVALHO: Eu acho que tem um esgotamento da crítica.

HATOUM: Não.

CARVALHO: Você acha que não?

HATOUM: Não. A crítica, depois do estruturalismo e dos estudos culturais, volta a trabalhar com seus clássicos.

TEZZA: Até o Todorov fez o mea culpa dele (ri).

HATOUM: Fez o mea culpa, nesse livro "A literatura em perigo". E ele mesmo falou que era culpa deles o fato de que ninguém mais tem prazer em ler um livro. A crítica foi tão formalista nos anos 1970.

TEZZA: Criou o cientificismo da literatura que foi imortal.

HATOUM: Os críticos que só leem os críticos, não leem mais as obras.

CARVALHO: Mas por outro lado tem uma tendência, gravíssima e irreversível, de esgotamento do excesso de subjetividade. Começou o questionamento dos caras de esquerda, dizendo "por que o cânone é branco, homem e do primeiro mundo? Por que não pode ter negro, mulher e não sei que?". Com isso houve um desbaratamento da crítica e dos critérios literários. "Por que o Beckett é o Beckett e eu, que sou um autor gay da periferia de não sei onde, não sou igual ao Beckett?". Houve um esgotamento da subjetividade, porque é óbvio que a literatura é subjetividade, e com isso os caras resolveram democratizar a literatura. Agora importa você ser gay, negro, mulher, da periferia. Contra o cânone, como se o cânone fosse de direita. O cara que faz o diário dele na internet está perguntando o tempo inteiro "por que o Beckett é melhor do que eu?" (risos). E aí todos se revoltam em nome, o que é um sofisma, da democracia e da cultura.

TEZZA: Tem uma questão política e filosófica que é a crise do relativismo. Você perdeu qualquer eixo de referência. Então eu não posso ter opinião nenhuma porque todas são antropologicamente iguais e eu fico solto no ar.

HATOUM: Isso é um fenômeno americano, não sei se chegou aqui.

CARVALHO: Lógico que foi exportado. Você está dizendo que há uma nova crítica, não há uma nova crítica.

HATOUM: Eu acho que há.

CARVALHO: Houve num certo momento a tentativa de dar função social para a literatura, fazendo uma literatura de periferia. É uma culpa, uma herança que você não resolveu e você lida com isso destruindo a subjetividade.

TEZZA: Mas para dizer que Machado de Assis é um grande escritor, tem que ter critérios objetivos. Tem que contextualizar, não pode fingir que não está em lugar nenhum. Você lê um livro e diz "esse troço é bom". Atrás dessa frase, tem uma maneira de olhar o mundo, sistemas de valores e representação.

HATOUM: É a linguagem que interessa. É ali que está plasmada toda a dimensao simbólica, social, histórica. Esse é o grande desafio da crítica. Como você encontra na obra as relações simbólicas e sociais. Por que ela tem qualidade do ponto de vista formal? É isso que vai mostrar, não as teses contidas nele.

CARVALHO: Tudo bem, há uma objetividade dentro do sistema de pensamento que analisa a obra, mas é uma convenção. Quem está fora pode achar uma porcaria. Quando falo dessa ressaca da subjetividade, não sei se é o mundo da burrice que não consegue lidar com a sofisticação da tradição, e com isso você barateia a tradição em nome de critérios extra-literários.

TEZZA: Mas vamos ver de que Brasil estamos falando. Quando a gente lembra a tradição literária brasileira, a gente fala muito daquela faixa de 10%, 15% da população que era letrada, em que o livro circulava. No Brasil rural você tinha a grande parte não letrada. O que aconteceu de lá para cá? Hoje o livro é um grande negócio no Brasil.

CARVALHO: Só me diz uma coisa que eu nunca entendi: qual é a porcentagem dos brasileiros em que circula o livro?

TEZZA: Está entrando no mercado consumidor de livros uma massa de brasileiros que não têm pai e mãe que leram, e que é uma massa nova.

CARVALHO: Eu não conheço.

TEZZA: Entra numa livraria e vê lá: "O gerente eficaz?", "Como ser feliz". Está havendo um fenômeno no Brasil semelhante ao que houve com a TV nos anos 1970. A metade do país viu uma torneira pela primeira vez na vida numa novela da Globo. A televisão foi um processo civilizador, que chegou antes do livro. Hoje está chegando uma massa de livros. Houve um deslocamento até da crítica. Todos os nomes que estamos citando aqui são dos anos 1960.

HATOUM: Há uma crítica mais jovem que tem a ver com uma escola da USP, mas há outra também. E há também os trabalhos em salas de aula em centenas de universidades. Professores trabalhando em surdina para cem, duzentos leitores. O Brasil mudou muito. Há uma proliferação de faculdades. Os cânones da crítica existem e vão continuar. Os estudos culturais são moda que passa.

CARVALHO: Mas não é isso. Você pega hoje o jovem escritor e ninguém lê Proust. O próprio escritor.

HATOUM: Mas nós lemos, é o que interessa (risos). Se os jovens não leram, problema deles.

TEZZA: Eu achava que era pessimista, mas o Bernardo... (risos)

CARVALHO: Mas é interessante como fenômeno social. A internet parece que vai dar democraria e não é democracia. Tem uma guerra à ideia de autor. O jovem autor acha que é moderno e democrático (risos) ceder os direitos para uma corporação que vai ganhar com a divulgação dos originais. O seu livro fica à disposição no Google para quem quiser, a menos que você desautorize.

HATOUM: É?

CARVALHO: É. Sou a favor disso, contanto que todo mundo abra mão da propriedade privada, inclusive os donos do Google. Havia antigamente um preconceito em relação ao trabalho intelectual, um trabalho de perua ou perfumaria. Aí houve uma conquista do Ocidente de respeito ao trabalho intelectual. O que há agora é um novo mundo um pouco chinês, pragmático, em que o que vale é o cara que vai ganhar grana em cima daquilo. Mas você não tem direito a exigir remuneração porque sua criação é de segunda classe. Isso vai começar a se autorreproduzir...

TEZZA: Mas você está paranoico. (ri)

CARVALHO: Eu sou paranoico, não estou paranoico.

TEZZA: A internet alavanca a literatura. Como circulavam os livros nos anos 1980? Era um inferno. Com a internet, a literatura está em circulação. Há muito mais gente falando ao mesmo tempo.

HATOUM: Também acho. Cada geração produz dois ou três escritores importantes. No fim das contas o livro ainda é muito poderoso.

CARVALHO: Mas o Beckett não é lido na Inglaterra ou nos Estados Unidos.

HATOUM: É um autor difícil, Bernardo. A última edição de bolso do Proust da Gallimard vendeu 100 mil exemplares. É uma loucura a quantidade de leitores do Faulkner, que é difícil.

CARVALHO: Você é obrigado a ler na universidade, mas se a própria universidade começa a dizer que a Toni Morrison é igual ao Proust.

HATOUM: Isso não está acontencendo.

CARVALHO: Como não está? Você pega o jornal e a Toni Morrison tem o mesmo peso do Proust.

HATOUM: Então traz a cachaça aí que eu vou me embebedar (risos)

CARVALHO: Mas é verdade... (Em tom de brincadeira) Vocês também, sabe o que vocês são? Vocês são muito diplomatazinhos, não falam nada... (risos)

TEZZA: Qual é a solução? Criamos um esquadrão de vigilância literária permanente (ri)?

CARVALHO: Eu não sou polícia, não sou ditador, só estou constatando.

TEZZA: Você está exagerando.

HATOUM: Nas universidades americanas, o Faulkner é muito mais importante do que a Toni Morrison.

CARVALHO: Porque tem professores que estudam Faulkner e foram formados nessa tradição.

HATOUM: Mas o que acontece nos EUA não acontece no mundo todo.

CARVALHO: Teve um levantamento numa Universidade de Brasília dos tipos de personagens dos romances brasileiros para chegar à conclusão se os romances brasileiros são democráticos ou não democráticos (risos). Vocês sabem do que eu estou falando.

HATOUM: É uma coisa mais americana. Tem a ver com um discurso das minorias como uma crítica ao cânone da literatura ocidental, mas é uma crítica que não vingou na Europa, não vingou na América Latina.

CARVALHO: Mais ou menos, porque o enfraquecimento da crítica, o mercado passa a prevalecer. E o que é o mercado? É a coisa da facilidade do entendimento. Se você fizer um romance de ruptura, inesperado... Se eu sou um cara burro, é mais fácil que o mundo seja burro para mim também. Eu tenho limites, coisas que eu não consigo compreender. Então para mim é melhor que elas desapareçam.

# Essa consciência de ser escritor num país de analfabetos é uma questão apenas existencial ou é também uma questão literária?

CARVALHO: Isso cria um lugar do paradoxo, da contradição, que é um lugar trágico muito rico para um escritor. Escrever num país em que as pessoas não leem é riquíssimo. Que escritor nasce daí? O Machado é um pouco isso, a consciência disso o tempo inteiro. É riquíssimo, mas é sofrido, é horrível. Óbvio que você prefere escrever num país em que todo mundo lê.

HATOUM: Há leitores no Brasil. Pelos livros a gente sabe.

CARVALHO: Mas as tiragens são muito pequenas em relação à população.

HATOUM: Mas o próprio Don DeLillo, quando esteve aqui na Flip, me disse: hoje além de escrever livros a gente tem que vendê-los. Hoje o leitor é muito diferente dos anos 1950, quando você só tinha acesso a jornal, toda a cultura era escrita. Hoje o que importa é a visibilidade, a celebridade, todo mundo é escritor.

# Para terminar: a posteridade é o que importa para vocês?

HATOUM: Para mim não. Eu acho que este planetinha obsceno daqui a 500 mil anos não vai existir mais, nem Proust deveria existir por milhões de anos, nem Beckett. Nós caminhamos para o abismo, irremediavelmente (faz um longo silêncio, até que Carvalho e Tezza riem). Caminhamos para o abismo e esse planeta vai virar um lixo, já é um lixo. Eu não sou ingênuo de acreditar na civilização. A melhor frase para mim é aquela do Benjamin: "não há nenhum documento da civilização que não seja também um documento de barbárie". Esse papo de dizer que nós somos a barbárie e a Europa é a civilização é o maior engodo da História. A história da Europa é só de guerras. No fundo o que eu tento fazer? Escrever com honestidade. E ter alguns poucos leitores fiéis.

CARVALHO: Eu discordo do Milton. Eu acho que todo escritor escreve para a posteridade, sim. A literatura é uma luta contra a morte, não faria sentido de outro jeito. Por mais pessimista que você seja, se eu fosse pessimista mesmo não estava escrevendo, tinha me matado. Se você escreve, é o negócio do Thomas Bernhard, do Beckett, o mundo que ele representa ali pode ser terrível mas ele continua escrevendo, e aquilo demanda um esforço incrível. É uma luta contra os limites.

HATOUM: Mas, Bernardo, até por uma questão de sobrevivência econômica, eu quero leitores enquanto vivo (risos). Eu prefiro leitor por inteiro, mas se for leitor médio também que venha.

CARVALHO: Mas tem alguma coisa que te move a escrever, você quer lutar contra alguma coisa, com seus limites, é isso que toda arte faz. Não é só para conquistar um público leitor e morrer. Você almeja alguma coisa com os livros.

HATOUM: A gente almeja alguma coisa, mas depois do Kafka, e dos russos e...

CARVALHO: Tudo bem, mas eu fui à Rússia e tinha uma menina que estudava português e achava Machado de Assis uma porcaria, porque "quem é Machado de Assis comparado a Tolstói?"

HATOUM: Alguma coisa ele é, comparado a Tolstói. Ela está errada.

CARVALHO: Também acho, mas, bom...

# Tezza, e você? A posteridade...

TEZZA: Isso realmente não me preocupa. Eu tenho uma urgência. Eu vivo um momento presente brutal com a literatura, a literatura para mim é descobrir o momento presente, saber onde eu estou. E é um processo que junta desejo, prazer, ansiedade, angústia. De certa forma a construção da minha cabeça, da minha vida, foi feita pela escrita. Eu escrevendo fui, não vou dizer me descobrindo, mas isso foi me dando a medida de mim mesmo. Não cheguei ao fim e não vou chegar, mas alguma medida.

HATOUM: Quem escreve não pode fazer outra coisa.

TEZZA: Exatamente.