domingo, 17 de abril de 2011

Minha aventura maluquinha

O mês de abril começou complicado. Um probleminha de saúde com a minha filha me fez desligar do mundo desde o dia três de abril. No final, graças a Deus, não foi nada grave. O “talvez” seja apendicite é que me surtou. O que uma palavra pode fazer na nossa vida, principalmente se ela significar dúvida?

Mas foi exatamente essa palavra que me fez repensar muita coisa. Repensar cada “talvez” da minha vida, cada “poderia ser diferente”. Às vezes achamos que só dá para fazer de um jeito, mas basta sermos sacudidos pela vida para percebermos, como se fosse um véu despencando à nossa frente, que há muitos outros caminhos que preterimos.

Então, antes de contar da minha aventura maluquinha (que não foi essa), deixo a dica. Não esperem ser sacudidos por algum problema. De vez em quando, é legal parar e fazer um balanço. E, se for preciso, igual acontece ao arrumar gavetas, jogar fora tudo que não é tão importante e rearrumar o que nos é imprescindível.

Fica a dica!



A partir do dia 14 passei a respirar novamente, de forma normal. E, então, pude parar para pensar numa das maiores aventuras que iria viver como escritora: participar do programa do Ziraldo como contadora de histórias!!!




Ter recebido esse convite me fez, além de dar um grito daqueles, ser transportada aos meus nove anos. E era como se eu pudesse me enxergar, sentada no sofá, lendo e relendo “O menino maluquinho”. Lendo, não: devorando! Devorando cada pedacinho de ilustração. Sim, porque no livro, o texto não se basta, ele se liga e se completa com as ilustrações, com os textos roubados dos cadernos do Maluquinho, com as imagens do olho maior que a barriga, e tantas outras.

Era como se eu me visse de novo lendo esse livro, era como se eu me visse de novo me apaixonando pela literatura, como se fosse a primeira palavra de uma frase, a primeira frase de um parágrafo, o primeiro parágrafo de um sonho. Muitos outros livros passaram pela minha vida e alimentaram essa paixão, mas “O Menino Maluquinho” certamente foi um deles, pois só um texto do qual ainda sentimos o gosto da leitura pode ser tão culpado assim. ;)

Quando me tornei escritora, quando lancei meu primeiro livro, achei que a alegria estava praticamente completa. Praticamente, pois depois de lançado um livro, nossa alegria se completa com a aceitação dos leitores. Mas a vida está sempre me surpreendendo. Está sempre me mostrando que não há limites para sonhar.

Voltando um pouquinho, lembro que uma dessas primeiras surpresas foi quando tive a oportunidade de estudar a obra de uma escritora por quem sou maluquinha; ali, ao lado de sua Editora, na Fundação Cultural. Sim, falo de Lygia Bojunga, por quem tantas vezes já me derreti aqui. E se isso já era maravilhoso, de repente, sou agraciada com sua presença, bem pertinho de mim, do meu lado, contando suas histórias, rindo e me recebendo com tanto carinho. E como a vida não brinca em serviço, um dia ouço ela me dizer que meu texto “tem vida”. Tipicamente como a Marília (de Caixa de Desejos) faria, deu vontade de dizer: “Para o trem, pois vou cair de emoção!!!”. Mas ainda bem que não fiz isso. ;)

Outras surpresas aconteceram na minha vida. Fui elogiada por escritores por quem tinha grande admiração, ganhei prêmios com meus contos, fui convidada para eventos importantes, chamada para dar entrevistas em rádio e tevê, e isso era como me tornar princesa, depois de ser borralheira. Era como encontrar fadas madrinhas a cada passo que desse.

Aprendi, então, que ainda posso sonhar com muitos castelos. Que a literatura é infinita em suas possibilidades de fantasia, que ainda tenho muitas alegrias para viver. Já nem consigo imaginar quais serão. Similar ao que Clarice Lispector descreve no seu conto “Felicidade clandestina” (que amo também!), eu finjo que não sei que ainda terei essas alegrias, só para me surpreender quando elas chegarem, só para vivê-las com toda ansiedade, com toda felicidade que elas merecem.

Bom, mas deixando minhas divagações sobre o futuro (ai que mania de escritora falar demais! rs), vim para falar da minha aventura maluquinha. Como disse, fui convidada a participar da 2ª temporada do Programa ABZ do Ziraldo (http://www.tvbrasil.org.br/abzdoziraldo), como contadora de histórias.


A gravação aconteceu ontem...

Às 9h30 eu e minha filhota chegamos ao estúdio e fomos recebidas com toda atenção. Logo seguimos para o camarim, para as mãos da fada Beth que transformou abóbora em carruagem, e me tratou com todo carinho, caprichando na maquiagem. Lá estavam também o Palhaço Matraca e sua assistente Amaralina, que logo virou Amaralinda, na hora da gravação.






Incluindo o Matraca e a Amaralinda, assistimos às gravações de quase todos os artistas. A Bia se juntou às outras crianças da plateia e curtiu muito! (Olha ela na primeira fila, de arquinho lilás na cabeça!) Foi ótimo, pois, numa hora dessas, dá muita mais segurança você estar nos bastidores, analisando os detalhes. Na minha vez, eu sabia tudo o que podia e não podia fazer no jeito de olhar para as câmeras. Bem, pelo menos na teoria, pois na hora da prática, a cartilha se perde na memória. rsrs






O dia foi passando e ficamos numa ida e vinda do estúdio para o camarim. E foi numa dessas vezes que encontrei a escritora Cristina Villaça (http://www.cristinavillaca.blogspot.com/), uma amiga virtual que tive o prazer de conhecer pessoalmente. Ela estava acompanhada de seu tatu simpático, protagonista do seu último livro “Viva eu, viva tu, viva o rabu do tatu!” (Ed. Escrita Fina). E ela se tornou uma companheirona até a hora de entrarmos em cena.


E nesses pequenos esbarrões percebemos como é bom ter com quem dividir um momento desses. Ter alguém que fala a nossa língua, que entende essa emoção de se ver no meio do mundo do Maluquinho. É como se o personagem do nosso livro preferido saísse do papel para vir para o nosso lado, e nos convidasse a uma doida aventura.

A produção ainda tinha muito mais pra mim: tiraram foto, me filmaram, montando um belo making-of, retocaram maquiagem... Aliás, uma pausa na história para dizer:

A produção foi nota 1000!!!

Só não vou citar nomes, pois alguns eu sei, outros esqueci de perguntar. E não seria justo deixar unzinho sequer de fora.

Me senti uma estrela de cinema. De um cinema que tem tudo a ver com imaginação, com alegria, com a magia da literatura.

Às três horas, chegou a nossa vez: a minha e a da Cristina Villaça. E como se fosse tudo combinado pelos astros, fomos juntinhas para o estúdio, para uma paparicar a outra, tirar foto e transformar aquele momento em algo mágico, algo com testemunha, para que depois a gente não precise pedir a ninguém que nos belisque. rsrs



Eu fui primeiro, meio assustada, diante daquela criançada. Não por eles, não pela contação de histórias, mas por estar ali, no meio do mundo do Maluquinho Ziraldo. Por estar vivendo aquele momento. É estranho lidar com tudo que nos invade: é o público infantil, nossa fonte de inspiração, é a nossa própria emoção, é a preocupação com o olhar da câmera, é a história que não pode fugir...






Mas como aconteceu em todas as vezes que entrei em sala de aula, nesses 23 anos de docência, o frio na barriga só dura até a primeira frase, até a palavra “gravando” da nossa vida, pois estamos acostumados a esse “gravando” que é até mais rígido, pois não tem o “vamos repetir”, no máximo, um “flashback”. E aí a minha Rita, personagem da história inédita “Uma amizade desenhada”, que sai até início do ano que vem pela Ed. Escrita Fina, ganhou vida, mãos, caras e bocas. Ganhou os olhinhos atentos das crianças, o olhar especial da câmera que me acompanhou... E, de repente, acabou. Os aplausos marcaram o fim. E a gente fica ali, tentando recolher todas as emoções, entender o que foi aquilo que acabamos de viver, o que é mais esse presente que a vida nos oferece.

Então, depois de todas as emoções arrumadas, eu digo:


Ziraldo, obrigada pelo Menino Maluquinho que entrou na minha vida, lá nos meus nove anos.

Obrigada por você me permitir que o Maluquinho entre na minha vida agora, quando eu passo para o lado de lá do papel.

Obrigada Lobato (e minha eterna companheira Emília), Pedro Bandeira, Lygia Bojunga, Ziraldo, Ana Maria Machado, Ruth Rocha e todos os escritores que plantaram os tijolinhos (sim, tijolos que crescem feito flor) desse país da imaginação, desse país da bela e iluminada literatura infantil. Vocês são responsáveis por eu estar aqui.


Então, vamos todos comemorar amanhã, dia 18 de abril, o Dia Nacional do Livro Infantil, recheando a alma de sonhos e imaginação.

E quando o programa for ao ar, eu estarei aqui para gritar pra todo mundo dia e horário, para todos conferirem o resultado.

Palavra de Emília borralheira! :)))

sábado, 2 de abril de 2011

Dia Internacional do Livro Infantil



Hoje acordei com vontade de escrever no meu diário virtual. Talvez meu subconsciente se lembrasse que hoje também é o Dia Internacional do Livro Infantil. Para quem não sabe, a data foi escolhida em homenagem ao escritor Hans Christian Andersen, um renomado escritor dinamarquês que está presente no imaginário de todas as crianças.


Mas alguém há de dizer: “Ai, Ana, ele não precisa de apresentação”. E eu me pergunto: “Será que não”? Pode haver alguém que não saiba quem ele é? Arrisco dizer: pode. Pode haver muitas pessoas que não saibam quem foi Andersen, mas impossível alguém não conhecer a história do patinho desajeitado, amado pela mãe, mas rejeitado por todos os outros, até se descobrir um belo cisne. Uma das primeiras histórias sobre Bullying. Ou ainda do amor do pobre soldadinho de chumbo pela bailarina de papel.

E é o que fica. Acho até difícil que alguém não se lembre do nome Lobato, mas ninguém há de dizer que não sabe quem é Emília e Visconde, muito menos nos tempos atuais em que tanto se discute se o autor era racista ou não, e se levantam algumas declarações preconceituosas vindas dele (bom, mas isso é para outro post).

Vejo em tudo isso que o que realmente nos sobra da literatura não é o autor, não é ele que se torna perene, mas suas histórias, sua forma de ver o mundo, transmudada em ficção.

São as palavras que colam na gente e nos transformam. O comum do ser humano é ser afetado mais pela palavra oral, pois ela nos vem como uma flecha, que atinge certeiro o coração ou a mente. Seria bom que essa flecha fosse sempre uma flecha de luz, que nos iluminasse por inteiro, que clareasse nossos sonhos, nossos pensamentos, como aconteceu comigo essa semana, pelas palavras de uma grande amiga. Mas nem sempre é assim. Às vezes passamos pela vida recebendo flechas envenenadas, e aí vai depender dos anticorpos que possuímos para conseguirmos espantar esse veneno e não deixar que ele destrua o que temos de bom. Pois o positivo leva anos para ser construído, enquanto o negativo se espalha no tempo de um segundo.

Isso é comum. O que não é tão comum é o efeito da palavra escrita. É preciso que tenhamos uma alma de leitor, para que ela venha e se incorpore ao nosso corpo, como uma vacina, que nos ajude a buscar e receber as flechas de luz, que nos ajude a bloquear e diluir os venenos do dia a dia, para que eles não nos destruam.

E nada melhor do que desenvolver essa alma de leitor quando criança, pois ainda assim, impúbere, temos nossas flechas e nossas feridas. Como é muito comum alguns acharem que as crianças ainda não são seres completos, elas tendem a receber apenas as flechas ruins. Então, lhes sobra encontrar nessas palavras escritas uma forma especial para serem ouvidas e processarem seus receios.

Por isso a literatura infantil é tão importante. Por isso são tão importantes essas homenagens, para que nossa memória não nos traia.

Às vezes a melhor terapia para uma criança pode estar na idiossincrasia que demonstra ao que lhe cai nas mãos, ao que transmuta de cada maldade das bruxas e monstros, entendendo suas próprias frustrações e seus próprios medos.

Olhando para trás, vejo que teria processado muitas mágoas se o livro tivesse feito parte da minha vida desde muito cedo. Mas em vez de lamentar essa falta, tenho que agradecer por tê-lo descoberto mais tarde e ter me apaixonado por ele com tanta força, que o amor transbordou para a escrita.

Que hoje seja um dia para lembrar a cada um do quanto as crianças e os livros são importantes. Do quanto eles precisam ser respeitados e amados. Do quanto precisamos da fantasia e do sonho, para que um dia a realidade seja palatável.

Então, hoje, pegue um livro infantil ou juvenil para ler. Depois leia para o seu filho também. Se passar por uma livraria, compre um livro para ele, ou para um sobrinho, um neto ou para o vizinho.

Chore com uma história triste, ria com uma história engraçada. Abrace o outro, e entenda seu medo. E depois entenda seus próprios medos.

Se dê esse direito de ofertar amor em forma de palavra!
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E falando de notícia boa...

Já está marcado o primeiro lançamento do meu juvenil De volta à Caixa de Desejos. Acontecerá em 18 de junho, no Salão FNLIJ. Em junho também o lançamento do meu infantil Uma turma para Dora.

Logo depois, muita festa e “bebemoração” num lançamento em Livraria.

Chegando mais perto, trarei capa e detalhes.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Originais entregues... hora de cobrir o vazio


Essa semana eu entreguei os originais do meu livro De volta à Caixa de Desejos (título provisório).

É um romance juvenil que continua a história da Marília no Caixa de Desejos. Não, não terá um terceiro livro. Inicialmente, não teria nem esse segundo, mas os leitores pediram e, de repente, eu também senti saudades da Marília e da Francine. Mas não havia mais o que contar sobre elas na época de meninas. Então, dei um pequeno salto no tempo e as levei para o início da fase adulta.

Quando o novo livro começa, Marília está a um mês de completar 18 anos. Francine vai completar 20 anos. Só que o princípio da fase adulta traz novos conflitos. O tema dos desejos e do quanto sonhamos com eles está de volta, mas em tons diferentes. Há um personagem masculino muito importante - o Joca - que vem com um sonho muito bem definido: se tornar um jogador de futebol.

Mas a vida não é feita apenas de sonhos, mas de realidade, e muitas vezes de uma realidade pouco palatável. E quando essa realidade se dilui na história da nossa família, seja ela no passado ou no presente, percebemos que é preciso entender muito mais dessa ascendência, para decidirmos nossos próximos passos.

E é assim, às voltas com novos amigos, com o Joca e seu sonho, com as provas de vestibular e com novos conflitos na vida pessoal e em família que Marília aprende que crescer é difícil, doloroso, mas é inevitável.

Há um trecho do primeiro capítulo que fala um pouco desse sentimento.

"A vida tem disso, às vezes não sabemos nem o que pedir. Estamos sempre buscando sonhos e, com eles, a felicidade. Mas do que somos capazes pra realizar esses sonhos? Havia um bom tempo que eu não tinha tantos pedidos pra guardar na caixa. Minha vida corria em paz, eu continuava escrevendo, tinha um namorado, amigos e planejava um futuro como escritora. Mas de repente tudo mudou."

Divulguei também no Twitter (http://www.twitter.com/anacristinamelo) duas frases que dão mais algumas dicas sobre a história:

"Nem sempre as pessoas são o que parecem ser. E nem sempre conhecemos o passado da nossa família".


O livro chegou ao fim. Um livro de cerca de 300 páginas, que me fez aprender muito. Entendi que aprendemos cada vez mais a cada livro que colocamos um ponto final. Talvez esse tenha demorado tempo demais para ser terminado, pois eu estava com medo. Medo de terminar. Medo de colocar o ponto final. Medo de encarar novamente a angústia da aceitação. Mas aprendi que não podemos ter medo. E quando entendi isso, produzi feito nunca, produzi em duas semanas mais do que em dois meses inteiros, e cheguei ao final, e então me veio o vazio, o vazio de ter chegado a esse fim, da história ter sido revelada, da tarefa ter sido concluída.

Falando em tarefa, logo me vem à mente o conto "A troca e a tarefa" da Lygia Bojunga, que está no livro Tchau. Se você não leu ainda, vai lá e compra. Vale a pena. É um livro lindo. E esse conto fala muito dessa angústia do escritor. E nos faz entender que nunca colocamos o ponto final. Apenas criamos mais um degrau, como a imagem que escolhi pra esse post. Não há ponto final. Há apenas um fechamento. É como se fechássemos um livro que acabamos de ler. E para quem tem paixão pela literatura vai entender o que vou falar: quando fechamos um livro, podemos ficar tristes de ele ter acabado, mas logo aplacamos nossa tristeza buscando uma nova história. Pois essa é a mesma sensação de um escritor.

É isso, essa tristeza, esse vazio, precisam ser aplacados. Mas dessa vez, já sei como lidar com meu medo. Ele vai existir, eu vou tremer quando o livro estiver pronto, vou me encolher temendo o que vão dizer, mas agora não posso pensar nisso, preciso continuar, dar o próximo passo, me entregar a novos personagens, aprender mais um pouco. E espero poder continuar esse aprendizado por muito tempo, criando pilhas de livros escritos como aqueles que estão lá no início. E cada vez que eu terminar um texto, que possa ter a vontade de começar outro, abrindo meus sentimentos para o mundo.

Então, conto com vocês para acolher meu próximo filhinho. Previsão: junho de 2011. Se os adultos gostaram tanto do primeiro, que tinha personagens no início da adolescência, tenho esperança que curtam bastante esse também.

E agora vamos a dois novos projetos: um outro livro infantojuvenil e meu primeiro romance adulto. Sobre o que são? Só falo quando colocar o ponto final.

Um lindo domingo pra vocês.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

1ª edição do Jornal Sobrecapa Literal


Já está no ar a 1ª edição do Jornal Sobrecapa Literal, com muitas seções e a proposta de divulgar a literatura nacional.

Acesse o link http://sobrecapa.wordpress.com/sobrecapa-literal/ para ler a 1ª edição. Lá também é possível assinar o jornal, para receber o aviso das próximas edições. A assinatura é gratuita.

E se você quer divulgar:

- dicas de livros
- eventos literários
- iniciativas literárias
- concursos literários
- matérias ou crônicas escritas por você ou que você leu

Participe da seção "Com a palavra, o leitor". No link acima tem o formulário para você mandar sua notícia.

Curta e espalhe a boa notícia!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Estou de volta, com a corda toda!

Voltei! Eu já havia me programado ficar um pouco off em dezembro e janeiro, mas por força de alguns probleminhas de saúde acabei ficando muuuito off.

Mas já estou com a corda toda de novo. Pelos próximos dias, pretendo mudar o layout do Canastra e passar a escrever com mais frequência, como se esse cantinho fosse meu diário pessoal literário, aliás, objetivo inicial dele. E como todo diário, toda vez que eu ler alguma matéria muito legal, que não queira perder o link, vou comentar aqui, como se fosse um pequeno recorte de jornal que colamos nas folhas dos nossos diários.

Muitas mudanças serão feitas nos meus espaços, para que o tempo possa ser dividido de forma justa, não só com as divulgações que não quero abandonar, mas com a minha própria literatura.

E para mostrar que esse espaço aqui é especial, divulgo em primeira mão as duas grandes mudanças que vão acontecer essa semana:

1º) O meu site Sobrecapa (dedicado aos lançamentos literários) passará a publicar um jornal virtual mensal, chamado Sobrecapa Literal. E a primeira edição vai ao ar amanhã (dia 3 de fevereiro). O jornal concentrará artigos, releases sobre livros, lista de mais vendidos (exclusiva da literatura nacional), dicas de português com uma colunista de mão cheia, agenda, concursos literários, dicas de cursos, e muito mais.

Pretendo abrir uma seção: "Com a palavra, o leitor", para que os leitores possam dizer o que está acontecendo de literário em suas cidades. Ou dar dicas de leituras.

É para ser um ponto de encontro, informal, do jeito que a leitura tem que ser.

2º) O blog Ficção de Gaveta (de concursos literários) será descontinuado. Ele passa a ser uma seção dentro do jornal Sobrecapa Literal.

Agora, novidades divulgadas, vamos voltar às anotações do meu diário...

Essa semana eu li uma matéria na Época, escrita pela Eliane Brum, que me deixou muito tocada. Tive o prazer de conviver em oficinas com o Luiz Ruffato, e a definição que a Eliane fez dele: "Ele é uma das pessoas mais encantadoras e generosas que já conheci. Encontrá-lo é como chegar em casa." é uma das definições mais perfeitas que alguém poderia fazer do Luiz. Ele é uma pessoa fantástica. Aliás, existem pessoas fantásticas no meio literário, mas também existem pessoas que, como disse a Eliane, são tão arrogantes e mesquinhas, que ufa!, é melhor chegar perto apenas dos textos, e olhe lá, porque às vezes nem o texto vale a pena. Mas o Luiz, não, ele é aquela pessoa que nos brinda com generosidade, com inteligência, e faz com que a gente sinta privilégio de ser seu amigo. Não deixem de ler a matéria "A Igreja do Livro Transformador" no site da Época, e conheçam um pouco mais desse cara fantástico.

Aliás, falando em generosidade, deixo aqui minhas orações e torcidas pelo Moacyr Scliar, que está internado depois de ter sofrido um AVC. Que ele fique logo bom, pois ele é outro autor que tive o prazer de conhecer e reconhecer a generosidade imensa, tão grande quanto o seu talento.

Força, Moacyr. Estamos torcendo por você.

E aproveitando matérias que nos deixam orgulhosos, confiram outra matéria da Eliane, dessa vez com o Rogério Pereira, editor do Rascunho, talvez o único jornal realmente literário que temos no país. Ele é um batalhador e um orgulho para o meio literário. Então, separem um tempinho e leiam também a matéria "A vingança de Rogério Pereira".

E para fechar o dia, uma super notícia: A Livraria Cultura vem para o Rio. Uhuuuuu!!!!

A grande rede inaugura duas lojas no Rio. A primeira e maior, com 3300 metros quadrados, será no Centro, onde funcionava o Cine Vitória (Cinelândia). A outra ocupará 1000 metros quadrados no shopping Fashion Mall.

Pena que vamos ter que esperar até o segundo semestre. Mas quem sabe eu já não lanço lá o "De volta à Caixa de Desejos", que será publicado esse ano. :)

Beijinhos e até a próxima anotação no meu diário.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Minha mensagem de fim de ano: Vamos desfolhar nesse Natal?

(Crédito da Imagem: Site O Globo)

Estamos no finalzinho de mais uma jornada que se chamou 2010.

Para todos nós foi um ano especial. Não porque foi um ano apenas de vitórias, pois qualquer conquista é uma simbiose de perdas e ganhos, mas porque subimos mais alguns degraus, mesmo sentando, cansados, ora ou outra; fincamos mais algumas bandeiras; realizamos mais alguns sonhos; e alcançamos em paz essa linha de chegada.

Como é comum na vida, tive minhas ondas, que me levaram ao topo da felicidade e me derrubaram na areia da tristeza. Mas hoje, sobrevivendo aos caixotes que a vida me trouxe e outros tantos que eu mesma criei pra mim, suspiro e sorrio, satisfeita, agradecendo:

A Deus, pela proteção de sempre, deixando que meu caminho seja menos árduo;
Aos meus filhos, por serem essa luz que iluminam todos os meus dias;
Ao meu marido, por ser esse amor de 18 anos que ainda é chama e me alimenta os sonhos;
À minha família e todos os meus amigos, pelas palavras, pelos abraços, pelos beijos, pelo carinho, pelo amor, pela presença não necessariamente física, mas sempre alcançando meu coração.

Estamos às vésperas de mais uma renovação. Olho 2011 e peço duas caixas: a das experiências e a dos desejos.

Que a caixa das experiências guarde tudo o que vivemos, de bom ou ruim, para que possamos enxergar essa vida com olhos de criança, a criança que chora, mas é capaz de secar as lágrimas com um sorriso, por enxergar a brincadeira numa embalagem vazia que lhe surge de repente; para que possamos enxergar essa vida com olhos de adulto, maduros, que são capazes de aprender com os erros e se inspirar com os acertos; para que possamos enxergar essa vida com o olhar de quem acredita na magia do Natal.

Que a caixa dos desejos seja imensa e não tenha medidas e já traga em seu fundo o desejo do que é combustível para novas jornadas: paz, saúde, amor e amizade.

Como árvores vivas que somos, que possamos desfolhar nesse final de ano, colorindo nosso caminho, para florir novamente, e alimentar aos que nos cercam com os frutos mais preciosos que somos capaz de produzir: o amor.

Um Feliz Natal para todos, um Ano Novo mágico, de todas as cores, do branco da paz, do verde da esperança, do vermelho da paixão, do laranja da alegria, do amarelo da riqueza e do azul da maturidade.

Recebam aquele meu abraço que muitos conhecem, que diz mais do que todas as letras. E aquele meu beijo cheio de ternura e saudade.

Que 2011 seja um ano de luz e doação e que todos os nossos laços se apertem, se unam, se encham de mais amor.

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Entro em recesso até final de janeiro. Nesse meio de caminho, em alguns momentos estarei por perto, em outros estarei viajando. Vou tirar esses dias para escrever, brincar, descansar e construir minhas caixas.

Sei que o Canastra de Contos ficou um pouco abandonado em 2010, mas vou corrigir essa falha gravíssima em 2011. Estou com várias ideias não só para o blog como para o Sobrecapa e os atualizarei com mais frequência.


Por isso, minha ausência no blog e nas redes sociais será mais constante até fevereiro. Mas estarei sempre por perto e os amigos sabem onde me encontrar.


Um beijo da
Ana Cristina Melo





quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Minha entrevista no Programa Livros na Mesa

Hoje foi ao ar minha entrevista para o Programa Livros na Mesa, com Suzana Vargas, exibido no canal TVC (canal 6 da Net).

Era para eu ter divulgado antes, mas essa guerra que virou o Rio de Janeiro me tirou do prumo.

Mas para quem não ficou sabendo, dá para assistir a reprise no domingo, às 21h30.

A entrevista foi para o Programa Livros na Mesa que é o terceiro bloco dentro do Programa Debate Brasil.

Mas em breve vou tentar o vídeo também para divulgar aqui.

Enquanto isso, vocês podem curtir três das quatro entrevistas que dei para rádios daqui e do Ceará:

- Entrevista ao vivo para Mônica Christi, no Programa Mulher Brasileira, da Rádio Rio de Janeiro. Acesse o áudio da primeira parte e da segunda parte. Exibido em Junho.

- Entrevista para Lilian, no Programa Autores e Ideias, da Rádio Assembléia FM 96,7 (Fortaleza - CE). Acesse o áudio aqui. Exibido em julho.

- Entrevista ao vivo para Alessandra Eckstein, no Programa Estação Cultura, da Rádio MEC AM - Rio. Acesse o áudio aqui. Exibido em novembro.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Lobato é politicamente incorreto?


Uma nova semana se inicia, um novo mês, mas ainda são presentes as principais notícias que nos tomaram no final de outubro: a corrida presidencial e o parecer do Conselho Nacional de Educação contra o livro "Caçadas de Pedrinho" (de Monteiro Lobato), recomendando que o mesmo não seja distribuído a escolas públicas ou, se for, que seja acompanhado de um aviso alertando se tratar de obra racista. (Veja matéria no Estadão - http://blogs.estadao.com.br/marcos-guterman/quem-tem-medo-de-pedrinho )

E vejo que literatura e política estão cada vez mais entremeados.

Vamos lá. Monteiro Lobato escreveu Reinações de Narizinho em 1931 e Caçadas de Pedrinho em 1933, quarenta e cinco anos após a abolição da escravatura. A liberdade não lhes forneceu ascensão social, lhes forneceu o direito de ir-e-vir, o direito de ser humano, acima e antes de tudo. O direito de trabalhar onde fosse respeitado.

No livro Caçadas de Pedrinho, tia Nastácia se declara uma negra de 70 anos, o que nos leva a concluir que, certamente, ela foi escrava, pois a lei do Ventre Livre é de 1871.

Isso nos traz um contexto de época, o que justifica sem muito esforço a posição de Nastácia como agregada da casa. Mas essa agregada que trabalha, que cozinha, é apresentada por Lobato como se fosse uma pessoa da família. Não é a Negra Nastácia, é a Tia Nastácia. É a "negra de estimação que carregou Lúcia em pequena", como o próprio Lobato apresenta no primeiro capítulo de Reinações de Narizinho.

A "bá" que se torna parte da família, que traz a visão do povo, cheio de sabedoria. A sabedoria que está no conhecimento da vida e nas prendas que carrega, pois não podemos esquecer que Emília e Visconde saíram de suas mãos. Em Reinações de Narizinho, Lobato narra a "filosofia" de Narizinho, mostrando essa sabedoria: "As ideias de vovó e Tia Nastácia a respeito de tudo são tão sabidas que a gente já as adivinha antes que elas abram a boca".



Tia Nastácia é respeitada, amada e reconhecida não só pelas crianças como por Dona Benta. E podemos nos perguntar quantos negros nos anos 30 eram assim tratados.

E então, de repente, quase 80 anos depois dessa obra ser publicada, questionam o racismo que existe nela. Será racismo apresentar uma personagem que, sendo parte de um grupo tão à margem da sociedade da época, é apresentada como importante, como uma pessoa digna de respeito? Isso sem contar o lado lúdico e mágico, no qual eu não posso conceber o mundo sem a Emília, que nasceu das mãos de Nastácia.

Na história, durante as crises de perigo, a preocupação das crianças não se limita à avó, mas também à Tia Nastácia. E não vejo algumas passagens mais do que o tratamento cuidadoso com aqueles que de maior simplicidade cultural, mas de grandiosidade humana.

Veja um trecho de Caçadas de Pedrinho:

"Aí é que foi a dificuldade. A pobre negra era ainda mais desajeitada do que Rabicó e Dona Benta somados. Quando, depois de inúmeras tentativas, ia se tenteando sobre as pernas de pau, perdeu de súbito o equilíbrio e veio ao chão, num berro. Felizmente caiu sobre um varal de roupa e não se machucou."

Mas é claro que foram pegar um outro trecho para provar o racismo da obra. Um trecho em que Lobato diz "Sim, era o único jeito - e Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão, pelo mastro de São Pedro acima, com tal agilidade que parecia nunca ter feito outra coisa na vida senão trepar em mastros".

O que é uma macaca de carvão? Não sei dizer. Nem consigo alcançar se isso foi um tratamento preconceituoso. E se tiver sido um momento em que Lobato reforçou a cor de Tia Nastácia, no seu íntimo, em toda sua obra, ele mostra que a cor ou qualquer outra diferença não impede o amor entre as pessoas. Afinal, no Sítio temos uma boneca casando com um porco, uma menina casando com um peixe, um sabugo de milho que se torna um gênio, e por aí vai.

E como ele mesmo diz ao final do livro, Tia Nastácia é gente e gente que merece respeito:

"Dona Benta deu um suspiro de alívio e voltou ao terreiro. Queria continuar o seu passeio no carrinho. Mas não pôde. Tia Nastácia já estava escarrapachada dentro dele.
- Tenha paciência - dizia a boa criatura. - Agora chegou minha vez. Negro também é gente, Sinhá..."

Será que não é isso que Lobato quis passar? Que se deve respeitar o outro, seja ele qual for. Dar-lhes direitos iguais.

Como leitora, como escritora, me pergunto como é possível querer julgar uma obra dessas, no contexto daquela época, pela visão de hoje.

Acho que tem se falado muito de politicamente correto, de racismo; não vejo como trocando o termo "negro" por "afrodescendente" pode resolver os problemas da nossa sociedade. Politicamente, pensa-se em soluções que apenas maquiam os problemas.

Pois eu acho que as soluções deviam se preocupar com a educação, com o sentido de cidadania, de respeito ao próximo. Não só para as crianças como para os pais. Se tivermos maior essa noção, resolve-se não só o desrespeito às etnias ou aos deficientes ou ao meio ambiente, resolve-se o desrespeito à vida como o bem mais precioso.

Será que todas as pessoas que apontam racismo na obra de Lobato ensinam aos seus filhos, aos seus netos, a respeitar o próximo?

Será que essas pessoas, ao dirigirem, ligam uma seta para mudar de faixa, não jogam seus carros na frente de outros motoristas, ou andam três quarteirões para entrar na mão certa, em vez de fazer uma contramão?

Será que essas pessoas ao saírem com seus cachorrinhos, não deixam que eles façam sujeiras na porta dos outros, ou urinem nos carros alheios?

Será que essas pessoas ao terminar de comer uma bala, guardam o papel até a próxima lixeira ou deixam o lixo como rastro de suas atitudes?

Será que essas pessoas evitam fumarem perto de outras ou lançam suas guimbas, ainda acesas, ainda luminosas de seu tipo de pensamento, em qualquer lugar da rua?

Isso me preocupa muito mais. Isso me incomoda muito mais. São pequenas atitudes assim que trazem o racismo contra a vida, contra o semelhante. Há mais de cem anos não temos mais a escravidão, mas a falta de cidadania corrói todas as classes sociais, e faz com que a vida seja reduzida a muito pouco.

Acho que devemos pensar nisso, quando elencarmos o termo "politicamente correto".

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dicas e sorteios

Nos últimos dias, tenho várias dicas para dividir com vocês.

Para quem estiver no Rio de Janeiro, alguns eventos imperdíveis:

O primeiro é a Primavera dos Livros que acontecerá de 21 de outubro a 24 de outubro, nos Jardins do Museu da República, na Rua do Catete, 153, em frente à estação Catete do Metrô.
A entrada é gratuita e os livros serão vendidos com descontos de até 40%.

Eu estarei lá, no estande da minha editora, no sábado. Quem quiser comprar o Caixa de Desejos e ainda pegar um autógrafo, é só aparecer. Chegarei por volta das 10h.

No dia 21, o horário é das 18h às 22h. De 22 a 24, de 10h às 22h.

A programação dos eventos está em http://www.libre.org.br/primavera_livros.asp.

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O segundo é o evento "Eu, o leitor" que acontecerá de 26 a 30 de outubro, na Centro Cultural da Justiça Federal. Mas as inscrições vão até o dia 22, e custa apenas R$ 20. Em cada dia, de terça à sábado, haverá uma fala-exposição sobre cada um dos cinco genêros (poesia, conto, romance, crônica e peça teatral), por uma pessoa ligada especificamente a cada um desses gêneros, seguido depois de conversa, troca de ideias e debate com a plateia.


O projeto é destinado a todos os leitores, principalmente aos esporádicos ou relutantes, maiores de 16 anos. O formato, com uso de linguagem teatral e recursos visuais, em espetáculos de 1h30 de duração, promete desmistificar a leitura e o livro.


Veja detalhes na programação na divulgação do Publishnews: http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=60419

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O terceiro é o lançamento da edição comemorativa de "Pra onde vão os dias que passam?", de Anna Claudia Ramos.

É um lançamento especial, pois celebra os 18 anos de carreira de Anna Claudia, que já publicou dezenas de livros infantis e juvenis. A Editora Escrita Fina está reeditando seu primeiro livro numa edição comemorativa, com depoimentos de quem participou da 1ª edição e resenhas que saíram na época.

Será dia 25 de outubro, às 19h, na Blooks Livraria (Praia de Botafogo, 316 - RJ)

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Agora, algumas dicas legais:

Que tal criar uma biografia para um anônimo?

Pois é, a amiga e escritora Jô Duarte se especializou em criar biografias para anônimos. Em vez de celebridades, ela conta a vida de pessoas comuns que queiram guardar uma bela lembrança e presentear os familiares.

O projeto chamado de Memorabília pode ser conferido no site http://www.memorabilia.art.br/  e na matéria que saiu no G1 (http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2010/10/escritora-cria-biografias-de-anonimos.html).

Quer ganhar exemplares do meu livro Caixa de Desejos?

Há duas oportunidades na rede.

A primeira é no site O Bule. Vale até o dia 22 de outubro e as regras estão no link: http://o-bule.blogspot.com/2010/10/caixa-de-desejos-de-ana-cristina-melo.html.

A segunda é no meu site Sobrecapa. Também só até dia 22 de outubro. Mas o sorteio é múltiplo, com vários livros da Editora Usina de Letras / Vermelho Marinho. Confira as regras no link: http://sobrecapa.wordpress.com/promocoes/promocao-especial-outubro-mes-da-leitura/

Além do meu livro serão sorteados os livros:
- Kôra: pressentimento do dragão (de Ana Flávia Abreu)
- A Última Entrevista de Saramago (de José Rodrigues dos Santos)
- Seu Adolpho (de Felipe Pena)
- Raízes e Asas (de Ronaldo Luiz Souza)
- Sentimentos e Emoções (de José Araújo) 
- John Lennon esteve aqui ontem à noite, again! (de Zezo)
- Teia Negra (de Julio Rocha)
- Ninguém quer comer meu ovo (de Barbara Tomaz, Tomaz Adour e Tatiana Berlim)

domingo, 10 de outubro de 2010

Nobel, prêmios e reconhecimentos

Essa semana o mundo literário se agitou mais do que o normal, com a divulgação do Prêmio Nobel de Literatura. Depois de algum tempo, enfim respiramos aliviados, satisfeitos, com a indicação da Academia Sueca.

Desde quinta-feira a América Latina tem um novo Nobel: Mario Vargas Llosa. E é muito boa a sensação de ver um autor por quem temos admiração sendo reconhecido com um prêmio desse quilate. Foi o que aconteceu comigo.

Em 1982, quando García Márquez ganhou o Nobel, eu ainda não o conhecia, eu ainda não conhecia sua literatura.

Mas agora é diferente, eu já li Vargas Llosa, eu o incluí entre meus autores prediletos muito antes de ele receber o Nobel. E é como se nós, leitores, fizéssemos parte do prêmio, da comemoração, da história desse autor.

Mas em meio à euforia desse prêmio, me pergunto quantos leitores tiveram a mesma sensação. Pergunto-me quantos conhecem Mario Vargas Llosa. Será que os mesmos leitores de "A Cabana" conhecem Vargas Llosa? Será que eles conhecem que essa vitória foi a vitória da narrativa, de um contador de histórias muito especial, foi a vitória da literatura.

E me entristece não poder comemorar essa vitória com o homem ou a mulher com quem cruzo na esquina, no metrô ou no trabalho.

Talvez eles ainda não sejam capazes de comemorar, mas já sejam capazes de "ouvir falar".

Hoje, constato um tanto entristecida que há duas formas de um escritor chegar ao leitor comum, ao leitor despretensioso:

- a 1ª é nascer um best-seller;
- a 2ª é ganhar um prêmio de grande importância

E nossa literatura merece muito mais do que isso. Precisamos começar o reconhecimento no momento que o livro sai da gráfica, que chega às livrarias. Um escritor leva muito tempo trabalhando num texto, para vê-lo nascer e se apagar logo após a noite de lançamentos.

Espero o dia em que o reconhecimento de um escritor e de sua obra tenha início a cada publicação, e não só quando ele receba um grande prêmio.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Não perca o Leitura em Debate do próximo dia 30


Mais uma edição do Programa Leitura em Debate, mediado por Anna Claudia Ramos e realizado mensalmente na Fundação Biblioteca Nacional, acontecerá no próximo dia 30 de setembro, a partir das 16h.

Dessa vez o tema é "Música e Literatura", com a participação de Paulo Bi (cantor, compositor e educador) e Zé Zuca (cantor, compositor, autor e radialista).

Apareçam lá para curtir e prestigiar!

Eu vou!

sábado, 18 de setembro de 2010

Recado de Borges por Rodrigo Gurgel

O crítico literário Rodrigo Gurgel publicou em seu blog, em 3/09, um ótimo trecho da entrevista de Borges, na qual ele deixa um recado aos críticos e escritores herméticos.

Vale conferir.

Link: http://rodrigogurgel.blogspot.com/2010/09/recado-de-borges-aos-criticos-e.html

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Final de semana com Ana Cristina Melo e Caixa de Desejos


Está no Rio? Então tem duas oportunidades de me conhecer e me ouvir falar do livro “Caixa de Desejos”.

No Sábado (dia 18), às 11h, estarei na Pinakotheke Cultural, lendo trechos de Caixa de Desejos e batendo papo com os leitores a respeito do livro. Ótima oportunidade para os jovens e adultos conhecerem melhor minha caixa mágica.


Depois, no Domingo (dia 19), os participantes do Skoob (www.skoob.com.br), a rede social brasileira para leitores, vão se reunir, das 15h às 18h, na Livraria DaConde (Rua Conde de Bernadotte, 26/lj 125 – Leblon – Rio de Janeiro).

Esse será o primeiro encontro temático do site trazendo os Novos Autores Brasileiros. A organizadora Janda Montenegro, autora do livro Antes do 174, vai promover um bate papo comigo, Ana Cristina Rodrigues, Estevão Ribeiro, Luis Eduardo Matta, entre outros. A ideia é falarmos sobre nossos processos criativos e os caminhos para inserção no mercado brasileiro.

domingo, 5 de setembro de 2010

Best-seller: a história de um gênero e artigo "No reino dos best-sellers"




Na última sexta-feira, minha querida amiga e jornalista Halime Musser lançou seu livro "Best-seller: a história de um gênero" (Ed. Usina de Letras), uma obra inovadora a respeito desses livros que de tão peculiares, quase se tornam um gênero próprio. Halime realizou uma pesquisa ampla e profunda sobre o tema, destrinchando o que está por trás dos famosos e vendáveis best-sellers.

Foram escolhidos quatro romances do autor norte-americano Sidney Sheldon, considerado ícone entre os escritores de best-sellers, para iniciar uma discussão recorrente acerca do tema: o que os best-sellers significam para a Literatura e para o mercado editorial? Com base em vários fatores, Halime apresenta caminhos para se entender por que esses livros não podem ser classificados com “subliteratura".

Há no livro ainda uma entrevista inédita com a autora Tilly Bagshawe, de A Senhora do Jogo, sequência de O Reverso da Medalha, de Sidney Sheldon.

Numa bela coincidência, num gancho de mesmo tema, ontem saiu um ótimo artigo no Estadão de São Paulo, intitulado "No reino dos best-sellers".

A. P. Quartim de Moraes, que assina o texto, começa apontando o que há muito tempo eu falo e debato: a lista de mais vendidos é dominada pelos estrangeiros.

Mas não é só nessa constatação que Quartim faz coro com o que penso, mas com a ideia de que "Não tem como evoluir uma literatura que não é publicada", o que acontece com a literatura brasileira.

Vivemos uma era em que se diz que a literatura nacional não vende, mas isso é quase como a propaganda do biscoito "vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?". Se não há divulgação e investimento na literatura nacional, é difícil que ela faça o milagre por si só.

E se levarmos em conta o alto investimento do mercado editorial para conseguir comercializar uma dessas obras que dominam a lista de mais vendidos do New York Times, vemos que não é falta de dinheiro que está impedindo esse acerto interno.

Há muitos autores nacionais que se tornariam facilmente best-sellers de vendas, passando sua literatura muito longe das "facilidades" que são associadas aos best-sellers top de listas.

Mas é preciso investimento. É preciso acreditar que mais espaço na mídia para a literatura nacional gera, por consequência, mais vendas, pois há muito público interessado em ler. Se não fosse assim, a lista de mais vendidos não se bastaria nem com os estrangeiros.

O artigo do Quartim de Moraes pode ser lido, na íntegra, no site do Estadão (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100904/not_imp605205,0.php).

Abaixo reproduzo alguns trechos que merecem atenção:

"Quando nos deparamos com a presença dominante e quase exclusiva de autores estrangeiros nas listas de romances mais vendidos no País, somos levados a uma de duas conclusões: o nosso big business editorial está negligenciando os autores nacionais ou estes estão desaparecendo/trabalhando mal. Pode-se descartar a segunda hipótese sem medo de errar."

"A verdade é que literatura brasileira vende pouco porque as grandes editoras, que ditam os rumos do mercado, não estão dispostas hoje, salvo as honrosas as exceções de praxe - e, mesmo assim, vamos com calma! -, a botar dinheiro nela. Ninguém parece atentar para o fato de que conteúdos genuinamente brasileiros vendem, e muito bem, no mundo inteiro, quando se trata de teledramaturgia, porque as nossas emissoras de televisão há 50 anos investem pesado nas novelas e acabaram criando um padrão internacional de excelência."


"Então, se o segredo é o dinheiro, por que não botá-lo com a mesma generosidade na criação literária brasileira? E apoiar a produção literária nacional não significa apenas editar eventualmente uma obra com tiragem de 2 mil exemplares e abandoná-la à própria sorte."


"Os publishers brasileiros precisam olhar para o futuro e pensar também na responsabilidade social e cultural que o seu negócio implica."

sábado, 4 de setembro de 2010

Ribamar, de José Castello



José Castello lançou essa semana seu romance intitulado Ribamar. Eu que estou tendo a oportunidade preciosa de ouvi-lo mensalmente numa oficina que temos na Estação das Letras, estive no lançamento que aconteceu na última quinta. Recebi seu autógrafo e seu carinho, em agradecimento a nossa presença.

Enquanto esperava uma amiga que estava na fila de autógrafos, comecei ali mesmo a ler seu livro. E de repente me vi arrebatada. Um primeiro capítulo que não nos poupa, que nos mostra o que será o romance, a profundidade com que Castello resgatou suas memórias e a relação com o pai.

Kafka, com sua Carta ao pai, dá-lhe o caminho, mas é pouco, é pequeno, diante do que Castello conseguiu por sua própria sensibilidade.

Ainda não terminei o romance, que nos apresenta fragmentos desse resgate em capítulos curtos. Capítulos que nos deixam revirados e, ao mesmo tempo, ansiosos para continuar sendo atingido do jeito que ele faz.

Um romance maravlhoso, sem dúvida, que esse final de semana mesmo divulgarei no Sobrecapa (http://www.sobrecapa.com.br/). Mas enquanto isso, deixo aqui minha dica. Leiam "Ribamar" de José Castello.

Abaixo, o texto que o autor publicou em seu blog Literatura na Poltrona (http://oglobo.globo.com/blogs/literatura/), falando sobre a concepção do livro.

Leia também a matéria que saiu no Prosa e Verso que dá outros detalhes sobre o livro.

Um convite ao leitor


Autografo nessa quinta-feira, 2 de setembro, no Rio de Janeiro, meu novo livro, Ribamar (Bertrand Brasil). Nele trabalhei durante quatro anos. Embora não seja uma biografia, ou um livro de memórias, mas um romance, tem como figura central meu pai, José Ribamar, falecido em 1982.

Nunca foi tão dificil escrever um livro. Estive várias vezes a ponto de desistir, sofri o diabo, pois não é fácil reencontrar um pai morto. Amigos muito queridos, como Acyr Maya, Flávio Stein, Maria Hena Lemgruber e Paulo Bentancur, me ampararam nos momentos mais difíceis. Conversas decisivas com Romildo do Rego Barros e Antonio Godino Cabas me ajudaram a não me desviar de meu caminho.

Dois primos distantes, mas queridos, Alcenor Candeira Filho e Carlos José Castelo Branco Candeira, me escoltaram durante a viagem que fiz a Parnaíba, Piauí, cidade a que meu pai chegou ainda de fraldas e de onde só saiu para descer para o Rio de Janeiro, estudar Direito e se casar.

Não teria terminado o livro sem a presença afetuosa e leal de Carmen Da Poian, minha primeira leitora. De modo desordenado, mas vigoroso, ela acompanhou a produção de cada um dos 98 capítulos e suas palavras de consolo me impediram de desistir. Com sua infinita paciência, a editora Rosemary Alves me ajudou, também, a conservar a coragem.

Não sei bem o que é esse livro, que escrevi às cegas, guiado mais por impulsos, sonhos, intuições e pela presença sempre desestabilizadora do acaso. Uma frase de André Gide, que depois usei como epígrafe, me guiou. Diz: "Tudo o que vejo, tudo o que fico sabendo, tudo o que me advém há alguns meses, gostaria de fazer entrar no romance".

Segui à risca os conselhos de Gide e transformei meu romance em uma reportagem interior. Nas páginas de Ribamar, ficou, em consequência, uma parte importante de mim. Sei que, agora que o romance está pronto, ele já não me pertence, mas aos seitores que dele se apossarem.

Eu o autografo na noite de hoje, quinta-feira 2, a partir das 19h00, na Livraria DaConde, na rua Conde de Bernadotte, 26, lojo 125, no Leblon.

sábado, 21 de agosto de 2010

Especial Joaquim Nabuco

Grande dica do escritor e amigo JP Veiga:

O Jornal do Commércio publicou um especial dedicado a Joaquim Nabuco, cujo centenário de morte se completa em 2010.

Uma boa leitura, sem dúvida.

O link para acessar: http://www2.uol.com.br/JC/sites/especial_joaquimnabuco/html/html3/index.html

Foto Histórica (e suas histórias) no Brasil

O amigo Guina Ramos foi um dos vencedores do Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia - 2010.

O objetivo do seu projeto é identificar, na História do Brasil, fotografias que foram (ou ainda são) chamadas de “históricas” e montar, a partir da pesquisa, um livro.

O projeto partiu da dissertação de Mestrado do autor (A história bem na foto: fotojornalistas e a consciência da história) do Programa de Pós-Graduação em História Comparada – PPGHC/IFCS/UFRJ, apresentada em Julho de 2008.

Dando início ao projeto, ele criou o blog A Foto História (e suas histórias) no Brasil, no qual é possível conhecer a proposta e acompanhar a pesquisa.

Não só é um belo trabalho, como ótima fonte de pesquisas para os escritores.

Então, visitem http://www.afotohistoricanobrasil.blogspot.com/ e prestigiem.

sábado, 14 de agosto de 2010

Estou chegando na Bienal


Nem vou pedir desculpas pelo sumiço, pois já está ficando sem graça. rsrs

Mas espero que o tempo fique menos enlouquecido a partir da semana que vem e eu possa voltar a postar regularmente aqui no Canastra. Estou sentindo uma baita falta.

Agora, o foco é a Bienal. Amanhã estarei lá numa agenda maravilhosa. Quem estiver por SP, passe para falar comigo, tirar uma foto, pegar um autógrafo, curtir. Quem não estiver, é só espalhar a notícia.

Minha agenda:

Dia 15 de agosto (domingo), às 11h, estarei autografando o livro “Caixa de Desejos”, como membro da AEILIJ, no estande coletivo da Câmara Brasileira do Livro (Rua N42 e O43), junto com o autor Luis Eduardo Matta. Teremos um bate-papo sobre literatura juvenil e a paixão pelos livros.


Dia 15 de agosto (domingo), às 14h, no estande da Editora Usina de Letras (K56), autografando meu livro “Caixa de Desejos”.

Dia 15 de agosto (domingo), às 20h, no estande da Editora Usina de Letras (K56), autografando o livro “Humor Vermelho 2″, do qual faço parte com o conto “A Traição”.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Lançamento de Humor Vermelho 2


Olá, queridos! Primeiro, desculpem o sumiço. Mas alguém tem frasco de tempo extra para vender? Não me falta o que falar, me falta tempo para chegar aqui.

E para completar estive envolvida com tarefas extras como aulas e a revisão dos meus livros (técnico e de ficção). Assim, acabo vindo aos 45 do segundo tempo (bem de acordo com o tema do meu conto) para convidá-los para o lançamento do Humor Vermelho 2, que será HOJE! Tá, sei que está em cima, mas sempre dá tempo, não é (pelo menos para quem está no Rio)? Principalmente, pois o livro tem um conto meu. Quem não me conhece pessoalmente, é uma ótima oportunidade. rsrs

O livro vem com uma proposta especial: arrancar boas risadas de seus leitores. De vez em quando é bom ler algo com o intuito só de relaxar, rir e aliviar a tensão. E a parte mais legal é que tem um conto meu lá.


É hoje, na Livraria Travessa do Shopping Leblon, a partir das 19h. (Cliquem no convite para ver os detalhes)
 
Abaixo o release para vocês conhecerem um pouquinho mais do livro e saber quem está na turma de autores.
 
HUMOR VERMELHO 2 : ELES VOLTARAM, PIORES DO QUE NUNCA!

É LANÇADO O SEGUNDO VOLUME DA SÉRIE MAIS ORIGINAL DE HUMOR DO BRASIL.

Já imaginou os seus avós comemorando bodas de ouro num motel? E quando te dá aquela dor de barriga a dezesseis estações de casa? O que fazer quando um assaltante entra numa clínica de depilação e você está numa posição comprometedora?

Rir é sempre o melhor remédio, por isso o livro Humor Vermelho está de volta. O segundo volume promete arrancar gargalhadas dos leitores e vem com novidades, pra começar treze novos autores:

“O Humor Vermelho faz muito sucesso justamente porque é original. São textos surpreendentes e politicamente incorretos. Agora estamos dando oportunidade para 13 autores estrearem na série, e tenho certeza de que o povo vai rir ainda mais!” – diz Barbara Cassará, coordenadora desse segundo volume.

Outra novidade fica por conta de três histórias proibidas para maiores de 60.

“Nós adoramos, mas as nossas mães leram, e elas detestaram! É humor da nossa geração” – complementa.

O que diferencia o Humor Vermelho 2 é a mistura de estilos de seus autores. Na lista se encontram roteiristas do Zorra Total, Grande Família, Telecine, Multishow, GNT, escritores, blogueiros, teatrólogos, atores e jornalistas - todos tem carta branca para escreverem sobre o que quiserem. É impossível o leitor não se identificar com as situações embaraçosas e inesperadas. Algumas são pura ficção, outras inspiradas em fatos reais.

O lançamento da obra, com o selo Vermelho Marinho será no dia 04 de Agosto (quarta-feira), às 19h, na Livraria Travessa do Leblon.

O único efeito colateral do livro é não parar de rir.

Título: Humor Vermelho – volume 2
Preço: R$ 20,00

Lista dos Autores do Humor Vermelho 2:

1. Moisés Liporage - Com o pé na cova - escritor e roteirista (Telecine/ Multishow)
2. Ana Cristina Melo – A Traição – escritora e editora (sites Sobrecapa/ Ficção de Gaveta)
3. Alexandre Raupp – Sangue – roteirista (Por Um Fio/GNT)
4. Paula Gicovate – Pelo Menos – roteirista, escritora e mulherzinha (blog Umbigo de Paula)
5. Henrique Rodrigues – Fator tarja preta - escritor e doutorando em Literatura
6. Natasha Stein – A cor do preconceito – jornalista e assessora de imprensa
7. Alexandre Plosk – Cabeça Quente – escritor e roteirista do “Estrelas”
8. Barbara Cassará – Otacílio & Josefa – escritora e editora
9. Adriana Maia – A morte lhe cai bem – roteirista (Moviebox Telecine)
10. Andréa Codorniz – Alice quase no País das Maravilhas – Psicóloga, escritora, asneiróloga (blog Exorcize Sua Alma Gorda)
11. Julio Rocha – A lenda de Udalá – escritor, ficcionista e roteirista de Teatro
12. Marcia Mendel – Comunicando-se – jornalista e roteirista de teatro
13. Alexandre Martins – Mocreias – escritor (blog Um Cara Normal)
14. Wladimir Weltman – Chorando com Sade – roteirista (Zorra Total / Globo)
15. Fábio Fernandes – Amnésia 4 – jornalista (Pasquim, Globo) & professor (Comunicação)
16. Tati Berlim – Enquanto isso no paraíso... – produtora de TV e jornalista
17. Marco Santos – Missão: tirar o charuto do beiço – ator e escritor
18. Maurício Zagari – TUM – jornalista, crítico cinema JB
19. Bruno Weikersheimer – O dia em que papai morreu novamente – roteirista (TV XUXA)
20. Nelson Caldas Filho – A Yogue – Roteirista e diretor de cinema e TV (Grande Família/ Sob nova direção)
21. Zezo (José Feliciano Delfino) – A.M.A. – Roteirista, piadista (Band/Globo) e escritor
22. Tomaz Adour – Amélia Liberada – editor e escritor

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Carta pública da AEILIJ ao Ministro da Cultura

A AEILIJ está divulgando a carta aberta que enviou ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Cultura Juca Ferreira posicionando-se a propósito do Anteprojeto de Lei que regula os direitos autorais e que se encontra em consulta pública.

Nó, autores de LIJ, entendemos que alguns pontos precisam ser revistos, pois ferem diretamente toda a cadeia produtiva do livro.

Nos ajudem a divulgar. A carta pode ser acessada no site da AEILIJ.











Rio de Janeiro, 18 de Julho de 2010

Ao

Excelentíssimo Senhor Ministro da Cultura Juca Ferreira

Esplanada dos Ministérios, Bloco B, Brasília - DF, CEP 70068-900

Re.: Anteprojeto de lei que altera a Lei Federal 9.610/98 apresentado pelo Ministério da Cultura para consulta pública em 14/06/2010

A AEILIJ - Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, entidade que representa os autores de texto e imagem que atuam no segmento de literatura infantil e juvenil vem, por meio deste documento, posicionar-se a propósito do Anteprojeto de Lei que se encontra em consulta pública e que objetiva alterar a Lei 9.610/98, que regula os direitos autorais.

Entendemos que algumas das propostas apresentadas pelo Anteprojeto, ao invés de estimular a produção de bens culturais, podem trazer sérios prejuízos à cultura brasileira e à subsistência da produção intelectual, assim como aos segmentos de mercado a ela relacionados e suas respectivas cadeias produtivas, visto que alguns dos acréscimos propostos são danosos ao exercício profissional dos criadores de obras artísticas, científicas e literárias.

Mais ainda: alguns acréscimos, visando especificar e legalizar determinadas práticas, como as apresentadas no Artigo 46, principalmente em seu parágrafo único, fornecerão, na prática, subsídio legal para a reprodução e disponibilização não autorizadas de obras integrais protegidas, sem que os titulares do direito autoral tenham uma justa contrapartida.

Algumas propostas ferem gravemente os direitos de exploração da obra por seus autores e editores, autorizando a reprodução e distribuição ao público, na íntegra, de obras protegidas utilizando-se de expressões muito amplas, capazes de abranger, praticamente, todo e qualquer tipo de utilização, sem excluir a possibilidade de exploração econômica por terceiros, ("para fins educacionais, didáticos, informativos, de pesquisa") e subjetivas ("sem prejudicar a exploração normal da obra e nem causar prejuízo injustificado aos legítimos interesses dos autores").

Estes dispositivos ferem os direitos do autor que a lei deveria defender e contrariam aquilo que é garantido pela Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 5, inciso XXVII:

"aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar."

Ainda que reconheçamos pontos positivos, como a inclusão de um capítulo tratando especificamente da reprografia (Capítulo IX, que ainda carece de reparos), o fato é que estes possíveis avanços são neutralizados por outros dispositivos, como o já citado parágrafo único do Artigo 46. Surpreende-nos também que sejam incluídos dispositivos que reduzem as penalidades de possíveis infratores e outros que passam a penalizar os detentores de Direitos Autorais, invertendo o propósito da lei. Outro motivo de estranheza é que, apesar de o surgimento de novas tecnologias de reprodução e disseminação de obras autorais ser uma das principais alegações para as mudanças na atual Lei de Direitos Autorais, vários dos dispositivos passam ao largo destas mesmas inovações, não considerando, por exemplo, o livro eletrônico, a remuneração por download ou a impressão por demanda.

Os associados da AEI-LIJ acreditam que os livros de literatura infanto-juvenis são obras culturais indispensáveis à formação do leitor e do cidadão, e contribuem para o desenvolvimento nacional. Para garantir e expandir a produção deste gênero de obras literárias deve ser assegurado a autores e editores o retorno financeiro necessário à subsistência. Práticas como as cópias ou uso não autorizado de obras literárias (incluindo suas ilustrações), mesmo que parcialmente, sem a justa e necessária contrapartida a seus autores configuram ato danoso à produção literária. A Lei de Direitos Autorais deve ter o compromisso de garantir que autores, empresas e profissionais da área tenham o direito de sobreviver de seu trabalho. Isto deve ser proporcionado por meio da formulação de leis que sejam claras e eficientes na manutenção do direito à comercialização a preços justos e acessíveis à sociedade, ou mesmo de seu livre acesso, desde que garantida a remuneração necessária de seus autores. Sem este compromisso, a produção literária no Brasil corre o sério risco de sofrer uma perda irremediável de qualidade.

Tal como se apresenta, o Anteprojeto provocará desestímulo à produção intelectual, artística e literária no país, motivo pelo qual consideramos necessário buscar maior equilíbrio entre os direitos de quem produz e os de quem se beneficia desta produção, o que, certamente, ainda não foi alcançado no atual Anteprojeto.

Sem mais para o momento, agradecemos a atenção.

Cordialmente,

Anna Claudia Ramos              Maurício Veneza
     Presidente                              Vice-presidente